Publicado em 30 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Fred( @humorcomrumor)
Pedro do Coutto
As investigações conduzidas pela Polícia Federal revelam a cada dia um esquema de corrupção de grande escala envolvendo integrantes e ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social . De acordo com os relatórios, mais de R$ 17 milhões teriam sido transferidos a ex-gestores do órgão por intermédio de pessoas ligadas a associações responsáveis por descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Entre os nomes citados, destacam-se os ex-diretores André Fidelis e Alexandre Guimarães, que, segundo a PF, receberam valores por meio de terceiros com vínculos pessoais ou empresariais. Além disso, o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Oliveira Filho, afastado por decisão judicial, teria sido beneficiado financeiramente por meio de sua esposa, que recebeu não apenas recursos financeiros, mas também bens de alto valor, como um veículo de luxo avaliado em mais de meio milhão de reais.
INTERMEDIAÇÃO – O relatório aponta ainda que o filho de André Fidelis, o advogado Eric Fidelis, recebeu aproximadamente R$ 5,1 milhões de empresas que atuavam como intermediárias entre o INSS e as associações. Alexandre Guimarães, por sua vez, teria recebido mais de R$ 300 mil por meio de uma empresa de sua titularidade, com a intermediação de Antônio Carlos Camilo Antunes — apelidado de “Careca do INSS” —, apontado como principal articulador dos repasses ilícitos.
Antunes estaria ligado a 22 empresas, muitas delas com características típicas de estruturas utilizadas para ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, como o uso de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) com dados empresariais idênticos.
As investigações ganham amplitude com a deflagração da Operação Sem Desconto, coordenada pela PF e pela Controladoria-Geral da União. O esquema teria desviado, entre 2019 e 2024, até R$ 6,3 bilhões. As práticas incluíam o desconto automático de mensalidades de aposentados e pensionistas sem autorização, com apoio de Acordos de Cooperação Técnica firmados com o INSS.
FALHAS – A CGU identificou falhas nos processos de validação de consentimento e indícios de falsificação documental, especialmente em relação a beneficiários com deficiência que não teriam capacidade legal para autorizar filiações.
Do ponto de vista institucional, o episódio expõe fragilidades graves na governança e nos mecanismos de controle do INSS. A continuidade das práticas até 2023 levanta questionamentos sobre a conduta do ministro Carlos Lupi, responsável pela pasta. Sua alegação de que “as coisas são lentas no governo” sugere uma possível negligência administrativa.
A percepção de omissão, combinada à falta de medidas corretivas oportunas, contribui para o aumento da pressão política e institucional sobre o ministro, cuja permanência no cargo pode se tornar insustentável diante da magnitude do escândalo.