quarta-feira, julho 05, 2023

Documentos e depoimentos mostram como a Folha colaborou com a ditadura

 

Thiago da Agência Pública aliados@apublica.org


Boa tarde,


Todo mundo sabe que parte da imprensa brasileira colaborou com a ditadura militar. Mas até que ponto se deu essa cooperação? E o que isso significou na prática?


No caso da Folha de S. Paulo, documentos analisados pela Agência Pública indicam que a aliança com a ditadura foi mais forte do que o jornal admite.


Acabamos de publicar uma reportagem explicando exatamente como a Folha de S. Paulo teria ajudado o regime militar, de acordo com documentos e testemunhos obtidos pelo Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf) – ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – e analisados com exclusividade pelos nossos repórteres. Você pode ler a reportagem completa em nosso site.


Segundo a pesquisa, o grupo Folha teria emprestado carros de distribuição de jornais para que agentes da repressão os usassem para disfarçar operações do regime que teriam resultado em prisões, assassinatos e desaparecimentos de militantes da esquerda armada. Além disso, de acordo com a pesquisa, pelo menos três policiais estiveram contratados pelo jornal ao mesmo tempo em que perseguiam opositores do regime. Entre estes profissionais estaria Sérgio Fleury, o delegado que chefiou o “esquadrão da morte” e depois recebeu carta branca do regime militar para torturar e matar oponentes políticos.


A Folha foi uma das dez empresas tratadas no especial "Empresas Cúmplices da Ditadura". Você pode estar se perguntando por que decidimos investigar agora coisas que aconteceram há tanto tempo. A razão é simples: a gente acredita que é essencial investigar um passado que tem reflexos decisivos no presente.


Se tem tanta gente clamando por intervenção militar até hoje é também porque o Brasil passou tempo demais falando sobre a ditadura com meias palavras, com meias verdades, que, no fundo, não passam de mentiras. E a gente não vai construir uma democracia saudável negando, escondendo ou passando pano para os crimes cometidos no passado por quem quer que seja. O direito à memória e à verdade segue sendo algo em aberto no país, ao contrário do argumento sobre a Lei da Anistia ter botado fim ao processo. Mentira.

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