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O que está em jogo é muito mais do que a eleição para os conselhos tutelares. A grande maioria dos eleitores certamente pouco sabe sobre seu funcionamento, seus problemas e sua importância. Sequer sabia que eles existiam até poucos dias atrás.
A disputa sem precedentes neste ano, em primeiro lugar, tem a ver com o fato de que é a segunda oportunidade de uma eleição unificada em todo o Brasil. A primeira foi em 2015, com muitos percalços. O fato de ser unificada deu a uma eleição pouquíssimo lembrada quase que um caráter plebiscitário, sobre aqueles que estão de acordo com a política de destruição do legado da Constituição de 1988 e aqueles que defendem a manutenção dos direitos lá previstos e regulados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
O pacto social de 1988 não mais existe. Morreu em algum momento desta década que vai se findando. Agora, qualquer disputa eleitoral se tornou uma disputa ideológica, de concepção de mundo, onde o moralismo, o conservadorismo, diversas fobias, interpretações fundamentalistas da Bíblia se enfrentam com as forças que ainda buscam o fortalecimento dos espaços democráticos de atuação da sociedade civil, o Estado laico, a República como princípio fundamental de convivência entre nós.
Fundamental para os movimentos progressistas avaliar o resultado destas eleições de hoje. Não dá para saber ainda se as candidaturas que defendem o ECA se sairão melhor do que nas eleições anteriores. A mobilização entre nós foi muito forte, mas a mobilização do outro lado foi também de grandes proporções.
Nota da redação deste Blog - Estamos diante de uma amostra do que acontecerá no próximo ano. Nada mudou, a disputa continua sendo os mesmos de sempre.
Resultado da apuração das urnas para Conselho Tutelar de Jeremoabo. - Para bom ententendor o recado está dado!!!

Wagner Romão é professor de ciência política na Unicamp e presidente da Associação de Docentes da Unicamp – ADunicamp
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