
Chapa “Renovação Democrática” concorreu sozinha
Ricardo Della Coletta
Folha
Folha
Com a promessa de renovação, o MDB elegeu neste domingo, dia 6, o deputado Baleia Rossi (SP) como seu novo presidente nacional em uma executiva nacional com forte presença de filhos de políticos tradicionais da sigla. A escolha de Rossi para comandar o partido ocorreu numa convenção nacional realizada em Brasília.
À frente de uma chapa única, o parlamentar foi eleito com 311 dos 319 votos — no total, 209 pessoas participaram da votação, sendo que as regras estabelecem que algumas podem votar mais de uma vez. Rossi assume um partido com grande capilaridade nos estados e municípios, mas que viu sua força no Congresso Nacional reduzida nas eleições de 2018.
PERDAS – Embora tenha se mantido como a legenda com o maior número de senadores, a bancada na Casa caiu de 19 para 12 parlamentares. Além do mais, o MDB perdeu a presidência do Senado para Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na Câmara, os prejuízos foram ainda maiores: de 51 deputados para 34. “Precisamos nos reinventar e encarar os nossos erros. Precisamos fazer diferente. Mas temos que reconhecer que temos uma história maravilhosa, de luta pela democracia”, declarou Rossi.
Apesar de reivindicar uma renovação, o novo comando do partido é integrado por parentes de antigas lideranças ou por pessoas ligadas a elas. O próprio novo presidente do MDB, deputado federal desde 2015, é filho de Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura do governo Dilma Rousseff.
TUDO EM FAMÍLIA – Dois outros integrantes da executiva nacional tem situação semelhante: Daniel Villela, eleito terceiro-vice-presidente, é filho do ex-governador de Goiás, Maguito Vilela. E o secretário-geral da sigla, deputado Newton Cardoso Jr., é filho do ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso.
Na mesma linha, os diretórios estaduais do partido continuam nas mãos de figuras históricas do MDB, como as famílias Picciani (Rio de Janeiro), Barbalho (Pará) e Calheiros (Alagoas).
“RADICALISMOS” – Em seu discurso, o novo presidente do partido fez ainda um apelo contra “radicalismos” e defendeu as forças de centro — o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o presidente do PSDB, Bruno Araújo, participaram da convenção dos emedebistas.
Baleia Rossi reconheceu ainda que o MDB pagou um preço diante da opinião pública por ter integrado todas as administrações no país nas últimas décadas, e disse que o partido precisa “viver sem participar do governo”. “Não precisamos de governo para sobreviver porque o MDB é muito maior do que isso”, argumentou. Apesar das declarações, o atual ministro da Cidadania, Osmar Terra, é filiado ao MDB.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A história se repete. O discurso de se reinventar ou renovar os quadros se restringe apenas às táticas internas e às articulações da legenda. O que muda se as famílias tradicionais se mantém no poder, impregnando o país com as ações da velha política ? Mudam os semblantes, mas não os sobrenomes. Não há renovação. Os velhos brasões e laços familiares se perpetuam no revezamento do comando do país, alterando apenas a envergadura. São pais, filhos, casais, tios, sobrinhos, primos, cunhados, ex-cônjuges e até amantes, por que não dizer ? Todos unidos pelo exercício do mandato. As capitanias hereditárias estão mais vivas do que nunca. E, para fechar, as palavras do ex-ministro Moreira Franco sobre o encontro do MDB. “Nós precisamos fazer diferente. É para inspirar uma postura, uma avaliação, um esforço para recomposição dos laços de presença, de confiança, de engajamento do partido com a sociedade, para que nós possamos resistir mais uma vez”. Um atentando à inteligência do cidadão eleitor. Quanto deboche ! (Marcelo Copelli)
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A história se repete. O discurso de se reinventar ou renovar os quadros se restringe apenas às táticas internas e às articulações da legenda. O que muda se as famílias tradicionais se mantém no poder, impregnando o país com as ações da velha política ? Mudam os semblantes, mas não os sobrenomes. Não há renovação. Os velhos brasões e laços familiares se perpetuam no revezamento do comando do país, alterando apenas a envergadura. São pais, filhos, casais, tios, sobrinhos, primos, cunhados, ex-cônjuges e até amantes, por que não dizer ? Todos unidos pelo exercício do mandato. As capitanias hereditárias estão mais vivas do que nunca. E, para fechar, as palavras do ex-ministro Moreira Franco sobre o encontro do MDB. “Nós precisamos fazer diferente. É para inspirar uma postura, uma avaliação, um esforço para recomposição dos laços de presença, de confiança, de engajamento do partido com a sociedade, para que nós possamos resistir mais uma vez”. Um atentando à inteligência do cidadão eleitor. Quanto deboche ! (Marcelo Copelli)