segunda-feira, agosto 26, 2019

Polícia Federal investigará “dia do fogo” no Pará a pedido de Bolsonaro


Medida tenta reverter crise instaurada após aumento das queimadas
Ana Krüger
G1
A Polícia Federal vai investigar uma série de queimadas registradas no estado do Pará.  Na noite deste domingo, dia 25, o presidente Jair Bolsonaro assinou um despacho determinando à PF a investigação sobre a “possível existência de ação premeditada de criminosos nos incêndios e queimadas ocorridos na área da Floresta Nacional de Altamira desde o dia 10 de agosto de 2019”. Reportagem da Revista Globo Rural publicada neste domingo mostra que redes sociais foram utilizadas para convocar o “dia do fogo”, realizado no dia 10 de agosto, quando várias regiões do estado foram incendiadas.
Em uma rede social, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que o presidente Jair Bolsonaro “determinou abertura de investigação rigorosa para apurar e punir os responsáveis pelos os fatos narrados”. Os fatos a que Salles se refere são os citados na reportagem da Revista Globo Rural. Na sequência, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, compartilhou a publicação do ministro do Meio Ambiente e disse ter sido contatado neste domingo por Bolsonaro, que pediu apuração rigorosa dos episódios. “A Polícia Federal vai, com sua expertise, apurar o fato. Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos”, afirmou Moro na rede social.
INVESTIGAÇÕES – Na última quinta-feira, dia 22, o Ministério Público Federal no Pará informou, em nota, que conduz investigações, em três municípios e na capital paraense, para apurar a “diminuição no número de fiscalizações ambientais na região, a ausência da Polícia Militar do estado no apoio às equipes de fiscalização e o anúncio, veiculado em um jornal de Novo Progresso (sudoeste do estado) convocando fazendeiros para promoverem um ‘Dia do Fogo”. Também neste domingo, o governo do Pará e representantes das Forças Armadas se reuniram para traçar um plano de ação para o combate às queimadas. O Pará lidera o número de queimadas registradas em agosto em todo o país, segundo dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Sete estados brasileiros já pediram ajuda às Forças Armadas para combater as queimadas na Amazônia. São eles: Amazonas; Acre; Rondônia; Roraima; Mato Grosso; Pará e Tocantins. No sábado, dia 24, o Ministério da Economia aprovou a liberação de R$ 38,5 milhões para o combate de queimadas na região da Amazônia. O dinheiro liberado estava bloqueado no orçamento da pasta. Na sexta-feira, dia 23, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto autorizando as Forças Armadas a atuar no combate ao fogo na região da Amazônia Legal, que compreende os sete estados da região Norte, além de Maranhão e Mato Grosso.
CRISE – Para a medida passar a valer, é preciso que o governador de cada estado solicite oficialmente a ajuda federal. A ação das tropas federais na Amazônia começou no sábado, na região de Porto Velho, capital de Rondônia. As queimadas na floresta amazônica geraram uma crise para o Palácio do Planalto nos últimos dias. A política ambiental de Bolsonaro gerou críticas no Brasil e no exterior.
Na sexta-feira, depois de uma semana de desgaste, o presidente, além de acionar as tropas federais, fez um pronunciamento em rádio e TV dizendo que terá tolerância zero com crimes ambientais. De acordo com a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana), 2019 é o pior ano de queimadas na Amazônia brasileira desde 2010. Nesta semana, a Nasa divulgou várias imagens que mostram pontos de queimadas em Rondônia. A fumaça pôde ser vista do espaço.

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