quarta-feira, novembro 24, 2010

Em pleno preparativo para a Copa e a Olimpíada, o crime toma conta das ruas do Rio de Janeiro, enquanto o governador, candidamente, ainda julga que vivemos “no melhor dos mundos”.

Helio Fernandes

Durou pouco, muito pouco, o projeto de marketing político armado pelo governador serginho cabralzinho filhinho para arrasar os adversários. Durou pouco, mas foi suficiente para ele se reeleger, folgadamente. Agora é preciso voltar à realidade.

Menos de dois meses depois da eleição, não somente restou provado que as famosas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) não resolvem a grave questão da saúde, como também as UPPs (Unidades de Policiamento Permanente) não solucionam nem diminuem a questão da criminalidade, muito pelo contrário.

Nas favelas pacificadas, já se sabe que houve um pacto sinistro entre autoridades e traficantes, com aceitação tácita do comércio de drogas, desde que não chame atenção nem haja tiroteios e balas perdidas. Traduzindo: o tráfico permanece, em clima ameno, e os jovens PMS que foram lotados nessas UPPs (quase todos são novatos) correm o risco de ficar ricos – se é que vocês me entendem, como dizia o genial cronista Maneco Muller, o “Jacinto de Thormes”.

Em linguajar claro; para os traficantes, fica muito mais barato subornar os policiais (que ganham salários irrisórios para arriscar a vida, embora uma coisa não justifique a outra) do que manter os custosos aparatos de “soldados e olheiros”, com armas e munições.

Outro efeito colateral do projeto de marketing político de cabralzinho, mais do que esperado, era o crime dominar as ruas. É claro que os soldados do tráfico, que perderam “o trabalho” nos morros onde já existem UPPs, não tardariam a arranjar outras ocupações. Esta é uma explicação mais do que lógica.

Pode-se argumentar que o aumento da criminalidade nas ruas tem mil explicações, é claro. Mas algumas são mais evidentes. Exemplo: a polícia não mais controla o trânsito. Antes, era a PM que cuidava disso, depois passaram para a Guarda Municipal e agora quem faz o serviço são uns jovens terceirizados que usam macacões azuis e verdes, bem espalhafatosos, e ficam apitando sem parar, enlouquecendo os moradores das proximidades.

Em Nova Iorque e outras grandes cidades, é exatamente o contrário. Quem controla o trânsito é a polícia. O motivo é óbvio. Com essa estratégia, em cada esquina há um policial armado, que pode reagir contra os criminosos e chamar reforços a qualquer momento. Funciona? Claro que sim. A cidade fica visivelmente policiada.

***

PS – O que não funciona e nunca vai funcionar é o projeto de Sérgio Cabral. O Rio de Janeiro tem mais de mil favelas. Já perdi a conta. O governo não possui contingente policial nem mesmo para patrulhar as ruas, os crimes ocorrem até em frente ao Palácio do governador, como se viu novamente esta semana, é um achincalhe. E ainda há quem aplauda a política de segurança de Sérgio Cabral.

PS2 – O mesmo descalabro se verifica na área da Saúde, em que a prioridade são as UPAs, enquanto os grandes hospitais literalmente agonizam, a exemplo de seus pacientes que não conseguem acesso às UTIs, nem mesmo munidos de determinação judicial.

PS3 – Sergiinho cabralzinho diz que este é seu último mandato e pretende abandonar a política. Já vai tarde. Deveria ter se dedicado a outra ocupação. Seria um excelente publicitário, um marqueteiro de primeira.

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Em destaque

Lula deve ir aos Estados Unidos para se reunir com Trump nesta semana

  Lula deve ir aos Estados Unidos para se reunir com Trump nesta semana Expectativa é que reunião entre os presidentes seja na quinta-feira ...

Mais visitadas