quinta-feira, setembro 17, 2026

Quando o Supremo passa a julgar a si próprio, é sinal de que a crise é muito grave


Pedido de vista significa que o julgamento ficará suspenso até depois das eleições


Flávio Dino reverte afastamento de cúpula da PF, critica 'decisão em causa  própria' e aponta risco a investigações do caso 'Dark Horse' | G1

Dino procura evitar os efeitos da investigação de Moraes

Vicente Limongi Netto

O ministro Flávio Dino deu uma jogada de mestre ao retirar seu voto e pedir vista. Significa que esse julgamento ficará paralisado até depois das eleições, evitando que eleitores fiquem influenciados como era de interesse de Flávio Bolsonaro. O ministro André Mendonça conseguiu tumultuar o Supremo Tribunal Federal (STF) para influir nas eleições, o que o condenado Jair Bolsonaro não conseguiu. 

Parte da imprensa vem batendo forte no ministro Alexandre de Moraes, não pelos seus erros, mas pelos seus acertos. Moraes foi a voz mais forte contra a tentativa do golpe e foi graças ao relatório dele que levou o ex-presidente e militares de alta patente à condenação pelo plenário do STF. Isso é inédito na História do Brasil. Os bolsonaristas estão ressentidos, querem ver Moraes morto.

CONDENADO – Por sua vez, as pesquisas estão erradas ou os eleitores em torno de 40%, que votam em Flávio Bolsonaro não sabem que o inútil senador foi condenado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato. O processo foi arquivado por questões processuais.

Flávio Bolsonaro não refutou nenhum dos motivos que sustentavam a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro. Como não bastasse, Flávio Bolsonaro é o mais envolvido no caso do banco Master, está sendo investigado pela Policia Federal no STF, pela suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e organização criminosa.

Flávio também deve explicações convincentes sobre os 140 milhões de reais que recebeu de Vorcaro para o filme de terror do pai dele e para sustentar o irmão idiota, Eduardo, nos Estados Unidos.

ENCANTAMENTO – Pasmado, ouço nesta noite de quarta um grupo de sabidas meninas da GloboNews encantadas com Flávio Bolsonaro. Falantes e esmeradas em especulações, já arriscam ações do filho do condenado na Presidência da República.

Algumas arriscam até mudanças que o senador inútil, amigão de Vorcaro, fará na Suprema Corte. Mudaram de lado mais cedo do que imaginava. Olhos de algumas delas agora brilham quando falam do Flávio Rachadinha. Volúveis politicamente.

Um repórter sentado entre elas tenta levantar o ânimo de Lula, lembrando que o jogo não acabou. Mas elas refutam, desdenham, acham graça do colega. Colecionadores gravaram o programa para ouvir e recordar mais adiante. O jornalismo brasileiro nunca esteve tão desmoralizado e indecoroso. 

Pico de menções às denúncias sobre o “Dark Horse” acende alerta para Flávio Bolsonaro



Após a brigalhada em plenário, o código de conduta de Fachin perde espaço entre ministros


Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Petrocilo
Gabriela Echenique
Folha

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e observadores da corte avaliam que a proposta do ministro Edson Fachin de criar um código de conduta para integrantes da corte ficou definitivamente inviabilizada após a traumática sessão desta terça-feira (15).

O nível de agressividade entre as diferentes alas da corte e a quebra de confiança interna devem enterrar qualquer possibilidade de que a medida, que já era polêmica, seja implementada.

ARTICULAÇÃO – Interlocutores dos ministros do Supremo afirmam, sob reserva, que a postura de Fachin durante o julgamento evidenciou que ele não tem condições de articular um eventual código de ética para os ministros.

O sentimento é que o presidente da corte sai enfraquecido perante os colegas. Não há clima neste momento para cumprir a previsão de apresentar uma versão do manual após a eleição, até porque a crise gerada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro não deve passar tão cedo.

CONVERGÊNCIA – A crise também expõe uma dificuldade mais profunda: a de reconstruir algum grau de convergência interna em uma Corte marcada por divergências cada vez mais públicas. A proposta de Fachin dependia não apenas de uma formulação jurídica, mas de um mínimo de consenso entre os ministros sobre limites de comportamento, transparência e convivência institucional. Depois do embate de terça-feira, esse consenso parece ainda mais distante.

Além disso, o episódio envolvendo Vorcaro ampliou as tensões em torno de informações, investigações e procedimentos que atingem diferentes integrantes do Supremo. Enquanto não houver uma acomodação dessas disputas, qualquer tentativa de estabelecer novas regras de conduta corre o risco de ser interpretada dentro da própria Corte como parte do conflito interno.

O desafio de Fachin, portanto, deixou de ser apenas elaborar um código: passou a ser recuperar as condições políticas e institucionais para que ele possa ser discutido pelos próprios ministros.

Dark Horse: R$ 906 mil em hotelaria expõem o luxo por trás do filme de Bolsonaro

Publicado em 17 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet

Produtora pagou por ‘hospedagem, gorjetas e massagens’

Dimitrius Dantas
O Globo

Notas fiscais e comprovantes de pagamentos enviados pela produtora Go Up, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, revelam que a empresa fez pagamentos consideráveis para a hospedagem do ator Jim Caviezel no Brasil, incluindo um pagamento de R$ 298 mil com a rubrica “Hospedagem, gorjetas e massagens Jim”.

Jim Caviezel é o protagonista do filme e interpreta o ex-presidente na obra que ainda não foi lançada. O valor indicado pela Go Up são apenas uma fração dos gastos concentrados no Hotel Unique, um dos mais luxuosos de São Paulo.

TRANSAÇÕES – De acordo com um relatório do Coaf ao qual a Polícia Federal teve acesso na investigação sobre o envio de emendas parlamentares pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), a Go Up fez nove transações para a empresa Unique Serviços de Hotelaria, no valor total de R$ 906,7 mil.

Entre as notas fiscais analisadas pelo O Globo, foi possível identificar pagamentos não só para a estadia de Caviezel mas também de outros integrantes de sua equipe, como seu empresário e o seu guarda-costas.

Em 24 de outubro de 2025, por exemplo, a Go Up realizou um pagamento de R$ 125 mil e, em seguida, outros dois repasses de R$ 34 mil para custear a hospedagem de dois seguranças privados identificados como Olsen e Willian e do segurança pessoal de Caviezel.

DIÁRIA – Em um dos exemplos identificados nas notas fiscais, a hospedagem de Caviezel e outras duas pessoas, um dos pagamentos da hospedagem de Caviezel e outros dois integrantes da sua equipe, durante o período de 1 de novembro a 10 de dezembro teve uma diária de R$ 9,2 mil.

Segundo as notas fiscais, os quartos do ator e do seu agente foram feitos em um contrato parcelado em seis vezes, com parcelas individuais de R$ 107 mil. Desde a revelação de que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, financiou a realização do filme, os gastos para a produção se tornaram foco de atenção.

Em um dos processos que teve o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, o orçamento total planejado para a película foi de US$ 25 milhões. A apresentação chegou a comparar os gastos do projeto com o de outros filmes. Segundo a apresentação, “Dark Horse” custaria mais que filmes que tiveram enorme sucesso comercial e de crítica, como “Selma” e “A Rainha”, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme, e similar ao orçamento de “Estrelas Além do Tempo”, que teve Octavia Spencer indicada na categoria de “Melhor Atriz Coadjuvante”.


No desespero, Gilmar defende Gonet, seu ex-sócio, e tenta desmoralizar Mendonça


O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, decidiu pelo arquivamento do  pedido de investigação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),  Gilmar Mendes. O pedido baseava-se em suposta prática de homofobia após

Como diz a propaganda na TV, Gilmar e Gonet, tudo a ver

Márcio Falcão e Ana Flávia Castro
TV Globo e g1

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou uma manifestação nas redes sociais em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado em mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

“Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele”, afirma Gilmar Mendes.

SIGILO DE CONVERSAS – “Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, prosseguiu.

Na publicação, Gilmar Mendes reiterou as críticas que tem feito contra o colega do Supremo, André Mendonça, e afirmou que trata-se de uma tentativa de “lucrar politicamente” com o fato. Ele também classificou o episódio como um “vazamento seletivo”.

“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor?”, questionou.

 

DISSE GILMAR – “A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, disse.

O ministro também falou em “vazamento seletivo”, comparou Mendonça a Deltan Dallagon e Sergio Moro, e defendeu que a atuação do relator do caso parece “vingança”.

“E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”, declarou. “No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça”.

BATE-BOCA – A manifestação de Gilmar reitera o posicionamento que ele defendeu no plenário. As declarações geraram um bate-boca entre os ministros durante a sessão convocada para discutir o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

O bate-boca começou quando Gilmar Mendes saiu em defesa de Paulo Gonet, procurador-geral da República, que havia acabado de dizer que não teve relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

“É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso, sim, é leviandade [de Mendonça]. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito [Mendonça]”, esbravejou Gilmar.

MENDONÇA REAGIU – “A desfaçatez é de vossa excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!”, gritou André Mendonça.

“Pode chorar, pode chorar”, disse Gilmar Mendes.

“Não estou chorando não. Aqui não tem choro não. Respeite!”, declarou Mendonça.

Na sequência, o ministro Flávio Dino anunciou que estava pedindo vista do julgamento, cobrando providências por parte do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, sobre o bate-boca que acabara de ocorrer entre Gilmar e Mendonça.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Gilmar Mendes e Paulo Gonet, tudo a ver, como diz a propaganda na TV. São amigos há mais de 30 anos. Gonet foi sócio de Gilmar na Faculdade de Direito que fazia eventos com patrocínio de Vorcaro. Era esperado que Gilmar saísse em defesa do amigo e ex-sócio, porque eles são iguais em tudo. Como na piada machista da mulher do árabe, você pode bater neles sem saber o motivo, mas eles sabem por que estão apanhando… (C.N.)


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