quarta-feira, julho 15, 2026

A corrida presidencial sob a sombra de uma grave crise institucional



Após criticar decisão de Dino, Hugo Motta muda tom e diz que Câmara cumpre a lei

 

Após criticar decisão de Dino, Hugo Motta muda tom e diz que Câmara cumpre a lei

No sábado, presidente da Câmara disse que bloquear bens de Valdemar Costa Neto era ‘inaceitável’ e ‘criminalização da política’

Por Guilherme Matos/Estadão

14/07/2026 às 21:45

Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados/Arquivo

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mudou a postura ao comentar decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No sábado, 11, o parlamentar classificou o bloqueio de bens de Valdemar Costa Neto como uma tentativa de “criminalizar a atividade política”. Já nesta terça-feira, 14, Motta evitou conflitos e disse que a Câmara “está cumprindo a lei” no âmbito das emendas parlamentares.

De acordo com o jornal O Globo, Motta afirmou que vai se reunir com a equipe jurídica da Câmara para definir os próximos passos, mas disse estar “tranquilo” quanto ao tema. Questionado se as decisões de Dino poderiam gerar desgaste na relação com o Judiciário e o Executivo, o presidente da Câmara minimizou o risco.

“Nós vamos defender aquilo que está sendo feito. Nós temos a convicção de que a Câmara está cumprindo a lei acerca da aplicabilidade, da execução das emendas de comissão. E nós vamos demonstrar isso dentro do processo, contando o devido processo legal e fazendo todos os esclarecimentos necessários”, disse Motta a jornalistas na noite desta terça, segundo o Globo.

No sábado, as falas de Motta tiveram outro tom. O presidente da Câmara manifestou “inconformismo diante da indevida intervenção judicial no mérito de atividade típica do Parlamento”. Para ele, a decisão de Dino “não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas”.

“Torna-se inaceitável, tendo em vista que a alocação das emendas está em plena conformidade com a moldura normativa vigente e com os compromissos institucionais firmados entre o Executivo e o Legislativo perante a própria Corte Constitucional”, afirmou Motta.

Na sexta-feira, 10, o ministro Flávio Dino havia determinado o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar Costa Neto, presidente do PL. O dirigente partidário é suspeito de interferir na destinação de emendas parlamentares mesmo sem deter mandato eletivo.

Na segunda-feira, 13, Dino ampliou a medida e determinou o bloqueio de mais R$ 6 milhões em bens de Eduardo Cunha (Republicanos-MG), ex-presidente da Câmara, sob a mesma suspeita.

Os bloqueios decorrem de investigações da Operação Transparência, da Polícia Federal, deflagrada em dezembro de 2025. Segundo os investigadores, Valdemar e Cunha se valiam da estrutura administrativa da Câmara e de registros formais em nome de parlamentares para direcionar os recursos, com o apoio de Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).

A defesa de Valdemar classificou a decisão como baseada em “premissas frágeis” e destacou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) foi contrária às medidas cautelares. Já a defesa de Eduardo Cunha disse ter tomado conhecimento da decisão pela imprensa e sustenta que o ex-deputado não formalizou nenhuma das emendas citadas.

Politiva Livre

Congresso aprova MP do Frete e estabelece planilha de preço mínimo após pressão de caminhoneiros

 

Congresso aprova MP do Frete e estabelece planilha de preço mínimo após pressão de caminhoneiros

Texto inclui 'jabuti' para anistiar caminhoneiros que bloquearam rodovias em 2022, e Lula deve vetar trecho

Por Carolina Linhares/Fernanda Brigatti/Folhapress

14/07/2026 às 18:45

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

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Plenário do Senado Federal

O plenário do Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (14), a MP (medida provisória) do Frete, que estabelece medidas para endurecer as regras do transporte de cargas e reforçar o cumprimento do piso da categoria. O texto passou pela Câmara no mês passado.

O texto contém um "jabuti" para anistiar caminhoneiros que fecharam as rodovias em 2022, após a vitória de Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL) na eleição —o presidente petista deve vetar esse trecho, incluído pelo relator na Câmara, deputado Zé Trovão (PL-SC). "Jabuti", no jargão do Congresso, é um dispositivo de interesse de deputados incluído em uma proposta sem relação direta com o tema.

A votação ocorre após pressão dos caminhoneiros. Nesta semana, o governo Lula passou a monitorar de forma mais intensa a mobilização do setor diante da ameaça de paralisações em diferentes pontos do país. Em Santos (SP) e Salvador, já houve paralisações para cobrar a aprovação da MP do Frete.

A medida obriga o cadastro prévio das operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, através do Código Identificador da Operação de Transporte. O projeto também determina a elaboração de uma planilha de frete mínimo com base em custos operacionais totais. O documento determina que, caso o preço do combustível oscile 5% ou mais, haja um reajuste em até três dias úteis.

O preço seria ajustado pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e pela Infra S.A., empresa pública de planejamento e inovação para o setor de transportes.

A MP caduca nesta quinta-feira (16) e, por isso, os senadores evitaram fazer alterações no texto que implicassem o envio da proposta à Câmara novamente. Uma das mudanças promovidas pelo Senado, contudo, foi retirar do texto final da MP o valor do piso salarial nacional de R$ 5.000 para motoristas profissionais empregados em transporte de longa distância. Neste caso, a ideia é manter o piso, mas sem definição de valor, a ser regulamentado mais à frente.

A votação no Senado, na última semana antes do recesso parlamentar, foi viabilizada por meio de um acordo com a oposição feito pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), no dia anterior. Segundo Randolfe, parte dos pleitos da oposição será atendido por meio de emendas que modifiquem a redação do texto e pelo compromisso de que Lula vetará alguns dispositivos.

"Muitas preocupações colocadas não são contraditórias, não tem conflito com os caminhoneiros e pode ser ajustado por emenda redacional", disse.

"A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que diz que não cabe a deliberação de piso por parte do Congresso Nacional em matéria infraconstitucional. Há um acordo inclusive com os caminhoneiros em relação a isso. Então, podemos ter um estabelecimento de piso sem ter necessariamente o estabelecimento do valor", afirmou ainda o líder de governo.

Antes da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que muitos senadores estavam descontentes em relação ao texto aprovado na Câmara, que havia sido substancialmente modificado em relação à proposta original do governo Lula e defendiam que a MP caducasse.

"Só que a gente sabe da importância desse assunto. [...] Cabe ao Senado buscar uma melhor adequação no texto", disse Alcolumbre, completando que havia um acordo para corrigir partes da redação seguindo o regimento.

Lula deve vetar o trecho que permite o uso do tacógrafo para aplicar multas. O artigo diz que o equipamento será usado para "fins de comprovação da infração em excesso de velocidade".

Outro trecho que deve ser vetado é o que garante o adiantamento de, no mínimo, 70% do valor do frete no ato da contratação. O trecho prevê ainda a quitação integral em até três dias úteis após a entrega.

O texto estabelece uma punição para empresas que descumprirem as regras. Há previsão de suspensão cautelar do registro no RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas) até o cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos. A regra não vale para transportadores autônomos.

A proposta aprovada prevê multa de até R$ 1 milhão para os casos de reincidência do descumprimento do piso.

O texto também cria o Procargas (Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional) para a modernização e renovação da frota nacional, além a implantação, ampliação, manutenção e operação de PPDs (Pontos de Parada e Descanso).

No âmbito do Procargas, foi estabelecida a Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas. A medida prevê a "substituição gradual de veículos e implementos antigos por outros mais seguros, eficientes e ambientalmente sustentáveis".

Essa política cita o estabelecimento de "ações, financiamentos e incentivos" para a substituição da frota, mas as fontes de financiamento serão estabelecidas em regulamento pelo governo federal na próxima proposta de Lei Orçamentária Anual.


Politica Livre

Genial/Quaest: Lula fica 8 pontos à frente de Flávio Bolsonaro e venceria 2º turno por 45% a 37%

 

Genial/Quaest: Lula fica 8 pontos à frente de Flávio Bolsonaro e venceria 2º turno por 45% a 37%

Por Laura Intrieri/Folhapress

15/07/2026 às 07:25

Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil

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O presidente Lula

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que o presidente Lula (PT) abriu vantagem de oito pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulação de segundo turno e venceria a eleição por 45% a 37%.

Brancos, nulos e declarações de que não vão votar somam 14% e indecisos, 4%. A Quaest ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais feitas de 10 a 13 de julho. O nível de confiança das estimativas é de 95%, e a margem de erro máxima prevista é de cerca de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

A vantagem do petista, que era de seis pontos em julho, oscilou dentro da margem de erro. No mês passado, Lula tinha 44% contra 38% de Flávio. Na sondagem realizada em maio, o atual presidente aparecia com 42%, enquanto o congressista do PL tinha 41%, situação que configurava um empate dentro da margem de erro.

A rejeição de Lula apresenta tendência de queda e atualmente é de 50%, enquanto a de Flávio, em viés de alta, é de 57%.

O senador do PL tem o maior índice de eleitores que dizem que não votariam nele, seguido do petista. Entre os demais, os índices são de 34% para Ronaldo Caiado, 31% para Romeu Zema, 27% para Cabo Daciolo, 18% para Joaquim Barbosa, 17% para Renan Santos e 16% para Augusto Cury. Os outros candidatos têm rejeição entre 8% e 11%.

O resultado é aferido após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) postar um vídeo em que afirmou que Flávio a desrespeitou, maltratou e deixou subentendido que não queria o apoio dela, tornando público um acirramento do conflito entre os bolsonaristas.

O episódio levou senador a ler uma carta na qual Jair Bolsonaro reafirma seu apoio ao filho na eleição presidencial deste ano. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes decretou proibição a de visitas de Flávio a Jair por descumprimento a medida cautelar que impede o ex-presidente de usar redes sociais, diretamente ou por terceiro.

Na pesquisa estimulada de primeiro turno, Lula lidera com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio que tem 28%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) registram 1% cada; os demais candidatos não pontuaram. Indecisos são 11%, enquanto 8% dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam.

No segundo turno, Lula aparece à frente de todos os adversários testados. O petista marca 45% contra 37% de Flávio, 36% de Caiado, 35% de Zema e 33% de Renan.

Avaliação de governo

A avaliação negativa do governo Lula se igualou à positiva, ficando em 36%. O índice regular foi de 26%. O índice positivo é o maior da série histórica iniciada em julho de 2025, e o negativo é o menor

Politica Livre

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