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Corrupção sistêmica: um esboço teórico a partir de “Tangentopoli”
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2021, Observação da violência sistêmica, corrupção e seus reflexos no mercado: análise comparativa Brasil-Itália
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Aliados de Wagner argumentam que senador fragilizado prejudica palanque de Lula na Bahia

Aliados de Wagner argumentam que senador fragilizado prejudica palanque de Lula na Bahia

Por Cátia Seabra / Folhapress

21/06/2026 às 13:15

Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

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Um dia após ser alvo de operação da Polícia Federal, Jaques Wagner (PT-BA) disse a aliados que não pretende renunciar à liderança do governo no Senado, a não ser que seja a pedido do presidente Lula (PT). Os dois são amigos.

Contrariado com o que chama de fogo amigo, Wagner tem expectativa de se reunir com o presidente na semana que vem para discutirem a liderança do governo.

Integrantes do grupo político do senador contam que Wagner tem ouvido opiniões favoráveis e contrárias ao seu afastamento da função.

Ainda segundo esses aliados, Wagner tem reiterado não ter apego à função, mas manifestado irritação com articulações feitas às suas costas.

Nas conversas recentes, tem prevalecido o argumento de que a fragilização política de Wagner abala o palanque de Lula na Bahia, estado fundamental para a vitória do presidente em 2022. Essa é uma das teses levadas ao Palácio do Planalto em prol da permanência de Wagner na liderança.

Uma ala governista teme, no entanto, que os estilhaços do caso Master afetem a imagem do presidente, mesmo que o escândalo só tenha sido desmantelado no governo dele. Ministro das Relações Institucionais, José Guimarães é um dos defendem essa blindagem a Lula, por considerar injusto que seja abalado pelo esquema que ele combateu.

"Tem que deixar claro que o governo não tem nada com isso. Não podemos misturar as estações", disse o ministro.

Sob reserva, outros ministros manifestaram incômodo com o fato de Wagner ter afirmado que conta com o apoio do presidente para permanecer na liderança.

Com aval do presidente Lula, ministros e aliados se lançaram ainda na quinta-feira (18) em uma operação para que o senador entregue o cargo. Lula avaliava como insustentável a permanência dele na liderança do governo, mas, em vez de destituí-lo, espera que ele peça para sair.

Na sexta-feira (19), durante agenda oficial em Minas, Lula retribuiu com um joinha ao ser questionado por jornalistas sobre a permanência de Wagner na liderança.

Na quinta-feira (18), depois de a Polícia Federal deflagrar a operação na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner. Segundo aliados do presidente, nas duas conversas, não puderam discutir uma sucessão na liderança do governo devido ao abalo emocional do senador.

Ministros afirmam que esse gesto de solidariedade do presidente não deve ser entendido como garantia de manutenção no cargo de líder, mas um aceno para que Wagner assuma a saída como uma iniciativa pessoal, sob o argumento de que precisa se dedicar à sua defesa.

Ainda segundo esses aliados, foi Lula quem sugeriu que concedesse uma entrevista para dar explicações. Mas, dentro do governo, a avaliação é de que elas foram insuficientes, o que exigirá desdobramentos.

Na entrevista à Band News TV, o líder do governo no Senado citou o telefonema do presidente. "Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo", afirmou.

O senador disse continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. "A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim."

Aliados do presidente classificaram a entrevista como acima do tom.

Politica Livre 

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Família suspeita que Wagner foi vítima de vingança armada por Messias com André Mendonça

 

Família suspeita que Wagner foi vítima de vingança armada por Messias com André Mendonça

Por Política Livre

19/06/2026 às 12:15

Foto: Carlos Moura/Arquivo/Agência Senado

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Jaques Wagner

A família do senador Jaques Wagner (PT-BA) passou a considerar a suspeita de que a investida policial contra ele no âmbito do caso Master tenha feito parte de um plano de vingança, atribuído ao advogado-geral da União, Jorge Messias, em combinação com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal e responsável pela autorização dos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e de parentes. A tese tem sido compartilhada por familiares a pessoas próximas.

Escolha pessoal do presidente Lula para o STF, Messias viu sua indicação ruir no plenário do Senado, numa derrota que ele colocou na conta de Wagner, líder do Governo na Casa. Evangélico, Messias tinha como principal cabo eleitoral André Mendonça - o ministro “terrivelmente evangélico” indicado pelo ex-presidente Bolsonaro. 

Ele recebeu 42 contrários e apenas 34 a favor, bem abaixo da previsão contabilizada pela liderança do governo à época, sugerindo a interpretação de que Wagner teria “lavado as mãos” durante a articulação ou tenha até contribuído para a movimentação que levou à derrota de Messias. É justamente esse histórico que leva o círculo mais íntimo de Wagner enxergar a operação desta quinta (17) como “vingança”. 

Na época, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que estava em rota de colisão com o Planalto, proclamou o resultado com gestual de vitória e chegou a antecipar para Wagner o placar da votação. O cochicho entre os dois foi captado pelos microfones da Mesa Diretora, demonstrando grande entrosamento entre eles.

Ontem, logo após a operação de que Wagner e familiares foram vítimas, Alcolumbre foi um dos políticos que se posicionaram publicamente defendendo o senador.

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Mariosan | O Popular

Charge do Mariosan (O Popular)

Elio Gaspari
O Globo

A entrada do senador Jaques Wagner no panelão do Banco Master era uma questão de tempo. A oposição repetia há meses que as delinquências de Daniel Vorcaro começaram na Bahia. Lá atrás, durante a Lava Jato, a polícia encontrou 15 relógios de luxo na casa do senador. Um deles, mimo da empreiteira Odebrecht, foi avaliado pela Polícia Federal em US$ 20 mil.

Ele explicou que eram imitações chinesas. Passaram-se dez anos, a PF foi lá e voltou a achar relógios. O senador voltou a dizer que eram imitações chinesas. A reprise transforma Wagner num caso raro de colecionador de falsificações chinesas.

LULA E VORCARO – O PT já havia deixado uma digital no caminho de Daniel Vorcaro quando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega levou-o a Lula no final de 2024.

Em 2016, quando uma parte do PT foi apanhada pela Lava Jato, Wagner disse que “o PT se lambuzou”. Na quinta-feira, lambuzou-se o líder do governo no Senado. Depois do mensalão e do petrolão, o PT foi jogado na panela do caso Master. A ver como lida com ele às vésperas de uma eleição.

A diligência da PF ainda tem um longo caminho a percorrer. Em 2025, antes de sua primeira prisão, Daniel Vorcaro teria ameaçado “contar toda a história do Master”. Correndo o risco de mofar numa cela, Vorcaro fingiu, por duas vezes, contar a história do Master; suas propostas de delação eram seletivas e foram rejeitadas.

FESTAS DE ARROMBA – Há uma curiosidade na trajetória de Vorcaro. Até 2020, eram raros os seus contatos com a cúpula da turma de Brasília. Era conhecido por suas festas milionárias e pela liberalidade com que recorria aos serviços femininos para entreter convidados. Quando percebeu que estava sentado numa pirâmide, Vorcaro atropelou.

Promoveu farofas no circuito Elizabeth Arden. Seu cunhado comprou o resort da família de um ministro do Supremo. Seu banco contratou por dinheiro gordo a mulher de outro, que voava em seus jatinhos.

Cerejas do bolo: Guido Mantega levou-o a Lula sem registro na agenda, e o senador Ciro Nogueira apresentou um projeto que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

FILME ELEITORAL – Além disso, decidiu bancar um filme que contaria a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro para estrear durante a campanha do seu filho, Flávio.

Com outro braço, segundo a Polícia Federal, Vorcaro mantinha uma milícia privada para quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Esse crime ficou na intenção.

Eram ações de um banqueiro radioativo, lidando com os políticos a partir da imagem que tinha deles. Os fatos mostraram que seus alvos foram bem escolhidos.

PODERÁ MOFAR – A menos que ofereça uma colaboração veraz, Vorcaro mofará anos numa penitenciária, como mofou o patrono de sua classe, o americano Charles Ponzi (1882-1949), que ralou 14 anos na cadeia. Depois, ele veio para o Brasil e morreu pobre no Rio.

A chegada da Polícia Federal a Jaques Wagner mostrou a Vorcaro que falar pode se tornar o melhor negócio de sua vida.

Talvez ele tenha percebido o que vários figurões não perceberam: a Polícia Federal sabe muito mais do que supõem os intocáveis de Brasília.

BOMBA-RELÓGIO – Depois da ação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner transformou-se numa bomba-relógio na liderança do governo. Se a oposição pudesse, mandaria um abaixo-assinado ao Planalto pedindo que o mantivesse até outubro.

O senador Jaques Wagner poderia redimir-se da promiscuidade que manteve com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, doando cinco ingressos para shows de Taylor Swift aos estudantes baianos melhor colocados no Enem.

Eles viajariam no jatinho de algum amigo do doutor.

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