sexta-feira, abril 24, 2026

BC reverte decisão sobre Banco Master e mantém lacunas em análise de recursos


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Uma década após Dilma, país segue dividido, refém de um legado sem reconciliação


Delações no caso do Banco Master elevam tensão e pressionam as instituições


Ex-presidente do BRB que fechar acordo de delação premiada

Pedro do Coutto

O escândalo envolvendo o Banco Master evoluiu rapidamente de uma investigação financeira complexa para um potencial ponto de tensão entre instituições no Brasil. A possibilidade de uma delação premiada por parte do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, introduz um novo elemento de instabilidade em um caso que já mobiliza o sistema político, o mercado e setores do Judiciário.

Em episódios dessa natureza, não é apenas o conteúdo das revelações que importa, mas o alcance que elas podem ter sobre a estrutura de poder e a confiança pública. Embora não haja confirmação de envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal em irregularidades, o simples fato de o caso tangenciar o ambiente da Corte já é suficiente para ampliar sua dimensão política e institucional.

MODELO SOFISTICADO – As suspeitas já conhecidas apontam para operações complexas envolvendo transferência de ativos, possíveis irregularidades na gestão de carteiras de crédito e indícios de benefícios indevidos, sugerindo um modelo sofisticado de engenharia financeira com potenciais ramificações institucionais.

O problema, contudo, não se limita ao conteúdo das investigações, mas à percepção pública que delas decorre. Quando nomes ligados ao topo do sistema de Justiça aparecem, ainda que de forma indireta ou sem comprovação de ilícitos, o impacto não é apenas jurídico — é político e simbólico. A credibilidade do Judiciário passa a ser tensionada, e o debate deixa de ser estritamente técnico para se tornar parte de uma disputa mais ampla sobre confiança institucional.

É nesse ambiente que uma eventual delação ganha peso estratégico. Dependendo do que for apresentado — e, sobretudo, do que puder ser comprovado — o país pode assistir a uma ampliação significativa do caso ou a um reposicionamento das responsabilidades já conhecidas.

DUPLO EFEITO –  Mas há um risco evidente: o uso político de narrativas não verificadas ou a antecipação de julgamentos com base em vazamentos pode contaminar o processo e comprometer a própria busca pela verdade. A experiência recente brasileira mostra que grandes operações têm esse duplo efeito — fortalecem mecanismos de controle, mas também podem gerar crises de legitimidade quando atingem estruturas sensíveis do poder.

O caso, portanto, coloca o sistema diante de uma encruzilhada. De um lado, a necessidade de investigar com profundidade, sem blindagens e sem seletividade; de outro, a responsabilidade de evitar que suspeitas não confirmadas sejam tratadas como fatos consumados.

O equilíbrio entre esses dois vetores será determinante. Mais do que eventuais responsabilizações individuais, o que está em jogo é a capacidade das instituições de atravessar mais uma crise preservando sua autoridade e sua legitimidade perante a sociedade. Porque, ao fim, escândalos dessa natureza não testam apenas pessoas — testam a solidez do próprio Estado.

Esta Eva que defende penduricalhos de juízes precisa ser expulsa do Paraíso…

Publicado em 24 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Desembargadora que falou em 'escravidão de juízes' recebeu mais de R$ 117  mil em março

A desembargador Eva simboliza o próprio retrato do Inferno

Vicente Limongi Netto

O troféu indecoroso de porta-estandarte da estupidez nacional pertence a uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará, Eva do Amaral Coelho.  A despudorada juíza Eva cobriu a consciência nacional de vergonha ao reclamar do salário líquido de março de 91.211,82 reais.

Para a infame magistrada, a redução dos penduricalhos para magistrados, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), significa a volta da escravidão.

ABISSAL IGNORÂNCIA – A nação indignada repudiou a abissal ignorância da desprezível togada. Eva do Amaral deslustra ainda mais o Judiciário, ultimamente atravessando inferno astral sem precedente. 

Diaristas e trabalhadores em geral não ganham, trabalhando durante anos, o salário da patética e chorona desembargadora. A desonra tomou conta do Brasil. Acabou o pudor, a esperança de dias melhores. A escória togada ajuda a arrastar o Brasil para o ralo da imundície social.  

Esta Eva precisa ser expulsa do Paraíso e purgar suas penas no inferno.

APENAS NO ZOO – Passaram sem festas os 66 anos de Brasília. Mas a data não ficou totalmente em branco. O amplo zoológico foi de graça.  O brasiliense viu hienas e abutres e lembrou de Ibaneis Rocha, Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, que destruíram o Banco Regional de Brasília.

A população também se divertiu com os pavões de cauda aberta, recordando as figuras de Alexandre de Moraes, Dias Toffoly, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

As éguas, burros, cavalos, jumentos e cobras venenosas representaram políticos, especialmente do PT, do Centrão e do Partido Liberal.  O show de palhaços homenageou crianças, em particular e o povo, em geral, que desde sempre vem fazendo papel de palhaço.  


🔔 Tem uma palavrinha feia que diz muito sobre o Brasil

 

em uma palavrinha feia que diz muito sobre o Brasil: “diferenciado”

Os mais novos podem achar estranho, mas ninguém usava a palavra “diferenciado”, a não ser nas provas de biologia, no século 20. Diferenciado se referia então a tecidos ou órgãos com funções específicas - sem juízo de bem ou mal, como a natureza. 


A conotação positiva em termos sociais que a palavra ganhou na fala de hoje é mais próxima do antigo “distinto”, como o apresentador do circo se dirigia ao público geral, adjetivo talvez sóbrio demais para o desejo espalhafatoso de status que se amplifica nas redes sociais.


Essa palavrinha esquisita e tão reveladora da nossa sociedade adoradora de privilégios ainda causava polêmica, quando a expressão começou a se popularizar. O blog (!) Sobre Palavras, do escritor Sérgio Rodrigues, na revista Veja, trata do assunto em 2010, em resposta a um leitor, que reclamava do uso do termo “diferenciado” em lugar de “diferente” nos textos da revista. 


Rodrigues, igualmente incomodado com a recriação publicitária do sentido da palavra, esclareceu: “Diferenciado não quer dizer o mesmo que diferente. Enquanto diferente é um adjetivo mais carregado de conotações entre o neutro e o negativo, diferenciado é puro elogio e exaltação.” E continuou: “Diferenciar diferente e diferenciado tornou-se uma habilidade social básica, que a maioria de nós exerce de forma intuitiva, sem pensar. Se formos pensar, porém, vamos descobrir que a diferença entre diferente e diferenciado pressupõe valores que boa parte de nós teria vergonha de assumir”.


Mais de 15 anos depois, com plásticas, carrões e joias se desenrolando no scroll, não sei se alguém ainda tem escrúpulos de se colocar acima da massa dos mortais. Mas, naquele momento, ainda havia estranhamento, tanto é que a palavra acabou fazendo barulho também na vida real, dando margem a um inesquecível churrasco público em São Paulo, na esquina da Avenida Angélica com a rua Sergipe em maio de 2011.


Era ali que seria construída uma estação de metrô da linha amarela, provocando a indignação dos tradicionais ocupantes do bairro branco e rico. Uma moradora, entrevistada pela Folha, disparou: "Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”, disse, invertendo o sentido recém-inventado da palavra. O essencial, porém, se manteve: o importante era “se diferenciar”.


Em um país que ainda sonhava com a igualdade, a declaração fez estrago. Contra o elitismo de madame, o povo se encarregou de concretizar o pesadelo dos que sofriam com a possibilidade de cruzar com “o porteiro do prédio em Nova York”, para usar a frase igualmente infeliz e inesquecível de Danuza Leão, angustiada com o aumento de renda dos trabalhadores e com a paridade do dólar e real nos anos 2000. 


Naquela esquina “charmosa”, na linguagem dos jornais da época, de Higienópolis, foram instalados varais de roupa e churrasqueiras portáteis, com linguiças e corações de galinha na brasa profanando a atmosfera do Olimpo ao som de pandeiros e buzinas. “Quem é diferenciado, faz barulho”, gritava a multidão com ironia. 


O “churrascão da gente diferenciada”, como foi batizado o protesto pelos manifestantes, fez história em São Paulo, mas, como quase sempre, os ricos venceram. A estação do metrô foi transferida para uma esquina mais central e plebéia, perto do cemitério da Consolação, onde foi inaugurada em 2018. E a tal palavra, elogiosa como queriam os publicitários, se consolidou - agora no sentido desejado. 


São “diferenciados” os imóveis de luxo, os tênis de marca, os vestidos de grife, as festas de Vorcaro, os salários dos juízes, os jatinhos de empresários, a semana de três dias de trabalho do Congresso, que agora hesita entre votos e lucros para aprovar a jornada 6x1.

 Sim, alguém tem que carregar o país enquanto a “gente diferenciada” se diverte e acumula riqueza, ou mais-valia como dizia o velho Marx. O mais triste, porém, é que a desigualdade que nos envergonha há tanto tempo, como país rico de maioria pobre, parece cada vez mais desejável para fatias cada vez maiores da população.

Os ricos não mudaram - continuam com o mesmo asco de compartilhar o país com pretos e pobres, como revela a coluna de Fabiana Moraes no Intercept ao comentar a rejeição das universidades públicas pelos endinheirados. Com a política de cotas e a criação de universidades fora do Sul e Sudeste, os estudantes de baixa renda já representam a maioria nas universidades federais e os que vieram de escolas públicas são mais de 70% dos universitários do país. Já não se fazem diplomas exclusivos como antigamente. 


O que me choca, porém, é o dado capturado pelas pesquisas qualitativas da Quaest. De acordo com o cientista político Felipe Nunes, diretor da empresa, o que os eleitores estão querendo hoje não são políticas sociais que melhorem a renda, o que consideram como direito (e isso é bom); mas a busca é por status. E essa busca é necessariamente individual. Afinal, como ser “diferenciado” sem ter de quem se “diferenciar”?


Eleger o status como valor em um país em que o 1% mais rico detém 37% da riqueza nacional enquanto quase 30% das famílias vivem com menos de 35 reais por pessoa/mês é nos condenar à desigualdade eterna, trocando a luta por políticas públicas consistentes por metas solitárias e ilusórias. Essa é a outra face do sonho por status, movido por trabalho precário, endividamento, bets, e crença em políticos e religiosos fantasiados de coaches.

Este texto é um conteúdo exclusivo da Agência Pública, a republicação em outros sites não é permitida. 

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