terça-feira, abril 21, 2026

Magistrada que associou fim dos penduricalhos à escravidão recebeu R$ 117,8 mil em março

 

A desembargadora Eva do Amaral, do TJPA, teve remuneração bruta de R$ 117,8 mil no mês de março. Ela critica limitações em penduricalhos

Mateus Salomão

 atualizado 

.
..

A desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) que reclamou da limitação e corte de penduricalhos durante sessão da Corte recebeu, somente no mês de março, R$ 117,8 mil brutos em remuneração. Eva do Amaral Coelho também ressaltou, em sessão da 3ª Turma de Direito Penal, que as limitações nas verbas dos juízes levaria a categoria a um “regime de escravidão”.

Se considerado o salário líquido de Eva do Amaral, a quantia é de 91.211,82 em um único mês. A remuneração refere-se ao mês no qual a decisão do STF limitou pagamento de verbas remuneratórias a 35% do teto do funcionalismo, hoje em R$ 46,3 mil.

Pela regra do STF, que será aplicada no contracheque de maio, para os magistrados de última classe, também pode-se contabilizar 35% por adicional de tempo de serviço. Os penduricalhos, porém, estavam suspensos por decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Na prática, a partir de maio, um magistrado em início de carreira poderá receber, no máximo, R$ 62.594,35. No fim da carreira, a remuneração pode chegar a R$ 78,5 mil, contando como verba indenizatória.

A declaração ocorreu dias após o STF impor limites ao pagamento de penduricalhos a magistrados brasileiros. A magistrada chegou a dizer que, após tantas perdas, os juízes acabariam entrando para “o rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.


.

Em sessão do dia 9 de abril, a desembargadora Eva do Amaral, ressaltou conhecer juízes que estão passando por dificuldades financeiras após a limitação das verbas remuneratórias da categoria pelo STF, no fim de março.

A desembargadora ressaltou que já recebeu reclamações de colegas que não conseguem pagar médicos e suspenderam medicamentos por falta de dinheiro.

Leia também



Nota da redação deste Blog - 

O "Privilégio da Dor": Entre o Teto de Vidro e o Chão de Miséria


Por José Montalvão 

A recente declaração de uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) reverberou como um ruído ensurdecedor nos ouvidos de uma nação marcada pela desigualdade. Ao classificar a limitação de "penduricalhos" e benefícios extras como um caminho para um "regime de escravidão", a magistrada não apenas ignora a semântica histórica do termo, mas parece desconectar-se da realidade socioeconômica do país que ajuda a julgar.

O Abismo em Números

A disparidade é matemática e moral. No mês de março, a remuneração bruta da magistrada atingiu R$ 117,8 mil. Mesmo após os descontos, o valor líquido de R$ 91,2 mil representa:

  • Mais de 60 vezes o valor de um salário mínimo atual.

  • Cerca de 150 vezes o valor médio pago pelo Bolsa Família.

Enquanto a magistratura discute se o teto de R$ 78,5 mil (contando verbas indenizatórias) é suficiente para manter a dignidade da função, milhões de brasileiros exercem jornadas exaustivas para garantir o básico: segurança alimentar e moradia.

A Metáfora Equivocada

Utilizar o termo "escravidão" para descrever a redução de bônus que, por si só, excedem o teto constitucional, é um escárnio com a história do Brasil e com os trabalhadores contemporâneos que vivem em condições análogas à escravidão por falta de opção e de direitos.

A magistratura é uma carreira de Estado essencial, que exige responsabilidade e deve ser bem remunerada para garantir sua independência. No entanto, a independência não deve ser confundida com isolamento em uma bolha de privilégios.

O Papel do STF e a Moralidade Administrativa

As decisões dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, que buscam limitar o pagamento de verbas remuneratórias a 35% do teto, tentam trazer o Judiciário para dentro das balizas da Lei de Responsabilidade Fiscal e da própria Constituição.

"O teto constitucional não deveria ser uma sugestão, mas um limite intransponível para quem serve ao público."

Conclusão

Quando o guardião da lei se sente vitimizado por receber "apenas" o que a lei permite, rompe-se o pacto de empatia com a sociedade. O verdadeiro "regime de escravidão" não reside nos tribunais climatizados, mas no cotidiano do brasileiro que, mesmo trabalhando de sol a sol, não consegue visualizar, em uma vida inteira, a quantia que alguns recebem em um único contracheque de março.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)




Tiradentes: a sagrada missão, ainda necessária!

                                 21 DE ABRIL - Ricardo Viveiros


 Tiradentes: a sagrada missão, ainda necessária!


Beto Almeida


A data nacional de Tiradentes, Patrono da Nação, precisa ser comemorada com uma reflexão ativa, tal como se faz no discurso de Darcy Ribeiro, uma caudalosa cachoeira de análises tão inteligentes quanto apaixonadas, sobre o tremendo significado que possui, hoje ainda, a magnífica Insurreição Mineira, rebaixada odiosamente, por seus inimigos escravagistas,  ao rótulo indevido de Inconfidência, que lembra delação, visando desmoralizar o debate, ainda atualíssimo,  sobre a necessidade de assumirmos a audácia do Alferes Rebelde para conquistarmos, ainda que tarde,  o que ainda nos falta: um Programa de Nação!


Apaixonado pelas ideias da Revolução  Francesa, militante desta causa, que também inspirou Marx, Tiradentes foi ao encontro de Thomas Jefferson, na França, acompanhado do revolucionário e culto Padre Rollin, e arrancou do líder revolucionário da jovem República dos EUA, o compromisso de apoiar a revolução brasileira, com armas, recursos financeiros e reconhecimento político. Segundo o discurso de Darcy Ribeiro, proferido em 21 de abril de 1992, no evento Sagração da Liberdade, marcando o Bicentenário do martírio de Tiradentes, este teria dito a Jefferson que o Brasil seria uma República ainda mais rica e mais próspera que os EUA, pois a natureza nos havia dotado de numerosas vantagens comparativas reais, o que se registra em estudos comparativos de Moniz Bandeira sobre a evolução econômica dos dois países, em concordância com a projeção inicial do Alferes.


Os vassalos da sanguinária Coroa Portuguesa sempre buscaram rebaixar a gestão revolucionária mineira,  afirmando que nem possuíam qualquer projeto, o que é rebatido por Darcy Ribeiro elencando um decálogo programático, com destaque para o fim dos monopólios reais e para a prioridade dada pelos insurretos à industrialização, a começar pelo ferro e a pólvora, seguida de toda manufatura. Os revolucionários também projetavam criar uma Universidade em Ouro Preto já naquela época, impedidos pela crueldade da forca e do degredo mortal na África. Seria positivo que essas informações chegassem ao presidente Lula, já que , na prisão, leu bastante também sobre Tiradentes e tanto reclama da tardia universidade brasileira.


O ódio ao projeto de revolução republicana era tal que ainda hoje contamina uma certa historiografia que tenta diminuir a importância daquela rebeldia, que chega mesmo até a cobrar, com desprezo,  diploma de dentista de Tiradentes, quando se sabe que na época não havia nenhuma faculdade de odontologia no Brasil. Pode-se deduzir, portanto, que o que está em jogo é esforço para desanimar e confundir os patriotas brasileiros que conseguem vislumbrar a prioridade de se construir um Programa de Nação Brasil, independente e soberana,  industrializada e livre da dependência tecnológica, próspera e justa, e não o que ainda temos hoje, apontada pelo Laboratório do Economista Thomas Piquety, da França, com a 5 mais desigual nação mundo, com disparates tais como o de pagar um trilhão de juros/ano da dívida pública para os banqueiros e, ao mesmo tempo, o segundo menor salário mínimo da América Latina. Agora surge a ameaça de se lançar mão dos recursos do FGTS para transferi-los aos banqueiros, para quitar o endividamento causado pela escandalosa tolerância com a  cobrança de a'te 432% de juros de cartão. Isso é crime de usura, conforme Decreto de Getúlio Vargas, de 1933, ainda em vigor.


Como nos faz falta o clamor poético revolucionário de um Cláudio Manoel, a sustentar e embalar as ideias práticas e transformadoras de Tiradentes, quando ainda hoje , na própria Minas Gerais assistimos a prática da rapina do nióbio de Araxá, vendido a preços coloniais (27 dólares do quilo), com 100 toneladas embarcadas diariamente no Porto de Sepetiba, RJ, chegando aos portos europeus valendo 665 dólares o mesmo quilo, após a "milagrosa travessia atlântica", sendo empregadas na fabricação dos mísseis Cruise, em indústria armamentista controlada pela Família Rockfeller, despontando o Banco Itaú e a CBMM, apenas como biombos  que mal ocultam a verdade da operação que Getúlio Vargas já descrevia como Coação da História. É aquela em que os países semicoloniais se vêem submetidos à imposição de comprar a preços mil vezes multiplicados, manufaturados produto de sua própria exportação a preços negativos. Esta operação tão daninha aos interesses nacionais, conhecida por todos os governantes, é a continuidade histórica daquela, denunciada energicamente por Tiradentes, que permitia o uso de uma montanha de ouro para pagar o tráfico de escravos. - o mais lucrativo negócio dos homens brancos mercantilistas. -   e uma outra montanha de ouro para a Coroa Portuguesa, que a transferia à Inglaterra, verdadeira metrópole, onde o ouro  sustentou a Revolução Indústrial, às custas do sofrimento dos negros das Minas, afundados em sangue e miséria. Que deixam as toneladas de nióbio de Araxá rapinadas, senão buracos e misérias ao povo mineiro?? Por que esses temas não estão em pauta para a elaboração de um Projeto de Nação Independente e Soberana? Por que nenhum projeto para a industrialização deste nióbio localmente, como faz o Canadá, com enormes ganhos para sua economia? Quando se menciona a ideia de criar uma Terrabrás, por que esquecer essa rapina diária de 100 toneladas de nióbio? Essa rapina poderia até inspirar um novo filme, quem sabe?


                        A Era Vargas Publicou os Autos da Devassa


Os Autos da Devassa - interrogatórios e depoimentos de Tiradentes e seus audaciosos companheiros subversivos mineiros.  -  só foram publicados no Brasil, pela Biblioteca Nacional, entre 1936 e 1938, na Era Vargas, quando o feriado de 21 de abril foi novamente legalizado com o claro intuito de reverenciar e solidificar a consciência brasileira sobre os passos que todavia faltavam e ainda faltam para que o Brasil venha a ser uma nação plenamente soberana e independente, conforme pronunciamento de Getúlio Vargas em solenidade em Ouro Preto.


Certamente ainda nos fazem falta, como brasileiros, encarnar o espírito de Tiradentes, aquele que bradava "se todos quisermos, faremos deste país uma grande nação" . Nos falta a energia sagrada e consciente de Tiradentes para enfrentar a hemorragia que continua ocorrendo com nossas riquezas minerais, seja o nióbio, ou seja o petróleo. Foi com tecnologia nacional que a Petrobras descobriu o manancial imenso de petróleo pré-sal, mas, ao contrário dos demais países produtores de petróleo, onde cada  estado fica com 80% da receita petroleira, no Brasil, o estado detém apenas 8 % por cento dessa receita, apenas para dar dois exemplos.


Celebremos o Feriado Nacional de Tiradentes com a responsabilidade de cultivar sua ira santa contra as rapinas , de cultivar o canto poético rebelde de um Claudio Manoel,  de unir todos os talentos e instrumentos da nacionalidade para assumir legitimamente o pleno controle democrático e soberano do Brasil. Tiradentes nos vitaliza, prenha de sonhos a nacionalidade inteira com seu desprendimento de "Dez vidas eu tivera, dez vidas eu daria por esta Causa""


O discurso de Darcy Ribeiro, outro mineiro, é arrebatador! 


 "Minas, árvore alta. Minas de sangue, de lágrima, de cólera. Minas, mãe dos homens. Minas do esperma, do milho, da pétala, da pá, da dinamite. Minas carnal da flor e da semente. Minas mãe da dor, mãe da vergonha. Minas, minha mãe crepuscular.

Havemos de amanhecer

O mundo se tinge com as tintas do antemanhã"


(Carlos Drummond de Andrade)



Beto Almeida, jornalista

Diretor da Telesur

Conselheiro da ABI      

Fachin ignora críticas de Dino e diz que propostas do colega merecem ‘aplausos’ e ‘apoio

 

Fachin ignora críticas de Dino e diz que propostas do colega merecem ‘aplausos’ e ‘apoio

Ministro Flávio Dino propôs reforma do Poder Judiciário em artigo repleto de críticas veladas ao presidente do STF

Por Weslley Galzo/Estadão

20/04/2026 às 20:20

Atualizado em 20/04/2026 às 20:24

Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo

Imagem de Fachin ignora críticas de Dino e diz que propostas do colega merecem ‘aplausos’ e ‘apoio

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, se manifestou nesta segunda-feira, 20, sobre o artigo publicado pelo ministro Flávio Dino em que defende medidas de reforma do Poder Judiciário. Fachin optou por ignorar as diversas críticas veladas dos colegas, que falou em “medidas artificiais” e ‘retaliatórias’ no debate sobre mudanças no sistema de Justiça, e adotou como resposta a defesa de suas propostas.

Para Fachin, “merece aplauso e apoio a perspectiva do debate trazida no artigo de autoria do Ministro Flavio Dino”. O presidente do STF avalia que o colega apresentou “uma reflexão oportuna e bem estruturada sobre a necessidade de aperfeiçoamento do Poder Judiciário, tratando o tema com seriedade institucional e senso de responsabilidade republicana”.

“Ao evitar soluções simplistas, o texto valoriza um diagnóstico consistente e propõe caminhos que dialogam com demandas reais da sociedade, especialmente no que diz respeito à eficiência, transparência e fortalecimento da confiança pública nas instituições”, defendeu o Fachin em nota à imprensa.

As palavras gentis de Fachin contrastam com as reprimendas duras de Dino. Em seu artigo publicado no site ICL Notícias, o ministro mais recente no STF afirmou que o País “precisa de mais Justiça, não menos, como parecem pretender certos discursos superficiais sobre uma suposta ‘autocontenção’, vista como uma ‘pedra filosofal’”.

O discurso da autocontenção tem sido repetido exaustivamente por Fachin em suu campanha interna e externa em defesa do código de ética do STF. Em entrevista ao jornal O estado de São Paulo em janeiro deste ano, o presidente da Corte defendeu de forma enfática: ‘Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo’.

Dois meses depois, em palestra a estudantes, Fachin explicitou a sua visão de que “autocontenção não é fraqueza”, mas sim “respeito à separação de Poder, o que distoa da avaliação de Dino”.

Na nota divulgada nesta segunda-feira, o presidente do STF aponta como mérito do artigo de Dino a ênfase dada à ética e à responsabilidade funcional, apesar de o colega não ter incorporado nenhuma de suas propostas já apresentadas no debate sobre o código de conduta do Supremo, como obrigatoriedade de prestar contas sobre valores recebidos por palestras e pela participação em eventos.

“O equilíbrio entre independência judicial e mecanismos de controle é abordado com sobriedade, reforçando a ideia de que credibilidade institucional depende, também, da capacidade de reconhecer falhas e corrigi-las com firmeza e justiça”, avaliou Fachin.

“Por fim, o texto contribui para qualificar o debate público ao tratar a reforma do Judiciário como um processo contínuo, aberto e plural. Ao estimular a reflexão e o diálogo, oferece uma base sólida para a construção de consensos, sempre orientados pelo interesse público e pela preservação dos valores que sustentam o Estado de Direito”, finalizou.

Politica Livre

Na Alemanha, Lula fala de abuso contra policial brasileiro nos EUA

 

Na Alemanha, Lula fala de abuso contra policial brasileiro nos EUA

Por José Henrique Mariante/Folhapress

21/04/2026 às 07:59

Foto: Paulo Pinto/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Na Alemanha, Lula fala de abuso contra policial brasileiro nos EUA

O presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) em Hannover que o governo pode tomar medidas contra policiais americanos no Brasil se ficar comprovado algum tipo de abuso contra Marcelo Ivo, adido da Polícia Federal em Miami alvo das autoridades americanas.

Ivo teve participação no caso que levou à prisão do ex-delegado federal e ex-deputado pelo PL Alexandre Ramagem, na semana passada, pelo ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos. Ramagem, foragido da Justiça brasileira, foi solto dois dias depois, na quarta-feira (15).

"Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso das autoridades americanas com nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil", declarou Lula, na saída do hotel em que ficou hospedado na Alemanha.

O presidente estava no país para a Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, que nesta edição tem o Brasil como país homenageado.

"Queremos fazer as coisas da maneira mais correta possível, mas não podemos aceitar esse tipo de ingerência que alguns personagens querem ter em relação ao Brasil", disse o presidente, antes de seguir para a última etapa de sua viagem à Europa, Portugal.

Na segunda-feira, o governo Donald Trump afirmou que um funcionário brasileiro teria atuado para manipular o sistema de imigração e "contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território" americano. Ivo retorna ao Brasil nesta terça-feira (21).

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", diz um post da Embaixada dos EUA no Brasil.

Outro post idêntico foi publicado pelo escritório de relações ocidentais do Departamento de Estado dos EUA.

Após a prisão do ex-deputado, no dia 13, a Polícia Federal afirmou que houve uma ação conjunta entre EUA e Brasil. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse na ocasião que a prisão pelo serviço de imigração foi motivada por uma suposta infração de trânsito leve.

Pouco antes da manifestação do presidente, o chanceler Mauro Vieira declarou lamentar o episódio. "O delegado da PF que estava em Miami trabalha em conjunto com as autoridades americanas, e essa função é baseada em um memorando de entendimento. Portanto, todos sabiam e trabalharam em conjunto", afirmou o ministro.

"Estamos aguardando esclarecimentos das autoridades americanas sobre a razão desta medida que foi tomada."

Ao lado de Vieira, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que também faz parte da comitiva presidencial na Alemanha, afirmou que Ivo trabalhava há dois anos em Miami "fazendo a atividade policial que normalmente fazemos em 34 países".

Ele negou que Ivo, que não citou nominalmente, estivesse sendo trocado antes do prazo natural de remoção da função.

Em Hannover e Barcelona, escala anterior desta viagem à Europa, Lula fez severas críticas à atuação dos EUA na guerra do Irã. "[Donald] Trump não foi eleito imperador do mundo", chegou a afirmar à imprensa alemã. Nesta terça, voltou a cobrar a reforma do Estatuto e do Conselho de Segurança da ONU, quase um mantra do petista nos últimos dias.

Em Portugal, o presidente será recebido pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro e, depois, em almoço, pelo novo presidente do país, António José Seguro.

A comitiva brasileira retorna ainda nesta terça a Brasília.

Politica Livre

Governo Trump manda delegado da PF que atuou no caso Ramagem deixar o país

 

Governo Trump manda delegado da PF que atuou no caso Ramagem deixar o país

PF diz que não foi comunicada sobre saída de brasileiro; ex-deputado foi solto dois dias após prisão por ICE

Por Isabella Menon/Vinicius Sassine/Folhapress

20/04/2026 às 20:00

Atualizado em 20/04/2026 às 20:17

Foto: Reprodução/Linkedin

Imagem de Governo Trump manda delegado da PF que atuou no caso Ramagem deixar o país

O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo

O governo Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (20) que um funcionário brasileiro teria atuado para manipular o sistema de imigração "para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território" americano.

O funcionário citado seria o delegado da PF (Polícia Federal) Marcelo Ivo de Carvalho, que atua em Miami, conforme a Folha apurou. Ele atua como adido da PF em Miami e teve participação no caso que levou à prisão do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem, na semana passada pelo ICE, a agência de imigração dos EUA. Ramagem foi solto dois dias depois.

Marcelo retorna ao Brasil nesta terça-feira (21), segundo fontes da PF ouvidas pela reportagem.

Após a prisão do ex-deputado, a Polícia Federal afirmou que teria havido uma ação conjunta entre EUA e Brasil. Agora, diz que não foi notificada pelo pedido do governo Trump sobre a saída de Ivo do território americano.

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", diz um post da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, que foi publicado pelas redes sociais.

Outro post idêntico foi publicado pelo escritório de relações ocidentais do Departamento do Estado dos EUA.

Marcelo Ivo foi designado, em março de 2023, para exercer a função de oficial de ligação junto ao ICE (sigla em ingês para Serviço de Imigração e Alfândega), em Miami. Esse tipo de missão para os policiais federais brasileiros tem um período específico. No caso da função junto ao ICE, era de dois anos.

A permanência do delegado —que antes foi superintendente da PF na Paraíba— foi prorrogada, até agosto de 2026, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União.

Mas, em 17 de março deste ano, o delegado-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou a substituição de Marcelo por outra delegada, Tatiana Torres. A troca formal, portanto, se deu antes do episódio da prisão de Ramagem.

A partir do episódio envolvendo o aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por envolvimento na trama golpista, o delegado Marcelo foi "convidado" a deixar os EUA, segundo policiais ouvidos pela reportagem.

Fontes da PF dizem que a diplomacia americana tem a prerrogativa para pedir uma substituição do tipo e que Marcelo Ivo voltaria ao Brasil de toda forma, como já estava previsto. A saída foi acelerada, segundo essas fontes, em razão dos acontecimentos relacionados a Ramagem e da pressão feita pelo governo de Donald Trump.

O caso de Ramagem passou pelo então oficial de ligação junto ao ICE, segundo esses policiais.

Ramagem foi condenado à prisão no ano passado na mesma ação que levou à cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Politica Livre

Em destaque

"Corruptocracia: O regime político brasileiro..." by Atena Editora

  Corruptocracia: O regime político brasileiro (Atena Editora)  Atena Editora 2021, Corruptocracia: O regime político brasileiro (Atena Edit...

Mais visitadas