segunda-feira, abril 20, 2026

Exército credenciou Master para empréstimos consignados e repassou R$ 39 mi ao banco em um ano

 

Exército credenciou Master para empréstimos consignados e repassou R$ 39 mi ao banco em um ano

Por Vinicius Sassine e Thaísa Oliveira/Folhapress

19/04/2026 às 14:00

Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Exército credenciou Master para empréstimos consignados e repassou R$ 39 mi ao banco em um ano

Banco Master

O Exército credenciou o Banco Master para operações de empréstimos consignados a militares da ativa e da reserva e, em pouco mais de um ano, repassou R$ 39 milhões à instituição que pertencia a Daniel Vorcaro. O valor é referente aos descontos nos contracheques ocorridos em razão do crédito concedido pelo banco.

O montante é informado em um RIF (relatório de inteligência financeira) elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do governo federal que atua na prevenção e na detecção do crime de lavagem de dinheiro. O documento, obtido pela Folha, foi enviado em março à CPI do Crime Organizado no Senado, encerrada na semana passada sem a aprovação de um relatório final.

Na menção às transferências de recursos feitas do Exército ao Master, entre agosto de 2024 e outubro de 2025, o relatório aponta duas possibilidades de irregularidades por parte do banco no que diz respeito ao destino do dinheiro, o que justificou o alerta e o registro do caso no RIF.

Uma delas é o recebimento dos repasses com débito imediato dos valores pelo Master, o que pode indicar transações suspeitas e burla do destino do dinheiro. A outra é a concentração dos recursos, que foram enviados para uma mesma titularidade pelo banco de Vorcaro, conforme o relatório do Coaf. No segundo caso, esse tipo de movimentação dificulta a identificação de outros beneficiários, segundo o RIF.

Após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado, o Exército rescindiu o contrato de credenciamento para empréstimos consignados, de forma unilateral. Isso se deu em 24 de novembro.

Em nota, o Exército afirmou que não houve perda patrimonial para a Força ou para os cofres públicos. "Os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas."

Os repasses feitos dizem respeito a "valores particulares decorrentes de consignações em folha de pagamento", cita a nota. "O Comando do Exército, via Centro de Pagamento, atua apenas como interveniente, efetuando o desconto autorizado no contracheque e realizando o repasse mensal à entidade consignatária [Master]."

O banco de Vorcaro foi credenciado após participar de edital público e comprovar requisitos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista e qualificação econômico-financeira, afirmou a Força.

A defesa de Vorcaro não respondeu aos questionamentos da reportagem, enviados por email às 18h30 de terça-feira (14).

O Master foi credenciado pelo Comando do Exército em 9 de fevereiro de 2023, em um contrato que deveria estar vigente até 8 de fevereiro de 2024.

Dois termos aditivos prorrogaram o contrato. O primeiro, em 15 de janeiro de 2024. O segundo, em 15 de janeiro de 2025, com prorrogação dos serviços de empréstimo consignado até janeiro de 2027 —o contrato acabou rescindido em novembro do ano passado em razão da liquidação do banco.

Os aditivos permitiram a continuidade das operações entre militares e o Master. Dados do Portal da Transparência, do governo federal, mostram repasses do Exército ao banco como destinatário final na ordem de R$ 39 milhões, se levado em conta o mesmo período citado no RIF do Coaf. As informações públicas, portanto, confirmam os números citados no relatório sigiloso.

Conforme o Portal da Transparência, o Master recebeu do Exército, como contrapartida aos empréstimos consignados a militares, R$ 36,1 milhões em 2023, R$ 37,6 milhões em 2024 e R$ 23,4 milhões em 2025.

Outras instituições financeiras foram credenciadas para esse tipo de operação. Militares que têm conhecimento do funcionamento desse serviço a integrantes da ativa e da reserva dizem que o valor total dos empréstimos é mediano, levando em conta as transações feitas com outros bancos, e que chama a atenção a opção pelo Master quando poderiam ser escolhidas instituições mais tradicionais.

O RIF menciona a existência de contrato similar com a Aeronáutica, mas não descreve os valores das transações financeiras entre a Força e o banco de Vorcaro.

A FAB (Força Aérea Brasileira) credenciou o Master em um contrato com vigência entre 2024 e 2029, "para realização de desconto em folha de pagamento decorrente de compromissos assumidos pelos militares ativos e inativos e seus pensionistas".

A Folha questionou a Aeronáutica sobre os valores movimentados, mas a Força não forneceu essa informação.

Em nota, a Aeronáutica disse que fez repasses ao Master em 2024 e 2025, referentes a crédito consignado.

"Após a decretação da liquidação extrajudicial e diante da ausência de ratificação dos dados de domicílio bancário da entidade liquidante, não foram realizadas novas transferências", afirmou a FAB.

O credenciamento previa concessão de empréstimos consignados, cartões de crédito e oferta de benefícios, cabendo aos militares optarem pela adesão, cita a nota. "A instituição [Master] atendeu integralmente aos requisitos previstos no edital."

A Aeronáutica não tem custos nesse tipo de operação, que envolve 234 entidades credenciadas, conforme a Força.

Politica Livre

Delação aponta aliados que acompanhavam Uldurico Júnior em visitas a presídios na Bahia

 

Delação aponta aliados que acompanhavam Uldurico Júnior em visitas a presídios na Bahia

Por Redação

19/04/2026 às 20:08

Foto: Reprodução

Imagem de Delação aponta aliados que acompanhavam Uldurico Júnior em visitas a presídios na Bahia

Joneuma Silva Neres e Uldurico Júnior

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, revelou em delação premiada que pelo menos cinco pessoas acompanharam o ex-deputado Uldurico Júnior em visitas a presídios, onde ele teria se reunido com líderes de facções criminosas. Segundo o depoimento, os encontros aconteciam de forma reservada e eram tratados como “normais”. O ex-parlamentar é investigado por participação em um esquema que teria facilitado a fuga de 16 detentos em 2024, além de supostamente negociar valores que chegariam a R$ 2 milhões. A informação é do G1.

Entre os nomes citados, dois são investigados formalmente e foram alvo de mandados de busca: Alberto Cley Santos Lima e Matheus da Paixão Brandão. Outros três foram apenas mencionados, sem indicação direta de envolvimento: Jonatas dos Santos, David Loyola e Clebson Porto. Alguns deles afirmaram que participaram de apenas uma visita institucional e negaram contato com detentos.

A delação também cita a presença de lideranças criminosas nas reuniões, incluindo chefes e representantes de facções dentro do presídio. Joneuma afirmou ainda que sofreu ameaças para não revelar o esquema e que teria sido orientada a manter uma versão combinada com o ex-deputado. O caso segue sob investigação do Ministério Público da Bahia.

Politica Livre

Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

 

Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

Por João Gabriel e Raphael Di Cunto/Folhapress

20/04/2026 às 06:28

Foto: Bruno Spada/Arquivo/Câmara dos Deputados

Imagem de Motta e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

Hugo Motta

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e mais seis deputados concentraram no ano passado a indicação de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão ao Orçamento, verba distribuída pelos colegiados temáticos do Congresso.

Os R$ 6 bilhões restantes desse tipo de recurso foram partilhados por outros 423 deputados, enquanto 83 parlamentares não indicaram nenhum valor em 2025 de forma oficial —eles podem ter sido contemplados pelo envio de verbas em nome da liderança dos seus partidos.

Essas verbas são sugeridas ao governo pelas comissões do Congresso, com a indicação de como e onde o dinheiro deve ser gasto. O Executivo tem o poder discricionário de não executar os recursos, mas não pode remanejá-los para outras áreas de seu interesse.

Essas emendas eram secretas até 2024, sem que o nome do padrinho político responsável pela indicação da verba fosse divulgado. Isso mudou em 2025, após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), o que permitiu verificar os valores encaminhados por cada parlamentar.

O levantamento feito pela Folha nas atas do Congresso mostra que esse pequeno grupo de sete políticos detém o controle de uma fatia desproporcional deste orçamento: um quinto do total de R$ 7,5 bilhões repassado pelas comissões da Câmara em 2025 para ações nas bases eleitorais.

O deputado federal que, sozinho, mais indicou emendas de comissão em 2025 foi Julio Arcoverde (PP-PI), com R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso, responsável por votar os projetos de lei orçamentários.

"Todas foram destinadas de forma legal e transparente ao estado do Piauí, com investimentos em infraestrutura, saúde e apoio aos municípios, gerando obras e benefícios diretos para a população, sem qualquer irregularidade. Assim, o deputado Julio Arcoverde cumpre a sua missão de viabilizar mais recursos para o desenvolvimento econômico e social do Piauí", afirmou ele em nota de sua assessoria.

O segundo é Hugo Motta, com R$ 180,5 milhões. Quase metade deste valor foi repassado a cidades cujo prefeito declarou publicamente apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara. Ao anunciar que renunciaria à Prefeitura de Patos (PB), Nabor disse à imprensa local que espera contar com o apoio de 150 dos 223 prefeitos da Paraíba para ser eleito.

Motta afirmou que a indicação respeita rigorosamente um acordo entre os três Poderes. "No âmbito dos partidos, a divisão dos valores das emendas segue os critérios adotados pelas lideranças, seguindo o número de deputados, e a destinação dos recursos tem como prioridade áreas estratégicas e estruturantes para os municípios brasileiros, como saúde e infraestrutura", disse.

Logo depois de Motta está o presidente de seu partido, Marcos Pereira (Republicanos-SP), com R$ 138,2 milhões. "Historicamente, presidentes de partidos e líderes acabam por ter um pouco mais de recursos para indicar. Não é uma particularidade minha", afirmou. Ele disse que sempre deu transparência às verbas em seu site. "Para mim, nunca foi um orçamento secreto, faço questão de divulgar."

Os líderes de quatro partidos políticos (PP, União Brasil, Republicanos e PL) constam como responsáveis por indicar outros valores, que somam mais de R$ 930 milhões.

Neste caso, o formato pode ser usado para ocultar o real padrinho da verba, uma vez que consta apenas o nome da liderança do partido na Câmara, o que contraria decisão do ministro Flávio Dino, do STF, para que fosse dada transparência sobre o real autor, como revelou a Folha em dezembro.

Na média, os outros mais de 400 parlamentares puderam repassar R$ 14 milhões cada. A maioria dos integrantes da oposição não recebeu recursos, com exceção de parlamentares do PL em postos-chave, como a presidência da Comissão de Saúde ou a liderança da sigla. Essas verbas são indicadas pelo Congresso, mas a decisão de quitá-las é discricionária do governo federal.

Parlamentares ouvidos sob condição de anonimato afirmam que houve acordo entre as lideranças partidárias para que cada deputado da base aliada ao governo pudesse indicar o destino de pouco mais de R$ 10 milhões das emendas das comissões.

Eles admitem que era esperado que houvesse alguma diferença no valor, privilegiando nomes de protagonismo e peso político, como os presidentes dos colegiados ou líderes dos partidos, mas que essa diferença deveria estar na casa das dezenas de milhões.

O que o levantamento revela, porém, é que apenas um pequeno grupo de sete deputados, entre eles o presidente da Câmara, teve direito de indicar mais de R$ 100 milhões. Nenhum dos outros mais de 400 repassou mais do que R$ 80 milhões.

Deputados ouvidos pela reportagem reclamam que a disparidade na divisão das emendas é injusta, desrespeita o acordo feito na Casa e privilegia um grupo com uma quantidade de dinheiro que deve ser decisiva nas eleições de 2026. A diferença não foi percebida de pronto, afirmam, porque a votação das verbas ocorreu de forma fragmentada ao longo do ano, em diversas comissões.

Além das emendas de comissão, há ainda emendas parlamentares individuais, com valor igual para todos os deputados, e de bancadas estaduais, para obras e projetos estruturantes.

No final de 2024, Dino iniciou uma ofensiva contra a falta de transparência e desvios de recursos com as emendas parlamentares ao Orçamento. O modelo surgiu com a emenda de relator e foi replicado com a emenda de comissão após o STF declarar a primeira inconstitucional.

Os três Poderes negociaram um acordo no qual as indicações feitas pelas comissões, que até então não precisavam revelar o deputado que era padrinho da emenda, deveriam passar a ser aprovadas em ata por todo o colegiado, deixando explícito quem era o autor da indicação e como a verba será usada.

Como revelou a Folha, porém, os parlamentares driblam essa determinação assinando a autoria em nome da própria liderança partidária, não de um deputado específico. Em 2025, por exemplo, R$ 1,1 bilhão foi indicado desta forma, de acordo com as atas das comissões.

No grupo privilegiado com uma parcela desproporcionalmente maior dos recursos estão quatro lideranças de partidos: do PP, que distribuiu cerca de R$ 358 milhões desta forma; do União Brasil, com R$ 266 milhões; do Republicanos de Motta, com R$ 201 milhões; e do PL, com R$ 113 milhões (valor usado pelos deputados de oposição para esconder negociações com o governo).

Politica Livre

Operação Duas Rosas II é deflagrada no Rio de Janeiro contra lideranças criminosas da Bahia

 

Operação Duas Rosas II é deflagrada no Rio de Janeiro contra lideranças criminosas da Bahia

Por Redação

20/04/2026 às 08:34

Foto: Divulgação

Imagem de Operação Duas Rosas II é deflagrada no Rio de Janeiro contra lideranças criminosas da Bahia

Operação integrada do Ministério Público da Bahia (MPBA), Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) e Polícias Civis baiana e carioca foi deflagrada nesta segunda-feira, dia 20, contra lideranças de organização criminosa do sul da Bahia, que estavam escondidas na comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro.

Durante a ação, foi presa uma da principais operadoras financeiras da facção baiana Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ligada ao Comando Vermelho. Núbia Santos Oliveira é esposa da Wallas Souza Soares, conhecido como ‘Patola’, um dos líderes da facção junto com Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como ‘Dada’. Ela é investigada por lavagem de dinheiro e possuía dois mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas e homicídio. Também foi preso um homem em flagrante, armado com um fuzil, e apreendidas a arma e drogas.

A deflagração da operação é resultado de um trabalho contínuo e integrado de investigação e monitoramento do MPBA e as forças de segurança pública da Bahia e do Rio de Janeiro, cujo objetivo é a captura de 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, e que se encontram desde então no Rio de Janeiro, sob a proteção do Comando Vermelho. 

As investigações apontam que os alvos da operação, mesmo foragidos, continuam exercendo papel de liderança e comando à distância, articulando ações criminosas e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos. O monitoramento e as investigações continuarão de forma permanente até a captura de todos os fugitivos.

Politica Livre

Em destaque

TRE-BA rebate declaração de Eduardo Bolsonaro e afirma que é falsa acusação sobre fraude em votos na Bahia

  TRE-BA rebate declaração de Eduardo Bolsonaro e afirma que é falsa acusação sobre fraude em votos na Bahia Por  Política Livre 25/04/2026 ...

Mais visitadas