Ex-ministra das Relações Institucionais do governo Lula e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT-PR) defendeu a discussão sobre reformas do Judiciário uma vez concluídas as eleições deste ano.
Durante entrevista ao Canal Uol, ela foi questionada sobre a repercussão do caso do banco Master, que trouxe à tona relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades e parentes e defendeu que cada um deveria explicar seus elos antes do avanço de mudanças estruturais.
REFORMAS – “Se formos falar de reformas em instituições, precisamos de reformas em várias áreas, inclusive na política. Está na hora de, passadas as eleições, pensarmos de que forma arejamos as instituições nacionais, não só o Judiciário, mas também o Legislativo, através da reforma política e de outras ações”, destacou a petista.
Gleisi reiterou que as autoridades devem explicar suas relações com Vorcaro como um ponto de partida para o debate público sobre o tema e citou nomes do governo anterior.
“Quem teve relações com Vorcaro tem que se explicar sobre quais foram, o que ganharam ou não e o que ofereceram. O problema maior do Banco Master e do Vorcaro é a sua origem, que está lá no Banco Central do Campos Neto, do Bolsonaro, do Paulo Guedes”, destacou.
REPERCUSSÃO – A ex-ministra acrescentou que o governo Lula “não tem medo” da repercussão do caso e está “muito tranquilo” com o andamento das investigações. “Isso não vai cair no nosso colo. Se a oposição acha que vai cair, ela que tome cuidado, porque a origem está justamente no governo do Bolsonaro”,rebateu ela, que defendeu a transparência e a prestação de contas do Banco Central à população brasileira.
Na entrevista, a pré-candidata ao Senado ainda analisou a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência pelo PSD, como uma anunciada “terceira via” em relação a Lula e a Flávio Bolsonaro (PL).
“Essas candidaturas ficarão laterais porque temos uma polarização muito forte. Não são candidaturas que entrarão no pleito para crescer. Será muito difícil isso acontecer. Elas ficarão na periferia da eleição. A tendência do [Ronaldo] Caiado [pré-candidato do PSD] é ser uma via auxiliar do Flávio Bolsonaro. Cabe isso a ele. Não o vejo com tantas diferenças nesse sentido”, afirmou.
Um grupo de 13 servidores concursados em altos postos da Câmara dos Deputados recebeu R$ 9,3 milhões apenas em horas extras da Casa desde 2016, em valores corrigidos pela inflação. Como mostrou a coluna, um pequeno grupo de servidores da Casa, em posições de direção, passou a ter ganhos extraordinários com as horas extras pagas pela Câmara, frequentemente acima de R$ 20 mil ou mesmo R$ 30 mil mensais.
Por ser considerada uma verba “extraordinária”, esse tipo de pagamento está fora do teto constitucional, que limita os ganhos de servidores públicos, e não desconta Imposto de Renda.
FALSA HORA EXTRA – Para alcançar esse valor, os servidores teriam que trabalhar até o limite de horas extras permitidas durante a semana e ainda dar expediente aos fins de semana e feriados.
O levantamento foi feito com base em raspagem de dados públicos da própria Câmara, que disponibiliza as informações sobre os contracheques dos servidores em seu site. O grupo de 13 servidores representa aqueles que receberam os maiores valores em horas extras desde 2016.
O maior valor foi recebido pelo advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Moraes: R$ 1.062.774,22. Em 2025, foram R$ 174,6 mil em horas extras. O levantamento mostra que o recebimento de valores elevados em horas extras é mais antigo: em 2019, por exemplo, foram R$ 150,3 mil.
ÍNDICE DE CORREÇÃO – Os valores de anos anteriores foram corrigidos pela inflação usando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O segundo maior recebedor de recursos nesse período foi o atual diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil recebidos desde 2016. Em 2025, o servidor recebeu R$ 160,7 mil em horas extras, atrás apenas de Daniel Borges de Moraes.
Guilherme Brandão é diretor-geral da Câmara desde agosto de 2025, indicado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele foi alçado ao cargo para substituir Celso de Barros Correia Neto, o diretor-geral anterior, ligado a Arthur Lira (PP-AL). Brandão é servidor concursado da Câmara há mais de 12 anos.
JORNADA EXTENUANTE – No organograma da Casa, o diretor-geral é o responsável pelo funcionamento administrativo da instituição. Na sequência, aparecem outros servidores em posições estratégicas da Casa.
Em nota à coluna, a Câmara dos Deputados disse que os servidores mencionados recebem horas extras em função de “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas” e que a frequência dos servidores tem “registro obrigatório em sistema eletrônico biométrico, tanto durante os dias úteis quanto aos fins de semana”.
“Ressalte-se que não há pagamento de serviço extraordinário sem a devida justificativa formal, prévia autorização e o correspondente registro biométrico no sistema de ponto eletrônico. A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Câmara dos Deputados”, diz o texto.
### NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Matéria importante revoltante enviada por José Perez, sempre atento aos lances da política.Jornada extenuante? Ora, todo mundo sabe que a Câmara só funciona de terça a quinta-feira… Num país medianamente civilizado, essa gentalha já teria sido demitida e encarcerada. Mas aqui no Brasil são servidores altamente prestigiados e respeitados. (C.N.)
EDITORIAL: O Oscar da Imoralidade – A Farra das Horas Extras enquanto o Povo Padece
Por José Montalvão
É de revirar o estômago. Enquanto os "donos do poder" em Brasília pregam austeridade, cortam verbas da educação e saúde, e discutem com má vontade cada centavo de aumento no salário mínimo ou no Bolsa Família, nos bastidores da Câmara dos Deputados a realidade é outra. Lá, o dinheiro público — aquele suado, fruto do trabalho de cada brasileiro — escorre pelo ralo de uma "indústria" imoral de horas extras que beneficia uma elite de servidores altamente prestigiados.
A denúncia trazida pelo portal Metrópoles revela o que o cidadão comum já desconfiava: o sistema é feito para se proteger, se locupletar e rir da cara do contribuinte.
1. A Perfeição do Esquema: Eu Autorizo, Eu Faço, Eu Recebo
O cenário descrito beira o surrealismo. Estamos diante de um sistema onde a fiscalização é uma piada de mau gosto. Como bem pontuado por observadores atentos, o nível de "perfeição" de certos diretores da Câmara é digno de um Oscar de malandragem:
O Ciclo Vicioso: O diretor autoriza a própria hora extra, afirma que a cumpriu (muitas vezes apenas entrando por um portão e saindo por outro), verifica a própria frequência e, por fim, autoriza o próprio pagamento.
Acima do Teto: Por ser verba "extraordinária", esses valores — que chegam a R$ 30 mil mensais apenas de extra — não batem no teto constitucional e nem sofrem o desconto do Imposto de Renda que castiga o trabalhador comum.
É um tapa na face de quem vive com um mínimo e ainda precisa enfrentar a falta de água, a saúde precária e a insegurança.
2. Os Números da Vergonha: R$ 9,3 Milhões para 13 Pessoas
O levantamento de dados públicos expõe o tamanho do abismo social e moral:
Um seleto grupo de 13 servidores abocanhou R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016.
Há casos de servidores recebendo mais de R$ 170 mil anuais apenas de "extra". Para cumprir isso legalmente, teriam que viver dentro da Câmara, trabalhando todos os fins de semana e feriados, sem descanso.
Enquanto isso, quando o assunto é liberar recursos para assistência social ou para garantir que famílias de detentos não passem necessidade (um dever do Estado para evitar que o ciclo do crime se perpetue na fome), o discurso é sempre o mesmo: "não há orçamento".
3. A Culpa do Voto e a Acomodação do Povo
É duro admitir, mas essa "gentalha" — que em países civilizados estaria enfrentando processos de demissão e cárcere — só continua no poder porque o povo, muitas vezes massacrado e humilhado, acaba votando nos mesmos carrascos. Parece que o Brasil se acostumou ao sofrimento.
A seletividade do sistema político é gritante. Para o pobre, o rigor da lei e a economia de palito. Para a cúpula do funcionalismo e seus padrinhos políticos, a "farra" sem limites.
Conclusão: Só Jesus na Causa?
Dizer que "só Jesus na causa" é um reflexo do nosso desespero, mas a mudança real precisa vir da indignação que vira voto consciente. Não podemos aceitar que justificativas formais e "registros biométricos" escondam uma imoralidade que salta aos olhos.
O Brasil não será consertado enquanto o diretor da Câmara puder ser o juiz e o beneficiário da própria jornada. Tragam o Oscar da impunidade, pois, nesse teatro de horrores, o povo brasileiro continua sendo o único figurante que paga a conta do espetáculo.
Blog de Dede Montalvão: Denunciando a farra com o dinheiro público e clamando por justiça social.
José MontalvãoFuncionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)
‘Maior ídolo da história do basquete brasileiro’, disse Lula
Beatriz Borges, Vinícius Cassela, Marcela Cunha O Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou, nesta sexta-feira (17), a morte do ex-jogador de basquete Oscar Schmidt.
“Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, foi o maior ídolo da história do basquete brasileiro e um dos maiores cestinhas da modalidade. Exemplo de obstinação, talento e de amor à camisa da Seleção”. Schmidt morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, após passar mal.
INSPIRAÇÃO – Lula afirmou ainda que sua dedicação de Schmidt “elevou o nome do pais e fez dele inspiração para gerações de atletas e amantes do esporte”. “Neste momento de pesar, deixo minha solidariedade à família, aos amigos e à legião de fãs que ele conquistou no esporte”, disse o presidente.
Schmidt foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), próximo de onde morava, em Alphaville. A causa da morte não foi divulgada. Em nota, a família de Oscar lamentou a morte e lembrou sua trajetória. O velório e enterro serão restritos à família e amigos. Oscar deixa a esposa e dois filhos.
REPERCUSSÃO POLÍTICA:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente da República
“Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, foi o maior ídolo da história do basquete brasileiro e um dos maiores cestinhas da modalidade. Exemplo de obstinação, talento e de amor à camisa da Seleção.
Ao longo de décadas, uniu o país em torno das quadras, com arremessos inesquecíveis e liderança indiscutível. Disputou cinco Olimpíadas e se tornou o maior pontuador da história dos Jogos.
Pela seleção, o momento mais simbólico ocorreu na final dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, quando conduziu o Brasil na vitória por 120 x 115 sobre os Estados Unidos, a primeira derrota dos norte-americanos em casa na história da competição. Oscar também conquistou o bronze no Mundial de 1978, disputado nas Filipinas.
Sua dedicação elevou o nome do pais e fez dele inspiração para gerações de atletas e amantes do esporte. Neste momento de pesar, deixo minha solidariedade à família, aos amigos e à legião de fãs que ele conquistou no esporte”.
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
“O esporte brasileiro perde hoje um dos seus maiores atletas. Oscar Schmidt, nosso Mão Santa, não foi só um jogador de basquete, foi uma lenda do basquete mundial, que sempre colocou a defesa do Brasil nas quadras em primeiro lugar. Meus sentimentos à família, amigos e fãs”.
Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional
“O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do esporte brasileiro.
O Brasil se despede, nesta sexta-feira (17), de uma de suas grandes referências. O “Mão Santa” deixa um legado que ultrapassa as quadras e se eterniza na história do país.
Ícone do basquete brasileiro, Oscar construiu uma trajetória marcada por talento e dedicação, tornando-se um dos maiores pontuadores do basquete mundial e levando o nome do Brasil ao reconhecimento internacional. O Congresso Nacional se solidariza com familiares, amigos e admiradores, certo de que sua história permanecerá viva na memória dos brasileiros”.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados
“Recebo com tristeza a notícia da partida do ex-jogador Oscar Schmidt, o eterno Mão Santa. Gigante na trajetória e no talento, deixa como principal marca seus momentos de garra e amor ao esporte e à camisa da Seleção Brasileira. Meus sentimentos aos familiares e amigos. Que Deus os conforte neste momento de dor”.
Comunicado da família de Oscar Schmidt
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.
Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo. A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.
Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória.”
A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pela Polícia Federal, na última quinta-feira, não é apenas mais um capítulo de uma investigação criminal. Trata-se de um daqueles episódios que, de tempos em tempos, revelam o quanto as engrenagens do sistema financeiro podem ser capturadas por interesses privados — e o quanto isso custa à credibilidade das instituições públicas.
Segundo as investigações, Costa teria colocado a estrutura de um banco estatal a serviço de um esquema que, no limite, beira o inacreditável: a aquisição de carteiras de crédito sem lastro, oriundas do já liquidado Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Em troca, teria recebido vantagens indevidas que incluíam imóveis de alto padrão — um tipo de pagamento que, embora sofisticado na forma, remete a práticas tão antigas quanto a própria corrupção.
COMPLIANCE ZERO – A investigação integra a chamada Operação Compliance Zero, que vem desvendando um dos maiores escândalos financeiros da história recente do país. O esquema, conforme apontam autoridades e relatórios, envolvia a criação e transferência de ativos fictícios — papéis sem sustentação financeira real — com potencial de gerar prejuízos bilionários.
O dado mais perturbador não é apenas a existência da fraude, mas a sua mecânica. Não se tratava de uma operação marginal, escondida nos subterrâneos do sistema. Ao contrário: havia uma engrenagem institucional funcionando para dar aparência de legalidade a ativos que, na prática, não existiam. A decisão judicial que embasou a prisão aponta que o ex-presidente do BRB teria agido com “pressa anormal” para viabilizar operações mesmo diante de inconsistências evidentes.
Mais do que isso, mensagens interceptadas indicam que o próprio Vorcaro tratava da entrega de imóveis de luxo como contrapartida direta — uma espécie de moeda paralela da corrupção, onde apartamentos substituem transferências bancárias para dificultar rastreamento. O valor estimado dessas vantagens ultrapassa a casa de centenas de milhões de reais.
COLAPSO SISTÊMICO – O pano de fundo desse escândalo é ainda mais grave. O caso do Banco Master não é um episódio isolado, mas sim um colapso sistêmico que abalou o mercado financeiro brasileiro. A instituição foi liquidada após uma crise de liquidez e acusações de operar como uma espécie de pirâmide financeira sofisticada, atraindo investidores com promessas insustentáveis e sustentando-se com a entrada constante de novos recursos.
Nesse contexto, o papel de um banco público como o BRB deveria ser o de contenção de riscos — não o de amplificação. Quando um dirigente estatal, investido de confiança pública, atua para absorver ativos duvidosos e sustentar artificialmente uma instituição privada em colapso, o problema deixa de ser apenas criminal e passa a ser político e institucional.
A fronteira entre o público e o privado, que deveria ser rigidamente protegida, torna-se porosa. E é justamente nessa zona cinzenta que prosperam os grandes escândalos.
RESPONSABILIZAÇÃO – Há, evidentemente, o devido processo legal a ser respeitado. A defesa nega irregularidades, e caberá à Justiça estabelecer responsabilidades. Mas os elementos já conhecidos são suficientes para levantar uma questão mais profunda: quantos mecanismos de controle falharam para que um esquema dessa magnitude avançasse?
A resposta, ainda que incômoda, aponta para um padrão recorrente. Grandes fraudes não acontecem apenas por ação individual, mas por conivência estrutural — seja por omissão, seja por captura institucional.
ATUAÇÃO DA PF – Se há um mérito inequívoco neste episódio, ele reside na atuação da Polícia Federal. Foi a intervenção do Estado, por meio de seus órgãos de investigação, que interrompeu um fluxo de vantagens indevidas que parecia seguir seu curso com naturalidade. Sem isso, é plausível imaginar que os “presentes” — apartamentos de luxo, neste caso — continuariam a circular como parte silenciosa de um sistema paralelo de poder.
O escândalo do Banco Master e a prisão de Paulo Henrique Costa não são apenas mais uma manchete. São um alerta contundente sobre o custo da promiscuidade entre o setor público e interesses privados. E, sobretudo, um lembrete de que a integridade institucional não é um dado — é uma construção permanente, que exige vigilância constante. A pergunta que permanece não é apenas quem recebeu ou quem pagou. Mas quem permitiu.
Investigado é apontado por extorsão indireta, apropriação indébita e agiotagem
Foram apreendidos 53 cartões magnéticos de benefícios sociais e de instituições bancárias e mais de R$ 2 mil em espécie (Foto: SSP/SE)
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Municipal de Monte Alegre, prendeu em flagrante um suspeito de praticar crimes contra o patrimônio e a economia popular. Ele foi interceptado em uma agência da Caixa Econômica Federal enquanto tentava realizar saques utilizando cartões do programa Bolsa Família pertencentes a terceiros. A operação foi registrada na última quarta-feira, 15.
De acordo com as informações policiais, o investigado foi abordado no momento em que realizava movimentações financeiras com cartões de diversas vítimas. Após a prisão em flagrante, foi cumprido mandado de busca e apreensão em sua residência, localizada no povoado das Taxas.
Durante a ação, foram apreendidos 53 cartões magnéticos de benefícios sociais e de instituições bancárias, mais de R$ 2 mil em espécie, um simulacro de arma de fogo, além de cheques e notas promissórias assinadas por vítimas.
As investigações apontam que o suspeito vinha sendo monitorado há alguns meses por envolvimento com a prática de agiotagem, mediante a concessão de empréstimos com cobrança de juros abusivos. Conforme apurado, as vítimas deixavam os cartões de benefícios sob posse do investigado como garantia, ficando impedidas de acessar os próprios recursos.
Segundo o delegado Artur Herbas, responsável pelo caso, há relatos de cobrança de juros elevados e práticas de constrangimento. “Há notícias de juros de 50% por empréstimo, além de ameaças e cobranças vexatórias, o que desenvolveu a investigação e culminou na Operação Retenção, cujo nome faz menção aos inúmeros cartões das vítimas que o suspeito mantinha em seu poder”, destacou.
O suspeito foi submetido à audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva, permanecendo à disposição da Justiça
A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas procurem a Delegacia de Monte Alegre para reaver seus cartões e formalizar denúncias. Informações também podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181, com garantia de sigilo.
Fonte: SSP/SE
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