quinta-feira, abril 16, 2026

Agência dos EUA tira ficha e foto de Ramagem de lista de detidos, e bolsonaristas agradecem Trump

 

Agência dos EUA tira ficha e foto de Ramagem de lista de detidos, e bolsonaristas agradecem Trump

Por Isabella Menon, Folhapress

15/04/2026 às 20:43

Atualizado em 15/04/2026 às 20:58

Foto: Reprodução/site do Corrections Department Orange County

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Ficha de detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem em centro de detenção Flórida, Orange County Incarcerations

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi liberado da prisão e está em sua casa com a família na Flórida nesta quarta-feira (15), dois dias após a prisão dele pelo ICE, agência de imigração dos Estados Unidos.

A informação foi confirmada por agentes da Polícia Federal e aliados bolsonaristas, como o blogueiro Allan dos Santos pelas redes sociais e o empresário Paulo Figueiredo.

O nome de Ramagem, que aparecia no site do ICE e no do condado de Orange, na Flórida, não aparece mais disponível na lista de detidos.

Nesta terça, o governo dos Estados Unidos, por meio do condado da Flórida, tinha divulgado uma imagem do ex-deputado federal preso, com um moletom verde, e confirmado que ele foi preso pelo ICE, mas manteve a posição de evitar a divulgação de detalhes sobre a detenção do bolsonarista.

Um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos mostra que o ex-deputado estava com visto expirado e estava sujeito a deportação. De acordo com o empresário Paulo Figueiredo, Ramagem já está em casa com a família.

"Alexandre Ramagem está livre. Obrigado a todos que oraram. Obrigado, presidente Trump e a todos da administração", afirmou o empresário, que ajudou nos trâmites para a liberação do ex-deputado.

O empresário ainda nega que Ramagem tenha pago fiança para sair da prisão. "Com boa vontade, foi verificado que a situação imigratória dele é absolutamente regular, como dito originalmente. EUA são Império das Leis e não a várzea que se tornou o Xandaquistão [uma referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes]. Ele não responderá a nenhum processo criminal", diz Figueiredo.

O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos publicou nas redes sociais que Ramagem está livre e em casa. "Deus abençoe a todos vocês que lutaram pelo nosso irmão."

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro também celebrou a soltura de Ramagem, agradeceu Donald Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio, e afirmou que Ramagem merece "asilo na terra da liberdade da liberdade, ao lado de sua corajosa esposa e sua belas filhas".

Ramagem foi preso na segunda (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos.

Ele estava com o visto de turista expirado e por isso estava sujeito à deportação, de acordo com um documento do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

Além de deputado, Ramagem foi diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo de Jair Bolsonaro (PL) e condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) à perda de mandato e a 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado.

O presidente Lula (PT) disse nesta terça que Ramagem precisa voltar ao Brasil para cumprir pena.

"O Ramagem acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso em uma multazinha. Não. Ele foi preso, já estava condenado a 16 anos nesse país. Ele foi um golpista que está condenado. Tem que voltar para o Brasil para cumprir sua pena", declarou em entrevista aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum.

Já a Polícia Federal afirmou que o ex-deputado foi preso em decorrência de uma cooperação policial internacional junto a autoridades dos EUA.

Aliados do ex-deputado rebatem essa afirmação e dizem que ele foi detido devido a uma suposta infração de trânsito leve, o que culminou em uma análise migratória.

Politica Livre

Filhos de FHC obtêm na Justiça interdição do ex-presidente

 

Filhos de FHC obtêm na Justiça interdição do ex-presidente

Por Laura Intrieri, Folhapress

15/04/2026 às 21:00

Atualizado em 15/04/2026 às 20:51

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/Arquivo

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

A Justiça de São Paulo deferiu nesta quarta-feira (15) o pedido de interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), 94, feito por três filhos —Paulo Henrique, Luciana e Beatriz. O motivo é o agravamento do quadro de Alzheimer, doença em estágio avançado.

Com a decisão, Paulo Henrique Cardoso passa a ser o curador provisório do pai. Caberá a ele responder pelos atos civis e pela vida financeira e patrimonial do ex-presidente.

A família e a Fundação FHC afirmam que não vão comentar o assunto, que é "estritamente de foro íntimo".

A petição foi assinada pelos advogados Caetano Berenguer, Fabiano Robalinho e Henrique Avila, do escritório Bermudes Advogados. A solicitação foi instruída com laudo médico que atesta o estado de saúde.

O pedido afirma que, diante do agravamento do Alzheimer, o ex-presidente tornou-se "incapaz para praticar os atos da vida civil".

"O delicado quadro de saúde atual de Fernando Henrique Cardoso, e a confirmação de que os ora autores sempre foram os responsáveis pelos cuidados do pai, é igualmente atestada pelos depoimentos escritos apresentados por pessoas que mantêm, há décadas, íntima convivência com a família Cardoso."

O pedido foi protocolado na terça-feira (14) em uma vara de família do estado de São Paulo e deferido no dia seguinte. O processo corre em sigilo.

A situação de saúde comprometeria a validade das procurações outorgadas anteriormente por FHC aos filhos, o que motivou o pedido de interdição. O documento traz ainda comunicações entre familiares e a equipe de assistência ao ex-presidente, como por exemplo para a compra de materiais de cuidados médicos, e anexa as procurações já existentes.

Fernando Henrique governou o país de 1995 a 2002. Após deixar a Presidência, permaneceu ativo no debate político, dentro do PSDB ou por meio de sua fundação.

Mais recentemente, sua aparição pública de mais destaque ocorreu em 2022, quando declarou publicamente voto no ex-adversário Lula (PT) na disputa presidencial contra Jair Bolsonaro (PL). Um vídeo com a declaração foi usado no programa eleitoral do petista na ocasião.

Politica Livre

Dez anos após impeachment, PT mantém narrativa de golpe contra Dilma e liga processo ao 8 de Janeiro

 

Dez anos após impeachment, PT mantém narrativa de golpe contra Dilma e liga processo ao 8 de Janeiro

Por Juliana Arreguy/Folhapress

16/04/2026 às 06:32

Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil

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Dilma Rousseff

Pouco se fala dentro do PT em economia quando o assunto é o impeachment de Dilma Rousseff, cassada em agosto de 2016 pelas chamadas pedaladas fiscais. Impera no partido, dez anos depois, o mesmo argumento de que a ex-presidente foi vítima de um golpe em função da conjuntura política –mas com o acréscimo de que o processo pavimentou a ascensão da direita, culminando em episódios como o do 8 de janeiro de 2023.

Única mulher a ocupar a cadeira de presidente na história do país, Dilma é descrita por aliados e adversários como centralizadora e desconfiada, fama que ironizou desde que era ministra da Casa Civil. "Sou uma mulher dura, cercada de homens meigos", repetiu diversas vezes ao longo dos anos.

O perfil de temperamento difícil, somado à limpa que fez no governo durante seu primeiro mandato, demitindo diversos quadros politicamente bem relacionados, são apontados por petistas como alguns dos fatores que sustentaram o impeachment de Dilma entre a classe política.

A votação na Câmara que abriu caminho para o afastamento da então presidente completa dez anos nesta sexta-feira (17).

"[Dilma] foi impichada por suas qualidades, e não pelos seus erros. Não cedia às pressões", diz o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), que foi líder do governo na Câmara entre fevereiro de 2015 e maio de 2016, quando a petista foi afastada.

Segundo ele, não se cassa o mandato de uma autoridade porque ela não se relaciona bem com o Congresso Nacional. "Tem que ter cometido crime, e ela [Dilma] não cometeu nenhum crime. O movimento foi criado para afastá-la com crime ou sem crime. E até hoje pagamos o preço, olha só o 8 de janeiro [de 2023]", diz.

José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e advogado-geral da União do governo Dilma, além de advogado particular da petista durante o impeachment, concorda que os ataques às sedes dos três Poderes, cometidos por bolsonaristas insatisfeitos com a vitória de Lula na eleição de 2022, tiveram origem no impeachment.

Para ele, o 8 de Janeiro mostra um desrespeito ao resultado das urnas, de modo semelhante ao que acredita ter ocorrido em 2016. "O processo de impeachment trouxe um desequilíbrio entre os Poderes", afirma. "Temos que disputar as eleições, mas, se não fizermos uma repactuação, estaremos sempre submetidos a situações que geram sentimento golpista, como ocorreu no 8 de Janeiro."

O presidente Lula relacionou o impeachment à ascensão do bolsonarismo na terça-feira (14), durante entrevista aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum: "Elegemos uma mulher como a Dilma e depois tivemos um golpe de Estado e caímos na mão de um fascista".

IMPEACHMENT

O pano de fundo da época era caótico para o PT. Dilma foi reeleita em 2014 com resultado apertado, enfrentando resistência de boa parte do PMDB, partido do então vice-presidente Michel Temer e do então presidente da Câmara Eduardo Cunha, tanto por discussões no Congresso como pelo descumprimento de acordos em palanques estaduais durante as eleições.

Segunda maior bancada da Câmara, atrás apenas do PT, o PMDB passou a se dividir nas votações, com muitos de seus deputados atuando como oposição e impondo derrotas aos petistas.

Em abril de 2015, Dilma escalou Temer, que havia presidido a Câmara anos antes, para a articulação política no Congresso. O objetivo era tentar garantir o apoio do PMDB e apaziguar os ânimos com deputados de outros partidos, algo que não ocorreu.

"Foi um erro político grave", avalia o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), presidente do PT na época. "[Temer] foi criando poder e preparando um bloco de confiança dele para assumir o governo", diz.

Na Justiça Eleitoral, o PSDB de Aécio Neves, candidato derrotado no segundo turno da eleição presidencial, pedia a impugnação da chapa Dilma-Temer. A sigla alegava financiamento ilegal de campanha, com base em apurações da Operação Lava Jato, que vinha desgastando o PT politicamente pela implicação de diversos quadros em esquemas de corrupção.

Paralelamente, a queda dos preços das matérias primas, principais produtos de exportações brasileiras, e o aumento da inflação foram acompanhados por protestos que levaram milhares à rua contra o governo Dilma e o PT. Em 13 de março de 2016, 500 mil pessoas participaram de manifestação pelo impeachment na avenida Paulista, segundo estimou o Datafolha, no maior ato político já registrado em São Paulo.

Para Alexandre Mathias, economista e sócio da Meridian Investment, os problemas surgiram antes da crise das commodities. O primeiro mandato de Dilma (2011-2014) implementou a chamada Nova Matriz Econômica, com interferência estatal nas políticas econômicas, desonerações fiscais, redução forçada das taxas de juros e ampliação do uso de créditos do BNDES.

"O colapso ocorreu entre 2014 e 2016 porque o cenário global mudou, o fluxo de capitais diminuiu e os juros subiram os Estados Unidos. Como os capitais ficaram seletivos, o câmbio disparou, a economia registrou a sua pior recessão", diz ele.

O economista afirma que a redução artificial dos preços gerou "uma conta que o Tesouro teve que pagar depois" por meio de reajustes tarifários.

"Para maquiar a insuficiência de caixa e preservar o discurso, o governo começou a atrasar os repasses nessas manobras contábeis que foram a razão do impeachment. No ápice, em 2015, as pedaladas chegaram a R$ 72 bilhões, valor que hoje ultrapassa os R$ 100 bilhões [R$ 122,7 bilhões, segundo a cotação atual]", afirma Mathias.

O ex-ministro Cardozo diz que a crise das matérias primas "nos atingiu em cheio".

PEDALADAS

O pedido de cassação de Dilma acusava as pedaladas fiscais: o atraso no pagamento a bancos públicos pelo uso de dinheiro em programas de governo –no caso, o Plano Safra–, e a abertura de créditos suplementares sem a aprovação do Congresso.

Cardozo argumenta que não havia prazo estipulado para o pagamento no caso do Plano Safra. "É uma situação que não era ilegal. Os governos faziam, e houve maior densidade econômica no governo Dilma."

"Foi forjada a ideia de que teria havido uma pedalada em termos de Orçamento. As coisas que aconteceram naquele tempo aconteceram depois, com o próprio Temer e o [ex-presidente Jair] Bolsonaro. Foi um pretexto para justificar uma decisão política das elites brasileiras que era tirar a Dilma e o PT do poder", afirma o senador Humberto Costa (PT-PE).

Costa era o líder do governo no Senado quando Dilma foi afastada. Ele assumiu o cargo no lugar de Delcídio do Amaral (MS), que havia sido preso em novembro de 2015 sob a acusação de tentar interferir em investigação da Lava Jato.

Eduardo Cunha acatou o pedido de impeachment em dezembro de 2015, no mesmo dia em que a bancada petista decidiu votar pela continuidade de um processo de cassação dele. "No fundo, o processo de impeachment foi aberto por uma decisão de vingança", diz Cardozo.

Dias depois, Temer enviou uma carta a Dilma acusando a presidente e seu entorno de desprezá-lo e de sabotar o PMDB no governo, demitindo ministros indicados por ele. O gesto foi um balde de água fria para os governistas, que esperavam do vice uma defesa do mandato da petista. Temer passou a ser tratado como golpista e até hoje é persona non grata no PT.

CASSAÇÃO

Em abril de 2016, o PT se surpreendeu com o placar do impeachment: foram 367 votos a favor e 137 contrários à abertura do processo na Câmara, em votação emblemática que durou mais de seis horas, com transmissão pelas principais emissoras de TV. "Não esperávamos que fossem tantos votos", admite Rui Falcão.

"Esse placar elástico foi porque havia ambiente institucional e midiático que defendiam o impeachment", afirma José Guimarães. "Eu sentia que havia uma dose de falsidade grande, porque [deputados] diziam que iam votar [contra], mas na prática não votaram."

Dilma foi afastada do cargo em maio, quando o Senado admitiu o julgamento. O impeachment foi aprovado em 31 de agosto de 2016, por 61 votos a favor e 20 contra. Presidiu aquela sessão o então presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, que anos mais tarde se tornaria ministro da Justiça de Lula.

A manutenção dos direitos políticos da petista, votada à parte, foi vista pelos petistas como um sinal de que o processo era puramente político.

A interpretação foi reforçada pelo arquivamento do caso das pedaladas pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em 2023.


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