segunda-feira, abril 13, 2026

Entre o empate e o desgaste: Lula diante de um novo campo de batalha eleitoral


Lula empataria com Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno

Pedro do Coutto

A política raramente oferece sinais isolados. Quando uma pesquisa, um escândalo e uma mudança de discurso surgem ao mesmo tempo, o que se tem não é coincidência — é sintoma. O empate registrado pelo Datafolha entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno projeta exatamente esse tipo de inflexão: um momento em que a disputa deixa de ser confortável para se tornar estruturalmente incerta.

O dado em si já é eloquente. Pela primeira vez, o presidente aparece numericamente atrás — ainda que dentro da margem de erro — com 45% contra 46% do adversário . Mais do que um empate técnico, trata-se de um empate político. Ou seja, não é apenas a fotografia de um momento, mas a indicação de que o campo eleitoral se reorganiza e que o lulismo já não opera com a vantagem psicológica que marcou o início do ciclo.

SINAIS DE DESGASTE – Esse movimento não surge no vazio. Ele dialoga diretamente com a deterioração de indicadores mais amplos de percepção pública. A avaliação do governo, por exemplo, mostra sinais de desgaste: a reprovação já supera a aprovação e há estabilidade em patamares elevados de avaliação negativa . Em política, esse tipo de erosão não é abrupto — ele se acumula. E, quando encontra um vetor de crise, acelera.

É nesse ponto que entra o chamado “caso Banco Master”. O escândalo, que envolve cifras bilionárias, conexões com o sistema financeiro e repercussões no Judiciário, ultrapassa o campo técnico para se tornar um fato político de primeira grandeza. Investigações e revelações associadas ao banco ampliaram a desconfiança pública em relação às elites institucionais e criaram um ambiente de suspeição difusa . Ainda que não recaia diretamente sobre o presidente, o episódio contamina o entorno do poder — e, na percepção do eleitor, o entorno muitas vezes se confunde com o próprio governo.

Dentro do próprio campo governista, essa leitura já está consolidada. Dirigentes do partido atribuem parte do desgaste recente à combinação de denúncias envolvendo o Banco Master e outros ruídos institucionais, reconhecendo que tais fatores elevaram a rejeição ao governo . É o tipo de diagnóstico que revela mais do que uma crise pontual: indica que o governo passou a reagir, e não mais a conduzir a agenda.

ESPAÇO ABERTO – A ascensão de Flávio Bolsonaro, por sua vez, deve ser entendida menos como um fenômeno isolado e mais como a ocupação de um espaço político aberto. Em um ambiente de alta rejeição mútua — em que ambos os polos enfrentam resistência relevante do eleitorado — cresce quem consegue dialogar com o sentimento predominante do momento. E hoje esse sentimento é atravessado por insegurança, desconfiança e fadiga institucional.

Nesse cenário, a resposta de Lula começa a tomar forma: endurecer o discurso, especialmente na área de segurança pública. Trata-se de uma tentativa clara de reconexão com o eleitorado de centro, que historicamente oscila entre a busca por estabilidade social e a demanda por ordem. No entanto, essa guinada carrega um risco inerente. Ao adotar um tom mais punitivista, o presidente tensiona sua própria base e relativiza bandeiras que sempre foram identitárias do campo progressista.

É, portanto, uma operação de alto custo político. Se for tímida, não produz efeito eleitoral. Se for intensa, pode gerar ruído interno. Esse é o dilema clássico de governos que enfrentam desgaste em meio à polarização: precisam ampliar sua base sem perder sua identidade — tarefa que raramente se resolve sem contradições.

SINAL DE ALERTA – O empate apontado pelo Datafolha, nesse contexto, não é apenas um número. É um sinal de alerta. Ele indica que a eleição de 2026, ao contrário do que se projetava meses atrás, não será decidida por inércia ou memória recente, mas por capacidade de adaptação. Lula, experiente e resiliente, já demonstrou ao longo de sua trajetória habilidade para recalibrar discurso e estratégia. Mas desta vez o terreno é mais instável.

Entre o peso do passado, o ruído do presente e a incerteza do futuro, a disputa começa a assumir contornos mais imprevisíveis. E, como costuma acontecer na política brasileira, é nesse espaço de instabilidade que as eleições deixam de ser previsíveis — e passam a ser verdadeiramente disputadas.

Lula aconselha seu “companheiro Alexandre” a colocar a culpar a própria mulher

Publicado em 13 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Moraes descarta ação na Justiça dos EUA durante jantar com Lula

Lula tem motivos para jogar aos leões seu “companheiro”

Thais Oyama
O Globo

O presidente Lula, em entrevista ao ICL Notícias, referiu-se ao ministro do STF Alexandre de Moraes como “companheiro Alexandre” para, três frases depois, jogá-lo literalmente aos leões. Dois dias após a CPI do Banco Master revelar que o patrimônio do magistrado triplicou desde a sua chegada ao STF — e que só os 17 imóveis que possui com a mulher estão avaliados em R$ 31,5 milhões —, Lula afirmou que quem quer “ficar milionário não pode ser ministro da Suprema Corte”.

Disse ainda que “salário de deputado, governador, e presidente da República não permite que ninguém seja rico”. E acrescentou: se alguém enriquece durante o mandato, é “porque teve outras coisas para ficar rico”. Um pouco mais e Moraes ficaria tentado a enquadrar Lula num de seus inquéritos imorríveis.

RAZÕES ELEITORAIS – O presidente tem vários motivos — até onde a vista alcança, todos de natureza eleitoral — para largar a mão daquele a quem, por mais de uma ocasião, chamou de “salvador da democracia” — uma das togas mais poderosas do tribunal que foi o parceiro institucional e instância de sustentação de seu governo nos choques com o Congresso.

A primeira razão para Lula descartar o até aqui aliado Moraes é que a sucessão de revelações sobre as ligações cada vez mais escancaradas entre o Banco Master e os cada vez menos egrégios ministros do Supremo tornou improvável a contenção do escândalo — e Lula não pode se dar ao luxo de ficar na contramão da opinião pública.

Segundo a última pesquisa Quaest, mais brasileiros não confiam no STF (49%) do que confiam (43%); e 66% querem votar em candidatos ao Senado que apoiem o impeachment de ministros. O pior dado para Lula: 59% veem a Corte como aliada do governo.

OUTRO MOTIVO -Há uma segunda razão para ele abandonar Moraes — cuja biografia disse ter tentado salvar sugerindo ao ministro uma declaração de impedimento e um truque retórico (“Diga textualmente: ‘Minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença pra mim, ela faz as coisas…’.”).

Essa razão passa pelo fato de, assim como Lula, Flávio Bolsonaro dar um braço para não ter de subir num palanque e falar sobre o envolvimento de ministros do STF no caso Master.

O filho de Jair Bolsonaro segue com o freio de mão puxado no assunto não apenas por ter pai presidiário e à mercê da Corte, mas por temer pela própria sorte. Assombra-o a hipótese — até agora nem cogitada, nem fundamentada — de integrantes da Corte produzirem um fato jurídico que leve o TSE a indeferir o registro de sua candidatura.

PONDERADO DEMAIS – Por isso, até aqui, o bolsonarista vem tratando com ponderada distância os passivos de Moraes e Dias Toffoli. E o combinado é que, provocado, ele jogue para os candidatos ao Congresso a resposta sobre eventuais impeachments.

Próceres do PL receiam ainda pelo destino de cinco pré-candidatos do partido ao Senado que respondem a ações no Supremo, entre eles Carlos Bolsonaro.

Por motivos distintos, tanto Lula quanto Flávio pretendiam manter a maior distância possível do inconveniente assunto dos magistrados radioativos. A entrada de Caiado na eleição, porém, tende a obrigar os dois a mudar o jogo.

CAIADO NO ATAQUE – Na semana passada, o candidato do PSD declarou que, antes mesmo de um eventual impeachment de ministros, o STF deveria “cortar na própria carne” e afastar os nomes envolvidos no escândalo.

Ao arrastar o tema para a arena presidencial, Caiado obriga Flávio a segui-lo, ao mesmo tempo que força Lula a se mexer para não ficar com o mico na mão.

Por fim, a terceira razão para o petista buscar distanciamento sanitário do ex-aliado Moraes nasce do solo fértil da especulação: é que um passarinho, altamente informado sobre o andamento das investigações do Master, contou a Lula que mais coisa pesada vem por aí — e que não há salvação para a biografia do companheiro Alexandre.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Os astros estão entrando em conjunção e Moraes vai apodrecer dia-a-dia, em público, sendo torturado aos poucos, com a mesma desumanidade que ele demonstrou ao julgar os terríveis terroristas do 8 de Janeiro. O ministro-companheiro já não serve mais ao amigo Lula e precisa pagar os pecados. Vida que segue, diria João Sadanha, de olha na Copa. (C.N.)

Lula escala Alckmin para anunciar empréstimo ao túnel Santos-Guarujá e irrita Tarcísio

 

Lula escala Alckmin para anunciar empréstimo ao túnel Santos-Guarujá e irrita Tarcísio

Tarcísio soube de cerimônia na sexta e desenha da solenidade por um empréstimo

Por Carlos Petrocilo/Folhapress

12/04/2026 às 16:00

Atualizado em 12/04/2026 às 20:05

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil/Arquivo

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Geraldo Alckmin e Lula

Em novo capítulo pela paternidade do túnel Santos-Guarujá, o governo Lula convidou de última hora os integrantes da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) para uma solenidade de assinatura de empréstimo do Banco do Brasil para construção da obra.

Para o evento nesta segunda-feira (13) na sede do banco em São Paulo, Lula escalou o vice Geraldo Alckmin e o ministro Dario Durigan (Fazenda). E Tarcísio, que afirma ter sido convidado somente na sexta, enviará Samuel Kinoshita, secretário da Fazenda e Planejamento.

Integrantes da gestão estadual dizem que o empréstimo tem condições de mercado, mas Lula pretende faturar politicamente com o anúncio. O empréstimo de R$ 2,6 bilhões deverá ser pago pelo Estado.

No Palácio dos Bandeirantes, o gesto é comparado à cerimônia na qual Lula assinou, em março, um financiamento de R$ 6 bilhões para construção do trem Intercidades, que ligará Campinas a São Paulo.

Convidado de última hora, Tarcísio não foi ao evento em Araraquara, e Lula criticou a ausência do governador.

O túnel Santos-Guarujá terá investimento de 5,1 bilhões, divididos entre os governos federal e estadual.

Tarcísio tem dito que a gestão Lula ainda não pagou a sua parte no projeto. "Existe a possibilidade de bancar tudo. Se nós tivermos que aportar 100% do dinheiro, nós vamos aportar!", disse o governador, na sexta.

Politica Livre

Quem é Peter Magyar, provável futuro primeiro-ministro da Hungria, após derrotar Viktor Orbán

 

Quem é Peter Magyar, provável futuro primeiro-ministro da Hungria, após derrotar Viktor Orbán

Seu partido, o Tisza, venceu as eleições deste domingo, 12

Por Estadão

12/04/2026 às 18:00

Atualizado em 12/04/2026 às 18:02

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Péter Magyar pode se tornar o novo primeiro-ministro da Hungria

Péter Magyar aproveitou o momento de insatisfação da população húngara e pode agora se tornar o novo primeiro-ministro do país. A vitória de seu partido nas eleições deste domingo, 12, derrubou o governo de 16 anos de Viktor Orbán. Com 45 anos, Magyar é líder do Tisza, partido de centro-direita fundado por ele após sua saída do Fidesz, em 2024.

“Obrigado, Hungria!”, publicou Magyar no X, enquanto milhares de seus apoiadores lotavam as margens do Danúbio em Budapeste.

Com 66% dos votos apurados, o partido da oposição Tisza caminhava para conquistar 137 cadeiras — mais de dois terços da maioria —, enquanto o partido de Orbán, Fidesz, deveria obter apenas 57. Magyar é um ex-aliado de Orbán, e rompeu com o partido em 2024.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota neste domingo, 12, após o que chamou de um resultado eleitoral “doloroso”, encerrando 16 anos no poder de uma figura influente do movimento de extrema direita, aliada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente russo, Vladimir Putin.

“Eu parabenizei o partido vencedor”, disse Orbán a apoiadores em Budapeste. “Vamos servir à nação húngara e à nossa pátria também a partir da oposição”.

Sua campanha teve foco no restabelecimento da democracia na Hungria, com a promessa de alavancar a economia e adicionar o país à zona do Euro, além do combate à corrupção governamental. Magyar defende uma alternativa nacionalista, mas menos centralizadora que a da administração atual.

Nascido em 1981, na cidade de Budapeste, Magyar descreveu-se como alguém atraído pela política desde muito jovem. Tendo crescido durante os últimos anos do regime comunista, ele admirava Orbán e seu círculo de jovens democratas liberais que desafiavam o domínio soviético no final da Guerra Fria.

Magyar afirmou que assistia aos debates parlamentares na televisão ainda na escola primária e participava de manifestações políticas com seus pais. Imerso na política conservadora, Magyar filiou-se ao Fidesz em 2002, aos 21 anos, e fez amizade com outras figuras em ascensão no partido, incluindo Gergely Gulyás, que mais tarde se tornaria chefe de gabinete de Orbán.

Ao longo dos anos, o político trabalhou em cargos de bastidores, em empresas estatais e foi diplomata em Bruxelas. Em 2023, o húngaro passou pelo divórcio com a juíza Judit Varga, uma das ministras mais ligadas à Orbán. No ano seguinte, Judit se envolveu em um escândalo que abalou a Hungria quando veio à tona que o presidente Katalin Novák havia concedido um indulto a um cúmplice condenado em um caso de abuso sexual infantil.

A decisão chocou o país e levou à renúncia de Katalin Novák, enquanto Judit, que havia apoiado o indulto, também renunciou. No dia seguinte, Magyar concedeu uma longa entrevista a um popular canal húngaro do YouTube, na qual rompeu publicamente com o Fidesz, acusando o governo de Orbán de corrupção sistêmica e de agir em benefício de um pequeno círculo de elites políticas e econômicas.

Sua consolidação política se deu quando criou o Tisza para rivalizar com o Fidesz. Em junho daquele ano, o Tisza obteve 30% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu, e Magyar assumiu a cadeira de eurodeputado. A ascensão meteórica o colocou em uma posição vantajosa para disputar as eleições deste ano, já que a antiga coligação de oposição de Orbán não conseguiu força suficiente para derrotar o primeiro-ministro em 2022. Desde então, o candidato viajou pela Hungria mais de uma vez para fazer campanha e incluiu roteiros em comunidades húngaras também no exterior.

Agora, Magyar se posiciona como uma alternativa para retomar o contato mais próximo com o grupo e com a sua própria população, depois de anos de isolamento do país na Europa e de deterioração da democracia na Hungria.

Em dezembro de 2022, a UE bloqueou cerca de 22 bilhões de euros destinados à Hungria como parte da política de coesão, que prevê uma ajuda financeira aos países do bloco. O montante deve ser aplicado em estrutura, serviços e desenvolvimento, mas, no caso húngaro, foi congelado após o governo descumprir as condições para o recebimento do valor. A acusação da UE é de falha no Estado de direito, com violações à independência do judiciário, corrupção e restrições à liberdade de imprensa.

Em relação à Ucrânia, Magyar se posicionou contra uma ajuda militar ao território em guerra com a Rússia, mas deve se mostrar mais flexível a medidas financeiras propostas no Parlamento. Em junho de 2024, o candidato afirmou para jornalistas no Parlamento Europeu que concordava com a posição do governo de Orbán de não enviar armas ou tropas para a guerra na Ucrânia, segundo o Politico.

O Tisza, partido de Magyar, aparecia com 50% das intenções de votos segundo um levantamento do Politico. O veículo reúne pesquisas independentes e calcula a porcentagem de cada partido com base nos estudos oficiais disponíveis. O Fidesz, legenda de Orbán, aparece com 39%, enquanto partidos menores, como Mi Hazánk e Demokratikus Koalíció chegam a 5% e 3%.

Os 7,5 milhões de eleitores no país, assim como os mais de 500 mil registrados no exterior, puderam escolher entre cinco partidos, em um sistema eleitoral majoritário misto muito favorável ao partido de Orbán, Fidesz (União Cívica Húngara), há 16 anos no governo.

Orbán tornou-se uma referência da extrema direita internacional, tanto dentro quanto fora da Europa, por suas posições contrárias à imigração e sua oposição aos direitos LGBTQ e sua rejeição ao apoio contínuo dos países ocidentais à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia.

Os locais de votação fecharam às 19h00 no horário local (14h00 de Brasília) e, meia hora antes, a participação já era de 77,8%, um nível acima da taxa máxima de 70,5% registrada nas eleições de 2002.

Pesquisas de institutos independentes preveem uma ampla vitória do partido de oposição Tisza, de Magyar, de 45 anos, que em dois anos conseguiu construir um movimento capaz de fazer frente ao primeiro-ministro, cuja popularidade caiu devido à desaceleração da economia.

Leia tambémViktor Orbán reconhece derrota, e Hungria encerra 16 anos com premiê da ultradireita no poder

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