quinta-feira, abril 09, 2026

Gilmar Mendes viajou para Brasília em avião de empresa de Vorcaro na volta da posse do irmão no MT

 

Gilmar Mendes viajou para Brasília em avião de empresa de Vorcaro na volta da posse do irmão no MT

Procurado, ministro diz que aceitou carona de Marcos Molina, do grupo MBRF

Por Gustavo Côrtes/Estadão

08/04/2026 às 22:40

Atualizado em 08/04/2026 às 23:32

Foto: Antonio Augusto/STF/Arquivo

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes viajou em avião da Prime You, da qual o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, era sócio. No dia 1º de janeiro do ano passado, o magistrado embarcou em voo de Diamantino (MT), onde seu irmão tomou posse como prefeito, para Brasília em um dos modelos operados pela empresa.

Procurado, Gilmar negou ter conhecimento sobre a relação da aeronave com a companhia de Vorcaro. Afirmou ter aceitado uma carona oferecida pelo empresário Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF, grupo que resultou da fusão entre dois dos maiores frigoríficos do País, a BRF e a Marfrig.

Ao jornal O Estado de São Paulo, a companhia confirmou a viagem, por meio de sua assessoria, e informou que Molina tem uma cota da aeronave operada pela Prime, mas negou relação pessoal ou comercial do executivo com Vorcaro.

Registros de movimentação no Aeroporto de Brasília indicam que o avião identificado pelo código PT-PVH saiu de Diamantino às 16h38 do dia 1º de janeiro de 2025 com destino a Brasília. O modelo, um Phenom 300 da Embraer, pertence à PT-PVH Administração de Bem Próprio, presidida por Marcus Vinícius da Mata, sócio da Prime You, que opera a aeronave.

Na ocasião, Gilmar retornava de Diamantino, para onde viajou para participar da cerimônia de posse de seu irmão caçula, Chico Mendes, como prefeito. Ele foi eleito em outubro de 2024 com 56% dos votos e já havia comandado a cidade, que é reduto eleitoral da família, entre 2001 e 2008. O avô e o pai deles também foram prefeitos do município, onde eles mantêm fazendas.

Viagens dos outros ministros

Com a confirmação da viagem, é possível afirmar que quatro dos 10 ministros em exercício no STF voaram em aviões ligados a Vorcaro. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques também os utilizaram, conforme revelou o Estadão.

Estes e seus familiares fizeram ao menos 11 trajetos a bordo de aviões do banqueiro. As informações foram obtidas a partir do cruzamento dos registros de entrada no terminal executivo do Aeroporto de Brasília, por onde membros da Corte passam para embarcar, com o histórico de movimentação de aeronaves da companhia e de suas subsidiárias.

Moraes e a mulher foram os mais assíduos, com oito viagens para os aeroportos de Congonhas e Catarina, em São Paulo. Uma delas ocorreu no dia 7 de agosto de 2025, logo após o fim de sessão plenária no STF. No dia seguinte, o ministro se reuniu com Vorcaro em São Paulo. Ao menos foi o que o banqueiro relatou à ex-namorada Martha Graeff em troca de mensagens.

Toffoli usou aviões de empresários para três viagens ao resort Tayayá, indicam os documentos. Um deles era da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Vorcaro. Os outros dois eram de Paulo Humberto Barbosa, que comprou a parte de Toffoli no Tayayá, e de Luiz Osvaldo Pastore, empresário da mineração que levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em novembro.

No último mês de novembro, Kassio Nunes Marques viajou para Maceió com a mulher, Vanessa Ferreira, e um casal de amigos em um avião da Prime You, como revelou o Estadão. O trajeto foi patrocinado pela advogada do Banco Master Camilla Ewerton Ramos, casada com o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1). Eles também embarcaram na aeronave.

Nunes Marques confirmou sua presença no voo e afirmou que a viagem foi paga por uma advogada do Master. Toffoli não se manifestou e Moraes alegou que contrata serviço de diversas companhias de voos particulares. Nenhum deles admite ter vínculo com Vorcaro.

Politica Livre

Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

 

Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

Por Maeli Prado/Folhapress

09/04/2026 às 06:27

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

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O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados

O alívio foi temporário. Quase dois anos após o fim do Desenrola, programa de renegociação de dívidas criado pelo governo federal em julho de 2023, o Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, e convive com um calote do consumidor no maior patamar desde 2012. Hoje há um contingente de 81,7 milhões de pessoas que estão com contas atrasadas.

O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados que, para especialistas, foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz do superendividamento.

Promessa de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado com o objetivo de combater a inadimplência crescente do pós-pandemia. Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de 71,4 milhões, segundo dados da Serasa, e a inadimplência era de 4,14% (índice de contas com mais de 90 dias em atraso).

O programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o público-alvo do Desenrola.

O número total de devedores, de todas as faixas de renda, subiu a 72,5 milhões, enquanto o calote acima de 90 dias se reduziu a 3,69%.

Segundo especialistas, o programa ajudou a controlar um crescimento que poderia ser ainda maior do superendividamento. Passado esse efeito pontual, a inadimplência voltou a crescer com força, impulsionada pelos juros cada vez maiores, pela oferta agressiva de crédito pelas instituições financeiras e pela explosão das bets.

Esse cenário levou o número de inadimplentes a alcançar quase 82 milhões de indivíduos em fevereiro deste ano, enquanto a inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas (incluindo os empréstimos imobiliários) alcançou 5,24%, a maior em 14 anos.

"O governo tomou uma medida paliativa, que não interrompeu o ciclo que promove o endividamento", diz a economista Ione Amorim, consultora de serviços financeiros do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). "Parte dos consumidores saiu temporariamente das estatísticas, mas isso não quer dizer que não estavam mais endividados."

Para ela, a proposta do Desenrola foi reabilitar a situação financeira dos brasileiros para que voltassem a consumir. Ela lembra que a primeira medida do programa foi excluir os negativados com dívidas de até R$ 100 dos cadastros dos birôs de crédito.

"Quem teve o nome limpo foi pegar crédito, mas houve um rebote, com a inadimplência voltando a crescer de forma acelerada", afirma a economista.

Atualmente, a maior parte das dívidas são com bancos, principalmente de cartão de crédito (26,7% do total), seguidos por contas de consumo, como água e luz (21,3%) e dívidas com financeiras (20,3%), segundo dados da Serasa.

DIFICULDADE DE ACESSO À PLATAFORMA

Quando foi encerrado, o Desenrola havia atendido 15 milhões de pessoas com dívidas de R$ 53,2 bilhões. O Ministério da Fazenda afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a pasta avalia que o Desenrola atingiu seu objetivo. "O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto", afirmou.

Um número preliminar previa alcançar até 30 milhões de indivíduos. O resultado ficou abaixo do esperado, na avaliação de especialistas, por erros de implementação principalmente na segunda fase do programa.

A primeira se concentrou nos devedores com renda até R$ 20 mil, que renegociaram dívidas diretamente com as instituições financeiras. Já a segunda etapa, com foco na população de baixa renda, exigia que os inadimplentes entrassem na plataforma digital criada para o programa.

Isso se revelou uma barreira, já que a plataforma demandava que o devedor possuísse contas ouro e prata no portal Gov.br para acesso. Posteriormente, a exigência foi reduzida para contas do nível bronze.

"Isso deixou a adesão mais lenta", aponta Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV. Entre os pontos positivos do programa ele cita a limitação da taxa de juros do crédito renegociado e a construção da plataforma do governo para renegociação de dívidas, que pode ser usada futuramente.

"Não me parece que houve uma preocupação com as causas estruturais do superendividamento", afirma.

O salto do número de endividados nos últimos anos pode ser explicado, segundo ele, por uma oferta agressiva de crédito. "Hoje há uma combinação de mais atores atuando no mercado de crédito digital, oferecendo empréstimos de forma quase automática. Os juros altos são a cereja do bolo", diz.

É a mesma avaliação de André Sacconato, economista da FecomercioSP. "Isso, somado à baixa educação financeira e altas taxas de juros, levou ao crescimento do endividamento."

Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o pano de fundo da elevação do superendividamento é a alta na taxa básica de juros, que subiu de 10,50% ao ano, patamar de quando o Desenrola foi encerrado, a 14,75% ao ano hoje.

"O Desenrola teve boas intenções, mas não resolveu o problema nem de longe. Quando o paciente tem uma doença grave e você dá uma aspirina para ele, não vai resolver", diz.

O Ministério da Fazenda estuda hoje um novo programa, cujo objetivo é renegociar principalmente dívidas de modalidades mais caras, como cartão, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante.

Os especialistas avaliam que a nova renegociação corre o risco de cometer os mesmos erros se o foco for em uma solução apenas emergencial.

O governo avalia estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal —entre elas uma restrição a apostas em bets e a necessidade de se fazer um curso de educação financeira, como mostrou a Folha.

Gonzalez, da FGV, acredita que é preciso aprimorar a regulação da oferta do crédito digital. "Quando um imóvel vai ser financiado, por exemplo, existe uma limitação do quanto o crédito vai representar da renda da pessoa. Essa limitação poderia ser pensada para outras modalidades."

Politica Livre

Boulos amplia espaço como conselheiro de Lula após saída de ministros da 'cozinha' do Planalto

 

Boulos amplia espaço como conselheiro de Lula após saída de ministros da 'cozinha' do Planalto

Por Catia Seabra e Caio Spechoto/Folhapress

09/04/2026 às 06:46

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

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Guilherme Boulos

As trocas no primeiro escalão do governo consolidaram o espaço do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), junto ao presidente Lula (PT). Com a desincompatibilização dos ministros-candidatos, Boulos ampliou sua influência na chamada cozinha do Planalto, participando inclusive das reuniões semanais do conselho de campanha do petista.

A expansão só se deu nos últimos meses. Ao tomar posse em 29 de outubro, Boulos assumiu tarefas de visibilidade externa, distantes do núcleo decisório do Palácio do Planalto.

Entre as suas atribuições estavam, por exemplo, a defesa do governo nas redes sociais, a relação com os movimentos sociais e o fortalecimento da presença do Executivo nas cidades, com a montagem do programa Governo do Brasil na Rua.

À época, Lula ainda atribuiu a Boulos a articulação da regulamentação do trabalho por aplicativos e do fim da escala 6x1. Como uma espécie de porta-voz, o ministro viu ainda sua lista de tarefas aumentar à medida que o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, crescia nas pesquisas de opinião, tendo sido escalado para a negociação com caminhoneiros.

Mas, para auxiliares do presidente, a surpresa está na sua rápida integração ao grupo que discute estratégia eleitoral. Filiado ao PSOL, Boulos é hoje um forasteiro no conselho composto por aliados históricos do presidente, quase todos petistas.

Como mostrou a Folha, Lula tem recebido regularmente o núcleo de sua pré-campanha para debate de conjuntura e definição de estratégia política-eleitoral.

Entre os participantes, estão futuros integrantes do comitê eleitoral, como o presidente do PT, Edinho Silva, seu coordenador-geral; o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, responsável pela elaboração do programa de governo; e o ex-prefeito de Diadema (SP) José de Filippi Jr., futuro tesoureiro.

Compõem o grupo ainda o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE), o presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, o ex-ministro Gilberto Carvalho e a dirigente petista Mônica Valente.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também são ouvidos pelo presidente na construção da candidatura de reeleição. O marqueteiro deve ser Raul Rabelo, publicitário próximo de Sidônio.

Nesta quarta-feira (8), o próprio Lula atestou o prestígio de seu ministro ao confirmar o envio de um projeto para acabar com a escala 6x1. A decisão tinha sido anunciada por Boulos, mas contestada por parlamentares e até mesmo integrantes do governo.

A trajetória de Boulos não foi imune a quedas de braço com seus pares. Ele atraiu a ira de colegas por ter sido um dos principais articuladores da revogação de um decreto presidencial sobre um programa de concessão de hidrovias na região amazônica.

O projeto enfrentava resistências de comunidades indígenas da região do Tapajós, no Pará, mas tinha apoio de outros ministérios, como da Casa Civil. Boulos negociou a revogação diretamente com o presidente.

Conhecedores de Lula ressaltam, além disso, que a participação no conselho não significa acesso automático ao seleto grupo de interlocutores do presidente, integrado, por exemplo, pelos ex-ministros Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Rui Costa, todos do PT. O trio deixou seus cargos para disputar a eleição, dois deles a pedido do próprio presidente.

Boulos, por sua vez, quis ficar no governo. Essa é a primeira vez que seu trabalho é observado de perto pelo presidente. Em 2024, Lula se empenhou pela candidatura do psolista à Prefeitura de São Paulo. Mas nunca trabalhou diretamente com ele.

O mundo político há anos especula a possibilidade de Boulos migrar para o PT, partido maior e com mais capacidade de projetar candidaturas fortes. No início de março, o PSOL se recusou a entrar em uma federação com o partido de Lula, em derrota para o ministro.

Ele também aparece como possível sucessor político de Lula, hoje com 80 anos. Para isso, terá de entrar em uma fila composta por petistas.


Politica Livre

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