terça-feira, abril 07, 2026

Xandão à vista

 

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Arte: Marcelo Chello

Temos uma nova Family que gosta de pagar à vista por seus imóveis: a Family do Xandão. O Estadão fez um levantamento nos cartórios brasileiros que mostra que a family do nosso supremo xerife desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis, tudo à vista, desde que Michel Temer o indicou ao cargo supremo. Tudo comprado pela empresa patrimonial Lex Instituto de Estudos Jurídicos, em que a principal sócia é a Vivi Barci, sua esposa.

Sei que você pode se perguntar que, como só a Vivi e os filhos são sócios do Lex, Xandão não tem nada a ver com isso. É que ele tem um regime de casamento que faz com que todo o patrimônio adquirido após a união pertença aos dois. Então tudo o que é de Vivi é de Xandão e tudo o que é de Xandão é de Vivi.

Obviamente, com um salário de ministro supremo, Xandão não teria como pagar tanto dinheiro por tantos imóveis. Mas a Vivi como advogada pode isso e muito mais. Se você pensar que só o contrato com o Banco Master era de R$ 3,6 milhões por mês… O escritório é tão rico que até contratou jatinhos de serviços de táxi aéreo para voar pelo Brasil. Por coincidência, os jatinhos pertenciam à Prime Aviation, que tem como acionista o nosso querido Daniel Vorcaro. Sim, aquele do Banco Master.

Por falar na Prime Aviation, não foi só Xandão que andou usando os serviços da empresa de Vorcaro. O Toffoli também já foi para o Tayayá de jatinho e a novidade do fim de semana é que o supremo Nunes Marques também viajou na Prime. E sabe o que Nunes Marques informou ao Estadão (que foi o jornal que fez a revelação deste voo)? Que sim, ele viajou, a convite de uma advogada do Master. É uma bela história, como diria a figurinha do Alckmin.

Mas voltemos aos imóveis do Xandão. Antes de virar ministro supremo, a family dele tinha 12 imóveis que foram adquiridos pelo valor de R$ 8,6 milhões. Agora são ao todo 17 imóveis. Ou seja, os mais de 20 milhões foram investidos na compra de 5 imóveis.

Master sigilo

E o Banco Central classificou os documentos da decretação da liquidação do Banco Master como sigilosos e, assim, só poderemos saber o conteúdo daqui a oito anos. Socorro, BRASEW. A CNN fez um pedido via lei de acesso à informação aos documentos e foi informada desse sigilinho master básico.

Tixa lança a conta Master

Parem as máquinas que tem lançamento na Tixa.

O Master que a gente lança não vai quebrar, não vai sumir com seu dinheiro e não vai te deixar sem explicação numa sexta à noite (a não ser que seja feriado).

É a Assinatura Master da Tixa.

Você paga. O conteúdo segue de graça para todo mundo. Ninguém some.

A proposta é absurda de boa: não tem exclusivo, não tem brinde, não tem clube VIP. E não tem jatinho. Tem só o prazer de sustentar o jornalismo que você lê toda semana sem precisar de nada em troca.

É só ir no link: https://www.tixanews.com.br/newsletter/

Tixa no Modo Eleição

A corrida começou mesmo, BRASEW. Ao todo, 11 governadores deixaram seus cargos para se candidatar em outro cargo nas próximas eleições. E não, Tarcísio não renunciou e segue governador de São Paulo. Além disso, mais de 120 deputados usaram a janela partidária para trocar de partido. Quem ficou no mesmo lugar foi o Eduardo Cunha, que cogitava deixar o Republicanos, mas decidiu seguir ali mesmo junto com o Cleitinho, com quem ele se treta. O Cleitinho é presidente do partido em Minas Gerais, candidato a governador e atualmente senador. Cleitinho foi um dos focos daquela onda que depois virou uma fake total sobre o Pix, lembra?

E a vida é assim: Eduardo Cunha, que já voltou à Câmara através da sua filha, a deputada Daniela Cunha, agora tenta ele mesmo voltar, em carne, osso e otrascositasmas.

Corrida maluca

O Lula lançou hoje um pacote para tentar conter a alta do preço dos combustíveis. Vai gastar uns bons bilhões para segurar essa bucha. A justificativa é real: a guerra do Irã fez os preços do petróleo subirem. Mas a intenção é totalmente eleitoral: não dá para ver preço de gasolina explodir em ano de eleição, né?

Em Sampa…

O Márcio França, do PSB, segue querendo ser pelo menos candidato a senador, rivalizando assim com Marina, da Rede, que se botou à disposição para ser candidata da esquerda junto com Simone Tebet.

Mas já saiu também a possibilidade de Simone Tebet ser candidata à vice de Haddad porque ela pode atrair o Centro. Não era mais fácil o PT apoiá-la para candidata a governadora mesmo, já que o Haddad nem queria esse rolê?

Não seria o único estado em que o PT abriria mão de ter candidato. Aliás, virou o novo normal. Para ter palanques para Lula nos estados, o partido está abrindo mão da cabeça de chapa e a expectativa é de que tenha candidatos a governador filiados ao partido apenas em nove estados.

E o Flavitcho Bolsonaro?

Flavitcho tem um problemão: seu irmão. Ele anda dizendo publicamente que a direita precisa se unir e coisa e tal, mas quem está descontrolado é o Dudu Bolsonaro, que segue, por exemplo, criando treta com o Nikolas. Sim, o deputado mais votado de Minas. Flavitcho confessou em podcast que tem que ficar ligando para o irmão com frequência, mas garantiu que Dudu é um cara muito preparado. Eu diria que ele é muito preparado para fazer besteira. Será que os eleitores vão lembrar que ele foi fazer lobby nos Estados Unidos para Trump botar tarifa no Brasil?

E Flavitcho também está com o Caiado dando um certo trabalho, já que o governador de Goiás é de direita, bolsonarista e bem ligado ao movimento evangélico. Flavitcho até se ajoelhou no palco da Assembleia de Deus neste finde.

E, para tentar conquistar o Tarcísio, Flavitcho está com essa de que vai apoiar uma proposta de emenda à Constituição para acabar com a reeleição e assim Tarcísio teria chances em 2030. Ahã, claro, claro.

O Caiado que lute

O Kassab lançou o Caiado para presidente, pelo PSD, mas o PSD, pelo visto, não quis saber muito do Caiado. Apenas dois governadores do partido divulgaram apoio ao Ronaldo — governador de Goiás. Caiado, fingindo que não tá nem aí que os outros cinco governadores ficaram caladinhos, disse que os principais o apoiaram: Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Só eu achei que o Leite não deu esse apoio todo?

Trumpices

A declaração do dia foi essa:

— Todo o país (Irã) poderia ser eliminado em uma noite, e essa noite pode muito bem ser amanhã (terça-feira).

Podemos terminar assim, BRASEW? Acorda, que o Trump precisa dormir.

 
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O gabinete paralelo sai das sombras

 

O gabinete paralelo sai das sombras

Por que Flávio Bolsonaro e Valdemar celebraram a chegada de Nise Yamaguchi ao PL.

É provável que você se lembre. Durante a pandemia, uma parte relevante das decisões do governo do então presidente Jair Bolsonaro não passava pelos canais formais do Ministério da Saúde. Não era registrada em agendas oficiais, não era comunicada publicamente e, muitas vezes, contrariava as recomendações produzidas pelo corpo técnico da pasta.


Esse arranjo, que veio a ser descrito por autoridades e pela CPI da Covid no Senado como um “gabinete paralelo”, funcionava à margem da estrutura institucional, mas com acesso direto ao centro do poder. Nos últimos dias, um episódio aparentemente corriqueiro da política partidária trouxe esse passado de volta ao presente.


No dia 25 de março, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, gravaram um vídeo celebrando a filiação e a pré-candidatura da médica Nise Yamaguchi à Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.


A cena, registrada e divulgada como um gesto de apoio eleitoral, recoloca no debate público uma personagem que teve atuação relevante — e pouco transparente — nos bastidores do governo de Jair Bolsonaro durante o período mais crítico da crise sanitária.


A lembrança é especialmente significativa porque, em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal, o MPF, decidiu arquivar um pedido de investigação sobre a conduta de Bolsonaro na pandemia.


No despacho, a procuradoria afirmou que as acusações apresentadas eram genéricas e não estavam acompanhadas de elementos mínimos que justificassem a abertura de um inquérito.


A decisão encerrou, no âmbito do MPF, uma frente de questionamento que dialogava diretamente com os fatos revelados ao longo de 2020 e 2021 — entre eles, a existência de um núcleo informal de aconselhamento que operava fora das estruturas oficiais. Mas tem coisas que não podemos esquecer. Vamos aos fatos.

Ao longo de 2020, o Ministério da Saúde flexibilizou regras para prescrição de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina e, no início de 2021, lançou o aplicativo TrateCov, que indicava automaticamente o uso desses fármacos em casos suspeitos.

Nise Yamaguchi foi uma das principais defensoras públicas dessas estratégias. Em entrevistas, audiências e participações em comissões legislativas, sustentou o uso do chamado “tratamento precoce” e chegou a defender, em depoimento à CPI da Covid, que a ideia de imunização de rebanho sem vacinação era “pertinente”, baseada na ampla exposição da população ao vírus.

Essas posições estavam em desacordo com o consenso estabelecido por entidades científicas nacionais e internacionais, que apontavam a ineficácia desses medicamentos contra a covid-19.

A proximidade de Nise com o núcleo do governo não se restringia ao Ministério da Saúde. Documentos entregues à CPI da Covid indicaram que Nise também esteve no Palácio do Planalto em pelo menos quatro ocasiões ao longo de 2020.

A CPI reuniu depoimentos e evidências que apontavam para a existência de um grupo informal de aconselhamento ao presidente, formado por médicos, empresários e assessores, que atuava paralelamente à estrutura oficial do ministério.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que atuou na pasta até abril de 2020, afirmou aos senadores que Bolsonaro recorria a “outras fontes” de informação e utilizou o termo “assessoramento paralelo” para descrever esse processo. Autoridades como o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, Antonio Barra Torres, também mencionaram a atuação de um núcleo externo influenciando decisões estratégicas.

Nesse arranjo, a presença frequente de Nise em reuniões não registradas com a cúpula da pasta e com o entorno presidencial tinha um peso específico. Ela não ocupava cargo formal no governo, mas tinha acesso a espaços decisórios e participava de discussões que resultavam em políticas públicas de grande impacto.

A ausência de transparência sobre esses encontros impediu a reconstrução completa do conteúdo das reuniões, mas a coincidência temporal entre sua atuação e as medidas adotadas pelo governo indica uma relação direta entre o aconselhamento informal e a condução da política sanitária.

Esse conjunto de decisões teve impacto letal. Estudos comparativos indicam que o Brasil registrou um excesso de mortalidade significativamente acima da média global durante a pandemia. O país figurou entre os que mais concentraram mortes em termos absolutos e proporcionais, ultrapassando, em diferentes momentos, a tendência internacional quando ajustada por população.

Ao final da crise sanitária, o Brasil somou mais de 700 mil mortes por covid-19 — um número que, à luz de análises epidemiológicas, não pode ser dissociado das escolhas de política pública adotadas naquele período.

É isso por hoje. Se você chegou até aqui, obrigado pela leitura — e, se puder, compartilhe esta edição com alguém que também deveria acompanhar esse tipo de história. Nos vemos na próxima terça-feira.

Paulo Motoryn

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