domingo, abril 05, 2026

Ao ser confrontado com Jesus, é provável que Trump mandasse a Polícia prendê-lo

Publicado em 4 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Trump faz teste para coronavírus; resultado ainda não saiu

Trump costuma rezar uma oração a Deus e outra ao Diabo

João Pereira Coutinho
Folha

Em plena Páscoa, deparei-me com uma pergunta apropriada — será que Donald Trump vai para o céu? A pergunta não é absurda. O próprio Donald, em declarações ou entrevistas, já lidou com ela, lembra a revista New York. Aos 42 anos, era uma pergunta abstrata, distante, que não inquietava o presidente. Céu, inferno, reencarnação —o homem não acreditava nesses mitos. Tinha pressa de construir o seu.

Algo mudou dez anos depois. Donald passou a esperar que o céu existisse; caso contrário, a vida terrena perderia o sentido. Podemos dizer que Trump aplicava o raciocínio do jogador de cassino à teologia cristã — jogamos aqui embaixo porque esperamos ganhar o prêmio final lá em cima.

RESORT CELESTIAL – A primeira eleição, em 2016, introduziu uma mudança na relação de Trump com a eternidade — a presidência seria o caminho para garantir a passagem para um Mar-a-Lago celestial. Essa crença se reforçou depois da tentativa de assassinato de que foi vítima.

Nos últimos tempos, a fé tem fraquejado. E o homem que só admite ganhar, mesmo quando perde, já admite perder, mesmo quando ganha. O céu pode não ser para ele.

Entendo as angústias de Trump. À luz dos textos sagrados, o destino já era bem sombrio. “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus?”. O desmedido apego ao dinheiro, que só aumentou com a presidência — mais US$ 1 bilhão em lucros —, põe o nosso Donald na posição vexatória de perder para um dromedário.

ALGO PERTURBADOR – É um pensamento perturbador: uma vida inteira de riqueza acumulada, impunidade judicial e política, bajulação alheia — e, no momento decisivo, um animal do deserto tem direito a viajar em classe executiva? Espero que ninguém o avise disso. Caso contrário, os alvos podem acabar sendo outros nas aventuras militares do Oriente Médio.

Claro que existe sempre a possibilidade de perdão. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”, terá dito Jesus aos fariseus.

O problema é que o pecador precisa reconhecer que é pecador, expiando seus erros. É uma atitude de humildade que não combina com o nosso Donald.

CHAMAR A POLÍCIA – Confrontado com Jesus e seus apóstolos, o mais provável era mandar chamar o ICE, a polícia de imigração, e deportar esses ilegais para a Palestina.

Só a graça divina, por definição insondável, resolve o que a biografia complica. Trump, naturalmente, confia nela —ignorando que muitos são chamados e poucos escolhidos.

Eu, se fosse Trump, aproveitava a Páscoa e preparava um plano B. Ou talvez D, de dieta. Não por virtude. Por precaução, claro. O buraco da agulha continua apertado.


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Inelegível, Pablo Marçal aposta tudo no TSE para viabilizar candidatura em 2026


Marçal tentará reverter condenações para disputar eleição

Sérgio Quintella
O Globo

Recém-filiado ao União Brasil, o empresário Pablo Marçal é cotado no partido para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo. Para que a ideia se concretize, porém, ele precisa se livrar de forma definitiva de três processos na Justiça Eleitoral, movidos após sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2024. Duas dessas ações foram julgadas procedentes em primeira instância, tramitam em segundo grau e irão ao Tribunal Superior Eleitoral, sendo uma delas que o mantém inelegível até 2032. O segundo processo foi revertido pelo empresário, mas haverá recurso do Ministério Público no TSE.

Entre os crimes dos quais é acusado estão captação e gastos ilícitos de recursos, abuso de poder econômico e outros ligados a casos como o “concurso de cortes”, denunciado pelo Globo há dois anos. Além dessas ações, há uma outra em primeira instância que condenou Marçal, mas ainda não gera inelegibilidade porque não foi julgada por um colegiado, como prevê a lei, o que deverá ocorrer até o mês que vem.

CONCURSO DE CORTES –  A ação que atualmente mantém Marçal inelegível diz respeito ao “concurso de cortes”, revelado pelo O Globo, em que colaboradores eram incentivados a produzir vídeos para as redes sociais da campanha de dois anos atrás, com promessa de remuneração e distribuição de brindes.

A demanda, movida pelo PSB e pelo Ministério Público, apurou também um pagamento feito pela maquiadora da esposa de Marçal em um anúncio na internet. Ao clicar no link, o usuário era direcionado para o site da campanha eleitoral do empresário. Em dezembro do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou procedente a acusação de uso indevido dos meios de comunicação, além de manter uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.

A votação do colegiado no fim do ano passado foi apertada, por 4 votos a 3, razão pela qual a defesa de Marçal acredita em reversão no TSE. “Nós embargamos a decisão e estamos aguardando o resultado dos embargos, porque nós entendemos que há algumas nulidades no processo, então o relator vai ter que apreciar essas nulidades via embargo de declaração. Ele pode anular o acórdão, pelo que a gente está pedindo, mas se ele não for acolhido, cabe recurso para o TSE. E como foi uma votação bem apertada, 4 a 3, a gente tem muita esperança de virar no Tribunal Superior Eleitoral”, afirma o advogado Paulo Hamilton, que defende o empresário.

APOIO EM TROCA DE PIX –  Enquanto estuda a defesa na ação que mantém Marçal condenado e sem poder disputar eleições, Hamilton se prepara para o recurso do Ministério Público no processo que foi revertido, em novembro de 2025, desta vez em favor de seu cliente.

Movida por Guilherme Boulos e pelo PSB, a demanda foi aberta para apurar a venda do apoio de Marçal a candidatos a vereador na capital paulista em troca de doação de R$ 5.000 para sua campanha por meio de Pix. A medida foi julgada em primeira instância e gerou condenação por abuso de poder econômico e político, além de captação ilícita de recursos e uso indevido dos meios de comunicação. Porém, no julgamento de segunda instância, o relator Claudio Langroiva disse haver a necessidade de considerar a verificação da gravidade da conduta de Marçal.

“Não se está a negar a ilicitude da conduta do recorrente, já que a ilegalidade da proposta é evidente – prática que atenta contra a moralidade e a paridade de armas”, mas para o reconhecimento da procedência da ação é indispensável, além da ilicitude, a gravidade e, no caso do viés econômico, a efetiva constatação da quantidade de recursos efetivamente angariados por meio dessa prática específica”, disse o relator. Como a decisão foi referendada pelo colegiado, a ação foi julgada improcedente e agora o MP vai entrar com recurso em Brasília.

SORTEIOS –  No terceiro processo de Marçal, a primeira instância do TRE paulista o condenou, em julho de 2025, por uso indevido dos meios de comunicação, além de captação e gastos ilícitos de recursos e abuso de poder econômico. O processo apura dez condutas, como sorteios de dinheiro e bonés no Instagram, recebimento de dinheiro indevido, anúncios pagos com dinheiro proveniente de contas estrangeiras, entre outros delitos.

Agora, o colegiado vai votar se mantém ou não a condenação. Caso mantenha a decisão, o empresário ficará pela segunda vez inelegível. Porém, se nada for decidido até o dia 15 de agosto, prazo final para o registro de candidaturas, Marçal não terá impedimentos por esse processo.

“Se até o registro não tiver nenhuma decisão em segunda instância, quer dizer que ele não está inelegível por esse processo. Mas trabalhamos pelo julgamento antes do registro. Nós queremos que julguem porque estamos convictos da inocência dele”, afirma Paulo Hamilton.

PRAZOS – O advogado Arthur Rollo, especializado em legislação eleitoral, afirma que os prazos pretendidos pela defesa de Pablo Marçal são alcançáveis, pois a Justiça Eleitoral deverá dar celeridade a casos como esses. “Eu tenho certeza que dá tempo, pois tem muito tempo até lá e o TSE vai ter prioridade para julgar esses casos. Como ele está querendo se lançar candidato, o TSE não vai deixar sair um candidato ao Senado ou à Câmara [sem registro]. Há precedentes como esses no próprio Tribunal Superior Eleitoral”, diz Rollo.

Nos bastidores do União Brasil, o presidente da legenda, Antonio Rueda, é visto como um dos principais articuladores das ações de Marçal nos tribunais superiores eleitorais. Segundo um entendedor dos mecanismos partidários e jurídicos de Brasília, o cacique, com bom trânsito no TSE, não iria “apostar em um cavalo que não conseguisse largar no páreo”.

OUTRAS AÇÕES –  Além dos processos que versam sobre impedimentos de disputas eleitorais, Pablo Marçal é alvo de outras ações na Justiça Eleitoral paulista. No mês passado, o empresário fez um acordo e conseguiu suspender uma das demandas. O caso se refere à propagação de um laudo falso contra o então candidato Guilherme Boulos (PSOL).

Na véspera do primeiro turno de 2024, Marçal divulgou um documento falso de internação por uso de drogas — a falsidade do documento foi atestada por perícias das Polícias Federal e Civil. Poucas horas após a publicação, a Justiça Eleitoral determinou a derrubada da publicação das redes sociais. Marçal foi o terceiro colocado na disputa eleitoral daquele ano, enquanto Boulos foi para o segundo turno contra Ricardo Nunes (MDB).

RESTRIÇÕES – Para que a ação fosse paralisada no TRE, o empresário aceitou a imposição de uma série de restrições, como comparecimento judicial a cada três meses, proibição de sair de sua cidade sem prévia autorização, além de não poder frequentar bares, boates e casas de prostituição.

No âmbito cível, o caso do laudo falso foi julgado no mês passado. Na ocasião, Marçal foi condenado a pagar uma indenização de R$ 100 mil a Boulos. Procurado, Marçal não quis comentar os processos aos quais responde, nem sobre suas pretensões eleitorais.


No Brasil, “em nome do Estado de Direito”, perde-se até mesmo a vergonha na cara


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Luiz Felipe Pondé
Folha

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos, Temer por dois anos e Bolsonaro por quatro anos — nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do “coroné”.

AS DUAS FACES – O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres — e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos.

Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali — quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como “herança maldita”. Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

HERANÇA MALDITA – Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes — que não é uma invenção petista, há que se reconhecer — é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT — a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama —, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

LIXO DA HISTÓRIA – Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do “blábláblá” nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país — sendo as grandes cidades já províncias do crime —, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

SOCIEDADE SEM LEI – A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo — sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS?

ROUBAR APOSENTADOS – Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. “Em nome do Estado de Direito”, perde-se a vergonha na cara.

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