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sexta-feira, março 27, 2026
"Programa e Caderno de Resumos...." by Rogerio R . Tostes
Quem aposta no fim do mundo?
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quinta-feira, março 26, 2026
Flávio Bolsonaro se reúne com presidente do Republicanos por apoio do centrão, mas partido resiste
Flávio Bolsonaro se reúne com presidente do Republicanos por apoio do centrão, mas partido resiste
Por Augusto Tenório, Raphael Di Cunto e Laura Scofield / Folha de São Paulo
26/03/2026 às 12:44
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Arquivo
Marcos Pereira
O senador Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu pela primeira vez, há 15 dias, com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, em busca de apoio para sua candidatura presidencial. A conversa, no entanto, não foi positiva. Há arestas entre os partidos e a tendência hoje é que a sigla fique neutra na eleição, sem declarar apoio a nenhum candidato no primeiro turno.
Segundo integrantes do Republicanos ouvidos pela Folha sob reserva, o diálogo entre Pereira e Flávio não foi bom. Não houve clima nem sequer para discutir a entrada formal do partido no palanque do pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. O deputado e o senador nunca foram próximos.
O encontro ocorreu após Pereira se queixar publicamente de que não tinha sido procurado por Flávio desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o escolheu como pré-candidato em dezembro. Além disso, reclamou da tentativa do PL de filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de não ouvir o Republicanos na composição das chapas, como a do Rio de Janeiro.
"Eu não vou dizer que foi um erro, mas é o estilo deles. Foi, poderia dizer, talvez falta de habilidade. Cada um toma a decisão. Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação", afirmou o presidente do Republicanos à Folha no fim de fevereiro.
A decisão de lançar Flávio como candidato sem consultar os demais partidos de direita e centro-direita era outra queixa de Pereira e de dirigentes de partidos do centrão.
"Eu recebi um telefonema do Flávio no dia seguinte que ele anunciou [a candidatura presidencial], convidando para um jantar com os demais presidentes. Eu não pude ir. Quando eu cheguei, eu mandei mensagem, ‘já cheguei em Brasília, estou à disposição’, até hoje não recebi resposta", contou o presidente do Republicanos na mesma entrevista.
Os partidos tiveram uma contenda pública no fim do ano passado, quando o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), cobrou que Tarcísio mudasse de partido. Pereira respondeu publicamente em janeiro. "Diferentemente de outros partidos, nunca constrangemos o governador, nunca o expusemos publicamente. (...) Nossa atuação sempre foi de lealdade, responsabilidade e estabilidade política — na Alesp e no Congresso Nacional."
Embora refute participação no governo Lula (PT), o Republicanos tem como representante o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que é deputado federal licenciado e vai deixar o cargo até 4 de abril para disputar a reeleição. Ele deve ser substituído pelo secretário-executivo, Tomé Monteiro da Franca, que também é próximo da cúpula do partido.
Pereira ainda recebeu um convite do presidente do PT, Edinho Silva, para uma conversa e ambos devem se encontrar logo após o fim da janela partidária, que termina em 4 de abril. Apesar disso, segue improvável uma coligação entre os dois partidos, mas a neutralidade já ajudaria Lula a enfraquecer a candidatura de Flávio.
Essa é a tendência atual, segundo Pereira tem dito a aliados. O partido deve liberar os diretórios estaduais para que façam campanha para quem quiserem, de modo a evitar um conflito entre as alas mais próximas ao PT e as mais conservadoras. A decisão só será tomada em julho, nas convenções.
O Republicanos tem uma ala mais à direita, liderada por figuras como os senadores Damares Alves (DF) e Hamilton Mourão (RS). Ambos tiveram papel de destaque no governo Bolsonaro. Ela como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e ele na vice-presidência da República.
Por outro lado, a legenda tem um grupo mais lulista, concentrado principalmente no Nordeste. Para essa ala, qualquer associação a Flávio Bolsonaro pode representar uma dificuldade na eleição, num momento em que a sigla se concentra em eleger o maior número de deputados e senadores.
Um dos integrantes deste grupo é o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), que tem se aproximado cada vez mais de Lula em busca de apoio para eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), para o Senado na Paraíba –estado onde o petista venceu por larga margem a eleição de 2022 contra Bolsonaro.
A tentativa de aproximação de Flávio com o Republicanos, com uma primeira conversa, demonstra um interesse do PL em atrair partidos do centrão para sua chapa. Isso significaria ter mais tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio. Essas legendas, no entanto, resistem à aproximação imediata e pretendem tratar do assunto só mais a frente.
As siglas com mais chance de adesão formal à campanha bolsonarista são o PP de Ciro Nogueira e o União Brasil de Antônio Rueda –que são também alvo das principais investidas de Flávio neste início de pré-campanha.
Politica Livre
Desembargador diz que 'ninguém quer mais trabalhar' ao julgar pensão a vítima de violência na Bahia
Desembargador diz que 'ninguém quer mais trabalhar' ao julgar pensão a vítima de violência na Bahia
Por João Pedro Pitombo, Folhapress
26/03/2026 às 13:55
Foto: Nei Pinto Divulgação/TJBA/Arquivo
Caso foi julgado pela Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia
O desembargador José Reginaldo Costa, do Tribunal de Justiça da Bahia, afirmou em um julgamento que "ninguém que mais trabalhar" ao contestar o valor de uma pensão alimentícia transitória (temporária) para uma mulher que foi vítima de violência doméstica do ex-marido.
A declaração foi dada nesta terça-feira (24) em um debate entre magistrados na Câmara Cível do Tribunal de Justiça e ganhou repercussão nas redes sociais. Na discussão, o desembargador se disse preocupado com uma possível ociosidade da vítima por conta do valor da pensão.
"Tudo indica que ela vai se acomodar [...] Nosso país atravessa uma situação muito parecida. Com essas bolsas de tudo que tem por aí, ninguém quer mais trabalhar. No interior, se você procurar uma diarista, não encontra", argumentou.
O desembargador foi procurado nesta quinta-feira (26) por meio da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, mas não se manifestou sobre o caso.
Os magistrados analisavam o pedido de aumento para três salários mínimos do valor uma pensão alimentícia transitória para uma jovem que foi casada com um empresário da cidade de Guanambi, sudoeste do estado. Os nomes de ambos não foram revelados.
A defesa da mulher afirmou que ela morava em uma comunidade na zona rural de uma cidade vizinha quando conheceu o homem que se tornaria seu marido e que ele a levou para Guanambi sob a promessa de mantê-la financeiramente.
Os dois foram casados por seis anos, período que teria sido marcado por "robusta violência psicológica e física", segundo a defesa. A jovem teria sido obrigada pelo marido a cuidar apenas da casa e da família após o nascimento do filho.
Relator do caso, o desembargador Francisco de Oliveira Bispo decidiu negar o recurso da vítima e propôs o pagamento de um salário mínimo por 12 meses, alegando que a vítima não comprovou a impossibilidade de retorno imediato ao mercado de trabalho.
Na sequência, o desembargador José Reginaldo Costa seguiu o voto do relator e argumentou que a concessão da pensão deveria ser observada com muita "cautela e reserva" para não estimular a ociosidade.
Argumentou ainda que, com a pensão do filho e da mulher, ambos teriam uma renda mensal de cerca de R$ 9 mil. "O final de tudo, ela vai ficar com seis salários mínimos ao mês. Talvez seja o salário do prefeito de Guanambi", afirmou.
Na Bahia, o salário base de um desembargador é de R$ 41 mil. Incluindo abonos, subsídios e indenizações, o magistrado José Reginaldo teve um rendimento líquido de R$ 91,3 mil em janeiro e de R$69 mil em fevereiro deste ano.
O desembargador Almir Pereira de Jesus abriu divergência do relator, destacando o contexto e violência doméstica e dependência econômica induzida: "Para fins de alimentos, ela é considerada hipernecessitada"
Magistradas mulheres que participavam da sessão lembraram a resolução do CNJ (Conselho nacional de Justiça) que prevê que casos como aquele devem ser avaliados sob uma perspectiva de gênero.
A Corte acolheu parcialmente o recurso da defesa e estabeleceu o pagamento de três salários mínimos, o equivalente a R$ 4.863, até que vítima consiga se recolocar no mercado de trabalho
Politica Livre
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