domingo, março 22, 2026

Investigação sobre vazamento de dados de ministros ganha sigilo máximo no STF


Especialistas criticam restrição de acesso a decisões por defesa de contador mantido preso

Por Italo Nogueira/Géssica Brandino/Folhapress

22/03/2026 às 19:30

Foto: Luiz Silveira/STF/Arquivo

Imagem de Investigação sobre vazamento de dados de ministros ganha sigilo máximo no STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

O processo que investiga o vazamento ilegal de dados fiscais de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), autoridades e pessoas públicas recebeu o nível de sigilo máximo na corte.

De acordo com o Supremo, o nível 4 de sigilo —numa escala que começa em 0, para processos públicos— se deve à existência "de informações sensíveis da Receita Federal e Coaf".

A classificação impede até a indicação oficial do relator do caso no sistema do tribunal —embora, neste caso específico, se saiba que o responsável pelos autos é o ministro Alexandre de Moraes.

Os níveis de sigilo estão definidos na resolução 878/2025, de julho de 2025. O único em que o nome do relator fica oculto na consulta pública no portal do STF é o 4.

A reportagem questionou a corte sobre quantos processos já receberam sigilo nível 4, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Para especialistas, o sigilo pode ser justificável, mas não deveria impedir a defesa dos investigados de ter acesso às decisões de medidas cautelares que os afetam diretamente. É o que alega o advogado de Washington Travassos de Azevedo, contador preso sob suspeita de ser um dos mandantes do vazamento de dados.

Eric Cwajgenbaum, que representa Washington, afirma que não teve acesso a nenhuma das duas decisões contra seu cliente. O contador foi alvo de busca e apreensão no dia 2 de março, passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica no dia 6 e foi preso no dia 13, sem que tenha, até este domingo (22), acesso aos fundamentos das decisões.

"Uma semana se passou sem que nenhum requerimento de acesso tenha sido respondido. O gabinete do ministro informou por email que não há disponibilidade de data para despachar e nem mesmo a decisão que decretou a prisão preventiva foi exibida. Já se vão quase três semanas sem que os meus requerimentos fossem sequer apreciados. O caso é grave. As violações de prerrogativas são muitas", afirmou à reportagem.

O STF não se posicionou sobre a restrição de acesso às decisões pela defesa do contador. De acordo com a resolução, o ministro-relator pode autorizar advogados a acessarem peças específicas do processo.

A advogada Tatiana Stoco, que é professora no Insper, afirma ser incomum manter sob sigilo uma ordem de prisão.

"A defesa tem que ter acesso, pelo menos, à decisão que decretou a prisão. Agora, sendo isso na instância do STF, não vejo para onde essa defesa poderá recorrer, se não dentro do próprio STF, para tentar alegar a ilegalidade e tentar uma soltura", diz.

Com base na reportagem do jornal Folha de São Paulo, Stoco diz ser provável que o contador tenha sido preso por risco de fuga ou algum perigo contemporâneo, pois ele já estava com uma tornozeleira.

A falta de acesso aos autos pela defesa também foi criticada pelo advogado Fernando Castelo Branco, professor na PUC-SP, que considera o caso alarmante por não seguir o devido processo legal.

Para ele, o caso não deveria ser julgado por Moraes, por se tratar de uma pessoa comum e pelo fato de os parentes do ministro do STF serem supostamente vítimas.

"Por que o Supremo Tribunal Federal é a instância judicial competente para apurar esses fatos? Não é, seria a Justiça Federal. Uma das vítimas é a esposa do ministro Alexandre de Moraes. Ele é indiretamente uma vítima desses vazamentos, e ele está se colocando na condição de investigador e de autoridade para decretar as prisões. É um desatino", diz.

O fato de Moraes ter dado a decisão em uma petição relacionada ao inquérito das fake news, que completou sete anos sem conclusão, também foi criticado pelos advogados.

"Me parece que essa relatoria dele é muito ampla. Já abarcou inúmeros casos em que ele tinha algum envolvimento mais direto. Eu não tenho visto o STF se movimentar no sentido de redirecionar, redistribuir esses casos. Ao contrário. É uma situação muito sui generis mesmo", diz Stoco.

Branco avalia que o uso de decisões monocráticas em um órgão colegiado, como o Supremo, reforça os argumentos do ministro Edson Fachin por um código de conduta para os integrantes do tribunal.

"Quando o presidente do Supremo fala em defesa de um código de conduta, não é por acaso. Os desmandos de alguns vêm se tornando uma fonte extremamente preocupante ao Estado democrático de Direito e à nossa democracia", afirma.

A investigação teve início após uma determinação do magistrado para que a Receita rastreasse em seus sistemas eventual quebra de sigilo de dados fiscais de cerca de cem pessoas, incluindo ministros do STF e familiares.

O Fisco identificou acessos irregulares, o que motivou as operações contra suspeitos no caso. Entre os investigados estão um servidor do Serpro (empresa estatal de processamento de dados), técnicos e até um vigilante da Receita.

Além da prisão de Washington, sabe-se que seis pessoas foram alvos de busca e apreensão, com instalação de tornozeleiras eletrônicas.

Politica Livre

Canetada de Fux trava nomes da direita e entrega vantagem a Paes na eleição indireta



Para se candidatar, Simone Tebet sai do MDB, mas no partido ninguém sentirá falta


Tebet: O Brasil não só tem tudo pra dar certo, como vai dar certo — Secretaria de Comunicação Social

Simone Tebet será uma ausência que preenche uma lacuna

Vicente Limongi Neto

É preciso ter grandeza para fazer política. Mas nem todo mundo entende isso. Simone Tebet deixa o MDB. Não fara a menor falta. Não deveria nem ter entrado no partido de Ulysses Guimarães, José Sarney, Mário Covas, Teotônio Vilela e Renan Calheiros. Como ministra do Planejamento, foi zero à  esquerda e à direita.

Simone cospe no prato que comeu e se lambuzou. No MDB, Tebet ganhou visibilidade. Que sirva de lição para o partido, que precisa passar a ser mais seletivo em suas escolhas.

A REBOQUE – Com mais de 800 prefeituras, não pode ficar eternamente a reboque do PT que tem menos de 300 prefeituras. O MDB precisa manter a dignidade e a grandeza, conquistadas em lutas democráticas.

Arrogante, dissimulada e pretensiosa, Simone Tebet foi para o PSB. Com apenas 15 prefeitos dos 645 em São Paulo. Não aparece nem com traço nas pesquisas para o senado. Mostra o que sempre foi.

Nas eleições para presidente do Senado, Renan Calheiros era o virtual eleito. Tebet disputou com Renan e perdeu na votação da bancada. No plenário, traiu Renan, que acabou perdendo para Davi Alcolumbre. O PSB, ao abrigar Simone Tebet, ganhou oceânico presente de grego. Bom proveito.


Contador preso é acusado por esquema de acesso a dados fiscais de 1.819 contribuintes

Moraes determinou a prisão de Washington Travassos 

Deu no O Globo

O contador Washington Travassos de Azevedo, preso no Rio por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), foi apontado, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como um dos responsáveis pelo esquema de acesso de “dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”. A informação consta do despacho que embasou a prisão.

Em nota, o STF afirmou que Washington foi apontado pela Polícia Federal como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”. A Corte disse ainda que o esquema envolveu “download das declarações” de Imposto de Renda dessas pessoas, que são informações protegidas por sigilo fiscal.

REGISTRO ATIVO – Washington está inscrito como contador no Rio, com registro ativo, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade. Além de uma firma de contabilidade na capital fluminense aberta em 2015, ele também abriu recentemente uma empresa em São Paulo.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a prisão dele, por suspeita de participar do vazamento de dados sigilosos envolvendo membros da Corte e outras autoridades. A prisão foi noticiada primeiro pela Folha de S. Paulo, neste sábado, e confirmada pelo O Globo.

Documentos do governo do Rio levantados pelo O Globo mostram que Washington foi preso no último dia 13, no presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da capital fluminense. Na quinta-feira, dia 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária comunicou que o contador estava apto a ser transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na Zona Oeste. A transferência, de acordo com a secretaria, ocorreu por abertura de vagas em Bangu. Procurada, a defesa de Washington não quis se manifestar neste sábado.

SIGILO VIOLADO – A PF já havia deflagrado operação, no início de março, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária contra suspeitos de vazamentos de dados. Uma das linhas de investigação é de que funcionários da Receita Federal teriam violado ilegalmente o sigilo fiscal do ministro do STF e seus parentes.

Já a prisão de Washington ocorreu uma semana depois dessa operação, e também foi realizada pela PF, que o conduziu para o sistema prisional do Rio. Segundo a Folha de S. Paulo, o contador admitiu ter acessado dados fiscais de forma ilegal.

Em nota, o STF afirmou que a prisão de Washington ocorreu no dia 14 — embora os documentos do governo do Rio apontem sua entrada no sistema prisional no dia 13 — e disse que a “audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia”.


“Bandeira branca” fracassa e desconexão no STF se aprofunda sob comando de Fachin


Empresária de Paulo Afonso-BA é morta a tiros em Aracaju; companheiro atentou contra si após o crime

 



Crime ocorreu após festa privada e choca moradores da região.

Uma tragédia registrada na capital sergipana, Aracaju, chocou moradores de Alagoas, Bahia e Sergipe neste domingo, 22. A empresária Flávia Barros, natural de Piranhas-AL e residente em Paulo Afonso-BA, foi assassinada a tiros durante a madrugada.

De acordo com informações da imprensa sergipana, Flávia estava acompanhada de Tiago Russo, diretor do presídio de Paulo Afonso e com quem mantinha um relacionamento. O casal havia participado de uma festividade privada durante a noite de sábado e madrugada deste domingo.

Ainda segundo os relatos, ao retornarem para o hotel onde estavam hospedados, os dois teriam se envolvido em uma discussão. Durante o desentendimento, Tiago Russo efetuou disparos de arma de fogo contra Flávia Barros.

Após o crime, ele atentou contra a própria vida. Tiago chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital em Aracaju, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.

Flávia Barros era bastante conhecida na região, atuando no ramo financeiro, oferecendo soluções e serviços na área. Além da atuação profissional, também possuía forte presença nas redes sociais, sendo reconhecida por sua popularidade e por já ter mantido relações com pessoas influentes.

A morte da empresária causa grande comoção entre familiares, amigos e conhecidos, deixando uma lacuna irreparável. O caso também reacende o alerta para a violência contra a mulher, um problema que segue fazendo vítimas em todo o país.

As circunstâncias do crime devem ser investigadas pelas autoridades sergipanas.

https://www.itnoticias.com.br/2026/03/22/empresaria-de-paulo-afonso-ba-e-morta-a-tiros-em-aracaju-companheiro-atentou-contra-si-apos-o-crime/

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