domingo, março 22, 2026

Michelle lança bancada de aliadas para o Senado e trabalha pelo apoio de Bolsonaro e do PL

 

Michelle lança bancada de aliadas para o Senado e trabalha pelo apoio de Bolsonaro e do PL

Criticada por falta de empenho por Flávio, ex-primeira-dama já articulou em estados e obteve vitórias

Por Carolina Linhares/Folhapress

22/03/2026 às 08:20

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Michelle lança bancada de aliadas para o Senado e trabalha pelo apoio de Bolsonaro e do PL

Michelle Bolsonaro (ao centro) com as pré-candidatas ao Senado Priscila Costa (PL-CE) e Bia Kicis (PL-DF)

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve emplacar uma bancada de aliadas entre os candidatos do PL para as eleições deste ano, além de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal.

Presidente do PL Mulher, Michelle trabalha pelo apoio do partido a nomes próximos dela para disputar o Senado, como Caroline de Toni (PL-SC), Bia Kicis (PL-DF), Priscila Costa (PL-CE) e Rosana Valle (PL-SP), e o governo, como Celina Leão (PP-DF) e Maria do Carmo (PL-AM). A ex-primeira-dama já obteve vitórias em embates internos na cúpula do PL.

Por outro lado, a ex-primeira-dama tem sido criticada internamente pela falta de empenho em relação à eleição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), como candidato à Presidência. Para atenuar a crise, o senador tem dito que Michelle vai embarcar na sua campanha no tempo certo.

Michelle reduziu suas funções partidárias desde que o ex-presidente deixou a prisão domiciliar, em novembro do ano passado, para cumprir pena por tentativa de golpe de Estado em uma unidade da Polícia Federal e, depois, na Papudinha.

Ainda assim, ela tem influenciado as escolhas do partido e assegurado apoio do PL a candidatas de sua preferência, como no caso da deputada federal Caroline de Toni, que chegou a ser preterida pelo partido na disputa do Senado, mas acabou tendo a candidatura confirmada por Bolsonaro.

Na mesma semana em que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, comunicou a De Toni que ela ficaria de fora da chapa do partido, a ex-primeira-dama publicou uma foto ao lado da deputada com uma mensagem de apoio.

Naquele momento, no início de fevereiro, o partido havia decidido que a chapa ao Senado seria composta por Carlos Bolsonaro (PL) e pelo senador Esperidião Amin (PP), e restava a De Toni deixar a legenda. Políticos que visitaram Bolsonaro na prisão, no entanto, afirmaram que ele deixou clara sua preferência pela deputada no lugar de Amin, e Valdemar cedeu.

Quando a chapa foi formalmente anunciada por Flávio no fim do mês passado, Michelle compartilhou sua primeira publicação como uma lembrança, e De Toni agradeceu. "Você foi peça fundamental para o dia de hoje. Muito obrigada pela amizade, apoio e carinho de sempre. Conta sempre comigo", escreveu a deputada.

No Distrito Federal, a chapa do PL também deve ser composta por aliadas de Michelle após o rompimento entre o partido e o governador, Ibaneis Rocha (MDB), implicado no caso Master. O PL propôs a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Legislativa do DF para investigar a fraude que envolve o BRB (Banco de Brasília).

O plano de Ibaneis era concorrer ao Senado com o apoio do PL, que agora caminha para lançar duas mulheres ao Senado, Michelle e a deputada federal Bia Kicis, além de apoiar a eleição para o governo da vice-governadora Celina Leão. Celina e Bia mantêm relação próxima com a ex-primeira-dama.

Interlocutores da ex-primeira-dama dizem que a vontade de Bolsonaro é que ela concorra ao Senado, mas sua candidatura depende da situação de saúde do marido.

Quem convive com Michelle relata que ela tem dito que seu futuro político está nas mãos de Deus. O acompanhamento da rotina de Bolsonaro na prisão e problemas de saúde fizeram a ex-primeira-dama adiar atos do PL Mulher que estavam previstos no Rio de Janeiro e no Tocantins em dezembro e fevereiro, respectivamente.

Apesar de concordarem que a prisão domiciliar é necessária diante das crises de soluço do ex-presidente, bolsonaristas também observam que tal mudança teria como efeito uma influência ainda maior da ex-primeira-dama sobre o marido no período eleitoral.

Um acordo com Valdemar estabeleceu que Bolsonaro definirá os nomes que disputarão o Senado pela sigla, mas Michelle trabalha em paralelo em prol da sua própria bancada.

No Nordeste, ela declarou apoio à vereadora Priscila Costa para concorrer a senadora pelo Ceará, onde a aliada preside o PL Mulher. O partido ainda não bateu o martelo em relação a lançar a vereadora.

No Amazonas, a professora Maria do Carmo também tem o apoio de Michelle para concorrer ao governo do estado. Em 2024, ela disputou o cargo de vice-prefeita e perdeu. Maria do Carmo aparece nas anotações de Flávio, reveladas pela Folha, como principal opção para o cargo.

Outro nome apoiado por Michelle para o Senado é o da deputada federal Rosana Valle, que por enquanto mantém a ideia de se candidatar à reeleição. A hipótese foi aventada porque ainda resta ao PL escolher um candidato a senador em São Paulo —a outra vaga na chapa será de Guilherme Derrite (PP).

Rosana preside o PL Mulher em São Paulo e é próxima de Michelle, mas também concorrem para o posto políticos ligados ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), como Mário Frias, Gil Diniz e Sonaira Fernandes, além de pessoas da confiança de Bolsonaro, como o vice-prefeito da capital paulista, Mello Araújo.

Michelle também filiou ao PL a deputada Carla Dickson (RN), que era do União Brasil, para concorrer à reeleição. Na Câmara, a ex-primeira-dama apoia uma série de deputadas: Coronel Fernanda (PL-MT), Soraya Santos (PL-RJ), Roberta Roma (PL), Daniela Reinehr (PL-SC), Chris Tonietto (PL-RJ), Julia Zanatta (PL-SC) e Rosângela Reis (PL-MG).

Politica Livre

Lula vive fadiga política após tantas eleições, admite entorno do presidente

 

Lula vive fadiga política após tantas eleições, admite entorno do presidente

Políticos ligados ao petista lembram que ele concorre ao Planalto desde 1989, por isso há um ‘desgaste natural’

Por Leticia Fernandes/Estadão

22/03/2026 às 10:00

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Lula vive fadiga política após tantas eleições, admite entorno do presidente

O presidente Lula

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão preocupados com o que chamam de “desgaste natural” da imagem do petista. Apesar de buscar demonstrar vitalidade física aos 80 anos, o entorno do presidente lembra que ele disputa eleições presidenciais desde 1989, e que há um cansaço da população com a imagem de Lula.

Assessores próximos do petista afirmam que essa fadiga política se traduz nas pesquisas de popularidade e de intenção de votos. Agora, o desafio do presidente é aumentar os números de aprovação da gestão entre aqueles que consideram o governo Lula 3 ótimo ou bom.

Para isso, o governo aposta em viagens do presidente aos Estados para faturar com a inauguração de obras e etapas de programas, como nesta sexta-feira, 20, em Minas, quando participou da entrega de ônibus escolares. Lula corre contra o tempo em razão da legislação eleitoral, que só permite inaugurações até 4 de julho, três meses antes do pleito.

Eleições em outubro ganham tom de plebiscito

O entendimento no Palácio do Planalto é de que a eleição de outubro funciona como um plebiscito, onde a população vai escolher se quer ou não mais um ciclo de Lula. Com isso, acreditam que qualquer candidato competitivo que concorresse já partiria de um patamar acima de 30%, ainda que não fosse da família Bolsonaro, devido ao desgaste da imagem de Lula.

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na última terça-feira, 10, aponta que 33% dos brasileiros classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 40% o consideram ruim ou péssimo. A avaliação positiva corresponde à soma das menções de ótimo e bom, enquanto a negativa reúne as avaliações ruim e péssimo.

Com isso, como mostrou o Estadão, a sete meses da eleição presidencial, Lula chega à reta final do mandato com avaliação positiva abaixo do patamar registrado por governantes que conseguiram se reeleger ou eleger sucessores.

Tentativa de colar obras à popularidade de Lula

No Rio, a estratégia já está em curso. Além de terceiro maior colégio eleitoral do País, o Estado também é o berço político da família Bolsonaro, e onde Lula vai subir no palanque do prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo e favorito nas pesquisas.

O petista foi ao Rio por duas semanas seguidas este mês. No dia 6 de março, Lula entregou, ao lado de Paes, apartamentos populares de um conjunto habitacional em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Também inaugurou anel viário em Campo Grande, e anunciou a instalação do hub internacional no aeroporto Galeão.

Na sexta-feira, 13, foi novamente ao Rio, onde participou do anúncio de investimentos de R$ 300 milhões da BYD no Brasil e inaugurou setor de traumas de um hospital federal, em evento marcado por críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Lula também aproveitou para inaugurar obras em Minas Gerais na sexta-feira, 20. Ele foi a Betim e Sete Lagoas visitar uma refinaria, onde anunciou investimentos da Petrobras no Estado, e entregou ônibus escolares do programa Caminho da Escola, do governo federal. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do País, e Estado considerado o fiel da balança nas eleições.

Pautas populares de Lula ainda não decolaram

As grandes apostas populares de Lula para o ano eleitoral ainda não decolaram. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, aprovada em novembro, ainda não valerá na declaração deste ano.

A proposta do fim da escala trabalhista 6x1, outra prioridade do governo, enfrenta resistência e está travada na Câmara. E o projeto de tarifa zero para o transporte público, que estará no programa de governo de Lula na campanha à reeleição, sequer começou a ser debatido no Congresso.

Politica Livre

Fragmentação mundial: ameaças em escalada e uma ordem que entrou em colapso


O mundo entrou numa tensão permanente

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

Durante décadas, a ideia de uma guerra global pertenceu ao passado ou à ficção estratégica. Era evocada em relatórios acadêmicos, exercícios militares e análises de risco, mas raramente assumida como hipótese concreta no plano político.

Essa distância desapareceu — e o que hoje se observa não é a antecâmara de um confronto — é a sua manifestação, ainda sem reconhecimento formal. A guerra começou antes de ser declarada, dissolvendo a fronteira tradicional entre paz e antagonismo e impondo uma nova condição: a de um sistema internacional em tensão permanente.

A escalada recente no Oriente Médio tornou essa transformação impossível de ignorar. A relação entre Estados Unidos, Israel e Irã ultrapassou o registro da dissuasão para entrar em um ciclo ativo de ação e retaliação, marcado por operações coordenadas, ataques seletivos a alvos estratégicos e ameaças concretas a infraestruturas críticas.

INSTABILIDADE – Esses movimentos não são episódicos nem reativos — integram uma lógica contínua de enfrentamento que já não depende de rituais diplomáticos para se legitimar. A dinâmica bélica deixou de precisar ser anunciada para existir.O impacto dessa evolução rapidamente ultrapassou o plano militar.

A instabilidade no Estreito de Ormuz reintroduziu o petróleo como instrumento direto de poder geopolítico, em um retorno a lógicas que muitos julgavam superadas. Bastou o risco de bloqueio para provocar oscilações significativas nos mercados, pressionar economias e forçar reposicionamentos estratégicos em escala global.

A energia deixou de ser apenas um recurso — tornou-se um vetor de influência e uma alavanca de coerção com efeitos imediatos.

FERIDA ABERTA – Mais reveladora ainda é a simultaneidade das tensões. A guerra na Ucrânia permanece como uma ferida aberta no coração da Europa, sem solução visível. A rivalidade entre Estados Unidos e China se intensifica e avança para domínios cada vez mais sensíveis, da tecnologia à segurança.

No Indo-Pacífico, os equilíbrios tornam-se progressivamente mais frágeis, enquanto no Oriente Médio o risco de expansão regional da guerra cresce a cada novo episódio. O que emerge desse quadro não é uma sucessão de crises isoladas, mas um ambiente em transformação, onde diferentes focos de instabilidade se reforçam mutuamente.

Nesse cenário, uma das premissas centrais da globalização — a de que a interdependência econômica funcionaria como freio à escalada — revela-se cada vez mais frágil. As mesmas redes que sustentaram décadas de integração estão agora sendo instrumentalizadas como mecanismos de pressão estratégica. Cadeias de abastecimento, fluxos energéticos, tecnologia e dados passaram a integrar o campo de disputa, diluindo ainda mais a distinção entre paz e hostilidade. O embate deixou de ser um evento delimitado para se tornar um estado contínuo de competição.

PREVISIBILIDADE – A fragmentação do bloco ocidental acentua essa tendência. Apesar da retórica de unidade, as divergências estratégicas entre aliados tornam-se mais visíveis, condicionadas por pressões internas, ciclos eleitorais e interesses nacionais divergentes. Essa erosão da coesão não é um detalhe — é um fator estrutural que reduz a previsibilidade das respostas e prolonga a instabilidade. A história mostra que cenários sem alinhamento claro tendem a ser mais longos, mais difusos e mais difíceis de encerrar.

Paralelamente, a natureza do próprio embate está passando por uma mutação profunda. A disseminação de tecnologias — de drones a operações cibernéticas — reduziu o custo de entrada e ampliou exponencialmente a imprevisibilidade. Pequenos atores, com recursos limitados, mas bem posicionados, conseguem hoje produzir impactos desproporcionais, multiplicando pontos de tensão e tornando o ambiente global estruturalmente instável. A guerra se descentralizou — e, com isso, perdeu fronteiras nítidas.

Tudo isso ocorre em um momento em que os pilares tradicionais da ordem internacional apresentam sinais claros de desgaste. O direito internacional continua a ser invocado, mas é cada vez mais frequentemente contornado ou reinterpretado. As instituições multilaterais mantêm relevância simbólica, mas revelam limitações crescentes na capacidade de impor soluções. A norma cede espaço à força — não apenas à força militar clássica, mas à capacidade de influenciar, condicionar e desestabilizar em múltiplas dimensões.

ESTADO DE CONFRONTO – É nesse contexto que a conclusão se impõe com clareza: os fatos já configuram um estado de confronto sistêmico, ainda que sem reconhecimento formal. Não se trata de uma guerra tradicional, com início definido e fim previsível, mas de uma condição prolongada, em que diferentes formas de poder são mobilizadas de forma contínua.

Para países como Portugal, essa conjuntura se traduz em desafios concretos. Em um mundo mais fragmentado, a margem de manobra dos Estados médios tende a diminuir, marcada por choques energéticos, dependência de cadeias globais e pressões externas crescentes. A política externa deixa de poder se apoiar em pressupostos de estabilidade e exige uma capacidade ampliada de adaptação estratégica.

Mas o desafio não é apenas externo. As sociedades europeias se acostumaram a décadas de relativa previsibilidade, internalizando a ideia de que a guerra pertence a outros espaços geográficos. Essa percepção está se tornando obsoleta. Mesmo sem confronto direto, os efeitos já são visíveis no cotidiano: inflação persistente, volatilidade energética, tensões sociais e polarização política. A distância encurtou — e continua encurtando.

COMPLEXA GESTÃO – Diante desse cenário, a expectativa de um momento de clareza pode se revelar ilusória. A ambiguidade não é transitória; é estrutural. A guerra contemporânea não começa com uma declaração formal nem termina com um tratado inequívoco. Desenvolve-se de forma gradual, difusa e muitas vezes silenciosa, tornando mais difícil sua identificação — e, consequentemente, sua gestão.

Reconhecer essa transformação não implica alarmismo, mas lucidez. Significa aceitar que a estabilidade deixou de ser o estado natural das relações internacionais e passou a ser uma construção frágil, sujeita a pressão constante. Significa compreender que os instrumentos do passado são insuficientes para responder aos desafios do presente. E, sobretudo, abandonar a ilusão de que ainda estamos fora de um embate global.

O mundo pode não ter declarado formalmente a entrada em uma nova era de guerra, nem traçado as linhas claras que, no passado, delimitavam o início dos grandes confrontos. Mas os sinais acumulados já não permitem ambiguidades. E, como tantas vezes na história, o maior risco não está apenas no que está acontecendo — está na persistência em interpretar o presente com categorias do passado, ignorando que o conflito, em sua forma contemporânea, já está plenamente em curso.

Crise global, tensão institucional e disputas eleitorais expõem fragilidade política


Entrada de óleo diesel no país caiu cerca de 60%

Pedro do Coutto

A política brasileira voltou a operar sob múltiplas pressões simultâneas — externas e internas — em um cenário que mistura instabilidade internacional, ruídos institucionais e rearranjos eleitorais. O resultado é um ambiente de incerteza crescente, no qual decisões econômicas, jurídicas e políticas passam a se influenciar de forma direta e acelerada.

No plano externo, o impacto mais imediato vem da escalada no preço do petróleo, impulsionada por tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. Em poucos dias, o mercado internacional registrou alta próxima de 40%, refletindo o temor de desorganização nas cadeias globais de energia. Para o Brasil, altamente dependente de importações em determinados momentos, o efeito foi imediato: a entrada de óleo diesel no país caiu cerca de 60% nas primeiras semanas da crise.

O alerta acendeu rapidamente dentro da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que passou a monitorar o risco de desabastecimento. Ainda que não haja colapso iminente, o movimento evidencia uma vulnerabilidade estrutural: o país, mesmo sendo produtor relevante, não é imune às oscilações externas e segue exposto a choques geopolíticos. Na prática, isso significa pressão inflacionária, impacto direto no transporte e, inevitavelmente, desgaste político para o governo federal.

TENSÃO INTERNA – Mas se a economia sofre com fatores externos, o ambiente institucional também dá sinais de tensão interna. Divergências entre a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal voltaram a emergir, especialmente em torno de acordos de colaboração e condução de investigações sensíveis. Esses atritos, frequentemente silenciosos, ganharam visibilidade por meio de vazamentos e disputas narrativas, ampliando a percepção de descoordenação dentro do próprio aparato de Estado.

No centro desse turbilhão está o Supremo Tribunal Federal, mais uma vez chamado a arbitrar conflitos que extrapolam o campo jurídico e avançam sobre o terreno político. O ministro Gilmar Mendes, voz influente na Corte, tem defendido a possibilidade de prisão domiciliar em determinados casos, ao mesmo tempo em que critica a condução de investigações marcadas por vazamentos e excessos. Sua posição reflete um desconforto crescente dentro do próprio Judiciário com a forma como certos processos vêm sendo conduzidos — um sinal de que o debate institucional está longe de ser consensual.

Enquanto isso, no tabuleiro político, movimentações estratégicas começam a redesenhar o cenário eleitoral. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes articula sua saída para disputar o governo estadual, ao mesmo tempo em que busca garantir a continuidade administrativa na capital. Em paralelo, o governador Cláudio Castro sinaliza renúncia para entrar na corrida ao Senado, abrindo uma nova frente de disputa e reorganizando forças locais.

ERRO ESTRATÉGICO – No plano nacional, o presidente Lula da Silva também se movimenta, ainda que nem sempre com precisão cirúrgica. A sugestão de lançar Geraldo Alckmin ao Senado é vista por parte de aliados como um erro estratégico. Alckmin, que tem demonstrado lealdade política consistente desde o início do governo, ocupa hoje uma posição de equilíbrio dentro da coalizão. Retirá-lo desse papel pode significar abrir uma lacuna difícil de preencher — especialmente em um momento em que a base governista já enfrenta desafios de coesão.

Esses movimentos ocorrem em paralelo à reorganização da direita, que também busca recompor forças após anos de fragmentação. O jogo político, portanto, não se limita a disputas eleitorais pontuais, mas envolve uma reconfiguração mais ampla de alianças, lideranças e estratégias.

INSTABILIDADE – O que se observa, ao final, é um país atravessado por múltiplas camadas de instabilidade. A pressão externa sobre energia e preços, as fissuras internas entre instituições e os cálculos eleitorais em curso formam um quadro complexo, no qual cada decisão carrega efeitos em cadeia.

Não se trata de uma crise isolada, mas de um momento de transição. E, como toda transição, ele exige mais do que respostas imediatas: exige coordenação, leitura estratégica e, sobretudo, capacidade política de antecipar riscos antes que eles se transformem em crises abertas.


EDITORIAL: A Saúde no Divã – O Esforço de Jeremoabo contra o Descaso da Capital Aracaju



EDITORIAL: A Saúde no Divã – O Esforço de Jeremoabo contra o Descaso da Capital Aracaju


Por José Montalvão

Falar de saúde pública no Brasil é tocar em uma ferida aberta que atinge desde o cidadão mais humilde até o mais abastado, pois todos, de uma forma ou de outra, dependem da engrenagem do SUS. Em Jeremoabo, acompanhamos o esforço hercúleo do prefeito Tista de Deda e sua equipe para reconstruir e humanizar o atendimento. Sabemos que ainda há reclamações quando um exame demora alguns meses, mas é preciso separar o joio do trigo: uma coisa é a dificuldade logística de um município em reconstrução; outra, bem diferente, é o descaso injustificável que vemos em grandes centros.

Para que o leitor entenda a gravidade de quando a gestão pública falha com a vida, reproduzo hoje um caso absurdo que ocorre na Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju.

A Roleta Russa da Saúde em Aracaju: O Caso do TI-RADS 4

Não há outra forma de começar este relato senão com um grito de indignação. O que acontece nos corredores da saúde da capital sergipana é uma brincadeira perigosa com a existência humana.

Vejamos os fatos: em outubro de 2024, foi solicitada no Posto Sinhazinha uma punção aspirativa de tireoide (PAAF). O paciente apresentava um nódulo classificado como TI-RADS 4 — uma categoria que acende um alerta imediato para o risco de câncer.

O que a Secretaria de Aracaju fez? Deixou o pedido "mofando" em uma gaveta por quase um ano para, em agosto de 2025, negá-lo sem qualquer justificativa técnica. Enquanto o papel acumulava poeira, o nódulo acumulava tamanho. Agora, em 2026, o novo exame confirmou o pior medo: o nódulo cresceu.

É inadmissível que uma vida seja tratada como um número de protocolo descartável. O médico da família já emitiu uma nova requisição, e fica aqui a nossa pergunta: a Secretaria vai esperar o quadro se tornar irreversível para agir?

A Diferença entre Dificuldade e Desprezo

Enquanto em Jeremoabo vemos uma gestão lutando para colocar a casa em ordem, enfrentando as distâncias da zona rural e a falta de recursos históricos, em Aracaju vemos o que parece ser uma falha de humanidade.

A saúde não espera a boa vontade de quem está sentado em gabinetes refrigerados. Quem tem pressa é quem tem dor. Se o SUS é para todos, a eficiência também deveria ser. Não aceitaremos que a vida de um cidadão seja jogada à sorte em uma "roleta russa" administrativa.

Jeremoabo avança com suor e trabalho, mas o exemplo que vem da capital nos serve de alerta: onde a gestão cochila, a vida corre perigo.


Blog de Dede Montalvão: Defendendo o SUS e cobrando respeito à vida, doa a quem doer.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

Combater o racismo exige coragem

 


Neste sábado (21), Dia Internacional contra a Discriminação Racial, reafirmo meu compromisso inabalável na luta contra o preconceito que ainda castiga o nosso povo. 


É inaceitável que nos tempos atuais o racismo estrutural continue excluindo negros e pardos dos espaços de poder e dignidade no Distrito Federal. 


Precisamos de políticas públicas sérias e de uma fiscalização rigorosa para punir quem insiste em humilhar o próximo. O poder público não pode fechar os olhos para a exclusão. 


A igualdade se constrói com ações concretas, não apenas com palavras bonitas em datas festivas. Seguimos firmes, defendendo o respeito e o direito de todos. 


Chico Vigilante 

Deputado Distrital

Em destaque

Urnas de 2026 decidirão sobre Estado Democrático de Direito

  Publicado em 26/04/2026 às 07:09 Alterado em 26/04/2026 às 09:57 Lula continua gigante, embora enfrente uma conjuntura eleitoral difícil  ...

Mais visitadas