quarta-feira, março 18, 2026

CPI do Crime Organizado amplia cerco sobre política e mercado financeiro com convocações de ACM Neto, Roberto Campos Neto e aliados do bolsonarismo

18 de Março de 2026 


CPI do Crime Organizado realiza nesta quarta-feira (18/03/2026), no Senado Federal, uma reunião decisiva para ampliar o alcance de suas apurações sobre possíveis conexões entre agentes políticos, estruturas empresariais e operações financeiras suspeitas. A pauta oficial prevê a deliberação de 37 requerimentos, incluindo pedidos de convocação, transferências de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático, além de solicitações de informações ao Coaf e à CVM. Entre os nomes que entraram no centro da agenda estão o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, a ex-assessora de Michelle Bolsonaro Giselle dos Santos Carneiro da Silva, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes.

Reunião desta quarta amplia o foco da investigação

A reunião da CPI está marcada para as 9h, no Senado, e combina duas frentes centrais: a votação de requerimentos e a oitiva de personagens ligados ao sistema financeiro. Após a fase deliberativa, a comissão deve ouvir o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, em depoimentos voltados ao esclarecimento de mecanismos de supervisão, estruturação de operações e eventuais falhas de controle no mercado.

A pauta revela uma inflexão importante da CPI. O eixo da comissão, inicialmente associado ao enfrentamento do crime organizado em sentido mais tradicional, avançou para um terreno mais amplo, que inclui lavagem de dinheiro, estruturas societárias, fundos de investimento, crédito consignado e supostas conexões entre o sistema financeiro e organizações sob investigação. Documentos do Senado mostram que os requerimentos mais recentes miram pessoas físicas, empresas e fundos que passaram a ser tratados como peças estratégicas para o rastreamento de fluxos financeiros.

Nesse contexto, a comissão passou a mirar não apenas operadores privados, mas também personagens com projeção nacional. O movimento dá à CPI um peso político adicional, sobretudo por alcançar nomes ligados ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, antigos dirigentes da política econômica e monetária do país.

Valdemar, ACM Neto e Giselle entram na linha de convocação

Entre os requerimentos em destaque está o pedido de convocação de Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL. Segundo a Agência Senado, o requerimento foi apresentado pelo senador Humberto Costa e se apoia em referências a doações eleitorais e vínculos indiretos com personagens investigados no caso do Banco Master.

Outro nome politicamente sensível na pauta é ACM Neto. O requerimento de convocação, também citado pelo Senado, foi justificado pela necessidade de esclarecer o avanço das investigações sobre possíveis conexões entre agentes públicos, estruturas empresariais e organizações sob apuração. No texto do requerimento mencionado pela Agência Senado, há referência a relatório do Coaf segundo o qual uma empresa de consultoria ligada a ACM Neto teria recebido R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre 2023 e 2024.

A ex-assessora de Michelle Bolsonaro Giselle dos Santos Carneiro da Silva também aparece entre os nomes sujeitos à convocação. A inclusão de Giselle reforça o alargamento político da investigação, que já não se limita a executivos, operadores e fundos, alcançando personagens do núcleo de relações do bolsonarismo. A própria relação de itens da pauta registra requerimento específico para sua convocação.

Guedes, Campos Neto e João Roma sob medidas de aprofundamento

No campo econômico, a comissão também concentra atenção sobre figuras centrais da antiga equipe liberal do governo Bolsonaro. Roberto Campos Neto figura em requerimentos de convocação e em pedidos de quebra ou transferência de sigilo relativos a operações entre 2022 e 2026, conforme a Agência Senado.

No caso de Paulo Guedes, há requerimento específico de convocação já apresentado à CPI, com justificativa de aprofundamento das investigações. O nome do ex-ministro também aparece no material jornalístico que circula sobre a reunião desta quarta como um dos alvos de medidas de investigação reforçada.

A pauta também alcança o ex-ministro João Roma e o ex-ministro da Cidadania Ronaldo Vieira Bento, mostrando que a comissão vem conectando a apuração financeira a agentes com passagem pelo Executivo federal. Em paralelo, o advogado Willer Tomaz aparece em requerimentos de convocação e de transferência de sigilos, o que indica interesse da CPI em reconstruir redes de assessoria, intermediação e eventual influência jurídica nas estruturas investigadas.

Prime Aviation e Fraction 024 entram no centro da CPI

Além dos nomes políticos, a CPI intensifica o escrutínio sobre empresas que passaram a ocupar posição central no inquérito parlamentar. Entre elas, destacam-se a Prime Aviation Participações e Serviços S.A. e a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., citadas em diversos requerimentos.

As medidas incluem convocações e transferências de sigilo envolvendo Artur Martins de FigueiredoJoão Gustavo Haenel NetoFlavio Daniel AguetoniRodolfo Garcia da Costa e Marcus Vinicius da Mata, todos relacionados, segundo os documentos da CPI, à estrutura societária ou à administração dessas companhias. Requerimentos oficiais já registram, por exemplo, pedido de quebra de sigilo de Marcus Vinicius da Mata, presidente da Prime Aviation, e de Artur Martins de Figueiredo, apontado como diretor da Fraction 024.

O interesse da comissão sobre essas empresas sugere uma tentativa de seguir o rastro patrimonial e operacional de ativos considerados relevantes para o caso, inclusive aeronaves e estruturas empresariais associadas a operações financeiras investigadas. Em linguagem de CPI, isso significa deslocar o foco do discurso político para a anatomia material das relações societárias e do trânsito de recursos.

Coaf, CVM e fundos entram como peças-chave da apuração

Outro bloco importante da pauta envolve pedidos de informação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras e à Comissão de Valores Mobiliários. Um dos requerimentos pede à CVM a identificação completa dos beneficiários finais de fundos exclusivos ou restritos vinculados, geridos ou administrados pelo Banco Master ou pela Reag Investimentos desde janeiro de 2022.

Esse ponto é especialmente sensível porque toca o núcleo de opacidade que frequentemente envolve estruturas de investimento sofisticadas. A CPI tenta descobrir quem, em última instância, está por trás de fundos e veículos financeiros que, na avaliação dos parlamentares, podem ter sido usados em operações sob suspeita. A iniciativa demonstra que a comissão procura ir além dos executivos formais e alcançar os verdadeiros controladores econômicos dessas engrenagens.

Também aparecem na pauta nomes como Letícia Caetano dos ReisAhmed Mohamad OliveiraFrancisco Craveiro de Carvalho Junior, além de empresas e fundos mencionados no material jornalístico, como Arleen FIPLaguz FIDCClínica Mais Médicos S.A.A&M Consultoria EmpresarialPrime AviationFraction 024 e Consult Inteligência Tributária. Parte desses alvos já aparece formalmente em requerimentos da CPI, com pedidos de informação ou transferência de sigilo.

Oitivas desta quarta miram fiscalização e engenharia financeira

Na segunda parte da reunião, a comissão ouvirá Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central. Segundo o Senado, os parlamentares pretendem esclarecer mecanismos de supervisão, falhas de controle e eventuais brechas exploradas no sistema financeiro por organizações criminosas ou por operadores de estruturas sob suspeita.

Também será ouvido Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital. A expectativa é que o depoimento trate da movimentação de recursos, da montagem de estruturas financeiras e de possíveis relações entre empresas de investimento e agentes investigados pela CPI. A presença de Timerman reforça a linha de investigação que busca entender como o sistema financeiro pode ter sido instrumentalizado em operações de maior complexidade.

A escolha desses depoentes não é casual. Ambos se situam em pontos estratégicos para a CPI: um ligado à fiscalização estatal e outro à operação privada de estruturas de mercado. A combinação permite aos senadores testar se houve falha institucional, omissão regulatória ou sofisticação privada capaz de dificultar o rastreamento de recursos.

Estruturas empresariais opacas

A pauta desta quarta mostra que a CPI do Crime Organizado atravessou uma fronteira política relevante. O colegiado já não atua apenas como espaço de exposição de episódios criminais isolados; passou a operar como arena de investigação sobre a interseção entre poder político, sistema financeiro e estruturas empresariais opacas. Quando uma CPI desloca seu foco para ex-ministros, ex-dirigentes do Banco Central, presidentes partidários e fundos de investimento, ela altera a escala do debate público.

O principal desdobramento possível é duplo. No plano institucional, a comissão pode produzir documentação e quebras de sigilo capazes de abastecer investigações administrativas, policiais e judiciais. No plano político, porém, a CPI também se torna terreno de disputa narrativa entre governo, oposição e atores econômicos atingidos. Esse é o ponto clássico das CPIs brasileiras: elas podem iluminar fatos relevantes, mas também correm o risco de transformar apuração em palco de guerra política.

Há ainda uma tensão evidente entre a gravidade das suspeitas e a necessidade de prova robusta. A lista de convocados e investigados é ampla, mas amplitude não substitui consistência probatória. O êxito da comissão dependerá menos do impacto dos nomes e mais da capacidade de demonstrar, com documentos, rastreamento financeiro e coerência jurídica, se houve de fato conexão material entre as estruturas citadas e práticas criminosas. Sem isso, a CPI corre o risco de produzir muito ruído e pouca consequência institucional duradoura.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agências Brasil, Reuters, RFI, Sputnik e BBC Brasil.


Nota da redação deste BlogO Dia da Explosão: Quando a Blindagem Política Encontra o Rigor da Lei


Por José Montalvão


Diz o ditado popular que "a justiça tarda, mas não falha", e que "aqui se faz, aqui se paga". Para muitos que operam nas sombras do poder, acreditando que o cargo ou a influência são escudos eternos, a quarta-feira, 18 de março de 2026, surge como o dia em que a bomba, finalmente, começou a explodir.

O Senado Federal é hoje o palco de uma movimentação que abala as estruturas de Brasília. A CPI do Crime Organizado não está mais limitada ao enfrentamento de facções tradicionais; ela subiu o tom e subiu o nível, mirando agora o chamado "crime do colarinho branco", as conexões políticas e as engrenagens do sistema financeiro.


A Devassa nos Sigilos: Ninguém está Acima da Suspeita

A reunião marcada para as 9h desta quarta-feira prevê a deliberação de 37 requerimentos que são verdadeiros mísseis contra a impunidade. Não se trata apenas de ouvir depoimentos, mas de abrir a "caixa preta" de figuras poderosas através de:

  • Quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático.

  • Cruzamento de dados do Coaf e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

  • Rastreamento de fundos de investimento e crédito consignado.

O que a CPI busca é o fio da meada que liga agentes políticos a estruturas empresariais e operações financeiras suspeitas. Quando o Estado decide investigar o fluxo do dinheiro, as máscaras costumam cair.


Nomes de Peso no Olho do Furacão

A lista de alvos da comissão impressiona pelo peso político e econômico. Estão na mira da CPI nomes que, até pouco tempo, pareciam intocáveis:

  • Valdemar Costa Neto (Presidente do PL) e ACM Neto (Ex-prefeito de Salvador);

  • Paulo Guedes (Ex-ministro da Economia) e Roberto Campos Neto (Ex-presidente do Banco Central);

  • Giselle dos Santos Carneiro da Silva (Ex-assessora de Michelle Bolsonaro).

A inclusão desses nomes mostra que a investigação avançou para o terreno da lavagem de dinheiro e das supostas conexões entre o sistema financeiro e organizações criminosas. É a política e a alta finança sentando no banco dos réus.


A Inflexão da CPI: Do Crime de Rua ao Crime de Gabinete

O que vemos hoje é uma mudança de eixo estratégica. A CPI percebeu que o crime organizado não se combate apenas nas ruas, mas nos escritórios luxuosos onde se estruturam operações societárias complexas. Ao convocar figuras como o fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, e ex-diretores do Banco Central, o Senado sinaliza que vai investigar as falhas de controle que permitiram, supostamente, o trânsito de recursos ilícitos.

Para o povo brasileiro, que assiste a tudo isso, fica a lição: atos ilícitos podem até demorar a ser apurados, mas o rastro do dinheiro é indelével.


Conclusão: A História não Perdoa a Omissão

Como sempre defendemos no Blog do Montalvão, a transparência é o melhor antídoto contra a corrupção. Esta quarta-feira marca um capítulo decisivo para a democracia brasileira. Se houve crime, que se punam os responsáveis, independentemente do sobrenome ou da relevância do cargo que ocuparam.

A bomba explodiu. Agora, resta saber quem conseguirá se manter de pé após a poeira baixar e as contas bancárias serem devassadas pela luz da verdade.


Blog do DedeMontalvao: Onde o crime não compensa e a fiscalização não dorme.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

Entenda a decisão de Dino sobre aposentadoria compulsória de juízes e seus desdobramentos

 

Entenda a decisão de Dino sobre aposentadoria compulsória de juízes e seus desdobramentos

Por Renata Galf / Folha de São Paulo

18/03/2026 às 07:09

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Imagem de Entenda a decisão de Dino sobre aposentadoria compulsória de juízes e seus desdobramentos

Flávio Dino

A punição máxima aplicada a juízes que cometem infrações disciplinares graves vem sendo a aposentadoria compulsória, em que eles deixam o cargo, mas seguem sendo pagos.

Na segunda-feira (16), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino deu uma decisão afirmando que essa punição seria inconstitucional. Em paralelo, o tema teve andamento também no Senado, onde uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o assunto está tramitando.

Entenda o que está em discussão.

Juízes podem ser demitidos?
Segundo a Constituição os juízes são vitalícios, de modo geral. Na primeira instância, passam a esta condição após dois anos de exercício. Adquirida a vitaliciedade, a demissão –quando o juiz é retirado da magistratura e deixa de receber– caberia apenas para casos em que há sentença judicial transitada em julgado, como é o caso de condenações criminais.

O que é uma infração disciplinar?
Como o cargo de juiz traz uma série de deveres, há a possibilidade de instauração de processo administrativo tanto no tribunal do qual ele faça parte quanto no CNJ para eventual aplicação de penalidade disciplinar em caso de descumprimento. Este tipo de decisão não tem caráter judicial.

Resolução do CNJ prevê a pena disciplinar de aposentadoria compulsória em algumas situações, como de manifesta negligência do juiz no cumprimento dos deveres e conduta incompatível com a dignidade, a honra e o decoro das funções. Desde 2006, foram aplicadas, apenas pelo CNJ, 126 penalidades deste tipo.

O que Dino decidiu?
Ao analisar o recurso de um juiz do Rio de Janeiro que pretendia reverter sua punição pelo CNJ, de pena de aposentadoria compulsória, Dino, em vez de entender simplesmente se ela deveria ser mantida ou revertida, decidiu que a penalidade em si era inconstitucional.

Com isso, a punição mais grave que o CNJ poderia aplicar administrativamente passaria a ser a disponibilidade, que é uma espécie de afastamento por prazo determinado.

Dino complementou sua ordem afirmando que, caso o CNJ mantenha o entendimento anterior, de que o caso é de gravidade máxima, deve encaminhá-lo para a AGU (Advocacia-Geral da União) —a quem caberia, segundo o ministro, ingressar com ação judicial para perda do cargo, a ser apresentada ao Supremo.

Qual o argumento de Dino?
Segundo Dino, a partir da reforma da Previdência de 2019, feita por meio de emenda à Constituição, a punição de aposentadoria compulsória passou a ser inconstitucional. Para ele, isso decorre do fato de que artigos que antes mencionavam a aposentadoria de juízes entre as sanções administrativas deixaram de citá-la. Ele argumenta que a vontade do legislador não pode ser ignorada.

Apesar de ter retirado essa menção, a reforma manteve em aberto o rol de sanções possíveis ao dizer que o CNJ pode aplicar a remoção, disponibilidade ou "outras sanções administrativas".

A decisão de Dino vale para todos os casos?
Em tese, ela se aplica apenas ao caso concreto do processo em que ele proferiu a ordem, segundo advogados e professores consultados pela Folha. Apesar disso, o despacho de Dino pode acabar abrindo caminho tanto para que outros órgãos sigam o precedente, deixando de aplicar esse tipo de punição, quanto para que o CNJ altere a resolução que prevê as penas administrativas cabíveis a magistrados.

Por ser uma decisão monocrática, sem ter passado ainda por apreciação da turma ou plenário do STF, a decisão é menos robusta. Além disso, para valer para todos os casos, o entendimento é que essa determinação precisaria ser dada numa ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental).

O CNJ pretende fazer algo?
Edson Fachin, presidente do CNJ e do STF, já entrou em contato com o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, para definir os encaminhamentos no conselho.

A aposentadoria compulsória, enquanto pena disciplinar, está prevista tanto em resolução do CNJ quanto no Estatuto da Magistratura, cuja iniciativa de proposição legislativa é reservada ao STF.

O que diz a PEC em discussão no Senado?
Em 2024, o próprio Dino, então na cadeira de senador, apresentou uma PEC propondo que ficasse explicitamente vedada na Constituição a possibilidade de se aplicar a aposentadoria compulsória como punição a militares, magistrados e membros do Ministério Público.

Apresentada há dois anos, a proposta teve movimentação recente. No início de março, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), relatora na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), deu voto favorável à proposta. Já na última sexta-feira (13), ela foi pautada para análise da CCJ em sessão desta quarta-feira (18).

Quais as principais críticas à decisão de Dino?
Críticos apontam que a decisão foi monocrática, sem precedente anterior do STF a respeito, e põem em dúvida o entendimento de que competência para analisar na via judicial os casos de perda de cargo do CNJ seria necessariamente do STF.

O que defendem representantes de magistratura?
O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Caio Marinho, destaca que, durante a carreira, juízes realizam "contribuições elevadas ao regime próprio de previdência". Diz ainda que, por isso, "a simples substituição da aposentadoria compulsória pela perda do cargo, sem o devido tratamento da questão previdenciária, poderia levar à retenção pelo Estado de valores recolhidos durante toda a vida funcional, sem a correspondente contraprestação".

Procuradas pela Folha, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho) e a Apamagis (Associação Paulista de Magistrados) disseram que não iriam se manifestar.

Politica Livre


Nota da redação deste Blog -  Tradução dos Fatos: O que a reportagem revela?


Por José Montalvão


 Abaixo, faço a tradução dos pontos principais do texto e apresento uma opinião que reflete o sentimento da vasta maioria dos brasileiros.


Tradução dos Fatos: O que a reportagem revela?

  1. A "Manobra" Jurídica de Dino: Dino não apenas analisou um recurso individual; ele usou esse caso para declarar que a punição de aposentadoria compulsória morreu com a Reforma da Previdência de 2019. O argumento é que a nova redação da Constituição "esqueceu" propositalmente de citar essa punição, tornando-a inválida.

  2. O Caminho para a Demissão: Agora, se o CNJ achar que um juiz cometeu algo gravíssimo, ele não o aposenta. Ele o coloca em "disponibilidade" (afastado, mas ainda juiz) e manda o caso para a AGU, que deve entrar com uma ação no STF para que o juiz perca o cargo e o salário definitivamente.

  3. Duas Frentes (Judiciário e Legislativo): Enquanto Dino decide no STF, no Senado a PEC que ele mesmo escreveu quando era senador está andando rápido. A relatora, Eliziane Gama, pautou a votação para hoje (18/03/2026) na CCJ. Ou seja, o cerco está fechando por todos os lados.

  4. A Reação das Associações: A reportagem mostra que as associações de magistrados (como a AJUFE) estão preocupadas com a "questão previdenciária" — ou seja, o juiz contribuiu a vida toda e, se for demitido, o Estado ficaria com esse dinheiro? Esse é o principal argumento de defesa deles.


Opinião Baseada no Sentimento da Maioria do Povo Brasileiro

Respaldado pelo que se ouve nas ruas, nas redes sociais e nos lares de trabalhadores que, como você, dedicaram décadas ao serviço público (como os seus 30 anos de INSS), a opinião da maioria é clara:

1. O Fim da "Casta de Intocáveis" Para o brasileiro comum, a aposentadoria punitiva sempre foi vista como uma afronta à moralidade. No entendimento popular, punir um erro com um benefício (receber sem trabalhar) é uma inversão de valores que alimenta a sensação de impunidade. A maioria do povo não aceita que "quem julga" tenha regras mais suaves do que "quem é julgado".

2. Aposentadoria é Benefício, não Punição O argumento das associações sobre as "contribuições previdenciárias" não convence a opinião pública. O povo entende que a aposentadoria é o prêmio pela honra e pelo tempo de serviço. Se a honra foi quebrada por uma falta grave ou crime, perde-se o direito ao prêmio. O brasileiro médio, que se cometer um erro grave no emprego é demitido por justa causa e sai com "uma mão na frente e outra atrás", exige que o mesmo rigor valha para a toga.

3. O Desejo por uma Justiça "Cega" A maioria dos brasileiros apoia a decisão de Dino e a PEC no Senado porque deseja uma justiça onde o símbolo da balança seja real. Se a lei é para todos, o juiz probo e honesto (que é a maioria) deve ser valorizado, mas o juiz desonesto deve ser tratado como qualquer outro criminoso ou mau servidor: rua, sem salário.


Conclusão 

 O que está em jogo hoje, 18 de março, na CCJ do Senado e no STF, é o fim de um privilégio que o Brasil não suporta mais carregar nas costas. É a vitória da ética sobre o corporativismo.


Blog do Montalvão: Onde a notícia de hoje vira a história de amanhã.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

Teixeira de Freitas: em meio à tensão política, Câmara abre três CPIs sobre ações da prefeitura na saúde, limpeza e conselhos tutelares

 

Teixeira de Freitas: em meio à tensão política, Câmara abre três CPIs sobre ações da prefeitura na saúde, limpeza e conselhos tutelares

Por Política Livre

17/03/2026 às 22:10

Foto: Divulgação

Imagem de Teixeira de Freitas: em meio à tensão política, Câmara abre três CPIs sobre ações da prefeitura na saúde, limpeza e conselhos tutelares

Câmara Municipal de Teixeira de Freitas

A Câmara Municipal de Teixeira de Freitas aprovou a abertura de três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) a fim de investigar supostas irregularidades em atos da prefeitura. Os requerimentos contaram com o apoio de pelo menos um terço dos vereadores, conforme prevê o regimento da Casa.

O movimento acontece em meio à tensão política que coloca em lados opostos o presidente da Casa, vereador Jonatas Santos (MDB) e o prefeito Marcelo Belitardo (União Brasil). 

Uma frente de investigação será sobre supostas irregularidades na gestão dos serviços de saúde, com foco no contrato firmado entre o município e um instituto. O requerimento aponta inconsistências em processos de compras, falhas na prestação de contas e divergências financeiras, além de possível ausência de controle social na contratação. Também são citados riscos à transparência e à correta aplicação dos recursos públicos na área da saúde .

Já na CPI do Lixo, os vereadores vão mirar gastos de aproximadamente R$ 35,4 milhões com serviços de limpeza urbana no exercício de 2023, levando em conta indícios de discrepâncias nos valores quando comparados a outros municípios baianos, além de questionamentos levantados pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) sobre a razoabilidade das despesas. 

A terceira CPI tem como alvo a atuação da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que instaurou processos administrativos contra presidentes de Conselhos Tutelares. O requerimento aponta possíveis práticas de abuso de autoridade, desvio de finalidade e perseguição institucional contra servidores públicos. Entre os fatos citados estão a instauração de processos administrativos disciplinares considerados irregulares, além de relatos de intimidação e retaliação a servidores que teriam denunciado irregularidades na administração .

De acordo com os requerimentos, as comissões terão poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, podendo requisitar documentos, convocar testemunhas e realizar diligências. O prazo inicial de funcionamento varia entre 90 e 120 dias, podendo ser prorrogado conforme necessidade.

Politica Livre

ACM Neto se reúne com Flávio Bolsonaro e Valdemar em Brasília

 

ACM Neto se reúne com Flávio Bolsonaro e Valdemar em Brasília

Por Redação

18/03/2026 às 06:10

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de ACM Neto se reúne com Flávio Bolsonaro e Valdemar em Brasília

Foto publicada pelo PL na noite desta terça-feira (17)

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, esteve em Brasília nesta quarta-feira (18) para uma reunião com lideranças do Partido Liberal (PL). O encontro reuniu o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.

Realizada na sede nacional do partido, a agenda também contou com a participação do presidente do PL na Bahia, João Roma.

Na ocasião, foi anunciada a filiação do ex-deputado federal e ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, ao PL. O ingresso foi divulgado pelas redes sociais da legenda, que destacou a movimentação como parte da estratégia de fortalecimento do partido no estado.

A reunião também integra o conjunto de articulações políticas em curso na Bahia. Interlocutores avaliam que o encontro contribui para ampliar o alinhamento entre lideranças da oposição, em meio à preparação para as eleições de outubro.

Politica Livre

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