sábado, março 14, 2026

ACM Neto pode não disputar o governo da Bahia? Bastidores de Brasília levantam dúvidas

 


ACM Neto pode não disputar o governo da Bahia? Bastidores de Brasília levantam dúvidas


Por José Montalvão

Nos últimos dias voltou a circular em Jeremoabo e em diversos municípios baianos o comentário de que ACM Neto poderá sofrer uma derrota política no estado. Como diz a sabedoria popular, quem tem boca fala o que quer”. No entanto, mais importante do que os rumores locais é observar o que está sendo discutido nos bastidores da política nacional, especialmente em Brasília, onde se concentram as principais articulações partidárias.

A pré-candidatura de ACM Neto ao governo da Bahia em 2026 passou a enfrentar questionamentos depois que ele próprio admitiu publicamente ter recebido cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos por serviços de consultoria. O pagamento reacendeu debates sobre a viabilidade de sua candidatura, principalmente porque ocorreu em dezembro de 2022, logo após o término das eleições daquele ano.

Analistas políticos em Brasília afirmam que o episódio gerou inquietação entre lideranças nacionais de partidos importantes, como o União Brasil, o Progressistas e até o Partido Liberal. De acordo com esses analistas, existem conversas reservadas sobre a possibilidade de reavaliar o comando da chapa de oposição na Bahia, caso o desgaste político aumente.

Mesmo após a divulgação de um vídeo nas redes sociais explicando o caso, algumas perguntas continuam sendo feitas nos bastidores políticos:

  • Qual foi exatamente o serviço de consultoria prestado?

  • Quem foram os outros clientes da empresa ligada ao ex-prefeito e à sua esposa?

  • Por que o pagamento ocorreu logo após o processo eleitoral de 2022?

Essas dúvidas são utilizadas por adversários políticos para questionar a narrativa apresentada pelo ex-prefeito de Salvador.

Além disso, o cenário político da Bahia é considerado difícil para a oposição. O grupo governista conta com nomes fortes como o atual governador Jerônimo Rodrigues, além da influência política do ministro Rui Costa, do senador Jaques Wagner e do senador Otto Alencar. Ao mesmo tempo, setores ligados ao bolsonarismo pressionam para que o Partido Liberal lance um candidato próprio ao governo estadual, o que poderia dividir ainda mais o campo oposicionista.

Diante desse quadro, alguns analistas de Brasília consideram que a pré-candidatura de ACM Neto entrou em uma fase de maior incerteza política. Isso não significa, necessariamente, que ele desistirá da disputa, mas indica que o tema passou a ser debatido seriamente dentro das cúpulas partidárias.

Na política, contudo, cenários mudam rapidamente. Hoje questionamentos e especulações; amanhã podem surgir novos fatos que fortaleçam ou enfraqueçam qualquer candidatura. Por isso, antes de afirmar derrotas ou vitórias antecipadas, é prudente observar com atenção os movimentos reais da política nacional e estadual.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025).

Avanço de Flávio nas pesquisas leva PT a antecipar guerra digital para 2026


Campanha deve explorar rachadinhas e relações de Flávio

Luísa Marzullo
O Globo

O PT decidiu antecipar a ofensiva digital contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de pesquisa Datafolha que mostrou o bolsonarista tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de 2026. O levantamento aponta Lula com 46% das intenções de voto, contra 43% de Flávio, uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em dezembro, a vantagem do petista era bem mais confortável: 51% a 36%.

O resultado acendeu um sinal de alerta no governo. Interlocutores do Planalto avaliam que o desempenho do senador reflete um momento de desgaste político da gestão petista, em meio à repercussão de investigações que atingem o entorno do presidente. Entre os episódios citados está a ofensiva da CPMI do INSS, que levou à quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu a medida.

CONFRONTO – Diante do novo cenário, dirigentes petistas passaram a defender a antecipação da estratégia de confronto com o senador. A ideia inicial da campanha era intensificar os ataques apenas após a janela partidária, quando o cenário eleitoral estaria mais definido. A repercussão da pesquisa, porém, levou integrantes da direção e da comunicação do partido a defender uma reação imediata.

O pontapé inicial da ofensiva foi dado nesta semana pelo secretário de Comunicação do PT, Eden Valadares, que gravou um vídeo divulgado nas redes sociais. No material, aparecem imagens de Flávio Bolsonaro, e o dirigente tenta relativizar o impacto das pesquisas.

“Só sair pesquisa eleitoral e as torcidas do Brasil reagem. Quem está na frente comemora, quem está atrás se desespera. Mas pesquisa é foto de momento. Não é razão nem para alegria, nem para agonia”, afirma Valadares no vídeo.

ASSOCIAÇÃO – A gravação também menciona diretamente o senador e tenta associá-lo a acusações recorrentes contra o bolsonarismo. “Agora, ao ter Flávio, o filho que quer ser candidato, acusado de corrupção e envolvimento com milícia, vamos lembrar o que disse Bolsonaro”, diz o dirigente, antes de reproduzir um trecho de declaração do ex-presidente sobre interferência na segurança no Rio.

Nos bastidores, a estratégia petista foi organizada em alguns eixos. Um deles busca explorar as relações políticas da família Bolsonaro no Rio de Janeiro e episódios que integrantes do partido tratam como “contradições do discurso anticorrupção” do bolsonarismo.

Entre os temas que devem aparecer nas peças digitais está o esquema das rachadinhas investigado no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O caso envolve suspeitas de que assessores repassavam parte dos salários ao então deputado estadual, prática conhecida como rachadinha.

MOVIMENTAÇÕES ATÍPICAS – À época, as investigações apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas do ex-assessor Fabrício Queiroz, que operava as transações e chegou a ser preso em 2020. Relatórios do Coaf indicaram depósitos e saques de valores elevados em suas contas, além de transferências para pessoas do entorno da família Bolsonaro.

Também devem ser retomados episódios como os depósitos feitos por Queiroz na conta da então primeira-dama Michelle Bolsonaro e a evolução patrimonial da família ao longo dos anos. Outro ponto que deve aparecer no material preparado pela comunicação do partido envolve as operações imobiliárias da família Bolsonaro, incluindo levantamentos sobre a compra de imóveis com pagamento em dinheiro vivo.

RELAÇÕES PERIGOSAS – A estratégia digital também prevê tentar relacionar o senador e a família Bolsonaro a aliados políticos no Rio de Janeiro. Um dos exemplos citados por integrantes do partido é o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ), que foi preso no ano passado em operação policial e está afastado do comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

A ideia da legenda é explorar essas relações para sustentar a narrativa de proximidade do grupo político com personagens envolvidos em investigações. A intenção é reorganizar esses episódios em vídeos curtos e peças para redes sociais que confrontem o discurso anticorrupção adotado pelo bolsonarismo em 2018 com a trajetória política da família.

BOLSONARISMO MODERADO –  A ofensiva também mira a tentativa do senador de se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo. Integrantes da comunicação do PT pretendem resgatar declarações e votações de Flávio no Senado, além de posicionamentos durante o governo de Jair Bolsonaro, para sustentar a narrativa de que ele participou da condução política do governo e representa continuidade direta do projeto do pai.

Entre os episódios que devem ser explorados estão a atuação do senador na defesa pública do governo durante a CPI da Covid, críticas recorrentes ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a ministros da Corte, além de manifestações de apoio a pautas centrais do bolsonarismo, como a flexibilização do acesso a armas, críticas ao sistema eleitoral e a defesa de aliados do ex-presidente investigados em diferentes inquéritos.

Além da disputa nas redes, a estratégia inclui o Congresso como palco político. Petistas falam em usar CPIs em vigência, como as do INSS e do Crime Organizado, para apresentar requerimentos de informação e fazer discursos em plenário que levantem temas ligados ao entorno político e financeiro da família Bolsonaro, criando fatos políticos que depois possam ser amplificados no debate digital.

“MATERIAL NOVO” – Nas conversas internas aparece ainda um eixo tratado como possível “material novo” para a disputa. Dirigentes mencionam a tentativa de obter denúncias ou fatos novos contra o senador.

Parte dessa linha já começa a aparecer em declarações públicas de integrantes do partido. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) tem tentado vincular o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo.

“Queremos que esta investigação sobre o BolsoMaster seja levada às últimas consequências, porque o Brasil precisa conhecer o subterrâneo desse banqueiro que era dono de um banco pequeno e que se tornou bilionário a partir de decisões que foram adotadas dentro do governo Bolsonaro. O escândalo do Banco Master é filho legítimo de Jair Messias Bolsonaro e de seu governo”, afirmou.

ATAQUES –  Do lado do senador, a avaliação é que a ofensiva do PT confirma que o partido passou a tratar sua eventual candidatura como uma ameaça real na disputa de 2026. Interlocutores envolvidos na estratégia de Flávio afirmam que a campanha trabalhava com a hipótese de ataques mais intensos apenas após a janela partidária, quando o cenário eleitoral estaria mais consolidado.

Aliados do parlamentar dizem que o grupo já esperava investidas relacionadas a episódios como o caso das rachadinhas ou a supostas ligações com milicianos e afirmam que a campanha tem respostas preparadas para esse tipo de ataque. Em contrapartida, pretendem reagir explorando episódios associados ao PT, como a Operação Lava-Jato, período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser preso, além do escândalo do Mensalão e de investigações mais recentes que atingem o entorno do governo, como as fraudes no INSS investigadas pela CPMI, que chegaram ao Lulinha, filho do presidente.

Reservadamente, integrantes da pré-campanha avaliam que a antecipação da ofensiva reforça a leitura de que o senador passou a ser visto pelo PT como um adversário competitivo na disputa presidencial.

Entre a Empatia e a Hipocrisia: a Doença de Bolsonaro e a Lição da Lei do Retorno na Política Brasileira

 

Entre a Empatia e a Hipocrisia: a Doença de Bolsonaro e a Lição da Lei do Retorno na Política Brasileira


Por José Montalvão


O ex-presidente Jair Bolsonaro encontra-se internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral, de provável origem aspirativa. Trata-se de um quadro clínico que exige cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso. Em situações como essa, o mais natural e humano é que familiares demonstrem preocupação e busquem as melhores condições possíveis para a recuperação de quem está doente.

Foi nesse contexto que o senador Flávio Bolsonaro voltou a defender a possibilidade de prisão domiciliar para o pai. O comentário, no entanto, gerou forte repercussão no debate público, especialmente após análise feita pelo jornalista Reinaldo Azevedo, que chamou atenção para aquilo que considera uma contradição recorrente na política brasileira: a tendência de alguns atores políticos em “hiper-humanizar” os seus, enquanto desumanizam completamente os adversários.

A reflexão proposta por Azevedo não se limita a um episódio isolado. Ela toca em uma ferida mais profunda da política nacional: o uso seletivo da empatia. Em muitos momentos do debate político recente, especialmente nas redes sociais, vimos manifestações duras, desrespeitosas e até cruéis dirigidas a adversários políticos e seus familiares.

É impossível esquecer, por exemplo, as manifestações de ódio que circularam quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou momentos pessoais dolorosos, como a morte de familiares próximos, incluindo sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva. Em diversas ocasiões, a tragédia pessoal foi tratada por alguns setores com desprezo, ironia ou indiferença — atitudes que ferem qualquer princípio básico de humanidade.

A política, quando perde o limite ético e moral, acaba contaminada por uma lógica perigosa: a de que o sofrimento do outro pode ser relativizado se ele estiver do “lado oposto”. Esse tipo de comportamento não engrandece o debate democrático; ao contrário, empobrece a convivência social e aprofunda divisões.

Por isso, muitos recorrem a uma ideia antiga, presente tanto na sabedoria popular quanto em diversas tradições morais: a chamada lei do retorno”. Em termos simples, trata-se do princípio de que aquilo que semeamos — em palavras, atitudes e comportamentos — tende, cedo ou tarde, a voltar para nós.

Não se trata de desejar sofrimento a ninguém. Pelo contrário. A verdadeira lição é justamente o oposto: nunca devemos desejar ao próximo aquilo que não queremos que aconteça conosco. A dor, a doença e o luto fazem parte da condição humana e atingem pessoas de todas as posições políticas, ideológicas ou sociais.

Em momentos de enfermidade, como o que vive agora Jair Bolsonaro, o que se espera de uma sociedade civilizada não é a reprodução do ódio que marcou tantos episódios do debate público. O que se espera é humanidade.

Talvez essa seja a maior lição que a política brasileira ainda precisa aprender: a empatia não pode ser seletiva. Ela deve existir para todos — aliados e adversários — porque, no fim das contas, antes de sermos militantes, eleitores ou líderes políticos, somos todos seres humanos.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025).

Com resistência de Alcolumbre, CPI do INSS pede ao STF prorrogação dos trabalhos

Com resistência de Alcolumbre, CPI do INSS pede ao STF prorrogação dos trabalhos

Por Redação

14/03/2026 às 17:00

Foto: Marcos Oliveira/Arquivo/Agência Senado

Imagem de Com resistência de Alcolumbre, CPI do INSS pede ao STF prorrogação dos trabalhos

Davi Alcolumbre

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar prorrogar seus trabalhos. Parlamentares alegam que o presidente do Senado Federal do Brasil, Davi Alcolumbre, não analisou o pedido de extensão do prazo da comissão, atualmente previsto para terminar em 28 de março. Com informações do jornal O Globo.

O pedido foi apresentado por integrantes da CPI, entre eles o senador Carlos Viana e os deputados Alfredo Gaspar e Marcel Van Hattem. No mandado de segurança enviado ao ministro André Mendonça, eles afirmam que há um “ato omissivo” da Mesa Diretora do Congresso ao não dar andamento ao requerimento que pede mais 120 dias de investigação.

Segundo os parlamentares, a comissão ainda precisa analisar milhares de documentos e ouvir personagens centrais das investigações, além de dados obtidos por quebra de sigilo ligados ao empresário Daniel Vorcaro. Eles argumentam que impedir a prorrogação da CPI comprometeria o direito de investigação do Parlamento sobre possíveis fraudes contra aposentados e pensionistas do país.

Politica Livre 

Em destaque

EDITORIAL: O STF e o Espelho da Urna – Por que a Culpa não é Apenas da Toga, mas de Quem Vota

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Jrnoticias (Junior de Santinha ) (@jrnoticias.com.br)   EDITORIA...

Mais visitadas