sábado, fevereiro 28, 2026

Março Mulher: Da Conquista do Voto à Força Feminina nos Espaços de Decisão

 

Nota da Redação Deste Blog - O encontro divulgado, reunindo a presidenta do PT de Antas, Luísa Montalvão, e a assessora Cláudia Fonseca, para dialogar sobre as ações do chamado “Março Mulher”, não pode ser visto como um simples ato protocolar. Trata-se de um gesto político que carrega simbolismo e responsabilidade. O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, representa muito mais do que homenagens: é um período de reflexão, reivindicação e reafirmação de direitos historicamente conquistados com luta e resistência.

Quando o texto destaca que foi um momento de “escuta, construção e fortalecimento da luta das mulheres”, aponta para algo essencial na política contemporânea: ouvir é governar com responsabilidade. A presença feminina nos espaços de decisão não é favor, nem concessão — é necessidade democrática. Uma sociedade que exclui as mulheres das instâncias de poder compromete a própria ideia de justiça social.

É preciso lembrar que os direitos políticos das mulheres no Brasil não surgiram por benevolência, mas por pressão e mobilização. Há 94 anos, durante o governo do presidente Getúlio Vargas, foi reconhecido o direito de voto feminino por meio do Código Eleitoral de 1932. Esse marco histórico representou uma ruptura com séculos de exclusão política e abriu caminho para que, gradualmente, as mulheres ocupassem espaços antes restritos aos homens.

De lá para cá, os avanços são inegáveis, mas os desafios permanecem. A sub-representação feminina em cargos eletivos ainda é uma realidade em muitos municípios e estados brasileiros. Por isso, iniciativas que promovem o debate, a formação política e o fortalecimento da participação feminina são fundamentais.

A frase “Lugar de mulher é onde ela quiser” sintetiza uma mudança cultural profunda. A mulher pode e deve estar na política, na gestão pública, nos movimentos sociais, no mercado de trabalho e onde mais decidir estar — não por imposição ideológica, mas por direito constitucional e cidadania plena.

Mais do que palavras de efeito, o verdadeiro compromisso se mede por ações concretas: incentivo à participação, combate à violência política de gênero, garantia de igualdade de oportunidades e políticas públicas que enfrentem desigualdades históricas.

O encontro mencionado, portanto, simboliza algo maior: a continuidade de uma luta que começou muito antes de 1932 e que segue viva. Democracia se fortalece quando inclui, quando escuta e quando amplia vozes. E a voz das mulheres é parte indispensável dessa construção.

José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025


Em tempo:

O encontro divulgado, reunindo a presidenta do PT de Antas, Luísa Montalvão, e a assessora Cláudia Fonseca, para dialogar sobre as ações do chamado “Março Mulher”, não pode ser visto como um simples ato protocolar. Trata-se de um gesto político carregado de simbolismo e responsabilidade. O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, representa muito mais do que homenagens: é um período de reflexão, reivindicação e reafirmação de direitos historicamente conquistados com luta e resistência.

Ao refazer este texto, faço questão de registrar uma menção que, de forma proposital, deixei de citar anteriormente: a atuação da deputada estadual Fátima Nunes, eleita 1ª vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Representando a presidente Ivana Bastos, durante a certificação do Selo Lilás 2025, Fátima Nunes enalteceu a iniciativa do governo baiano, desenvolvida por meio da Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), destacando os avanços conquistados na luta pelos direitos femininos. A pasta é dirigida pela deputada estadual licenciada Neusa Cadore.

Em sua manifestação, Fátima Nunes foi firme ao reafirmar um princípio que ecoa nas lutas históricas das mulheres:
“Lugar de mulher é onde ela quiser, mas não para ser tratada com injustiça, com desigualdade. No lugar onde nós estamos, precisamos ser respeitadas para desempenharmos funções de trabalho com tranquilidade. E por isso mesmo, na Assembleia Legislativa, nós temos feito esse trabalho de votar as leis importantes que asseguram o direito das mulheres.”

A fala reforça algo essencial: ocupar espaços não basta. É preciso garantir respeito, igualdade de condições e segurança institucional para que a presença feminina não seja simbólica, mas efetiva. Democracia não se constrói apenas com acesso — constrói-se com dignidade.

Ao chamar a atenção para a necessidade de denunciar a violência, a vice-presidente da ALBA foi além do discurso formal. Ela destacou que as mulheres são maioria na sociedade e, por isso, não podem se silenciar diante das injustiças. Ao mencionar a importância da aplicação integral da Lei Maria da Penha, enfatizou que não se trata apenas de punição, mas principalmente de prevenção — a parte inicial da lei, que busca evitar que a violência aconteça.

É preciso lembrar que os direitos políticos das mulheres no Brasil não nasceram por concessão graciosa. Em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, o Código Eleitoral reconheceu o voto feminino, rompendo com séculos de exclusão. Foi um marco histórico que abriu portas, mas não encerrou a luta.

De lá para cá, os avanços são inegáveis, mas a sub-representação feminina nos espaços de poder ainda é realidade em muitos municípios e estados. Por isso, encontros como o realizado em Antas e pronunciamentos como o de Fátima Nunes ganham relevância: eles reafirmam que a participação feminina precisa ser fortalecida continuamente, com políticas públicas concretas, combate à violência política de gênero e garantia de igualdade de oportunidades.

O verdadeiro compromisso com o “Março Mulher” não está apenas nas palavras, mas nas ações permanentes. Democracia se fortalece quando inclui, quando escuta e quando amplia vozes. E a voz das mulheres não é acessória — é indispensável na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A VERDADE QUE PRECISA SER DITA SOBRE O CEMITÉRIO DE JEREMOABO

 

                                      Foto Divulgaçao


A VERDADE QUE PRECISA SER DITA SOBRE O CEMITÉRIO DE JEREMOABO


Por José Montalvão


Caros leitores,


Em tudo na vida, a verdade deve prevalecer. E é justamente em nome da verdade — ainda que tardia — que escrevo este editorial para reconhecer um equívoco que, por décadas, muitos de nós cometemos: criticar injustamente os prefeitos de Jeremoabo pela falta de limpeza e manutenção do cemitério local.

A bem da verdade, é preciso deixar claro: a Prefeitura não tem obrigação legal de realizar a manutenção interna de um cemitério pertencente à Igreja Católica. Trata-se de propriedade privada da instituição religiosa. Cemitérios administrados por paróquias, dioceses ou irmandades são bens particulares da Igreja, cabendo a ela a responsabilidade pela conservação, limpeza, segurança e gestão das sepulturas.

À família do falecido compete a manutenção do túmulo. Ao Município, cabe apenas a fiscalização sanitária e a limpeza das vias públicas no entorno — não da área interna de um cemitério privado.

Portanto, é justo corrigir essa distorção histórica. Durante anos, prefeitos foram acusados por algo que, juridicamente, não lhes competia.

Contudo, a verdade precisa ser dita por completo.

Se por um lado a Prefeitura não é responsável pela manutenção interna, por outro lado há, sim, responsabilidade política e administrativa quando se permite, de forma questionável, a construção irregular em área estratégica destinada à ampliação de um cemitério já defasado e insuficiente para atender à população.

É público e notório que, na gestão do ex-prefeito conhecido como Deri do Paloma, foi autorizada a construção de uma nova capela no terreno em frente ao cemitério — área que poderia e deveria ter sido preservada para a expansão do campo santo. O máximo que se poderia admitir seria o alargamento ou melhoria da capela já existente, e não a edificação de uma nova estrutura que compromete a possibilidade de ampliação futura.

A decisão prejudicou toda a comunidade.

Mais grave ainda foi a postura das autoridades que tinham o dever de fiscalizar. Fecharam os olhos. Permaneceram cegas, surdas e mudas diante de uma situação que exigia responsabilidade e visão de longo prazo.

Não se trata de atacar fé ou instituição religiosa. Trata-se de planejamento urbano, respeito à coletividade e responsabilidade administrativa. O crescimento populacional é uma realidade. A insuficiência do espaço do cemitério é um fato. E decisões equivocadas cobram seu preço com o tempo.

A verdade, quando inteira, não protege nem acusa seletivamente — ela esclarece.

Que este editorial sirva não apenas para corrigir uma injustiça cometida contra gestores passados no que se refere à manutenção, mas também para reafirmar que o interesse público deve sempre prevalecer sobre decisões apressadas ou mal fundamentadas.

Em tudo na vida, a verdade deve prevalecer.

E quando ela prevalece, a consciência se tranquiliza.


BlogDedeMontalvao: Onde a verdade não tem mordaça.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

Israel e EUA bombardeiam o Irã enquanto Trump diz que ataques dão aos iranianos a chance de 'derrubar seus governantes'

 

Por JB INTERNACIONAL
redacao@jb.com.br

Publicado em 28/02/2026 às 06:47

Alterado em 28/02/2026 às 09:37

Orações durante o Ramadã, em Teerã Foto: Wana (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)


https://www.jb.com.br/mundo/2026/02/1058804-israel-e-eua-bombardeiam-o-ira-enquanto-trump-diz-que-ataques-dao-aos-iranianos-a-chance-de-derrubar-seus-governantes.html

EUA ignoram negociações nucleares e atacam o Irã em conjunto com Israel

 

EUA ignoram negociações nucleares e atacam o Irã em conjunto com Israel

Por Igor Gielow, Guilherme Botacini e Isabella Menon/Folhapress

28/02/2026 às 07:03

Foto: Reprodução/X

Imagem de EUA ignoram negociações nucleares e atacam o Irã em conjunto com Israel

Os Estados Unidos, em conjunto com Israel, realizam neste sábado (28) um devastador ataque contra o Irã na chamada "Operação Fúria Épica"

Os Estados Unidos, em conjunto com Israel, realizam neste sábado (28) um devastador ataque contra o Irã na chamada "Operação Fúria Épica". O futuro do regime islâmico instalado em 1979 e das relações de poder no Oriente Médio agora está em suspenso.

Explosões foram ouvidas no leste e no oeste de Teerã, segundo a mídia iraniana. A agência Tasnim publicou imagens de uma densa fumaça na capital do país, e o aeroporto Mehrabad teria sido atingido. O espaço aéreo do país, de acordo com a mesma agência, também foi fechado. Ainda não se sabe o número de vítimas, mas as Forças Armadas de Israel disseram ter atingido dezenas de alvos.

A ação ocorreu mesmo depois de ter sido marcada uma quarta rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que o presidente Donald Trump disse querer ver desmantelado completamente.

Horas depois, Teerã revidou e lançou mísseis em direção a Israel, que foram interceptados, segundo Tel Aviv. O país persa também atacou bases americanas no Oriente Médio, incluindo no Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano disse que os ataques contra o país tiveram como alvo uma série de instalações militares e civis em várias cidades, e que eles acontecem "no meio de um processo diplomático".

Pela rede Truth Social, Trump confirmou a operação em um vídeo de oito minutos. "Há pouco, os militares dos Estados Unidos iniciaram grandes operações de combate no Irã. O nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iranianos. Um grupo vicioso de pessoas terríveis", disse o republicano.

O ministro de Defesa de Israel também comentou sobre o ataque. "O Estado de Israel lançou um ataque preventivo contra o Irã para eliminar ameaças", disse Israel Katz.

Já o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que o ataque "criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome seu destino em suas próprias mãos".

Em comunicado, Bibi afirmou que Israel e EUA lançaram uma operação para "eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã". "Chegou a hora de todos os setores do povo no Irã se livrarem do jugo da tirania e trazerem um Irã livre e amante da paz", disse.

Não se sabe se o ataque atingiu, como era especulado, o líder supremo da teocracia. À agência de notícias Reuters, uma autoridade do regime iraniano afirmou Ali Khamenei não está na capital e foi transportado a uma localização segura.

Se, entretanto, Khamenei estiver morto, se tornará o primeiro chefe de Estado no poder assassinado por Washington na história. O iraniano de 86 anos liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.

As negociações ocorridas na quinta-feira (26) na casa do embaixador omani em Genebra eram consideradas cruciais. Ao fim delas, os mediadores e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciaram progresso e nova rodada em Viena na semana que vem.

Na terça-feira (24), Trump havia reiterado que preferia uma solução diplomática para a crise, mas que estava pronto para agir e impedir que o Irã obtivesse a bomba atômica.

Em junho do ano passado, Trump havia atacado três centrais nucleares do país no âmbito da guerra de 12 dias que o Irã travava com Israel, principal aliado dos EUA na região. O republicano se gabava de ter acabado com o programa iraniano —algo discutível, em especial à luz da nova ação.

O que se sabe, por meio da Agência Internacional de Energia Atômica, é que os iranianos haviam mantido 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto dos 80%-90% necessários para uma bomba nuclear completa, mas suficientes para talvez 15 artefatos limitados.

Em janeiro, o presidente dos EUA havia ameaçado atacar sob o pretexto de evitar morte de manifestantes que participavam dos maiores protestos contra a teocracia desde sua criação, iniciados pela crise econômica aguda do país, mas ampliados pela insatisfação generalizada.

Trump chegou a dizer que "a ajuda estava a caminho", só que, sem forças mobilizadas para uma ação maior, voltou atrás. Israel também pediu "mais tempo" para se preparar para o conflito.

Houve pressão adicional de aliados árabes do golfo Pérsico, preocupados com o espraiamento do conflito para o estreito de Hormuz, onde o Irã prometia retaliar contra 20% do tráfego de petróleo e gás liquefeito do mundo em caso de ataque.

Ao mesmo tempo, os EUA reabriram as negociações, que ao fim não deram em nada porque Trump exigia o fim do programa nuclear e a limitação das capacidades balísticas iranianas, uma cortesia a Israel. Os iranianos prometeram apenas reduzir o grau de enriquecimento de seu urânio e renunciar à bomba em troca do fim de sanções, em termos semelhantes ao do acordo de 2015 abandonado pelo americano em 2018.

O destino de Khamenei é desconhecido. Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais na história recente, mas nunca diretamente. O ditador iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, foi capturado por americanos em 2003, após a invasão de seu país, mas acabou enforcado após julgamento em uma corte local três anos depois.

Já o ditador líbio Muammar Gaddafi, que sobrevivera a um bombardeio americano em 1986, foi morto por rivais numa sarjeta em 2011 após ser destituído na esteira de uma ação ocidental autorizada pela ONU com participação dos EUA.

Sob Trump, se havia regra limitando ações diretas, isso mudou. Em 3 de janeiro, o americano havia capturado o ditador Nicolás Maduro e sua mulher num ataque à Venezuela, de resto uma aliada do Irã, da Rússia e da China.

Se a teocracia foi decapitada, o que acontece agora é incerto e depende do escopo e da duração da operação americana, que pode visar a destruição da cadeia de comando da Guarda Revolucionária, o principal ente militar da pais.

Do ponto de vista sucessório, no caso da ausência do líder é prevista a criação de uma junta formada pelo presidente do país, Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões, órgão com 6 clérigos e 6 juristas.

O grupo governa até a reunião dos 88 membros da Assembleia de Peritos, clérigos eleitos mas que precisam do aval do Conselho, que definirá o nome do sucessor de Khamenei. Com a suspeita morte em acidente aéreo do presidente radical Ebrahim Raisi, em 2024, o favorito era um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, 56.

Nada disso é provável com o país sob ataque. A chance de a Guarda tomar as rédeas, se sobreviver de forma organizada, não é desprezível também, tornando o autocrático Estado religioso numa ditadura militar sob linhas semelhantes.

Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.

Este era um temor de ativistas, que buscaram eleger a figura do filho do xá deposto pelos aiatolás, Reza Pahlavi, como nome consensual, o que parecia ilusório dado o distanciamento do príncipe homônimo, radicado nos EUA.

O príncipe herdeiro do Irã afirmou neste sábado que a ajuda esperada dos EUA chegou. "Trata-se de uma intervenção humanitária e seu alvo é a República Islâmica, seu aparato de repressão e sua máquina de matar, não o grande país e nação Irã", disse ele, também pelas redes sociais.

Politica Livr

Alcolumbre analisa material da CPI para decidir sobre quebra de sigilo de Lulinha

Alcolumbre analisa material da CPI para decidir sobre quebra de sigilo de Lulinha

Por Augusto Tenório e Carolina Linhares/Folhapress

28/02/2026 às 07:16

Foto: Carlos Moura/Arquivo/Agência Senado

Imagem de Alcolumbre analisa material da CPI para decidir sobre quebra de sigilo de Lulinha

Davi Alcolumbre

Parlamentares governistas e de oposição apresentam argumentos técnicos distintos para justificarem sua posição na votação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS que autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de um dos filhos do presidente Lula (PT), Fábio Luís, conhecido no mundo político como Lulinha.

A votação, que ocorreu nesta quinta-feira (26), foi seguida de bate-boca e agressões e virou alvo de disputa regimental. O caso foi parar no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que foi instado a decidir sobre a validade da decisão. Integrantes governistas da CPI apresentaram a Alcolumbre um recurso por escrito pedindo a anulação da votação por fraude.

Até o momento, o presidente do Senado mantém silêncio sobre o assunto. Um senador próximo a Alcolumbre afirmou que ele se manteve imparcial ao ouvir a demanda de governistas pela anulação.

Lulinha é alvo da CPI pelo suposto envolvimento com o lobista Antônio Camilo, conhecido como Careca do INSS, acusado de ter facilitado os descontos indevidos nas aposentadorias de beneficiários do INSS. O lobista teria ordenado um pagamento de R$ 300 mil a uma empresária que é ligada ao filho do presidente.

A defesa de Lulinha afirma que ele não teve nenhuma participação nas fraudes do INSS e não cometeu nenhum crime.

A celeuma na CPI envolve diferentes interpretações do regimento do Congresso, com divergências a respeito de quantidade de votos, quórum (quantidade mínima necessária de presentes) e método de votação.

A aposta é que o chefe da Casa convoque a oposição, incluindo o presidente da CPI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), para conversar sobre o ocorrido. Ele também analisará as imagens da votação.

Um outro aliado próximo a Alcolumbre acredita que o presidente do Senado não terá alternativa a não ser anular a quebra de sigilo de Lulinha e os demais requerimentos votados na CPI. A avaliação é que, se deixar o jogo correr como está, futuras votações simbólicas serão alvo de confusão na Casa. Mas há também quem aposte que ele vai evitar deliberar e protelar o caso.

De toda forma, uma decisão só deve ser anunciada por Alcolumbre no meio da próxima semana.

Os registros da sessão da CPI mostram que 38 congressistas estiveram presentes no total, entre titulares e suplentes. A CPI mista é composta por 32 membros titulares e 32 membros suplentes, igualmente divididos entre senadores e deputados.

A sessão tinha 87 requerimentos em pauta, incluindo o de Lulinha. Antes da análise do mérito, os parlamentares decidiram por volta das 11h, em votação nominal, que os pedidos seriam apreciados em bloco. O painel registrou 31 presentes, incluindo o presidente. Nessa votação, participaram os titulares e também suplentes, quando o titular estava ausente.

Na sequência, por volta das 11h30, o presidente da CPI, o senador Carlos Viana, anunciou votação simbólica para aprovar os requerimentos (que incluíam pedidos de informação, de quebras de sigilo e de convocações de uma série de pessoas). Nesse modelo, quem concorda permanece sentado e quem discorda se manifesta. Ele declarou haver sete votos contrários e proclamou a aprovação.

A partir daí, houve o bate-boca e as agressões.

Deputados aliados ao governo Lula contestaram a contagem e afirmam que 14 parlamentares estavam de pé. A reportagem identificou ao menos 12 na transmissão da TV Senado. Essa é a primeira divergência entre os dois lados.

A segunda divergência diz respeito ao quórum. Os governistas afirmam que havia 21 parlamentares no momento da votação, portanto o resultado teria sido de 14 votos contrários a 7 favoráveis. Mas Viana considera 31 presentes, como foi registrado pelo painel na votação anterior. Se Viana estiver certo, eram necessários 16 votos —e não 14— para formar maioria e, portanto, os governistas perderam.

No recurso apresentado a Alcolumbre, aliados do governo afirmam que não seria possível considerar 31 presentes porque suplentes participaram da votação nominal anterior, mas estavam impedidos de votar na etapa simbólica.

Aqui entra o terceiro ponto de divergência: por que a segunda votação não foi feita pelo painel, o que acabaria com as dúvidas sobre a quantidade de votos? O regimento interno do Congresso diz que quando houver uma verificação de votação, ou seja, uma votação nominal pelo painel, "não será permitida nova verificação antes do decurso de uma hora".

A verificação da primeira votação ocorreu por volta de 11h, portanto não havia ainda se passado uma hora para que uma nova votação nominal fosse realizada. A oposição argumenta que a realização de uma votação simbólica foi o procedimento correto, portanto.

Logo após a votação, Viana, que faz oposição a Lula mas diz conduzir um trabalho técnico na comissão, deu entrevistas afirmando que, por duas vezes, contou apenas sete votos contrários. Mais tarde, ele afirmou que a foto mostra 14 votos, mas disse que não errou na conta e que tem confiança de que Alcolumbre vai manter sua decisão.

"A foto mostra 14, possivelmente depois eles levantaram. Na hora em que eu contei, contei duas vezes, tinham 7 parlamentares de pé. [...] Se eles provarem que eu estava errado, e Mesa Diretora entender que houve [erro], nós vamos discutir", declarou.

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