quarta-feira, fevereiro 11, 2026

O trem da alegria

 

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Arte: Marcelo Chello

Huguito Motta, o dono da Câmara frigorífica, veio hoje a São Paulo, foi lá no banco do Andrezito e tinha muito a dizer sobre os penduricalhos dos servidores: “não foi um trem da alegria como foi passado para a sociedade”. Ah, bom! Tudo explicado, BRASEW. A gente é que está no trem da alegria errado!!!!

A treta é a seguinte. O Congresso aprovou a toque de caixa um projeto de lei que não só aumenta os salários dos servidores da Câmara como cria uma série de penduricalhos, inclusive a jornada 3x1, para quem já ganha um alto salário. Só sei que uma galera poderá ganhar muito mais do que o teto constitucional permitido, que é o salário de um ministro supremo: 46 mil reais. Isso, darling, com essa nova lei (que ainda precisa da sanção de Lula), vai ter gente que poderá ganhar 77 mil reais em alguns meses. Desculpa aí, Huguito, eu mesma queria estar nesse trem da infelicidade. Sim, porque, se não é da alegria, é da tristeza, né?

Mas Huguito não parou por aí. Ele ainda disse que o supremo Dino foi muito feliz em suspender os penduricalhos. Como assim, Tixa? Não faz sentido. É que o ministro supremo suspendeu os penduricalhos não previstos em lei. Ou seja, assim que Lula sancionar (ou, caso vete, assim que o Congresso derrubar o veto), os tais penduricalhos serão previstos em lei e aí vai ser aquele trem da alegria, digo, da tristeza sem fim.

Parou por aí? Not. Huguito defendeu também as emendas parlamentares, dizendo que só assim tem progresso nos rincões do Brasil (só não esclareceu progresso de quem). Huguito, darling, tudo bem ter emendas, mas por que mesmo o Congresso se recusa a dar transparência total? Só perguntando.

Hoje em dia, todo mundo sabe que as emendas parlamentares viraram um toma lá dá cá, e o governo federal só consegue aprovar alguma coisa se liberar o dinheiro (que é do orçamento público). Só no começo deste ano, o governo Lula já liberou R$ 1,5 bi em emendas. Ano eleitoral, BRASEW.

Mas Huguito também garantiu que não sabe ainda quem apoiará para presidente na eleição. Então tá.

O penduricalho opaco

Por falar em penduricalho, tem um ministro do Superior Tribunal de Justiça (não confunda com o Supremo Tribunal Federal) que está sendo acusado de importunação sexual por uma jovem de 18 anos e assédio por uma ex-assessora terceirizada do seu gabinete. O ministro Marco Buzzi foi até afastado.

Daí alguns jornalistas foram atrás de saber como andavam os penduricalhos do Buzzi e, adivinha: só em setembro do ano passado ele ganhou de salário R$ 260 mil. Sim, darling, assim como você, eu também não acreditei. Fui lá conferir nos dados dos salários dos ministros e estava lá. Além do salário e de outras coisitas más, aparece um “retroativo opaco” de R$ 204 mil. Juro que está escrito “retroativo opaco”. E não parou por aí. Em outubro, o salário foi de R$ 100 mil; em novembro, de R$ 112 mil; e em dezembro, de R$ 143,6 mil.

Mas certamente deve ser tudo penduricalho dentro da lei e nada desse trem da alegria que querem que você acredite.

Por falar em Transparência…

A ONG Transparência Internacional divulgou hoje a lista dos países com maior índice de percepção de corrupção, e o Brasil continuou mal na foto. A nota deste ano foi a pior de todos os tempos. A ONG destaca, adivinha o quê? O Banco Master, os ministros supremos com os contratos com Daniel Vorcaro e o resort Tayayá, o golpe nos aposentados do INSS. Essas coisas. Mas a Controladoria-Geral da União (que é o ministério que cuida para manter a corrupção controlada) criticou a forma como o índice é feito, afirmando que ele não mostra a corrupção real. É verdade, não mostra mesmo. Como bem diz a ONG, é um índice de percepção de corrupção. Nunca saberemos se o índice real é maior ou menor.

Tixa nas Eleições 2026

Só um bate-papo

O João Campos, prefeito de Recife e que é do PSB, foi lá bater um papo com Lula e deu o recado: o partido quer manter Geraldo Alckmin como vice na sua chapa. Mas o João garantiu que quem fala por si mesmo é o Alckmin. Claro, claro.

Como vocês já leram por aqui, discute-se tudo hoje em dia sobre quem será o vice de Lula, numa tentativa de atrair o Centrão. Agora estão dizendo que era tudo balão de ensaio e que Alckmin será, sim, o vice. Ahã, claro. Não quero fazer intrigas, mas foi o próprio Lula quem lançou o balão, ao dizer em entrevista que precisava do Alckmin em São Paulo.

Qual MDB?

Mas parte da discussão de fato parece ser balão de ensaio. Lembram que ontem vocês leram aqui que o Planalto estaria tentando atrair o MDB para a chapa? Então, hoje já saiu outro balão de ensaio dizendo que o Baleia Rossi, que é o presidente do MDB, negocia ser vice na chapa do Tarcísio. Daí conflita, né? Tudo bem que cada MDB é um MDB, mas isso está vida loka. O MDB anda soltando por aí que o Kassab tretou com o Tarcísio e está propenso a ficar com Lula nas eleições.

Daqui até outubro, essas notícias vão ir e voltar o tempo todo, darling. Mas vou te deixar bem informado de todo vai e vem.

Ressuscitando

E o PT está total no modo “precisamos fazer deputados e senadores”. Até o Jean Wyllys já anunciou que vai ser candidato a deputado federal por São Paulo, a convite do PT.

Além dos penduricalhos

O Datena fechou um contrato de R$ 1,4 milhão com a Empresa Brasil de Comunicação, a EBC, aquela que faz a TV Brasil do governo, até 2027. Vai apresentar um programa para falar de segurança pública. Ahã, Datena estará na TV do governo, bem no ano da eleição, com um programa para falar de segurança pública.

Eu não sei vocês, mas eu vou ali correndo tentar pegar o trem da alegria, BRASEW.

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Servidora do STJ relatou assédio dentro de gabinete de Buzzi e selou afastamento do ministro

 

Servidora do STJ relatou assédio dentro de gabinete de Buzzi e selou afastamento do ministro

Posição de hierarquia agravou percepção dos colegas sobre gravidade do caso

Por Luísa Martins/Folhapress

10/02/2026 às 18:30

Foto: Gustavo Lima/STJ/Arquivo

Imagem de Servidora do STJ relatou assédio dentro de gabinete de Buzzi e selou afastamento do ministro

O ministro Marco Buzzi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça)

A segunda acusação feita contra o ministro Marco Buzzi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), partiu de uma servidora, que relatou episódio de assédio sexual dentro do gabinete do magistrado. O fato de o ato ter ocorrido, segundo a denunciante, dentro das dependências da corte selou a decisão unânime de afastá-lo do cargo.

De acordo com relatos feitos ao jornal Folha de São Paulo, na sessão desta terça-feira (10), foram lidos trechos dos dois depoimentos prestados até agora pelas duas mulheres que se dizem vítimas do ministro. A primeira é filha de um casal de amigos do magistrado, que narra ter sido agarrada durante um banho de mar. A segunda é uma funcionária terceirizada do STJ.

O relatório foi apresentado pelo decano, ministro Francisco Falcão, presidente da comissão responsável pela condução da sindicância. Ele substituiu Isabel Gallotti, que se declarou impedida devido a laços familiares com Buzzi. Além de Falcão, compõem o grupo outros dois homens —os ministros Raul Araújo e Antonio Carlos Ferreira.

Em manifestação a colegas na segunda (9), Buzzi afirmou que provará sua inocência diante das denúncias de assédio sexual contra ele. Também disse estar "muito impactado" e jamais ter adotado "conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura".

A declaração foi dada em mensagem enviada em grupo de WhatsApp dos ministros do STJ. Foi a primeira manifestação dele aos colegas desde a primeira notícia sobre as denúncias, na semana passada.

Nesta terça, três ministros ouvidos reservadamente pela Folha afirmaram que o clima no plenário era de perplexidade —um deles classificou o relatório como "avassalador". A posição de hierarquia entre a servidora e o ministro agravou a percepção dos colegas sobre a gravidade do caso. A opinião majoritária do STJ já era pela aplicação de uma punição ao magistrado, mesmo antes do fim das investigações, mas foi intensificada após a segunda denúncia.

Na semana passada, durante a sessão secreta em que foi decidida a abertura da sindicância, dos 32 votantes os ministros Og Fernandes, Sérgio Kukina, Raul Araújo, Regina Helena Costa e Isabel Gallotti não viram infração disciplinar a ser apurada.

Eles argumentaram, na ocasião, que o ato do qual Buzzi é suspeito não teria relação direta com o exercício da magistratura —portanto, a investigação deveria ficar restrita à seara criminal, em trâmite no STF (Supremo Tribunal Federal), sendo desnecessários procedimentos no âmbito do STJ e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Três desses ministros (Regina, Isabel e Fernandes) faltaram à sessão desta terça —o STJ disse que as ausências foram justificadas, mas não detalhou os motivos. Os outros dois acabaram votando pelo afastamento cautelar, já que nova denúncia menciona um delito que teria sido praticado dentro do tribunal.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, ouviu a ex-servidora nesta segunda-feira —a denunciante ainda é terceirizada no STJ, mas não mais no gabinete de Buzzi. Outros três funcionários foram convocados a depor para o aprofundamento das apurações.

O STJ voltará a deliberar sobre o futuro do magistrado ao fim dos trabalhos da comissão de sindicância que investiga os episódios. Isso acontecerá em uma sessão do plenário no dia 10 de março.

A tendência é que a investigação resulte na aposentadoria compulsória do magistrado. Para que isso aconteça, são necessários 22 votos dos 33 membros do tribunal.

Os advogados de Buzzi afirmam que o ministro "não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbito dos procedimentos já instaurados". A nota diz que o vazamento de informações busca "constranger o devido processo legal e influenciar indevidamente futuras decisões judiciais".

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Análise sobre extradição será retomada nesta quarta (11)

Por Michele Oliveira/Folhapress

10/02/2026 às 17:30

Atualizado em 10/02/2026 às 21:46

Foto: Luiz Macêdo/Câmara dos Deputados/Arquivo

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A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)

Em derrota para a defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), a Corte de Apelação de Roma, na Itália, rejeitou nesta terça-feira (10) o pedido para que fosse substituído o colégio de juízes responsável por analisar o processo de extradição para o Brasil.

Com isso, o tribunal vai retomar o julgamento do caso nesta quarta (11), em nova audiência marcada para às 10h (6h de Brasília).

A solicitação para a troca de magistrados foi examinada pela 1⁠ª seção penal da corte –os juízes mantidos na análise da extradição fazem parte da 4⁠ª seção penal. A defesa pode recorrer à Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano.

A iniciativa de Zambelli de pedir a troca de magistrados, que acabou negada, surgiu a partir da decisão da corte de suspender a sessão do dia 20 de janeiro, por falta de tempo para examinar uma série de pedidos apresentados pela defesa.

Um deles era para que Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), fosse ouvido como testemunha. Tagliaferro foi acusado de vazar mensagens de integrantes do gabinete de Moraes para obstruir investigações sobre a trama golpista. Ele está na Itália, impedido pela Justiça de deixar o país enquanto aguarda a tramitação de seu processo de extradição.

Os advogados da ex-deputada também haviam solicitado o acesso a mais informações sobre o Colmeia, o cárcere no Distrito Federal onde Zambelli deverá cumprir sua pena no Brasil, e a documentação sob sigilo do julgamento ocorrido no Brasil.

A ex-deputada e seu advogado Pieremilio Sammarco entenderam o adiamento da sessão como uma rejeição às demandas deles, classificaram os juízes de "hostis" e formalizaram dias depois a solicitação de substituição da corte.

Para o advogado Alessandro Gentiloni, que representa o Brasil no processo por meio da AGU (Advocacia Geral da União), não havia fundamentos para a troca de juízes.

"Do nosso ponto de vista, foi uma manobra destinada a ganhar tempo. Estamos satisfeitos que a corte tenha se organizado para decidir antes da audiência de amanhã [esta quarta]", disse Gentiloni à Folha após a sessão desta terça.

A sessão desta quarta será uma continuação da audiência do dia 20 de janeiro, e o tribunal poderá retomar a avaliação dos pedidos apresentados pela defesa.

Será uma audiência extraordinária, fora da pauta do dia, para que haja tempo para que todas as partes se manifestem. É possível que uma decisão sobre a extradição seja tomada após a sessão e seja comunicada nos próximos dias.

Zambelli, que participou da audiência por vídeo do presídio de Rebibbia, está detida há seis meses na Itália, depois de ficar dois meses foragida. O julgamento de sua extradição já foi adiado três vezes desde o fim de novembro. Pouco antes do Natal, o tribunal concedeu mais tempo para que a defesa analisasse documentação enviada pelo Brasil sobre as condições carcerárias. Antes, a defesa havia aderido a uma greve e, em outra ocasião, o tribunal pediu tempo para analisar papéis apresentados pelos advogados da ex-deputada.

Se for extraditada, o tempo de prisão na Itália será descontado do restante da pena a ser cumprido no Brasil.

A deputada se diz vítima de perseguição política pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e fugiu do país em junho para escapar da pena de dez anos de prisão referente à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes. Quando já estava na Itália, foi condenada a outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Os dois casos compõem um único processo de extradição.

A Corte de Apelação de Roma atua como primeira instância nesse caso. Após a decisão do tribunal, as partes poderão recorrer. A palavra final sobre a extradição caberá ao governo italiano, por meio do Ministério da Justiça.

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