terça-feira, janeiro 06, 2026

Na ONU, Brasil rejeita ação militar dos EUA na Venezuela e critica lógica da força


Embaixador Sérgio Danese afirmou que ação abre precedentes

Deu no G1

O Brasil condenou nesta segunda-feira (5) no Conselho de Segurança da ONU a intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”.

Danese afirmou que esse raciocínio “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos.” “O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, pontou.

ALINHAMENTO – A declaração está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia da ação norte-americana. A informação foi adiantada pelo blog do Valdo Cruz. “O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela. Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.

ESCOLHA PELA PAZ –  Sérgio Danese ainda ressaltou que a América Latina e o Caribe fizeram a escolha pela paz e lembrou que as intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas, pois produziram regimes autoritários e violações de direitos.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não ingerência”, argumentou.

O embaixador do Brasil na ONU ainda frisou que o Brasil acredita numa solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano com foco na Constituição do país, e que a ação americana afeita a comunidade internacional. “Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei”, afirmou.

Bolsonarismo aposta em Flávio, mas chega fragmentado à disputa de 2026

 


Lula larga na frente, mas eleição de 2026 ainda é uma incógnita


Sistema financeiro reage a inspeção do TCU e sai em defesa da independência do BC


Entidades reiteraram que depositam plena confiança no BC

Alexandro Martello
G1

Onze entidades do setor financeiro, bancário, de meios de pagamento e do mercado de capitais divulgaram nesta segunda-feira (5) nota de apoio aos processos de supervisão conduzidos pelo Banco Central, assim como à independência da autoridade monetária.

Neste início de ano, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, determinou uma inspeção técnica em documentos referentes ao banco Master em poder do Banco Central. A determinação do presidente do tribunal já vai ser cumprida logo, apesar de o tribunal ainda estar em recesso.

PLENA CONFIANÇA – Sem citar o caso do banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, as entidades signatárias do manifesto, que representam 757 Instituições Financeiras, 689 cooperativas de crédito e 15 associações vinculadas, reiteraram que depositam plena confiança nas decisões técnicas do BC nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização.

Também defenderam que é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro; o Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.

Entre as entidades que assinaram o manifesto, estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), a Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

SOB RISCO – Antes de ser liquidado no ano passado pelo BC, o banco Master já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.

Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

Ouvido em audiência de custódia, na abertura do processo, Maduro se declara “inocente”


Charge do JCaesar: 5 de janeiro | VEJA

Charge do JCaesar (Veja)

Vicente Limongi Netto

O ditador Nicolas Maduro foi ouvido em “audiência de custódia” em Nova York. Fico com urticária quando ouço falar da pomposa expressão. O presidente venezuelano se declarou inocente, na primeira etapa de um processo judicial em território americano, que deve se prolongar por meses. 

Se o procedimento jurídico norte-americano for semelhante ao brasileiro, que passa a mão na cabeça de  assassinos, estupradores,  pedófilos e corruptos, geralmente punidos com multas, serviços comunitários,  ou são considerados inocentes,  equivale dizer que o facínora Maduro vai ser punido com passeio na Disney, com  ingressos para jogos da Copa do Mundo, tour na Casa Branca, com Trump de guia turístico.

E finalmente, quando já estiver enfastiado com a comida norte-americana, Maduro então  retorna a Venezuela com atestado de bons antecedentes, como  puro e imaculado cidadão. 


“Pressão” de ministro do TCU revela o grau de podridão no caso do banco Master


Vídeo: veja entrevista completa com o presidente do TCU, Vital do Rêgo

Vital do Rego neutralizou a manobra em favor do Master

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual nas relações entre os três Poderes da República, que estão cada vez mais apodrecidas. Basta analisar a postura de Jhonatan de Jesus, um ex-deputado de trajetória controversa, digamos assim, e que em 2023 chegou ao Tribunal de Contas da União por indicação do todo-poderoso deputado Arthur Lira, então presidente da Câmara.

Não mais que de repente, como dizia Vinicius de Moraes, esse ministro Jhonatan de Jesus se julgou no direito de questionar a atuação do Banco Central no intrincadíssimo caso do Master, criando uma tremenda confusão.

PARCIALIDADE – Em pleno recesso, quando o TCU nem está funcionando, a voracidade com que o ministro tenta desmoralizar a atuação do Banco Central é altamente significativa., pois ele se comporta como se fosse advogado do Banco Master.

Exibe uma postura tendenciosa, parcial e indigna, porque nem ele nem qualquer outro ministro do TCU tem informações sobre o caso, porque a liquidação extrajudicial do Master corre em absoluto sigilo.

Mesmo assim, o irrefreável ministro Jhonatan de Jesus se acha no direito de criticar o Banco Central e exigir informações que não podem lhe ser oferecidas, segundo as normas que regem o funcionamento do BC.

INFORMAÇÕES – Na semana passada, o arrojado ministro do TCU abandonou o recesso para exigir que o BC lhe desse explicações sobre a liquidação do Master, embora o caso esteja sob sigilo processual.

Foi atendido pela diretoria do Banco Central, que lhe enviou uma Nota Técnica de 18 páginas, relatando as falcatruas cometidas, a gestão ruinosa, a iliquidez e a possibilidade de aumentar o prejuízo, calculado em cerca de R$ 40 bilhões, que atingirá fundos de pensão e investidores de toda espécie. Mas o ministro o TCU  não ficou nada satisfeito.

“Os pontos centrais afirmados na Nota Técnica – embora relevantes como narrativa institucional – não foram acompanhados de prova documental nos autos”, protestou Jhonatan de Jesus.

DISSE JHONATAN – “A Nota Técnica apresentada se limitou, em essência, à exposição sintética de cronologia e fundamentos, com remissão a processos e registros internos, sem que viesse acompanhada, nesta oportunidade, do acervo documental subjacente (peças, notas internas, pareceres e registros de deliberação) necessário à verificação objetiva das assertivas nela contidas”, destacou o ministro, que então determinou uma “inspeção técnica” do TCU no Banco Central, vejam a que ponto chega a insensatez dessa gente.

A situação ficou tão constrangedora que o presidente do TCU, Vital do Rego, foi obrigado a intervir. Com muita diplomacia, confirmou o pedido de inspeção feito por Jhonatan, porque assim o assunto passa automaticamente para a área técnica do TCU e o ministro-relator não terá condições de seguir atacando o Banco Central.

Portanto, a decisão de Vital do Rego favorece o BC, que já avisou que os técnicos do tribunal passarão pelo rigoroso sistema de controle exigido pela autoridade monetária.

Os técnicos do TCU deverão assinar  termos de confidencialidade, para terem suas consultas analisadas e respondidas pelo Banco Central, quando for o caso, porque o TCU não tem poderes para intervir em casos de liquidação ainda em andamento.

###
P.S.
 – Com impressionante habilidade, Vital do Rego neutralizou Jhonatan de Jesus, que não poderá ficar dando palpites sobre assunto que está na área técnica do TCU. Isso enfraquece o lobby montado pelo banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que ficou preso durante apenas uma semana e foi libertado pelo ministro Dias Toffoli, que também tenta reverter a liquidação do banco. Mas quem se interessa? (C.N.)


Em destaque

Haddad condiciona decisão eleitoral a conversa com Lula e mantém futuro em aberto

  Publicado em 19 de janeiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Haddad afirmou que quer tempo para discutir o p...

Mais visitadas