sexta-feira, julho 25, 2025

Flávio Bolsonaro ataca Moraes e diz que ministro precisa de tratamento psiquiátrico

 Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)25 de julho de 2025 | 18:45

Flávio Bolsonaro ataca Moraes e diz que ministro precisa de tratamento psiquiátrico

brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atacou, na quinta-feira (25), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao dizer que ele não está “nas suas faculdades mentais” e precisa de internação compulsória.

Moraes é relator dos inquéritos que têm Bolsonaro e seus aliados como alvo. E, na semana passada, determinou uma série de medidas cautelares contra o ex-presidente, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de falar com seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), pela atuação do parlamentar nos Estados Unidos por sanções a autoridades brasileiras.

“[Moraes] Está com sentença pronta muito antes de começar. Acho que o Alexandre de Moraes precisa sim de uma ajuda profissional. Não está nas suas faculdades mentais normais, acho que ele precisa de uma internação compulsória”, disse, em entrevista à coluna de Paulo Cappelli, no portal Metrópoles.

“É uma pessoa que ta obcecada por Bolsonaro, e atropela a Constituição a todo momento para atingir seu objetivo de prender o Bolsonaro. Sabe aquele cara que é viciado em crack?”, completou.

Flávio estava de férias na Europa com sua família, quando Moraes determinou as medidas cautelares contra seu pai há uma semana. Ele antecipou o retorno e chegou na quinta-feira (24) a Brasília. No mesmo dia, mais cedo, apresentou pedido de impeachment no Senado contra Moraes, alegando abuso de autoridade contra o ex-presidente, citando o episódio da tornozeleira.

Ele disse ainda ter certeza que a direita voltará ao poder em 2027 “independente de qual for o nome”, mas que, se deus quiser, será Jair Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não respondeu à fala do senador.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em junho, o filho mais velho do ex-presidente disse que, para receber o apoio do pai, o candidato à Presidência deve não só conceder indulto ao seu pai, mas brigar com o Supremo por isso, se for preciso.

Perto do desfecho do julgamento que pode condenar Bolsonaro pela trama golpista, Flávio insiste na candidatura do pai em 2026, mas já fala com mais abertura sobre um cenário sem ele —e sobre a principal credencial para um eventual sucessor.

“Estou fazendo uma análise de cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá”, diz em entrevista à Folha.

Marianna Holanda/FolhapressPolitica Livre

Trump é informado de qualquer ato de Moraes perseguindo Bolsonaro, diz assessor

Publicado em 25 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Trump anuncia acordo comercial com as Filipinas com tarifas de 19%

Donaldo Trump é informado sobre todos os atos de Moraes

Rafaela Gama
O Globo

O subsecretário de Donald Trump, Darren Beattie, voltou a criticar a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse que o governo dos EUA está “prestando atenção e agindo”. O comentário foi publicado por ele em sua conta oficial no X. Beattie atua na Diplomacia Pública da Secretaria de Estado americano, órgão que equivale ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

“O juiz Moraes é o coração pulsante do complexo da perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, o que cerceou a liberdade de expressão nos Estados Unidos. Graças à liderança do Presidente Trump e do Secretário Rubio, estamos atentos e agindo”, ele escreveu em inglês. A postagem também foi traduzida e republicada pelo perfil oficial da embaixada dos EUA no Brasil.

RESPOSTA A MORAES – A reação do subsecretário veio após a resposta dada por Moraes a Bolsonaro nesta quinta-feira, depois de ter solicitado que a defesa do ex-presidente se pronunciasse sobre o possível descumprimento de medidas cautelares na última segunda-feira. Na data, ele fez uma visita à Câmara, onde mostrou sua tornozeleira eletrônica e criticou a imposição de restrições a ele por determinação do magistrado.

Ao justificar o pedido de explicações, Moraes anexou prints de postagens de contas que mostravam imagens e as declarações de Bolsonaro na ocasião.

Em resposta, os advogados dele argumentaram que a replicação de declarações por terceiros em redes sociais constituia o “desdobramento incontrolável” da comunicação digital e, por isso, “alheio à vontade ou ingerência” de Bolsonaro.

DESCUMPRIU RESTRIÇÕES – Em uma nova manifestação emitida nesta quinta-feira, o ministro disse considerar que o ex-mandatário descumpriu restrições impostas, mas afirmou que não decretará a prisão preventiva por entender que foram “fatos isolados”.

Moraes também acrescentou que não será permitida a atuação de “milícias digitais” na divulgação de falas de Bolsonaro nas redes sociais, mas afirmou que ele nunca foi impedido de conceder entrevistas.

O mesmo tom foi adotado pelo governo americano em uma postagem na semana passada. “A caça às bruxas política do ministro Alexandre de Moraes contra Bolsonaro criou um complexo de perseguição e censura tão abrangente que não apenas viola direitos básicos dos brasileiros, mas também se estende além das fronteiras do Brasil, atingindo os americanos”, disse o post em que Trump anunciou a suspensão dos vistos americanos dos integrantes da Corte e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

ABI se solidariza com profissionais agredidos em Salvador

 

ABI se solidariza com profissionais agredidos em Salvador


25/07/2025


A Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos da ABI se solidariza com o repórter Mateus Borges e o cinegrafista Tarcísio Lima, da Rede Record, na Bahia, covardemente agredidos ao fazerem a cobertura de um acidente de trânsito na manhã desta sexta-feira, na capital baiana.

Após tomar conhecimento do fato, por meio da representação da ABI na Bahia, esta Comissão manifesta seu repúdio à violência sofrida e sua defesa intransigente da liberdade de imprensa e do Estado Democrático, destacando a necessidade de rápida apuração do caso, com imediata identificação e punição dos responsáveis.

Rio de Janeiro, 25 de julho de 2025

COMISSÃO DE DEFESA DA LIBERDADE DE IMPRENSA E DOS DIREITOS HUMANOS DA ABI

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Costa Pinto

Flávio Bolsonaro condiciona fim da taxação a anistia: ‘Se Brasil fizer dever de casa, acaba’

 Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)25 de julho de 2025 | 14:30

Flávio Bolsonaro condiciona fim da taxação a anistia: ‘Se Brasil fizer dever de casa, acaba’

brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira, 25, em entrevista à CNN, que a solução para o tarifaço do presidente Donald Trump a produtos brasileiros “não está nos Estados Unidos”. O parlamentar sustentou que, “se o Brasil fizer o dever de casa, acaba a sanção no mesmo dia”. “Se a gente fizer eleições com Jair Bolsonaro nas urnas, não vai ter mais a qualificação, pela maior democracia do mundo, de nos tratar como se fosse Venezuela”, indicou.

Na entrevista, Flávio Bolsonaro repetiu o discurso dos aliados do pai de que o Congresso deve votar a anistia para resolver o tarifaço – o que tem sido considerado pela oposição uma espécie de chantagem em detrimento da população e em benefício do ex-presidente. O senador ainda alegou que o irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), “não pode ser usado de desculpa” para o tarifaço.

Às vésperas da missão montada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal para abrir uma frente de negociação com os EUA, Flávio afirmou que “não adianta montar comitiva de parlamentares e ir pra lá”. “Até entendo a boa vontade de alguns ou de demonstrar um esforço com o segmento que o parlamentar representa”, disse.

O senador acompanha o posicionamento do seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que já disse que a comissão de senadores está “fadada ao fracasso” e que a anistia seria o único modo de evitar as tarifas. “Trata-se de um gesto de desrespeito à clareza da carta do Presidente Donald Trump, que foi explícito ao apontar os caminhos que o Brasil deve percorrer”, escreveu em seu X (antigo Twitter).

Na entrevista à CNN, Flávio também argumentou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem que “cumprir sua função de presidente” da Casa e dar prosseguimento ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o senador, o presidente do Congresso quer “conversar” com ele na volta do recesso.

Questionado pelos jornalistas sobre a corrida presidencial no ano que vem, Flávio tergiversou sobre uma eventual escolha de seu pai por um sucessor de seu capital político e indicou que a “única certeza” que ele tem é a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não será chefe do Executivo em 2027.

Flávio assumiu que tarifaço tem dimensão política

Em entrevista concedida à Globo News no dia 11 de julho, o senador disse que “ninguém está feliz” com as tarifas vindas dos EUA, porém, admitiu que as taxas possuíam dimensão política.

“A sanção que Donald Trump impõe não é meramente econômica, todos nós sabemos disso, ela tem, sim, um viés político, e tem um viés econômico, porque o Trump olha para a América do Sul e enxerga para onde o Lula está levando nosso País”, afirmou na ocasião.

Na carta em que comunicou as sobretaxas, o líder dos EUA escreveu que “o modo como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado no mundo, é uma desgraça internacional”. Donald Trump ainda pediu o fim do julgamento do ex-presidente: “é uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!”.

Pepita Ortega/Fellipe Gualberto/EstadãoPolitica Livre

Lula diz que Alckmin liga todo dia para negociar com EUA, mas ‘ninguém quer conversar com ele’

 Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB)25 de julho de 2025 | 17:01

Lula diz que Alckmin liga todo dia para negociar com EUA, mas ‘ninguém quer conversar com ele’

economia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (25) que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tenta diariamente negociar com os Estados Unidos, mas não tem sucesso. “Todo dia ele liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, afirmou.

Segundo Lula, Alckmin, que é também o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, é seu principal articulador nas tratativas com o governo americano. Nesta quinta-feira (24), o ministro disse ter conversado com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, no último sábado (19), quando reiterou a disposição do governo brasileiro de negociar para evitar a sobretaxa de 50% a produtos brasileiros.

“O Brasil nunca saiu da mesa de negociação, não criamos esse problema, mas queremos resolver. Estamos empenhados em resolver”, disse, sem demonstrar que houve um avanço concreto nas tratativas com os americanos.

Durante discurso, em Osasco (SP), Lula afirmou que o Brasil está pronto para dialogar com os EUA sobre as tarifas impostas por Donald Trump. “Trump, o dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado”, declarou. O presidente disse ainda que os americanos foram mal informados sobre o país.

Lula caracterizou Alckmin como um negociador calmo e experiente, elogiando sua atuação política. “Esse cara é exímio negociador, não levanta a voz e não manda carta, ele só quer conversar”, afirmou. O petista afirmou que já foram feitas dez reuniões com representantes americanos.

“Mas é preciso conversar. E está aqui o meu conversador número 1. E ninguém pode dizer que ele não quer conversar. Todo dia ele liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, acrescentou o presidente.

Lula também cobrou reciprocidade dos Estados Unidos no tratamento ao Brasil. “Quero que o Trump nos trate com a delicadeza e o respeito com que trato o povo americano”, disse. Ele voltou a dizer que seu governo não está em confronto, mas aberto ao diálogo.

“Queremos demonstrar o quanto o senhor foi mal informado pelas pessoas que lhe forneceram dados distorcidos, e assim poderá conhecer a verdade sobre o Brasil. Quando isso ocorrer, o senhor dirá: ‘Lula, não vou mais taxar o Brasil. Vamos manter tudo como está.’ É isso. Mas é necessário diálogo. E aqui está o meu principal articulador”.

Juliana Arreguy/Bruno Ribeiro/FolhapressPolitica Livre

Já passou da hora de Xandão mandar prender o senador Marcos Do Val

 Quem é habitué das redes sociais já se deparou com os vídeos criminosos do parlamentar, com falas inacreditáveis contra o STF

Por INFORME JB
redacao@jb.com.br

Publicado em 25/07/2025 às 09:07

Alterado em 25/07/2025 às 12:52

                          [Senador Marcos do Val] O falastrão da República Marcos Oliveira/Agência Senado


Não bastassem as falas inacreditáveis contra o ministro Alexandre de Moraes e o STF, que volta e meia pululam na internet tendo o senador Marcos Do Val a proferi-las, agora chega a notícia de que o nobre bolsonarista - se é que nobreza se apeteça de gente desse naipe que defende tortura e preconceitos -desobedeceu uma ordem da Suprema Corte ao viajar para os Estados Unidos, quando deveria ter entregue o passaporte diplomático ao STF a mando do ministro Moraes.

Más línguas de Brasília dizem que tudo foi feito de caso pensado, que Do Val está querendo aderir ao grupo de Eduardo Bolsonaro, de olho na visibilidade junto aos patrícios golpistas de aquém mares...

A ver.

The Economist: EUA fazem ao Brasil maior ataque pós-Guerra Fria e Trump colhe efeito contrário

 ntimidação do MAGA (Make America Great Again) está saindo pela culatra e fortalecendo o governo Lula

Por JB INTERNACIONAL
redacao@jb.com.br

Publicado em 25/07/2025 às 17:06

Alterado em 25/07/2025 às 17:06

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Lula tem sido vitorioso no duelo com Donald Trump sobre tarifas, pelo menos na atuação política e na opinião pública Agência Brasil

Por The Economist - Raramente, desde o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos interferiram tão profundamente em um país latino-americano. Em 9 de julho, o presidente Donald Trump prometeu tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, citando uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro (PL), que em breve será julgado por supostamente planejar um golpe, acusação que ele nega.

Em 15 de julho, Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, começou a investigar as práticas comerciais do Brasil. Em 18 de julho, o Departamento de Estado dos EUA revogou os vistos da maioria dos juízes da Suprema Corte brasileira e de outras autoridades ligadas ao processo contra Bolsonaro.

O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que quer usar a Lei Magnitsky Global para impor sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, um proeminente juiz, uma ação normalmente reservada a ditadores e senhores da guerra.

Trump e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, são inimigos ideológicos, e os aliados de Trump há muito tempo criticam uma investigação liderada por Moraes sobre desinformação online. No entanto, o gatilho para o ataque de Trump parece ter sido a cúpula do BRICS, um grupo de países emergentes, que o Brasil sediou nos dias 6 e 7 de julho.

Lula, como o presidente é conhecido, chamou as ameaças de “chantagem inaceitável” e um ataque à soberania do Brasil. Ele também ameaçou começar a tributar empresas de tecnologia americanas. O Congresso brasileiro, controlado por partidos de direita, se uniu em torno de Lula e está considerando tarifas retaliatórias.

Mas Lula reservou seu veneno para Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), um congressista que se afastou do cargo em março e se mudou para o Texas, onde tem feito lobby junto a congressistas republicanos para que imponham sanções a Moraes. Lula os chamou de “traidores”.

“Que eles tenham vergonha, se escondam em sua covardia e deixem este país viver em paz!”, disse ele em um comício em 17 de julho. Em vez de refutar a acusação, Eduardo se gaba de seu acesso à Casa Branca. Depois que o visto de Moraes foi revogado, ele postou no X: “Não posso ver meu pai e agora há autoridades brasileiras que também não poderão ver suas famílias nos Estados Unidos!”

O poderoso Supremo Tribunal Federal do Brasil também reagiu agressivamente. Em 18 de julho, Moraes ordenou a Bolsonaro o uso de uma tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar durante as noites e fins de semana e proibiu-o de falar com autoridades estrangeiras ou dar entrevistas. Em 19 de julho, Moraes congelou os bens de Eduardo como parte de uma investigação para apurar se seus esforços de lobby são uma tentativa de obstruir o processo contra seu pai.

Se o objetivo era atrair a ira de Trump para fortalecer a direita brasileira antes das eleições gerais do ano que vem, o plano está saindo pela culatra. Brasileiros de todas as tendências estão apoiando Lula. Bonecos de Trump foram queimados nas ruas. A popularidade de Lula, que estava em baixa, subiu. Ele agora lidera a lista de candidatos potenciais para a corrida eleitoral do ano que vem.

As tarifas de Trump também deram a Lula um “incrível cartão para sair da prisão”, diz Andre Pagliarini, do Washington Brazil Office. “Qualquer que seja o impacto econômico que o Brasil venha a sofrer entre agora e as eleições, o governo pode apontar com credibilidade as tarifas de Trump como a causa, seja isso verdade ou não.”

Na verdade, as tarifas podem causar prejuízos para Bolsonaro e seus aliados de direita. Apenas 13% das exportações brasileiras vão para os Estados Unidos, no valor de US$ 43 bilhões por ano (cerca de 28% vão para a China, uma participação que provavelmente crescerá se as tarifas de Trump forem aprovadas).

O banco Goldman Sachs estima que as tarifas podem reduzir o crescimento em 0,4 ponto porcentual, para cerca de 2% este ano. No entanto, o impacto provavelmente recairá de forma desproporcional sobre as empresas sediadas em regiões que são redutos de Bolsonaro. Mais de um terço dos grãos de café não torrados importados pelos Estados Unidos vêm do Brasil. A grande maioria do suco de laranja importado também vem do Brasil. As importações de carne bovina estão crescendo rapidamente.

Economistas da Universidade Federal de Minas Gerais estimam que cerca de 110 mil brasileiros perderão seus empregos se as tarifas entrarem em vigor, principalmente na agricultura. É revelador que a confederação nacional dos agricultores do Brasil, geralmente uma defensora ferrenha de Bolsonaro, tenha condenado a “natureza política” das tarifas de Trump. Até mesmo Bolsonaro tentou se distanciar. Ele diz que as tarifas “não têm nada a ver conosco”.

Os brasileiros estão particularmente irritados com a ideia de que o governo Trump possa ir atrás do Pix, o popular sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central em 2020. Isso não foi ameaçado explicitamente, mas Greer incluiu “serviços de pagamento eletrônico” em uma lista de práticas brasileiras que seu escritório considera “irracionais ou discriminatórias” para as empresas americanas.

“A ideia de que o Pix representa uma prática comercial desleal contra os EUA é infundada”, diz Ralf Germer, da PagBrasil, uma das principais processadoras de pagamentos do Brasil. O Pix estimulou a concorrência no setor bancário brasileiro, antes antiquado, oferecendo uma infraestrutura de baixo custo pela qual empresas iniciantes podem facilmente fornecer serviços financeiros. Essa concorrência aumentada também prejudicou empresas americanas de pagamentos como Visa e Mastercard.

As reclamações sobre práticas comerciais injustas têm mérito. O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo, com 86% das importações enfrentando barreiras não tarifárias (assim como 77% das importações para os Estados Unidos e 72% das importações globais). A indústria nacional recebe infinitos subsídios do governo federal e local. Mas se essa é a verdadeira preocupação de Trump, ele não disse isso. O governo brasileiro vem tentando entrar em contato com a Casa Branca desde maio para negociar um acordo comercial, mas seus apelos têm sido ignorados.

Apenas Eduardo Bolsonaro, ao que parece, tem a atenção do Sr. Trump. “Trump é alguém que admiro, alguém que respeito, alguém que quero conhecer melhor para que, quem sabe, talvez no futuro, se eu tiver poder, possa seguir seus passos no Brasil”, diz ele, falando por videochamada de seu escritório no Texas, que é decorado com bonés MAGA (Make America Great Again) e crucifixos.

Lula parece revigorado pela rivalidade. Ele agora usa um boné azul com os dizeres “O Brasil é dos brasileiros”. Mas um ex-diplomata brasileiro diz que os assessores de Lula temem que o impulso não dure. Se as tarifas entrarem em vigor e a economia entrar em crise, Lula terá dificuldade em atribuir toda a culpa a Bolsonaro. A questão é qual dos dois septuagenários recuará primeiro: o impetuoso Trump ou o obstinado Lula. 

https://www.jb.com.br/mundo/2025/07/1056319-the-economist-eua-fazem-ao-brasil-maior-ataque-pos-guerra-fria-e-trump-colhe-efeito-contrario.html

Já é hora de o Brasil procurar outros mercados e novos acordos comerciais

Publicado em 25 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Exportações catarinenses somam US$1 bilhão em maio | FIESC

Haverá um inevitável realinhamento no comércio

Joel Pinheiro da FonsecaFolha

A esta altura, depois de reiteradas falas de Trump e da revogação dos vistos de ministros do Supremo, quem ainda insistir em dizer que as tarifas de Trump não têm nada a ver com Bolsonaro — e que seu real interesse, inexplicavelmente secreto, é punir o Brasil (e unicamente o Brasil) por seu papel no Brics— está apenas reproduzindo narrativa política. Trump dá todas as mostras de que quer sim dobrar nossa Justiça.

Eduardo fez sua escolha. Está disposto a destruir o Brasil para livrar o pai da Justiça. “Se tudo der errado, estaremos vingados.” Agora o Brasil tem que se haver com as consequências dessa vingança.

SEMPRE RECUA – Até hoje, Trump quase sempre recua na hora H. Pode acontecer de novo agora. Contudo, o mais prudente é considerar que ele pode sim impor as tarifas. O fim das exportações aos EUA é um duro golpe, mas não é catastrófico —representará, no pior caso possível, 2% do PIB.

O nosso mercado interno, no curto prazo, terá aumento de oferta desses produtos, o que deve dar uma redução momentânea no preço (que será corrigida à medida em que a produção se adapte à nova realidade).

Com os EUA, temos poucas opções. O governo Lula falhou ao não priorizar a relação desde a chegada de Trump. Lula chegou a dizer que não conversou com Trump porque “não tinha assunto”. Aí estava o assunto.

TENTAR NEGOCIAR – Nunca saberemos, no entanto, se um canal melhor de comunicação teria feito a diferença. O que sabemos é que, neste momento, Trump não responde à carta de propostas brasileiras, mas manda carta a Bolsonaro.

A partir do anúncio de Trump, a postura do governo está correta: tentar negociar em cima do que pode ser negociado —as pautas econômicas trazidas à mesa pelo pedido de investigação do governo americano, por exemplo— mesmo sabendo que a chance de sucesso é baixa. Pleitear algum adiamento, ao menos aos setores mais vulneráveis. Retaliar é um passo temerário, dado que a dor que os EUA podem nos causar é muito grande.

Além disso, fazer contato com empresas, imprensa e grupos de pressão americanos para que pressionem Trump, mostrando o efeito ruim das tarifas sobre os preços. A pressão econômica foi, até hoje, a única que surtiu efeito em Trump.

BUSCAR PARCEIROS – Nosso olhar deve estar para fora dos EUA. Entrar em contato com outros governos —democráticos— que possam se manifestar contra a chantagem de Trump. Hoje, somos nós; amanhã serão as decisões soberanas de outras nações que estarão na mira de Trump.

É hora de olhar para fora, procurando novos mercados e buscando novos acordos comerciais. Nos anos 1990 e 2000, quando muitos países buscavam acordos comerciais, o Brasil não se abriu. Agora temos uma nova oportunidade. O bullying protecionista de Trump empurra o mundo —Brasil incluso— na direção correta. Uma vez criados, os novos fluxos comerciais tendem a se perpetuar, deixando-nos menos dependentes dos EUA.

Em tudo isso, vemos a falta que faz uma autoridade mundial do comércio, como era a OMC. Por iniciativa de Trump —mantida por Biden— ela está inoperante desde 2019. Ressuscitá-la ou, na impossibilidade de se fazê-lo sem a cooperação americana, criar uma alternativa com ampla adesão voluntária, deveria também estar na lista de prioridades. O comércio internacional se beneficia de regras uniformes.

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