terça-feira, julho 15, 2025

“Governo Lula já tinha acabado, mas tarifaço o ressuscitou”, afirma Bacha“

Publicado em 14 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Trump tem mentalidade de comerciante e negocia ameaçando parceiros', diz Edmar  Bacha

Bacha comenta que Lula é um político que tem sorte

Alice Ferraz e Malu Mões
Estadão

Dedicado à vida acadêmica e às análises profundas, de caráter estrutural, Edmar Bacha evita se envolver com a conjuntura. Após anos acompanhando o noticiário em tempo real, hoje ele recusa entrevistas. Ainda assim, um dos pais do Plano Real e imortal da Academia Brasileira de Letras recebeu a Coluna Alice Ferraz duas vezes na semana passada: antes e depois do tarifaço de Donald Trump. Na primeira conversa, na segunda-feira, dia 7, foi categórico: “O governo Lula já acabou. Ele apenas não sabe”.

Já na sexta, dia 11, embora mantivesse o tom direto e ácido – marca registrada de Bacha –, o cenário havia mudado. “A situação dele foi da água ao vinho. Mais uma vez, Lula mostrou que nasceu com o bumbum virado para a lua.”

LULA RESSUSCITOU – O economista avalia que se repetirá no Brasil o que foi visto no Canadá, na Austrália e no México. “Ao fazer esses ataques tributários, Trump criou condições para que seus supostos aliados perdessem as eleições.” Esse é seu diagnóstico sobre a taxação de 50% às importações brasileiras: “Lula estava na corda bamba e Trump o ressuscitou”.

Para Bacha, o Brasil precisa ter uma atitude dura, mas não responder com um tiro no pé. “Retaliar com a reciprocidade nas tarifas vai acabar com o comércio entre o Brasil e os EUA.” A solução, segundo ele, será negociar – e, até lá, a incerteza paira.

“Trump é essa coisa maluca. Nunca se sabe se é ameaça ou se virá uma medida concreta. Esse é o problema. A incerteza é paralisante. Ninguém sabe que atitude tomar. E, nesse caso, é melhor esperar do que produzir.” O resultado? Será de prejuízo à economia global. “Minha dúvida é apenas sobre o grau do dano que vamos enfrentar.”

FREAR O CRESCIMENTO – A China também está no radar de Bacha. Em sua avaliação, a política mercantilista agressiva adotada por Xi Jinping tende a frear o crescimento global. “Se eles mantiverem o modelo atual, vai ser difícil para todos. Mas, se a China passar a priorizar o consumo interno, o país crescerá mais – e o mundo também.” Para ele, essa transição é fundamental para aliviar as tensões no comércio internacional.

Apesar das mudanças no contexto nacional, Bacha mantém o alerta para a falta de governabilidade. Uma das vozes mais respeitadas da economia brasileira, ele fala com a autoridade de quem já viu o presidencialismo de coalizão funcionar por dentro.

Durante o governo FHC, presidiu o BNDES e acompanhou de perto os bastidores do poder. “Naquele tempo, havia de fato uma partilha entre o Executivo e o Legislativo – mas o presidente mantinha o comando. Isso acabou. Lula não controla nada.”

EXEMPLO DO IOF – A crise ficou escancarada no episódio do IOF – medida proposta por Lula que Bacha classifica como “absurda”. Para o economista, o erro foi duplo. De um lado, o governo tentou utilizar o imposto como instrumento arrecadatório, o que ele considera inconstitucional. De outro, o Congresso respondeu com outra irregularidade: derrubou o decreto, também de forma inconstitucional. “É muito atípica a situação que estamos vivendo”, resume.

Bacha não minimiza os desafios atuais, mas argumenta que eles estão longe da complexidade do período em que esteve no setor público – marcado por uma hiperinflação de 3.000%.

Não por acaso, foi descrito em perfil da The Economist, em 2017, como um “lutador contra a inflação”, em referência ao seu papel central na criação do Plano Real.

SITUAÇÃO MAIS GRAVE – “Era outro Brasil. A situação era muito mais grave. O cenário externo também era desfavorável. Enfrentamos a crise da moeda mexicana em 1994, a dos países asiáticos em 1997, a da Rússia em 1998 – e a nossa própria, em 1999.”

O economista tem se dedicado à produção intelectual – entre artigos econômicos e a rotina como membro da Academia Brasileira de Letras, onde marca presença semanalmente. Está especialmente animado com a chegada da nova imortal, Ana Maria Gonçalves. Um Defeito de Cor, diz ele, é “o melhor romance brasileiro do século 21”. E elogia: “É um retrato extraordinário do Brasil do século 19, escrito de forma fascinante”.

Na próxima terça, dia 16, ele vestirá o fardão verde e dourado também para falar sobre as grandes potências globais. A ABL se transformará em sala de aula para Bacha abordar a evolução da ordem econômica mundial, do pós-guerra até antes do segundo mandato de Trump.

“Agora está uma confusão infernal, não dá para incluir enquanto o Trump estiver aí fazendo bagunça.” Mas o cenário a partir de 2029 estará presente. Bacha trará hipóteses de como deve ficar o cenário pós-Trump. Um spoiler: “O mais provável é um mundo ainda mais multipolar, com presença mais forte da China e da União Europeia, vis-à-vis aos EUA, que sofrem com a erosão de sua hegemonia”. A palestra também será transmitida ao vivo, já as inscrições para acompanhar presencialmente podem ser feitas neste link.

segunda-feira, julho 14, 2025

China bate recorde e já soma 26% das importações do Brasil

 Foto: Divulgação

Porto de Santos14 de julho de 2025 | 20:00

China bate recorde e já soma 26% das importações do Brasil

economia

Em meio aos impactos da guerra comercial impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a China ampliou as vendas de bens de consumo para o Brasil no primeiro semestre deste ano e bateu recorde na participação das importações brasileiras neste período.

O movimento segue uma curva já existente desde o início desta década e consolida o país asiático como o principal fornecedor de produtos ao mercado brasileiro —hoje, 26% das importações brasileiras têm origem na China—, seguido pelos Estados Unidos, com 16%.

O Icomex (Indicador de Comércio Exterior) divulgado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) nesta segunda-feira (14) aponta um aumento de quase 12% na quantidade de compras brasileiras de bens de consumo duráveis da China neste primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. A maior alta foi em maio, quando desembarcaram no país 110% a mais de produtos chineses em relação ao mesmo mês de 2024.

A explicação passa pelo aumento das vendas de automóveis chineses no mercado brasileiro. Só em maio, por exemplo, o porto de Itajaí, em Santa Catarina, recebeu 7.000 carros da BYD vindos da China —até então, o quarto desembarque da empresa no ano em portos brasileiros. Isso sem contar os desembarques de veículos de outras montadoras chinesas, incluídos de carros elétricos e à combustão.

A enxurrada preocupa as fabricantes locais de carros, que veem a participação de carros importados crescer no mercado brasileiro. No primeiro semestre deste ano, os emplacamentos de veículos nacionais subiram 2,6%, enquanto os de importados cresceram 15,6%. Hoje, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), os carros chineses representam 6% do mercado brasileiro.

Essa curva no setor de automóveis acontece mesmo com o aumento dos impostos de importação para veículos elétricos e híbridos, que há um ano eram taxados em 18% e 25% respectivamente e, desde o último dia 1º, em 25% e 30%. Ainda assim, segundo fontes do mercado, ainda é mais barato para algumas montadoras chinesas com produção no Brasil importar seus veículos do que fabricá-los localmente.

Além das tarifas de Trump contra o país asiático, o aumento é motivado pela competição entre as próprias marcas chinesas, que procuram outros mercados externos para venderem suas mercadorias e ampliar seus faturamentos. Esse movimento acontece inclusive em outros setores, como no de eletrodomésticos.

“Houve mudança estrutural no comércio com a China, e o Brasil vai importar cada vez mais bens de consumo”, diz Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). “Como o mercado chinês vai ficando saturado, as empresas desovam no mercado externo e a competição que tem lá se reproduz em outros mercados, principalmente no de países de renda média alta, como o Brasil”, complementa.

A participação dos EUA na balança comercial brasileira, aliás, tem caído nos últimos anos. O Icomex aponta que em 2001 os americanos eram responsáveis por 23% das importações brasileiras. A queda de lá para cá, analisa o estudo da FGV, está relacionada aos avanços da China. “Esse resultado se explica por mudanças nas vantagens comparativas dinâmicas e não por uma deliberação de políticas brasileiras”, diz o relatório.

Segundo quem acompanha os negócios entre chineses e brasileiros, houve também aumento na importação de celulares e eletrodomésticos, como ar-condicionado e geladeira. Neste último setor, a China vem ampliando suas vendas para o Brasil desde 2021, quando se tornou a maior fornecedora de refrigeradores domésticos para o mercado brasileiro, passando Coreia do Sul, México e Tailândia.

Houve ainda crescimento nas importações de bens de consumo não-duráveis da China, como produtos têxteis. De acordo com o Icomex, houve aumento de 40% na compra desses bens chineses no primeiro semestre do ano, em relação ao mesmo período do ano anterior, em relação à quantidade.

Por outro lado, houve diminuição no valor das importações em todas as categorias de bens de consumo neste primeiro semestre. Os bens de consumo duráveis, apesar de terem sido mais vendidos, renderam aos chineses 18,4% a menos do que nos seis primeiros meses de 2024. Já os bens de consumo não-duráveis renderam 2,1% a menos. Esse movimento indica que as mercadorias chinesas têm chegado com menor preço ao Brasil, o que dificulta ainda mais a concorrência com as indústrias brasileiras.

A China também é preponderante nas importações brasileiras de outros bens, inclusive nos intermediários, como o aço —outra matéria-prima alvo de queixas de indústrias com fabricação no Brasil.

Pedro Lovisi/FolhapressPolitica livre

Eduardo Bolsonaro faz críticas a Tarcísio por negociação com os EUA: ‘É um desrespeito comigo’

 Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/Arquivo

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP)14 de julho de 2025 | 14:46

Eduardo Bolsonaro faz críticas a Tarcísio por negociação com os EUA: ‘É um desrespeito comigo’

brasil

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirma que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) errou ao tentar negociar uma saída para as tarifas de 50% com a Embaixada dos Estados Unidos. “É um desrespeito comigo”, disse à Folha de S.Paulo.

“Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo. Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes”.

Eduardo afirma ainda que não se arrepende da pressão que fez por retaliações ao Brasil nos EUA mesmo que isso possa favorecer o presidente Lula (PT). Diz também que só voltará ao Brasil se o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sofrer sanções do governo dos Estados Unidos.

Cotado como candidato a presidente no ano que vem, Tarcísio buscou remover o desgaste diante da crise do tarifaço anunciado por Donald Trump e, na semana passada, fez uma rodada de conversas que passou por Bolsonaro, por ministros do STF e pelo chefe da embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

O governo Lula tem associado as consequências econômicas do tarifaço à oposição, inclusive a Tarcísio, aliado de Bolsonaro.

Na mesma entrevista, Eduardo diz que “provavelmente” vai abrir mão do mandato na Câmara. Ele pediu licença do mandato em março, e o afastamento vence na próxima semana.

Antes de falar à reportagem, ele afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que “por ora” não volta. “A minha data para voltar é quando [o ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender”.

Procede sua decisão de abrir mão do mandato?

Olha, eu ainda tenho assessores me dando alguns inputs aqui, mas, se for preciso… Eu não consigo bater o martelo porque, se eu tiver uma alternativa para não perder, eu vou perder. Mas o prazo termina 21 ou 22 de julho, se não me engano, final do mês de julho. Se for necessário, eu não volto não. E não vejo a possibilidade de eu voltar, porque, se eu voltar, eles chamam para me prender. Mas muito provavelmente [vou abrir mão].

Quais são as opções que você tem?

O [deputado] Evair de Melo [PP-ES] fez uma proposta de alteração do regimento, que valeria para casos excepcionalíssimos como o meu, para que eu consiga exercer o mandato mesmo à distância, fazendo votação por telefone e celular. Foi uma inovação trazida durante a pandemia.

Qual é a chance disso dar certo?

Não sei. O nosso pessoal que tá articulando aí dentro da Câmara.

Qual é o seu desejo?

O meu desejo seria de ter um país normal onde o deputado não fosse preso por falar ou por se relacionar com autoridades internacionais. O meu desejo é que um deputado de direita tenha o mesmo direito de um deputado de esquerda. Porque, no passado, [Guilherme] Boulos foi a Portugal, o [Cristiano] Zanin, por exemplo, fez campanha do Lula livre em diversos tribunais internacionais, já fizeram pedido de prisão do Jair Bolsonaro no TPI, e nunca deu em nada. Só que, ao que parece, querem tirar o Bolsonaro da corrida presidencial e a possibilidade de eu sucedê-lo também.

Então, se o Brasil é um país que faz política desse jeito, o Judiciário é que faz política, então significa que não há uma harmonia entre os Poderes e o Brasil não é uma democracia, é uma ditadura. E será dado a ele o tratamento de ditadura. Engana-se quem acha que pode viver numa ditadura e ter os benefícios do mundo livre. E o Trump não usou força total. Ele poderia ter feito muito mais.

Qual é a força total? O que ele pode fazer?

Ele pode chegar ao extremo de fazer igual a Rússia.

Ameaçar com 100% de tarifas?

Ele congelou o acesso da Rússia ao sistema swift inteiro, proibiu empresas americanas de fazerem investimento na Rússia, de receberem investimento russo. Ele congelou bem de um monte de oligarca russo. Na verdade, foi o [Joe] Biden. Mas eu estou querendo dizer o seguinte. O governo americano tem muito mais instrumentos maiores do que (…) mais sensíveis do que tarifa de 50%. Trump já avisou na carta dele. Ele vai adicionar isso ao percentual da ‘tarifa Moraes’ de 50% que totalizaria um total de 100% de tarifa.

Agora seu desejo é permanecer como deputado?

Só para voltar… O Congresso aprovou uma lei inócua. E me causa estranheza gente da direita apoiar o projeto de lei da reciprocidade, porque ainda dá a oportunidade de o Lula dizer que está agindo em nome das instituições brasileiras, do povo brasileiro inteiro, porque foi um projeto aprovado com o apoio de muita gente da direita. Um projeto que teve a iniciativa da senadora Tereza Cristina.

Agora o senhor está sendo muito criticado, inclusive por alguns integrantes da própria direita, que não estão dando suporte a essas tarifas. O próprio Zema, por exemplo, veio a público dizer que as tarifas não são positivas, o Tarcísio…

O Zema e o Tarcísio vieram a falar isso depois de declarações iniciais, muito mais firmes, e vieram a falar isso provavelmente depois de conversas de telefone, né? Não tenho como comprovar, mas eu acho que eles tomaram alguma pressão. Principalmente o Zema. O STF está correndo pelos bastidores para pressionar empresários brasileiros e políticos brasileiros a tentar jogar a culpa disso tudo.

Só que o Trump foi muito claro. Ele tá colocando as tarifas por causa de quê? Regulamentação das big techs. Eles mandaram recado para os americanos de que regulamentar a internet independentemente daquilo que os americanos pudessem fazer em retaliação. Então agora segura a onda.

Então agora é hora de ser homem, assumir a responsabilidade e entender que o que o Trump está pedindo são ações do Judiciário brasileiro, regulamentação da internet, eleições limpas e transparentes e parar com a perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores.

É por isso que eu tenho batido na tecla de que não é uma questão do Lula O Lula vai dobrar a aposta, o Lula é irresponsável, o Lula não tem compromisso com o interesse público. Ele vai querer jogar o Brasil no colo da China e da Rússia, ele está achando maravilhoso tudo isso, vendo como uma possibilidade única dele tentar resgatar a popularidade dele. E o que eu tenho falado? Deixa o Lula de lado. Esqueça o Lula. O Lula vai morrer sozinho politicamente. O foco é no Moraes.

De toda forma, com relação ao Zema e o Tarcísio, essa foi a posição final deles. Neste domingo o próprio Jair Bolsonaro admitiu que as tarifas não seriam benéficas para o país, fazendo ali um apelo por recurso. Então existe algum tipo de arrependimento nessa sua atitude?

Nenhum. O que não é benéfico para o país é continuar jogando velhinha na cadeia, é continuar ligando para o presidente do partido quando tem que votar a manutenção de prisões de Daniel Silveira. Para resolver o problema tem que atuar na causa, e a causa é institucional. Ou o Brasil se comporta como uma democracia ou vai ser [tarifa] de 50% a mais.

Embora você diga que não é sobre o governo Lula, o governo está explorando isso amplamente. Tem gente falando de um efeito Mark Carney [primeiro-ministro do Canadá] no Brasil, quer dizer, dizendo que isso poderia favorecer o Lula e ser um tiro no pé para a direita. Como responde a isso, diante do que está acontecendo no Brasil?

São comparações devidas, porque no Brasil a eleição é em 2026. Existe uma situação que é diferente da do Canadá, dessa crise institucional que a gente vive, de perseguição política etc. Agora tudo tem um risco. Se for retirada da equação essa tarifa, o Brasil vai voltar a ter aquele caminho de uma eleição sem a participação da oposição em 2026. Vai ter apenas uma oposição permitida.

Você está se referindo ao Tarcísio?

Estou falando de qualquer um que o sistema deixasse elegível para o ano que vem. Por que eles estão querendo me prender? Por que o Jair Bolsonaro está inelegível.

Governo e Judiciário são firmes em dizer que não haverá recuo.

Então, antes de melhorar vai ter que piorar. Eu nunca vi o Trump voltar atrás. O Trump já teve sucesso nas negociações com o Trudeau no Canadá, com o México, no Irã nem se fala. Então, eu não creio que o Brasil será o primeiro país a ter sucesso contra o Trump.

E que perspectiva de melhora seria essa?

Ele, pelo que eu entendi, vai aplicar em 1º de agosto só as tarifas de 50% e depois ele vai ficar fazendo reanálise.

Mas se até 2026 continuar o mesmo cenário?

Aí é Venezuela. Eu vou começar a receber os brasileiros aqui nos Estados Unidos, ajudar eles com o processo de visto.

Em momento algum, então, o senhor acha que essa foi uma decisão equivocada?

Não acho. Acho que está muito acertado. E, no final, quando a gente sair vitorioso, as pessoas vão se dar conta disso.

Como espera convencer a população se houver aí uma avaliação de que a maior parte está contra as tarifas pelos efeitos que elas podem causar economicamente para o país e no próprio bolso?

Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes. Se o Moraes entende que vale a pena trancar a velhinha de 70 anos na cadeia, tratando como terrorista, condenados a 14, 15, 16 anos, é o preço que o país vai pagar. Não depende mais de mim. Eu não tenho poder sobre o Trump, acho que nem a esposa dele tem poder sobre ele.

A única saída para o Brasil se livrar dessa tarifa é com o Alexandre de Moraes recuar. Dentre os vários pontos que o Trump botou, a primeira sinalização efetiva de que há uma vontade de sentar para negociar a tarifa com os americanos é aprovar a anistia.

Como se chegou a essa solução por tarifas? Porque até então o senhor falava em sanções específicas?

Foi uma decisão do Trump.

Mas essa foi uma sugestão que vocês deram a ele?

Não, foi uma decisão do Trump. Acho que a maneira que ele achou é a maneira mais efetiva de se fazer pressão.

E as sanções estão sobre a mesa?

Sim, sim. Isso daí continua a correr em paralelo.

E a sua expectativa é que elas saiam?

Sim, eu tenho uma expectativa de que saia sim. Eu acho importante ressaltar o seguinte. Se a lei Magnitsky for aplicada, já existe margem para você aplicar por além do Moraes. Ele pode aplicar para cima da esposa do Moraes, para cima do Fábio Schor [delegado da PF], para cima de outras autoridades brasileiras. Então, se as autoridades brasileiras quiserem se presentar e antever esse caso de caos para elas próprias, individualmente, é providencial que elas leiam a carta do Trump e ajam rápido para desarmar essa bomba.

O julgamento do Marco Civil foi importante para acelerar essa decisão?

Eu acho que foi muito importante.

O senhor conversou com o seu pai sobre esse assunto? Qual é a posição dele?

Não falo por ele. Ele está refém do sistema. É bom falar com ele, porque é muita responsabilidade eu falar em nome dele.

E o senhor conversou com o Tarcísio?

O Tarcísio utilizou os canais errados. O filho do presidente está nos Estados Unidos. O Tarcísio não tem nada que querer costurar por fora uma decisão que provavelmente vai chegar a mais um acordo caracol. O Tarcísio tem que entender que o filho do presidente está nos Estados Unidos e tem acesso à Casa Branca.

Qualquer tentativa de nos dar bypass será brecada e freada. Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo.

E sua pretensão de ser candidato a presidente? Só pretensão de ser candidato a presidente? Tem chance ainda?

Só se o Moraes for sancionado. Senão não tem como. Se eu voltar para o Brasil hoje, eu sou preso. Mas eu acho que tem esperança de ele ser sancionado e a gente conseguir ter sucesso.

Se ele for sancionado, qual vai ser o efeito disso?

Ficará enfraquecido.

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Julia Chaib/Folhapress

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