domingo, março 30, 2025

Governo acompanhará de perto o projeto que pretende anistiar golpistas do 8 de janeiro


Vândalos atentaram ontra a democracia, mas não tiveram êxito

Pedro do Coutto

O governo está tomando providências junto ao Congresso para acompanhar de perto o projeto de anistia voltado para os que participaram da invasão de Brasília no dia 8 de janeiro de 2023. Está voltado para essa questão porque além de ser uma anistia com um número que se aproxima de mil pessoas, representa também uma brecha para reabilitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, permitindo-lhe assim condições de disputar a sucessão presidencial de 2026.

O projeto de anistia tem poucas possibilidades de ser aprovado e mesmo se assim mesmo o fosse, Lula teria o poder de veto. Pode-se admitir, mas é mais difícil, que o Congresso aprove emenda constitucional fixando as bases da anistia, o que evitaria o veto presidencial. Mas, a questão não é só essa, mas sim que colocado o tema, o governo terá que se mobilizar para conter a ofensiva da oposição e para isso terá que negociar maior apoio do Legislativo para com o governo.

PEÇA-CHAVE – O Centrão passou a ser a peça-chave desse relacionamento. Um problema grave, sem dúvida, para Gleise Hoffmann, ministra da articulação do governo com a oposição. Os que participaram da invasão de Brasília e das ações de vandalismo  contra os prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal foram financiados por pessoas interessadas em um golpe de Estado que afastaria o presidente Lula do poder. E, na maré alucinada, previam até a morte de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.

Uma loucura imaginar que isso pudesse acontecer. Mas os golpistas, tomados por uma estranha compulsão, admitiam que tal acontecesse. Espanta que tais hipóteses pudessem passar pela cabeça dos bolsonaristas porque o trauma que isso deixaria anularia a execução de um golpe nessas condições voltadas contra o presidente da República.

SEM LIMITES – Mas, é preciso considerar que o fanatismo não respeita fronteiras e limites. Uma contradição evidente é que Bolsonaro, Braga Neto e Augusto Heleno, principalmente, incluem-se na anistia, embora não tenham ainda sido condenados. Deveriam estar lutando por sua absolvição no julgamento pelo STF. Entretanto, na certeza de que serão condenados, antecipam-se na busca da anistia.

É impressionante a desinformação e o impulso destrutivo dos que participaram do processo de golpe. Havia até um projeto de decreto pronto para ser editado alterando a estrutura do poder político do Brasil. É incrível que isso tenha se passado pela cabeça de oficiais de alta patente e de políticos com experiência. O dia seguinte ao do golpe que seria perpetrado levaria inevitavelmente a uma catastrófica guerra civil.

 


Esquerda usa ‘Bolsonaro réu’ e aniversário do golpe e descola de governo em atos contra anistia e 1964

 Foto: Fernando Frasão/Agência Brasil

Foram anunciadas ao menos 30 manifestações entre sexta (28) e terça-feira (1º), em 20 cidades30 de março de 2025 | 07:29

Esquerda usa ‘Bolsonaro réu’ e aniversário do golpe e descola de governo em atos contra anistia e 1964

brasil

Animados pela decisão que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) réu sob acusação de envolvimento na trama golpista, movimentos de esquerda marcaram uma sequência de atos ao longo desta semana contra pedidos de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e em memória dos 61 anos do golpe militar.

Foram anunciadas ao menos 30 manifestações entre sexta (28) e terça-feira (1º), em 20 cidades.

As frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular farão 29 mobilizações, em municípios de diversos estados do país. Já o coletivo de advogados Prerrogativas promoverá um ato na segunda-feira (31), na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), na capital paulista.

Pelo segundo ano consecutivo, o governo Lula (PT) não realizará atos oficiais em memória da data que marca o golpe militar de 1964.

No ano passado, no aniversário de 60 anos, o presidente orientou os ministérios a não fazerem nem críticas nem cerimônias ligadas ao tema, em uma tentativa de não tensionar a relação com os militares.

Em 2025, no entanto, o clima proporcionado pelo julgamento de Bolsonaro incentivou grupos próximos ao governo a lembrarem a data.

O grupo Prerrogativas –com ao menos cinco integrantes em cargos públicos na gestão Lula– coordena o ato público Sem Anistia na PUC-SP, que contará com integrantes históricos do PT, como José Dirceu e José Genoino. O mote é oposição ao perdão aos envolvidos no 8 de janeiro e o aniversário do golpe de 1964.

Parte do grupo manifestou arrependimento por não ter organizado nenhum evento no ano passado. Integrante do governo demonstraram certo incômodo com o ato, segundo interlocutores. Para um membro da secretaria nacional do PT, que disse compreender o simbolismo, o tema da anistia não deveria ser abordado, porque poderia intensificar a tensão no país.

O ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo Adriano Diogo (PT) diz que outro fator importante para a realização do ato da PUC-SP foi a repercussão do filme “Ainda Estou Aqui”, que conta a história do ex-deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura.

“A culpa de não ter tido nada oficial do governo no ano passado foi do José Múcio [ministro da Defesa, responsável pela articulação com o Exército]. O que mudou a conjuntura foi o filme e o Oscar de Ainda Estou Aqui, tanto que a família Paiva foi recebida no Palácio do Planalto”, afirmou Adriano Diogo.

No ano passado, Lula disse que preferia não ficar “remoendo” sobre o golpe de 1964 porque isso “faz parte do passado” e ele queria “tocar o país para frente”.

Questionado, o presidente do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou não considerar a postura do governo omissa.

“Lula tem comemorado a vitória da democracia no dia 8 de janeiro, o que também é uma forma de recordar os períodos pelos quais nosso país passou. Nós, como sociedade civil, faremos nossa parte”, afirmou.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania afirmou que a pasta demonstra, por meio de ações, seu compromisso com a democracia, a verdade e a memória da história política do Brasil. Em nota, destacou ações em março sobre o tema.

Entre eles, está o pedido de desculpas da ministra Macaé Evaristo às famílias de mortos e desaparecidos por negligência da União na guarda e identificação de remanescentes da vala de Perus.

Apesar da falta de eventos oficiais por parte do governo, as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular esperam para o ato de domingo (30), em São Paulo, quadros da base do governo Lula, como o líder do PT na Câmara Lindbergh Farias (PT-RJ) e os também deputados Erika Hilton (PT-SP) e Guilherme Boulos (PSOL-SP).

A ideia é uma caminhada da avenida Paulista até o antigo DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de tortura da ditadura militar na cidade.

As frentes são integradas por militantes de PT, PSOL, PCdoB, PV e Rede, além de entidades como CUT (Central Única dos Trabalhadores), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e UNE (União Nacional dos Estudantes).

Coordenadora nacional do MTST e da frente Povo Sem Medo, Ana Paula Ribeiro diz que a proximidade das datas do julgamento da denúncia de Bolsonaro e do golpe de 1964 tornou a realização do ato ainda mais simbólica.

“A gente quis juntar essas duas pautas porque elas se relacionam demais. Bolsonaro, nos seus quatro anos de governo, investiu nesse tema [da ditadura] dizendo que não foi golpe, alimentou a vida política de militares, tratou os militares da ditadura como heróis. E a gente continua nas ruas por memória e justiça, lembrando dos presos e torturados na ditadura e atuando para que isso não se repita”, afirmou.

Ela disse também declarou que os movimentos sociais sempre se manifestaram na data, independentemente de apoio do governo federal. “É uma opção do governo [a ausência de atos oficiais], não nos cabe julgar nesse aspecto”, disse.
O grupo também manifestará repúdio às articulações no Congresso pela anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.

“O Brasil exige justiça”, disse Guilherme Boulos, que tem feito publicações nas redes sociais convocando para o ato em São Paulo.

Cidades com atos marcados:

28.mar
– Goiânia (GO): Praça Universitária, às 16h
29.mar
– Campo Grande (MS): Praça do Rádio, às 9h
– Feira de Santana (BA): Praça do Nordestino, às 9h
– Itabuna (BA): Praça Adami, às 9h30
30.mar
– Belém (PA): Praça da República, às 8h30
– Belo Horizonte (MG): Praça da Independência, às 9h
– Recife (PE): Parque Treze de Maio, às 9h
– São Luís (MA): Praça Benedito Leite, às 9h
– Curitiba (PR): Praça João Cândido, às 9h30
– Brasília (DF): Eixão Norte, às 10h
– São Paulo (SP): Praça Oswaldo Cruz, às 13h
– Fortaleza (CE): Estátua da Praia de Iracema, às 16h
31.mar
– Niterói (RJ): Reitoria da UFF, às 10h30
– Ribeirão Preto (SP): Esquina Democrática, às 16h
– Fortaleza (CE): Sede do PT no Ceará, às 18h30
1°.abr
– Aracaju (SE): Calçadão da João Pessoa, às 8h
– Campo Grande (MS): Praça do Rádio, às 9h
– Feira de Santana (BA): Praça do Nordestino, às 9h
– Itabuna (BA): Praça Adami, às 9h30
– Niterói (RJ): Reitoria da UFF, às 10h30
– Brasília (DF): Quadra 01 Bloco J (Setor Bancário Sul), às 12h
– Salvador (BA): Praça da Piedade, às 14h30
– João Pessoa (PB): Prédio da OAB/PB, às 15h
– Rio de Janeiro (RJ): Dops/AIB, às 15h
– Teresina (PI): Praça do Fripisa, às 16h
– Ribeirão Preto (SP): Esquina Democrática, às 16h
– Uberlândia (MG): Câmara Municipal, às 17h
– São Paulo (SP): Pateo do Collegio, às 18h
– Fortaleza (CE): Sede do PT no Ceará, às 18h30

Juliana Arreguy e Victória Cócolo / Folhapress

Em Salvador, Caiado lança pré-candidatura ao Planalto com partido dividido e bolsonarismo desconfiado

 Foto: Secom / GO

Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil)30 de março de 2025 | 07:16

Em Salvador, Caiado lança pré-candidatura ao Planalto com partido dividido e bolsonarismo desconfiado

brasil

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), dá o pontapé inicial da sucessão presidencial de 2026 e lança sua pré-candidatura ao Planalto na próxima sexta-feira (4) em um cenário que inclui divisões internas em seu próprio partido e desconfiança do eleitor bolsonarista.

Aos 75 anos, o goiano que ascendeu para a política como fundador da UDR (União Democrática Ruralista) e foi um ferrenho opositor dos governos petistas, agora tenta se cacifar para entrar na disputa presidencial pela segunda vez – a primeira foi em 1989, quando ficou em 10º lugar.

Em seu segundo mandato com governador de Goiás, Caiado quer aproveitar o vácuo na direita com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pautar temas como o da segurança pública e atuar como contraponto ao governo Lula (PT).

O caminho até a urna, contudo, não será fácil. O primeiro desafio superar as turbulências internas do União Brasil e garantir a unidade em torno de seu projeto presidencial – parte da bancada do partido apoia o governo Lula, e outra parcela segue fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ala lulista é liderada pelos ministros Celso Sabino (Turismo) e Juscelino Filho (Comunicações), além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, padrinho político do ministro Waldez Góes (Integração Nacional).

Entre os aliados de Bolsonaro estão os governadores Mauro Mendes (Mato Grosso), Wilson Lima (Amazonas) e Marcos Rocha (Rondônia), além de uma parte das bancadas na Câmara e Senado. A expectativa é ausência dos líderes das duas alas no lançamento da pré-candidatura.

Cerca de 5.000 pessoas foram mobilizadas para o ato em Salvador. Na ocasião, Caiado será agraciado com um título de Cidadão Baiano e uma Comenda 2 de Julho, ambas propostas quando o hoje prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), era deputado.

A organização do evento foi precedida de pressões internas no União Brasil. O grupo de Alcolumbre, que em fevereiro sinalizou apoio a Lula em um ato no Amapá, trabalhou para esvaziar a participação de parlamentares no evento.

O timing também for criticado pela ala bolsonarista -o ato será na semana seguinte ao recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que tornou Bolsonaro réu sob acusação de integrar o núcleo central de uma trama golpista em 2022.

Até mesmo a escolha do local da solenidade foi motivo de embate. Houve pressão para esta fosse na Assembleia Legislativa, com caráter mais institucional. Mas prevaleceu a escolha do Centro de Convenções de Salvador.

Na terça-feira (25), diante de notícias sobre um possível adiamento do ato, Caiado foi às redes sociais para reafirmar que este seria mantido.

“Sei que minha postura de oposição ao governo do PT incomoda aqueles que estão no poder, mas isso não abala minhas convicções. Estou determinado a apresentar uma plataforma de mudança para o Brasil”, afirmou.

O pontapé para a pré-campanha também acontece no momento em que o União Brasil negocia uma federação partidária com o PP.

Caiado classificou a união dos partidos como “um tiro no pé” por gerar conflitos internos, mas as cúpulas das legendas avançam nas negociações. Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, disse que não há incômodo com o lançamento da pré-candidatura.

“Não tem desconforto, tenho grande admiração pelo governador Caiado”, diz Nogueira, citando a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, como possível candidata de seu partido.

Em reserva, parte da bancada do União Brasil diz considerar prematuro o debate sobre a sucessão presidencial, citam as negociações da federação e defendem cautela em meio a um cenário de indefinição do campo da direita.

Mesmo inelegível, Bolsonaro se reafirmou candidato à Presidência. Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, se movimentam como possíveis candidatos da direita.

No União Brasil, Tarcísio é visto como o único que poderia fazer Caiado recuar em nome da unidade. Em caso de pulverização, a expectativa é que o governador de Goiás mantenha a candidatura.

Caiado terá pouco mais de um ano ganhar visibilidade e fôlego nas pesquisas. Em fevereiro, o governador chegou a anunciar que comporia uma chapa com o cantor sertanejo Gusttavo Lima, mas perdeu o trunfo após o artista afirmar que não será candidato a nenhum cargo em 2026.

Outro desafio será superar a desconfiança de uma fatia do eleitorado que apoiou Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais. Caiado tem um histórico recente de embates com Bolsonaro, que até hoje gera reações de bolsonaristas contra o governador goiano.

Ambos chegaram a romper relações no início da pandemia, quando Caiado, que é médico, criticou declarações feitas por Bolsonaro sobre a crise sanitária.

Em 2024, protagonizaram novo embate na disputa entre a prefeitura de Goiânia. Em comício, Bolsonaro chamou o governador de covarde pela postura na pandemia. Caiado retrucou e, após a vitória de seu aliado nas urnas, disse que o país cansou do jeito como Bolsonaro faz política.

Aliados minimizam os embates: “Existiram divergências, mas o atrito é natural da política. A direita precisa se unir e Caiado é direita raiz”, afirma Delegado Valdir, vice-presidente do União Brasil em Goiás.

João Pedro Pitombo / Folhapress

Direita é sempre a favor da liberdade de expressão que a esquerda relativiza

Publicado em 29 de março de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Jovens, que eram público quase cativo da esquerda,  aderem à extrema direita

Charge do J.Caesar (Veja)

Mario Sabino
Metrópoles

Essa é uma daquelas certezas que não resistem ao teste da realidade em qualquer latitude. No fundo e também na superfície, tanto um lado quanto o outro defendem a liberdade de expressão absoluta para quem concorda com a sua respectiva opinião e a relativa (ou liberdade de expressão nenhuma) para quem discorda.

Veja-se o caso do ex-estudante da Universidade Columbia, o palestino criado na Síria Mahmoud Khalil. Ele foi detido pelo governo Trump e pode ser deportado porque era um dos líderes dos alegados protestos pró-Palestina, depois do ataque terrorista do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que logo se revelaram odiosos atos antissemitas no campus da instituição.

POLÍTICA EXTERNA – A acusação formal é a de que a presença e as atividades de Mahmoud Khalil nos Estados Unidos têm sérias consequências adversas para a política externa americana.

Não vou entrar mais do que já entrei no mérito do caso ou na falta dele. O dado que interessa é que, para defender o rapaz, a esquerda utiliza o argumento que está associado à direita: ao deter Mahmoud Khalil, o governo Trump atentaria contra a liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição do país a todas as pessoas que vivem nos Estados Unidos, nativas ou estrangeiras.

Tal como faz a direita quando lhe é conveniente, a esquerda alega que a Primeira Emenda permite, inclusive, advogar o ódio e a violência desde que ela não incite a uma ação ilegal iminente. Ou seja, isso protegeria os estudantes que, em Columbia, gritavam em favor de uma nova intifada palestina e contra a própria existência de Israel.

EFEITO INIBIDOR – Mais: a esquerda afirma que, ao deter Mahmoud Khalil e também sancionar financeiramente Columbia e outras universidades por causa de manifestações, o governo Trump busca inibir a liberdade de expressão dos seus opositores, em qualquer assunto, por meio do “chilling effect”, o efeito inibidor que ocorre quando o governo insinua penalidades para opiniões divergentes.

No chilling effect, começam a surgir notícias de que a imigração americana estaria dificultando ou até mesmo impedindo a entrada nos Estados Unidos de estrangeiros que criticaram Donald Trump, ao que parece um crime de lesa-majestade.

Os petistas e os bolsonaristas poderiam, por favor, explicar qual é o seu ponto de vista sobre o assunto? Seria uma ironia que a esquerda liberticida se tornasse libertária e a direita libertária se mostrasse liberticida, não fossem todos humanos, demasiadamente humanos, a hipocrisia como o denominador comum de ambos os lados desde sempre.


Nota oficial dos militares mostra que a história do golpe está mal contada


PF prende suspeitos de atuar em noite de caos em Brasília - 29/12/2022 -  Poder - Folha

Em 12 de dezembro. kids pretos tentaram instaurar o caos

Francisco Leali
Estadão

O inquérito do golpe virou ação penal do golpe. E já são 8 os réus. O ex-presidente Jair Bolsonaro está entre eles. No meio da papelada do processo, um documento ajuda a mostrar como parte da cúpula das Forças Armadas agiu fora dos ritos formais nos dias em que pairava no governo a ameaça de ruptura da ordem democrática.

O texto é uma nota assinada pelos então três comandantes das Forças Armadas – almirante Almir Garnier (Marinha); general Marco Antônio Freire Gomes (Exército); e brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior (Aeronáutica) –, e divulgada no dia 11 de novembro de 2022 no site da Força Aérea Brasileira (FAB).

AINDA ACESSÁVEL – Até hoje está disponível neste link aqui. A divulgação da nota dos ex-comandantes foi antecipada pelo Blog do Fausto, no Estadão, naquele 11 de novembro.

Com o título “Às Instituições e ao Povo Brasileiro”, a mensagem foi reproduzida no mês passado em um dos itens da denúncia da Procuradoria Geral da República contra Bolsonaro e outros indiciados por tentativa de golpe de Estado.

Segundo o relato do Ministério Público, o delator Mauro Cid disse que aquela nota foi feita sob encomenda do ex-presidente e serviu para incentivar seus apoiadores que estavam acampados na porta dos quartéis e não aceitavam o resultado das eleições que resultaram em vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva.

DIZEM OS COMANDANTES – O texto começava assim: “Acerca das manifestações populares que vêm ocorrendo em inúmeros locais do País, a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira reafirmam seu compromisso irrestrito e inabalável com o Povo Brasileiro, com a democracia e com a harmonia política e social do Brasil, ratificado pelos valores e pelas tradições das Forças Armadas, sempre presentes e moderadoras nos mais importantes momentos de nossa história.”

No mesmo dia de sua publicação, o 11 de novembro, Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, mandou um áudio ao celular do comandante do Exército, general Freire Gomes.

Agradeceu a publicação e explicou seu efeito ao então comandante: “Com a Carta das Forças Armadas, o pessoal elogiou muito, eles estão se sentindo seguros pra dar um passo à frente… E o que eles entenderam dessa carta? Que, obviamente, que os movimentos vão ser convocados de forma pacífica, e eles estão sentindo o respaldo das Forças Armadas”.

ENTENDEU ERRADO – Ouvido pela Polícia Federal, Freire Gomes disse que Cid fez interpretação errada. A nota não foi feita a pedido do presidente e a ideia era pacificar os ânimos. O mesmo Freire Gomes contou à polícia que dias depois foi apresentado à tal minuta do golpe e avisou que não iria aderir a golpe.

O brigadeiro Baptista Junior também prestou depoimento, confirmou os movimentos de Bolsonaro em direção golpista, mas não foi questionado sobre o tema da nota.

O almirante Almir Garnier alegou direito de ficar calado e saiu sem falar nada. Dos três, é o único na lista dos denunciados e agora também é réu no STF.

TEMA RECORRENTE – A real motivação dos três ex-comandantes para divulgar a nota naquele momento é tema que volta na investigação criminal já que o documento está no processo e referido pela acusação como prova de interferência de Bolsonaro.

As três Forças foram solicitadas, por meio da Lei de Acesso à Informação, a apresentar os documentos que deram origem àquela manifestação.

As três deram respostas de conteúdo similar. Declararam que não há parecer, ofício, relatório ou qualquer outro registro relacionado ao texto dos comandantes. A FAB, que publicou a nota em seu site, foi categórica: “Não existem processos físicos ou eletrônicos, mensagens, ofícios, memorandos, minutas ou quaisquer outros registros recebidos ou produzidos por este Comando ou pelas demais Forças Militares, do Ministério da Defesa e/ou da Presidência da República, relacionados à produção e divulgação da nota referenciada em seu pleito”.

TUDO É GUARDADO – Militares são formalistas. Nas três Forças, documentos são catalogados, classificados e guardados seguindo normas próprias.

A inexistência de qualquer dado sobre como o texto redigido é pista sobre aqueles dias de conspiração em projeto.

Indica que pouquíssima gente poderia passar os olhos no documento ou mesmo saber de sua confecção antes de vir a público. Tudo feito para não deixar rastros. E revela que toda a história da tentativa de golpe ainda não está inteiramente contada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo do Francisco Leali. Mostra que a Tribuna da Internet está no caminho certo ao defender a tese de que os militares eram entusiastas do golpe, desde que houvesse um motivo, como a fraude eleitoral ou a GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Mas não houve fraude e o primeiro gatilho da GLO fracassou, na instauração de caos em 12 de dezembro, depois da diplomação de Lula como presidente eleito. Naquela noite, militares kids pretos e manifestantes barbarizaram Brasília, tentaram atacar a Polícia Federal, queimaram ônibus e carros, invadiram empresas e postos de gasolina, para roubar botijões de gás e tudo o mais. O segundo gatilho para o golpe foi o 8 de Janeiro, mas Lula já estava no poder e não decretou GLO, esvaziando o golpe. O resto é folclore, como dizia Sebastião Nery. (C.N.)

Em destaque

Câmara aprova reajuste para servidores com um impacto de R$ 4,3 bilhões para este ano

  Câmara aprova reajuste para servidores com um impacto de R$ 4,3 bilhões para este ano Proposta também cria novo instituto federal em Patos...

Mais visitadas