quinta-feira, outubro 17, 2024

A insegurança pública que aterroriza o Rio de Janeiro diante da inércia governamental


Ônibus são sequestrados e usados como barricada no Itanhangá

Pedro do Coutto

Mais uma vez, o Rio de Janeiro viu em seu cotidiano os reflexos da violência que há décadas assola a cidade. Nesta quarta-feira, nove ônibus foram sequestrados por criminosos e usados como barricadas no Itanhangá, na Zona Oeste, durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na comunidade da Tijuquinha. A Estrada do Itanhangá dá acesso às comunidades da Muzema, Tijuquinha e Rio das Pedras, áreas comandadas por criminosos que aterrorizam moradores e permanecem intocáveis.

De acordo com o sindicato das viações que operam na capital, os bandidos pediram para os passageiros descerem e atravessaram os veículos na via. É o tipo de estratégia que a bandidagem utiliza para desviar a atenção da Polícia Militar, tentando criar essa cortina de fumaça, levando a desordem e o caos para pessoas inocentes.

INTERDIÇÃO – A via foi interditada nos dois sentidos e, em função disso, uma longa fila de ônibus se formava na região. As emissoras de televisão registraram muitos carros manobrando para escapar do local. Várias linhas de coletivos que circulam na localidade tiveram o itinerário alterado, mexendo também com a rotina de centenas de trabalhadores.

Por incrível que pareça, segundo a Polícia Civil, o crime organizado tem uma espécie de função para gerentes de barricadas, responsáveis por instalar bloqueios nas comunidades do Rio para dificultar o acesso dos agentes.

DESVIOS – “Nos últimos 12 meses, já foram 130 veículos sequestrados. Todas as linhas que circulam pela região estão sofrendo desvios de itinerário. A recorrência dos casos reitera a necessidade de ações efetivas por parte das autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro”, informou o sindicato que representa as empresas. Em 2024, até o momento, 95 ônibus foram sequestrados para serem utilizados como barricadas e oito foram incendiados.

Este não foi um ato isolado, infelizmente. E não adianta, após o ocorrido, o governador do Rio ou qualquer outra autoridade pública prometer, mais uma vez, que a segurança será reforçada e que o efetivo disponível aumentará. O cidadão está cansado de promessas e discursos que nunca se tornam realidade. A insegurança está instaurada há longas gestões e até o momento sem perspectiva de que algo será feito. A solução fica apenas nos rascunhos de campanhas eleitorais, mas sem nunca sair do papel.

Voto em candidatas do PSD em Salvador chegou a custar R$ 1.183

 Foto: Divulgação/Arquivo

Câmara Municipal de Salvador17 de outubro de 2024 | 07:11

Voto em candidatas do PSD em Salvador chegou a custar R$ 1.183

exclusivas

Pelo menos oito candidatas do PSD à Câmara de Vereadores de Salvador terminaram as eleições sem fazer jus ao montante expressivo de doações que receberam da direção nacional do partido.

Juntas, elas tiveram 3.810 votos, diante de um investimento de R$ 4,3 milhões – o que dá uma conta média de R$ 1.135 por cada voto recebido.

Estão na lista das maiores beneficiárias as candidatas Alexandra Deering, que recebeu R$ 585 mil e teve 867 votos; Ariane Carla (R$ 585 mil para 271 votos); Gabriela Bahia (R$ 298 mil para 242 votos); Ingrid Graciliano (R$ 585 mil para 313 votos); Isabel Guimarães (R$ 580 mil para 554 votos); Ivete Araújo (R$ 522 mil para 549 votos); Paulinha Social (R$ 585 mil para 756 votos); e
Rosa Santana (R$ 585 mil para 258 votos).

Os valores constam no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registra as doações e os gastos de campanha de cada candidato.

A soma de todos os votos recebidos pelas oito candidatas é menos da metade dos votos de Felipe Santana, único vereador eleito pelo PSD em Salvador, com 7. 825 votos. Santana, a propósito, teve aporte inferior ao que foi destinado à maioria de suas correligionárias. Segundo o TSE, ele recebeu repasse de R$ 417 mil da Executiva nacional do PSD.

A disparidade entre o volume de recursos e a quantidade de votos recebidos é ponto de atenção do TSE para combater a prática de “candidaturas laranjas”. Não há sobre o PSD, todavia, acusações nesse sentido.

Sem tradição eleitoral em Salvador, o partido comandado pelo senador Otto Alencar (PSD) obteve 45.735 votos, o que corresponde a 3,41% de toda a votação proporcional, sendo a 12º sigla mais votada na capital baiana.

O PSD fez parte da coligação majoritária que apoiou o vice-governador Geraldo Júnior (MDB) – derrotado em acachapante terceiro lugar – e, mesmo “nanico”, causou incômodo na base estadual depois que uma das candidatas declarou adesão à campanha do prefeito Bruno Reis (União Brasil).

Ivete Araújo foi agraciada com R$ 522 mil da cúpula nacional do PSD e mesmo assim abandonou a campanha de Geraldo e fez manifestações públicas pela reeleição de Bruno Reis. No final do pleito, teve apenas 549 votos. Mas se tivesse sido eleita, enfrentaria reprimenda da legenda, conforme Otto já havia sinalizado. “Isso é um caso claro de infidelidade partidária”, disse o senador, à época.

Veja a lista com o comparativo entre doações e votos recebidos:

– Alexandra Deering – R$ 585 mil – 867 votos
– Ariane Carla – R$ 585 mil – 271 votos
– Gabriela Bahia – R$ 298 mil – 242 votos
– Ingrid Graciliano – R$ 585 mil – 313 votos
– Isabel Guimarães – R$ 580 mil – 554 votos
– Ivete Araújo – R$ 522 mil – 549 votos
– Paulinha Social – R$ 585 mil – 756 votos
– Rosa Santana – R$ 585 mil – 258 votos

PoliticaLivre

Filha de ministro do STJ teve quadro de R$ 70 mil desviado por grupo criminoso

 

Filha de ministro do STJ teve quadro de R$ 70 mil desviado por grupo criminoso
Foto: Reprodução

A filha de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi uma das vítimas de um grupo criminoso especializado em desviar obras de arte de alto valor. O esquema foi alvo da Operação Portinari, realizada pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural) na última terça-feira (15), no Distrito Federal.

 

Segundo informações do site Metrópoles, a filha do magistrado havia arrematado o quadro em um leilão no Rio de Janeiro e a obra seria enviada por meio de uma empresa especializada. As investigações apontam, contudo, que os criminosos conseguiam fraudar o sistema de entregas de mercadorias.

 

O grupo fazia o rastreio das obras de arte e desviava do endereço original para um endereço falso na Estrutural.

 

Ainda conforme divulgado, há indícios de que a associação criminosa é responsável por desvio de obras no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Sergipe não é santo, mas está vivendo de promessas

 em 17 out, 2024 8:21

Adiberto de Souza

Está virando rotina se anunciar grandes investimentos em Sergipe. Agora, o Executivo divulga com estardalhaço o desejo da empresa South Atlantic Potash de explorar potássio em áreas do pré-sal em Sergipe. Será mais uma promessa vazia, a exemplo de tantas outras já feitas?  Entre elas se destacam a instalação no estado de uma refinaria de petróleo, com capacidade para processar mais de 50 mil barris/dia, e o interesse de empresários da distante Bielorússia em implantar em Boquim uma fábrica de mini tratores. No ano passado, se anunciou a instalação em Carira de uma indústria calçadista. O próprio governo vislumbrou exportar, em larga escala, para a Irlanda a nossa renda irlandesa. Aliás, as promessas não cumpridas vêm de longe. Na gestão passada, empresários se disseram interessados em implantar uma refinaria para produzir nafta e diesel específico para motores de navios. Em 2019, também se festejou a prometida instalação de uma fábrica de caminhões movidos a gás. Ressalte-se que outros investimentos de menor porte divulgados nos últimos anos também não saíram do papel. Tomara que se concretize a promessa feita ontem de extrair do fundo do mar sergipanos três bilhões de toneladas de potássio, porém, é melhor não comemorar o ovo no fiofó da galinha, pois, como dizem por aí, gato escaldado tem medo de água fria. Marminino!

Ovas de camarão

Essas promessas sobre grandes empreendimentos que nunca se concretizam, lembram o famoso golpe aplicado em Sergipe, na década de 70, por um sujeito de fala mansa. Segundo escreveu o saudoso poeta e jornalista Amaral Cavalcante, “o safado convenceu o governo que em nossas praias se desperdiçava a riqueza industrializável da ova de camarão e, para melhor convencimento, fez os nossos técnicos mastigarem a areia da Atalaia: ‘Isto é ouro puro, sinta o gosto. Vamos exportar para o mundo!’, dizia saltitante. Foi-se para as Bahamas, com um saco de dinheiro emprestado pelo Banese, e babau”. Creindeuspai!

Grande marcha

Uma marcha em defesa da educação, por valorização e respeito à categoria encerra, hoje, a paralisação de três dias dos professores da rede estadual de ensino. Os educadores também condenam a destruição de direitos, defendem a devolução dos 14% dos aposentados e, principalmente, exisgem respeito ao magistério. A concentração será às 14 horas, no estacionamento do Parque da Sementeira. De lá, a marcha seguirá até o palácio do governo. Participe!

Sem debate

A candidata a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL), se recusou em participar do debate que a TV Atalaia realizaria hoje à noite. Diante da recusa, a emissora decidiu disponibilizar 10 minutos no Programa Balanço Geral para entrevistar o prefeiturável Luiz Roberto (PDT). Aliás, Emília já havia se recusado a participar de um debate com o pedetista na Rádio Fan/FM. Há quem garanta que a fidalga também não comparecerá ao debate da TV Sergipe, agendado para às 22 horas do próximo dia 25. Misericórdia!

Abaixo o feminicídio

A cada 15 horas uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil. É o que revela o novo boletim Elas Vivem, da Rede de Observatórios da Segurança. Em 72,70% dos casos, o criminoso era parceiro ou ex-parceiro da vítima. Em 38,12% dos crimes, o assassino estava munido de armas brancas e, em 23,75%, por armas de fogo. Bianca Lima, pesquisadora da Rede de Observatórios da Segurança, defende que “o Estado precisa chegar nessas mulheres antes mesmo que a violência aconteça”. Santo Cristo!

Sob nova direção

O tenente-coronel Silvio Prado é o novo superintendente da SMTT de Aracaju. Ele foi nomeado, ontem, pelo prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) para substituir Renato Telles. No mesmo ato, o pedetista nomeou o ex-gestor da SMTT como diretor-executivo do Consórcio Metropolitano do Transporte Coletivo, função que o distinto já exercia de forma interina. Silvio Prado já foi secretário da Defesa Social e coordenador-geral da Defesa Civil. Boa sorte aos dois em suas novas empreitadas. Aff Maria!

O Consórcio Nordeste vai instalar, hoje, um comitê visando monitorar e enfrentar situações de emergência climática em Sergipe e nos outros oito estados nordestinos. A expectativa é a de viabilizar assessoramento técnico especializado aos estados, além de promover cooperações e estruturar políticas públicas que fortaleçam a resiliência climática do Nordeste. Segundo o Consórcio, “a iniciativa reflete a preocupação dos governadores da região com o atual cenário de emergências climáticas”. Então, tá!

Bom de diálogo

O vereador Vinícius Porto (PDT) fez discurso, ontem, na Câmara de Aracaju para elogiar a capacidade de diálogo e o respeito ao parlamento demonstrado pelo candidato a prefeito Luiz Roberto (PDT), quando estava à frente da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Segundo Porto, a capacidade de diálogo do ex-gestor e hoje prefeiturável “era elogiada até mesmo pela oposição, seja a da época ou a estabelecida durante este ano”, frisou. Ah, bom!

Rasgação de seda

O presidente Lula da Silva (PT) vive surpreendendo os ministros. Muitas vezes o “Barba” esculacha os distintos em público, como já fez com Márcio Macêdo, da Secretaria Geral da Presidência, outras é só elogios. Foi o que ocorreu ontem em Natal (RN). Durante seu discurso, Lula rasgou seda para Márcio que, segundo disse, é cria do saudoso ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), e vem fazendo um excelente trabalho à frente do Ministério. Durma com um barulho desses!

Abaixo o etarismo

A vereadora Sônia Meire (Psol) acionou a Justiça contra as exigências feitas no edital do concurso aberto pela Secretaria da Educação de Aracaju. A psolista é contra que se exija dos professores de educação física o registro no Conselho da categoria. Também condena a limitação de idade máxima de 50 anos para quem deseja concorrer a uma vaga de professor de Educação Física. Sônia lembra que a Constituição Federal proíbe a discriminação por idade no acesso ao trabalho, especialmente em cargos públicos. O nome disso é etarismo. Home vôte!

Fome mata

A deputada estadual Linda Brasil (Psol) denunciou na Assembleia a crise de insegurança alimentar vivida por mais de 56% dos lares sergipanos. A parlamentar se fundamentou em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e do IBGE referentes a este ano. Linda ressaltou que em 2022, cerca de 121 bebês com menos de um ano de idade foram internados em Sergipe por desnutrição e deficiências nutricionais. Por fim, Linda alertou que o programa Prato do Povo, o Restaurante Popular Padre Pedro e a distribuição de cestas de alimentos, são insuficientes para combater a fome de forma estrutural. Com a palavra o governo Mitidieri. Cruz, credo!

INFONET

Aracaju: novo esquema de vacinação contra a pólio inicia em novembro

 em 16 out, 2024 16:26

(Foto: Ascom/SES)

Em julho deste ano, o Ministério da Saúde anunciou a substituição da vacina oral pela injetável contra poliomielite. A orientação foi de recolher a vacina oral no final do mês de setembro para iniciar o novo esquema em novembro. Desta forma, a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), informa que o recolhimento da “gotinha” já foi realizado e, no dia 4 de novembro, iniciará a aplicação da vacina injetável.

De acordo com a coordenadora de Imunização da SMS, Larissa Ribeiro, desde o dia 28 de setembro até 3 de novembro, deve ser priorizado o esquema primário de vacinação para a proteção das crianças menores de 5 anos de idade contra a pólio, com a 1ª dose (2 meses de idade); 2ª dose (4 meses); 3ª dose (6 meses) com a vacina VIP, em todas as Unidades de Saúde da Família (USFs) da capital. “Ou seja, somente o reforço que será aplicado a partir do dia 4 de novembro, as demais doses continuam sendo aplicadas normalmente”, frisa.

O processo de mudança para o novo esquema vacinal da poliomielite substitui as duas doses de reforço com vacina oral poliomielite bivalente (VOPb), conhecida como gotinha, por uma dose de vacina inativada poliomielite (VIP), que é injetável.

“A partir do dia 4 de novembro, o esquema vacinal será com a 1ª dose [2 meses de idade]; 2ª dose [4 meses]; 3ª dose [6 meses] e uma dose de reforço aos 15 meses de idade, não sendo mais necessário a aplicação aos 4 anos de idade, já que o esquema vacinal com quatro doses vai garantir proteção contra a pólio, e essa é a principal mudança. A atualização considerou os critérios epidemiológicos e as evidências relacionadas à vacina”, frisa a coordenadora.

A poliomielite é uma doença grave caracterizada por um quadro de paralisia flácida causada pelo poliovírus selvagem (PVS) tipo 1, 2 ou 3, que em geral acomete os membros inferiores de forma assimétrica e irreversível. O último caso de infecção pelo poliovírus no Brasil ocorreu em 1989. No ano de 1994, o país recebeu a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem, e está há 34 anos sem casos da doença.

“A vacinação é a única forma de prevenção contra a poliomielite, doença considerada grave, cujas principais sequelas são: problemas e dores nas articulações, crescimento diferente das pernas, osteoporose, paralisia de uma das pernas, paralisia dos músculos da fala e da deglutição, dificuldade de falar e atrofia muscular”, completa Larissa.

Fonte: Ascom/SMS

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Oswaldo Eustáquio rebate Moraes e diz que o “Brasil passará vergonha”

Publicado em 16 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

Alexandre de Moraes ganha troféu Sancho Pança de revista

Moraes pede a extradição antes de concluir o inquérito

Eduardo Barretto
Metrópoles

O militante bolsonarista Oswaldo Eustáquio criticou nesta terça-feira (15/10) a decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes que pediu sua extradição. Eustáquio está há um ano e meio na Espanha, onde pediu asilo.

“Mais uma decisão injusta, arbitrária e persecutória de Alexandre de Moraes, que vem me perseguindo desde 2020, quando me prendeu preventivamente. Até hoje nada descobriram sobre mim. Essa decisão fará o Brasil passar vergonha em âmbito internacional, porque tenho proteção como exilado político na Espanha”, afirmou Eustáquio à coluna, acrescentando: “É exagero pedir a extradição de alguém que nem sequer foi indiciado”.

FASE INICIAL – Eustáquio é investigado no STF pelos supostos crimes de embaraçamento em investigação, violação de segredo, incitação ao crime e corrupção de menores. Segundo a PF, o bolsonarista atuou nas redes sociais para intimidar delegados. O blogueiro Allan dos Santos também é alvo dessa apuração.

Oswaldo Eustáquio está foragido de duas ordens de prisão assinadas por Moraes: uma em dezembro de 2022, durante o governo de transição, e outra em agosto deste ano. O mandado de prisão mais recente contrariou a Procuradoria-Geral da República.

Em 14 de agosto, quando Moraes voltou a determinar a prisão de Eustáquio, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do militante em Brasília, onde moram sua filha adolescente e sua esposa, ex-secretária do governo Bolsonaro. A investigação suspeita que a jovem seja usada por Eustáquio para driblar restrições impostas pelo Supremo. Em março do ano passado, Moraes mandou bloquear as contas bancárias da adolescente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Infelizmente, o blogueiro tem razão. Sua prisão e extradição não serão concedidas, porque ainda nem existe processo contra ele. No seu caso, o inquérito foi aberto há quatro anos e ainda não acabou. Como é que as autoridades espanholas vão atender a Moraes, se ele demonstra que não consegue nem processar o blogueiro? Realmente, é lamentável quando um ministro do Supremo não cumpre a lei. Numa democracia verdadeira, o inquérito do fim do mundo não valeria uma moeda de três dólares. Todas as acusações já estariam anuladas por decurso de prazo. Mas no Brasil… (C.N.)


New York Times pergunta se o STF salva ou ameaça nossa democracia


Sede do New York Times -- Metrópoles

Imprensa americana não aceita o autoritarismo do Supremo

Mario Sabino
Metrópoles

O STF foi tema de mais uma reportagem do jornal americano The New York Times. O título da matéria é “A Suprema Corte do Brasil está salvando a democracia ou ameaçando-a?”.  A reportagem mostra como, depois de aumentar excepcionalmente os seus poderes sob a justificativa de conter o que seriam as ameaças bolsonaristas ao Estado de Direito, o tribunal se tornou motivo de preocupação por se recusar a voltar ao leito da normalidade democrática.

Entre as pessoas ouvidas pelo jornal, está Tom Ginsburg, professor de Direito Constitucional Comparado da Universidade de Chicago, que resumiu bem a preocupação.

DIZ O JURISTA -“Mesmo que algumas das decisões (do STF) possam ser boas e algumas possam fazer sentido, muitos veem isto como um verdadeiro excesso com efeito assustador na liberdade de expressão no Brasil”, disse Tom Ginsburg.

“Em uma democracia, você precisa poder criticar todas as instituições governamentais”, assinalou o professor da Universidade de Chicago.

A reportagem diz que “a agressão da corte agora atrai a atenção global, com a ajuda de Elon Musk”, antes de relatar a censura ao X imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, porque o dono da rede social se recusou a obedecer às ordens do ministro para suspender perfis de comentaristas de direita que supostamente atentavam contra a democracia brasileira.

CRITICAS DA PROCURADORIA – Os inquéritos sigilosos intermináveis, que nasceram no já longínquo 2019, são objeto de críticas de integrantes da Procuradoria-Geral da República. “Em entrevistas, quatro altos funcionários da Procuradoria-Geral do Brasil descreveram as ações do tribunal como uma ampla captura de poder, disseram que faltava responsabilidade ao tribunal e reclamaram que as suas investigações se arrastaram por anos sem solução”, afirma a reportagem.

O jornal diz que “no início de 2019, notícias sugeriram que um extensa investigação de corrupção, a operação Lava Jato, estava começando a investigar alguns integrantes da corte, incluindo o presidente do tribunal na época, o ministro Toffoli”.

Em seguida, a reportagem aborda o caso da revista eletrônica que criei, a Crusoé, censurada por Alexandre de Moraes por ter publicado a reportagem “O amigo do amigo do meu pai”.

AUTORITARISMO – As medidas de força impostas pelo STF estão sintetizadas a contento na reportagem: da prisão do então deputado Daniel Silveira ao encarceramento de centenas de participantes do quebra-quebra de 8 de janeiro de 2022.

O jornal também aborda as mensagens trocadas entre um funcionário da Justiça Eleitoral e juízes lotados no gabinete de Alexandre de Moraes, que sugerem a produção de provas sob encomenda para embasar decisões do ministro contra quem era considerado inimigo.

“Em meio aos protestos eleitorais (contra o resultado da eleição presidencial), um dos assistentes do ministro Moraes ordenou que outro funcionário da corte encontrasse justificativa para agir contra a (revista) Oeste, um veículo de comunicação conservador, e ‘todas essas revistas que apoiam o golpe’, de acordo com mensagens de texto vazadas publicadas pela Folha de S.Paulo, um dos principais jornais do Brasil”, diz a reportagem, para em seguida abordar como a Oeste foi desmonetizada no YouTube por ordem secreta de Alexandre de Moraes, negada pelo ministro.

DIZEM OS MINITROS – O New York Times entrevistou ministros do STF, que disseram que “a democracia no Brasil permanece sob ameaça e que “criticá-los prejudica os seus esforços para protegê-la”.

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou: “Estamos lidando com gente perigosa, e não devemos nos esquecer disto”. O jornal, então, lhe perguntou: “Mas o que acontece se o tribunal estiver errado?”

“’Alguém deve ter o direito de cometer o último erro’, disse ele. ‘Não acho que erramos, mas a palavra final é da Suprema Corte’.”

MUITAS DÚVIDAS – Não deveria haver dúvidas sobre o papel do STF na democracia brasileira, mas elas existem e não estão apenas na boca de “golpistas”, como constata o New York Times, que está muito longe de ser um jornal de direita.

A questão não é de erros ou de acertos do tribunal, mas de errar ou de acertar fora dos limites determinados pela Constituição (se é que há mesmo acertos fora de tais limites).

Que o tribunal esteja sob escrutínio internacional, é prova de que Elon Musk perdeu, mas venceu.


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