segunda-feira, fevereiro 20, 2023
Religiosos tratam a fé como ‘commodity’ e usam o desespero que a vida nos reserva
Publicado em 19 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Ilustração reproduzida do Arquivo Google
Luiz Felipe Pondé
Folha
A fé é uma commodity e as religiões a disputam. Alguém pode dizer que sempre foi assim. Dizer isso é como comparar a sociedade capitalista com as velhas feiras dos burgos onde se vendia comida e outras bugigangas.
A sociedade capitalista é um sistema global que se caracteriza, além de outras coisas, pelo fato de que só tem futuro o que vira produto. À medida que se agrega valor financeiro a algo, imediatamente ele começa a responder dentro da dinâmica da mercadoria. E nessa dinâmica o que importa é aumentar o PIB do player religioso.
DEUS PELA TV – Essa dinâmica é marcada pelo estágio da midiatização da religião que começa com o televangelismo dos anos 1970 nos Estados Unidos. Sendo a mídia o mercado de conteúdos por excelência, as religiões se transformaram em empresas de conteúdo que formam ministros religiosos no marketing mais do que na teologia ou sistemas mitológicos.
Com as redes sociais, esse processo se radicalizou e ficou mais barato. Uma das marcas da sociedade capitalista é a emergência de uma microfísica da competição que é fundamental no processo de destruição dos players dentro do mercado em questão.
Uma vantagem do mercado religioso sobre outros é seu custo relativamente baixo para quem paga pela adesão e pelo que ganha em retorno — um produto que tem a característica de ser infinito e maleável, ou seja, a fé.
UM PRODUTO ADAPTÁVEL – A fé tem uma plasticidade gigantesca e é adaptável às mais diversas situações e narrativas. A fé nunca acaba porque ela está ancorada na experiência profunda do desamparo dos seres humanos, como diz Freud no seu memorável “Futuro de uma Ilusão”.
A vida é muitas vezes insuportável e as religiões nos dão uma esperança de poder torná-la menos insuportável. Nada há de racional nisso, por isso é tão poderosa. Tudo que é ancorado na razão é frágil, já o que é ancorado na miséria é sempre poderoso.
A violência entre os players religiosos é clássica, sempre foi. Hoje, ela se tornou passível de gestão de conteúdos e comportamentos segmentados. Falar mal dos competidores, inclusive no plano das ideologias políticas, marca nichos específicos no mercado da fé.
FIÉIS EM DISPUTA – Esse fato pode aparecer em toda e qualquer comunidade religiosa que disputa fiéis, independente da identidade de fé em questão.
Na Igreja Católica isso ocorre entre ordens religiosas, entre grupos conservadores contra progressistas, e dentro da hierarquia de carreira na instituição.
Sendo uma instituição que deita raízes profundas na antiguidade e medievo, a Igreja Católica tem mais dificuldade para se tornar uma empresa ágil em nosso admirável mundo novo. Sua lentidão pode ser mortal num futuro próximo.
BUSINESS EM MARCHA – O mercado evangélico é obsceno nesse aspecto porque o protestantismo já nasceu moderno. Um galpão abandonado, algumas cadeiras de plástico, um microfone, alguém que domina a retórica e um punhado de miseráveis desamparados —que somos todos nós— e o business se põe em marcha.
Abrir uma igreja de sucesso é como abrir uma loja na rua onde se compra produtos baratos. Qualquer franquia de Jesus funciona. A miséria é algo que Deus seguramente distribuiu de forma democrática entre os homens e mulheres. Há, contudo, nichos de evangelicalismo de luxo, usualmente, de classe média alta e de esquerda.
Entre judeus não é muito diferente, apesar de ser gourmetizado. Rabinos disputam seus fiéis a pau. Falam mal um dos outros, disputam poder e espaço dentro das sinagogas, assim como as almas à disposição.
DISPUTAS FEROZES – Sinagogas buscam nichar seus fiéis a partir de questões ligadas as normativas da tradição: seus pais são judeus? Pode frequentar tal sinagoga. Sua mãe não é judia? Melhor ir naquela. E por aí vai. A segmentação segue as linhas que determinam a validade da sua identidade judaica.
Terreiros de candomblé não fogem à regra. Pais e mães de santo falam mal de concorrentes, buscam roubar seus filhos de santo, equedes e ogãs, inventam fofocas sobre seus desafetos. Ao final, o que importa é quem fatura mais.
E o budismo no Brasil ainda funciona como um mercado entre restaurantes com estrelas Michelin, coisa de riquinhos descolados.
Assessores do Planalto apostam que Lula não recuará da pressão sobre o Banco Central
Lula botou Campos Neto na mira e não pretende desistir ,
Daniel Pereira
Veja
O presidente Lula não está disposto a recuar da pressão sobre o Banco Central. Segundo seus assessores, ele alega que a política econômica deve se sustentar sobre um tripé, que inclui controle da inflação, equilíbrio fiscal e promoção do pleno emprego, mas ressalta que este tripe atualmente está completamente capenga, em razão da taxa básica de juros (Selic) praticada pela autoridade monetária, de 13,75% ao ano.
“O Banco Central não pode fixar uma taxa de juro que estrangule o capital produtivo e dificulte o emprego. Ninguém tem dúvida de que o Lula foi eleito para promover uma política com mais investimento no social e que tem como objetivo criar oportunidades, gerar emprego e distribuir renda”, diz o ministro de Comunicação Social, Paulo Pimenta.
DIREITO DE OPINAR – Pimenta ressalta ainda que o governo é parte legítima do processo político e, por isso, o presidente tem o direito de opinar sobre qualquer tema.
Acossado, o chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, reagiu à ofensiva de Lula como uma série de acenos e declarações amistosas. Numa ocasião, pediu um voto de confiança do mercado ao trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Noutra, disse que o governo está na direção certa e considerou legítimo o debate sobre a taxa de juros. Ainda não foi o suficiente para acalmar o mandatário, que quer a redução da Selic.
DIZ LULA – “Se ele (Roberto Campos Neto) topar, quando eu for levar o meu governo para visitar os lugares mais miseráveis deste país, vou levá-lo para ele ver. Ele tem que saber que a gente, neste país, tem que governar para as pessoas que mais necessitam”, declarou o petista em entrevista à CNN Brasil, deixando claro que para ele a autoridade monetária prioriza os ganhos do mercado, sempre demonizado pelo PT.
Em documentos oficiais, o BC tem argumentando que o nível atual da Selic está atrelado à situação fiscal do país. Se houver ações para melhorar as contas públicas, há perspectiva de redução dos juros.
Haddad, a quem Campos Neto pediu um voto de confiança, promete entregar a proposta de novo marco fiscal em breve.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – No primeiro governo Lula, quem reclamava dos juros era o vice-presidente José Alencar, grande figura humana, e Lula nem lhe dava ouvidos. Agora, quem reclama é Lula, mas o presidente do BC faz ouvidos de mercador. No meio da discussão, a única coisa certa e irretorquível é que a inflação real é maior do que a registrada oficialmente. Quem frequenta supermercado ou feira sabe disso. Mas os homens públicos formam uma elite que não é atingida pela inflação. (C.N.)
Só os salários podem assegurar ao Brasil um desenvolvimento sustentável

Pedro do Coutto
Publicado em 20 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet
uma excelente reportagem em O Globo deste domingo, Glauce Cavalcanti focaliza o problema que vem atingindo uma série de empresas, entre elas as Lojas Americanas, causados pelos juros altos e o consumo fraco , decorrência clara da perda de poder aquisitivo dos salários dos que trabalham pelo fato dos mesmos não serem reajustados ao nível da inflação; um diferencial que cria um abismo entre o trabalho e o capital através dos anos. O exemplo das Lojas Americanas está citado na matéria e também é focalizado por Elio Gaspari.
O fato das Americanas é um pouco fora da curva. O rombo de R$ 40 bilhões acumulou-se no tempo sem que os balanços das empresas refletissem a real situação. Com isso, foram pagos dividendos indevidos, uma vez que eles existiam apenas no papel e no bolso dos controladores, pois quando a situação apertou o cenário foi o que se viu, com pressão dos bancos que deixaram se iludir pelas aparências.
INCOMPETÊNCIA – Isso, para efeito de equipes executivas das instituições bancárias, é algo muito grave. É afastada a hipótese de conivência, pois não faria sentido. Houve sim incompetência em deixar um sério acompanhamento para lá e enfrentar situações difíceis.
O fato é que se alguém confrontar os salários nos últimos anos e comparar a inflação registrada e os reajustes aplicados aos salários verá uma diferença absurda. A reportagem afirma que a tempestade é perfeita e os ingredientes caminham para o resultado observado, citando ainda casos como a Oi, a Marisa, a Tok Stok entre as principais empresas que registram queda de vendas. De fato, os juros altos afugentam os consumidores e continuam sendo a política do governo, já que a Selic encontra-se ainda em 13,75%. Esse é o quadro no qual o país ainda se encontra.
O governo Lula empenha-se em encontrar um novo caminho, mas depara-se com as contradições abertas, sobretudo pelo Banco Central. Os efeitos inflacionários revertem-se em algo positivo para os investidores, mas prejudicial para os consumidores. A saída baseia-se na redistribuição de renda. Mas nem todos apoiam esse projeto.
BANDA DE IPANEMA – A Banda de Ipanema, que anima as ruas do bairro e da Cidade do Rio desde 1967, retornou às ruas no sábado, trazendo alegria e reencontro de antigos integrantes do bloco, tido como um dos símbolos do Carnaval carioca.
As reportagens focalizaram a presença da banda, mas esqueceram de citar Albino Pinheiro que presidiu a banda por mais de 20 anos e a projetou por todo o país. Albino Pinheiro não está mais entre nós, mas a sua lembrança ficará eternizada por gerações. Não deve ser esquecido.
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domingo, fevereiro 19, 2023
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