domingo, setembro 11, 2022

Charles III é proclamado novo monarca do Reino Unido




Charles III foi oficialmente proclamado o novo monarca do Reino Unido neste sábado (10) em uma cerimônia solene no Palácio de Saint-James em Londres

Em uma cerimônia solene televisionada do Palácio de Saint-James em Londres, na presença de seu herdeiro William, da rainha consorte Camilla, da primeira-ministra Liz Truss e seus antecessores vivos, o Conselho da Ascensão assinou a proclamação do novo rei.

“O príncipe Charles Philip Arthur George se torna agora, pela morte de nossa soberana de feliz memória, o nosso rei Charles III… Deus salve o rei!”, proclamou o conselho antes que o próprio monarca fosse chamado à sala.

“O reinado da minha mãe foi inigualável pela sua duração, dedicação e devoção (…) Estou profundamente consciente desta grande herança e dos deveres e pesadas responsabilidades da soberania, que agora me são transmitidos”, declarou o novo monarca de 73 anos.

Após a cerimônia, a proclamação foi lida ao público de uma varanda do palácio, ao som das trombetas reais e na presença da guarda real.

Uma segunda proclamação foi feita em outros pontos de referência no país, como a City, coração financeiro de Londres. Representantes de seu governo local desfilaram vestidos com uniformes medievais coloridos e carregando um cetro de ouro e uma espada pesada como símbolos de poder.

Viver sem a avó

“Todos nós queremos o melhor para ele, mas será um rei diferente”, disse à AFP Malcolm Tyndall, de 54 anos, diretor de uma instituição beneficente de Londres, visivelmente emocionado e segurando um buquê de flores nos braços.

Seguindo um protocolo cuidadosamente elaborado há muito tempo, o filho mais velho da falecida rainha se instala lentamente como chefe de Estado e nos corações do povo britânico.

Os membros do Parlamento juraram fidelidade ao monarca durante uma sessão excepcional no sábado. Depois, Charles III deveria voltar a receber Truss e os principais membros do seu executivo, recentemente nomeados na terça-feira.

No seu primeiro discurso televisionado como Charles III, o novo monarca elogiou na sexta-feira a sua “amada mãe”, uma “modelo” e uma “inspiração” sempre “ao serviço do povo”.

Seu filho William, que herdou o título de príncipe de Gales, expressou no sábado sua tristeza diante da perspectiva de viver “sem a avó” e prometeu “apoiar” seu pai como novo rei.

Elizabeth II, após sua morte aos 96 anos em seu castelo escocês de Balmoral depois de sete décadas de reinado, comovendo o Reino Unido, a Commonwealth e o mundo.

Durante uma missa na sexta-feira na catedral de St Paul, em Londres, o hino britânico foi cantado com uma letra modificada, “God save the King”, pela primeira vez em 70 anos.

Funeral em 19 de setembro

O Palácio de Buckingham confirmou que o funeral de Estado será celebrado em 19 de setembro a partir das 11h (7:00h, em Brasília) na Abadia de Westminster, dia declarado feriado nacional por Charles III.

A sua última viagem a Londres está marcada para terça-feira de avião para vários dias de homenagem pública e o funeral, ao qual devem comparecer dignitários de todo o mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

As autoridades estimam que mais de um milhão de pessoas passarão pelo caixão da falecida rainha no Westminster Hall, o edifício mais antigo do complexo do Parlamento britânico.

Enquanto isso, a Escócia prepara as primeiras homenagens públicas ao caixão de Elizabeth II. No domingo, ele será transferido do Castelo de Balmoral para o Palácio de Holyroodhouse, a residência oficial dos monarcas em Edimburgo, e um dia depois para a vizinha Catedral de Saint Giles.

No sábado, os membros da realeza, incluindo seus outros filhos – a princesa Anne e os príncipes Andrew e Edward – contemplaram as flores e acenaram para as pessoas do lado de fora de Balmoral.

Futuro complicado

Nenhum soberano britânico esperou tanto tempo para assumir o trono e Charles III terá que esperar um pouco mais pela cerimônia de coroação, ainda sem data. Sua mãe esperou mais de um ano.

Após a enorme popularidade de Elizabeth II, a ascensão de Charles III, menos apreciado pela opinião pública, abre um período delicado para uma monarquia que enfrenta múltiplos desafios, desde o desejo de alguns países da Commonwealth de se distanciar até as críticas ao seu passado colonial e escravista.

Além disso, o Reino Unido enfrenta sua pior crise econômica em 40 anos e viu quatro primeiros-ministros passarem em seis anos.

As divisões correm por todo o país sobre o Brexit e sobre os desejos de independência na Escócia e na Irlanda do Norte.

Mas, aplaudido por milhares de pessoas em sua chegada ao palácio na sexta-feira, o novo rei pode estar começando a conquistar o coração de alguns britânicos.

Revista IstoÉ Dinheiro

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Charles 3° é formalmente proclamado rei do Reino Unido

Tradicional cerimônia de proclamação do novo monarca é transmitida ao vivo na televisão pela primeira vez. Em discurso, Charles 3° promete seguir exemplo de sua mãe no seu reinado.

O rei Charles 3° foi formalmente proclamado neste sábado (10/09) o novo monarca do Reino Unido e de 14 países que têm o ocupante da coroa britânica como chefe de Estado. A tradicional cerimônia de proclamação do novo soberano Palácio de St. James, no centro de Londres, foi transmitida pela primeira vez ao vivo na televisão.

Apesar de o herdeiro suceder automaticamente à sua mãe, a rainha Elizabeth 2ª, após sua morte na quinta-feira, este é o ato em que o poder político britânico o reconhece oficialmente como soberano. O cerimonial Conselho de Adesão é composto por figuras políticas e sociais relevantes do Reino Unido, bem como por representantes dos 14 países da Commonwealth of Nations (antigos territórios britânicos).

Dezenas de políticos, juristas e autoridades sociais, entre eles, a atual primeira-ministra britânica, Liz Truss, e seus cinco antecessores no cargo – Boris Johnson, Theresa May, Gordon Brown, David Cameron e Tony Blair – se reuniram no Palácio de St. James para a reunião do Conselho Privado sem a participação de Charles para confirmar o título do novo rei.

Como membros do Conselho Privado – uma herança do passado que atualmente é sobretudo simbólico – também estão presentes Camilla, a rainha consorte, e o arcebispo de Cantuária, Justin Welby, primaz da Igreja Anglicana.

A proclamação foi lida poucos minutos depois das 10h (horário local) na cerimônia chamada Conselho de Adesão. O cerimonial declarou o príncipe Charles Philip Arthur George como o novo monarca Charles 3°, após o que os participantes do ato, principalmente figuras políticas, disseram: "Deus salve o rei".

Exemplo de Elizabeth 2ª

O rei se juntou ao grupo para assinar o juramento. Ao discursar, Charles 3° prometeu seguir "o exemplo" da sua mãe no seu reinado, durante o qual se compromete a respeitar os princípios constitucionais e a servir com dedicação os cidadãos. Ele disse também estar "profundamente consciente" do legado de Elizabeth 2ª e dos "deveres e vastas responsabilidades da soberania" que herdou.

"Ao assumir essas responsabilidades, me esforçarei para seguir o exemplo inspirador que me foi dado, ao defender o governo constitucional e buscar paz, harmonia e prosperidade dos povos dessas ilhas e dos reinos e territórios da Commonwealth em todo o mundo", declarou.

'Britânicos se reuniram ao lado de fora do Palácio de St. James para acompanhar cerimônia'

Na sua declaração, Charles 3° voltou a citar, como fez em mensagem à nação, o enorme pesar que sua família e todo o país sentem pela morte da sua mãe, cujo reinado de 70 anos foi sem precedentes em "duração, dedicação e devoção".

"É um grande conforto para mim as condolências expressadas por tantos à minha irmã e irmãos e que todo esse afeto e apoio avassaladores sejam estendidos a toda a família em nossa perda", agradeceu o rei em um tom muito formal.

O rei, que em princípio não tem poder político (embora exerça influência), afirmou que será orientado pelos respectivos Parlamentos e está confiante que terá o apoio e o carinho dos cidadãos.

Charles 3°confirmou ainda que manterá a atual prática de transferência de rendimentos hereditários para o Tesouro Público, que depois é utilizado para subsidiar a família real na sua atividade oficial.

Ao final de seu discurso, o novo rei também jurou garantir a proteção da Igreja da Escócia (ele é o chefe da Igreja Anglicana) e autorizou a distribuição de sua declaração para ser lida em Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, bem como nos países da Commonwealth.

Dos países do Commonwealth, 14 mantêm o monarca do Reino Unido como chefe de Estado: Austrália, Antígua e Barbuda, Bahamas, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Nova Zelândia, Ilhas Salomão e Tuvalu. Barbados tinha a rainha Elizabeth como chefe de Estado até novembro do ano passado, quando rompeu com a monarquia britânica e tornou-se uma república.

Feriado no dia do funeral da rainha Elizabeth

Mais tarde, o novo rei sentou-se para assinar um documento atestando que havia feito o juramento, na presença da rainha consorte, Camilla, e do príncipe de Gales, William.

O rei aprovou ainda uma série de ordens, incluindo uma que declarou feriado o dia do funeral da rainha Elizabeth. A data ainda não foi anunciada, mas é esperado que ocorra por volta de 19 de setembro.

Este foi o primeiro ato oficial de Charles 3° como chefe de Estado e é diferente da coroação, cerimônia de grande pompa que deve acontecer nos próximos meses. O rei Charles 3° será o 40º monarca a receber a coroa na Abadia de Westminster, em uma cerimônia religiosa que é realizada há mais de 900 anos e que passou a seguir os rituais da Igreja Anglicana, após sua criação pelo rei Henrique 8°, em 1534.

Deutsche Welle

Uma breve história do movimento progressista: eugenia, drogas, aborto, Lei Seca e Ku Klux Klan




Além disso, os progressistdas foram a inspiração para o socialismo

Por Andrew Syrios 

Os progressistas têm um jeito com as palavras que chega a ser realmente impressionante. Talvez tudo tenha começado quando eles roubaram, nos EUA, o termo 'liberal' dos libertários.

Desde então, a coisa virou uma bola de neve e saiu totalmente de controle.

De "justiça social", "identidade de gênero" e "pró-escolha" (exceto quando a escolha se refere a armas ou lâmpadas incandescentes), passando por vários "ismos" criados pejorativamente para rotular seus opositores, os progressistas são especialistas em tais feitos linguísticos.

E embora os conservadores e até mesmo os libertários também, e infelizmente, utilizem várias frases triviais em vez de argumentos sólidos, os progressistas são os campeões invictos neste quesito.

A melhor prova disso é o próprio termo progressista que eles utilizam tão excessivamente: quando se referem a uma medida que apóiam, tal medida é progressista; quando se opõem a algo, tal medida é reacionária.

Esta simples dicotomia é um enorme prazer para aqueles indivíduos incapazes de um raciocínio mais elaborado e que gostam de ver suas crenças resumidas em chavões simples, quase sempre partidários e rudimentares.

No entanto, a ideia de que o progresso ocorre ao longo de algum gradiente entre o conservadorismo reacionário e o progressivismo é flagrantemente falaciosa.

O passado que os condena

Supor que o progresso ocorre em uma direção e que a reação ocorre na direção oposta é um tipo de pensamento unidimensional que não se sustenta após uma análise mais sensata.

Por exemplo, os progressistas do início do século XX defendiam coisas (e se aliavam até mesmo a grupos religiosos) que os progressistas de hoje abominariam.

Foram os progressistas daquela época que, em conluio com protestantes, agitaram pela aprovação da Lei Seca, e criticaram violentamente aqueles "conservadores econômicos que brigaram tanto para revogá-la", como relatou o historiador Daniel Okrent.

O famoso progressista William Jennings Bryan foi um inflexível defensor da Lei Seca. Como observou seu biógrafo Paolo Coletta:

    Bryan era a epítome da visão proibicionista: protestante e nativista, hostil às grandes corporações e aos malefícios da civilização urbana, dedicado à regeneração pessoal e ao evangelho social.

    Ele acreditava sinceramente que a Lei Seca contribuiria para a saúde física e para o aperfeiçoamento moral do indivíduo, estimularia o progresso cívico e acabaria com os notórios abusos relacionados ao comércio de bebidas.

A descrição acima parece mais com a de um conservador contrário à descriminalização das drogas, a quem os progressistas desprezam.

Com efeito, se o assunto é drogas, foram os progressistas de antigamente que também aprovaram, nos EUA, a primeira lei federal de desestímulo ao comércio de drogas, Harrison Narcotics Tax Act, de 1914.

Enquanto isso, o presumivelmente reacionário H.L. Mencken descreveu os defensores da Lei Seca como seres motivados por uma "aberração psicológica chamada de sadismo".

Foram organizações progressistas que apoiaram, em 1882 e 1924, leis de restrição à imigração de chineses. Vários sindicatos "progressistas" eram abertamente racistas, nativistas e nacionalistas.

Até mesmo a segunda encarnação da Ku Klux Klan, no início do século XX, além de ser abertamente racista, também defendia várias reformas progressistas. Margaret Sanger, sexóloga, feminista, defensora do aborto e heroína dos progressistas americanos, chegou a palestrar em um dos eventos da KKK.

Ela também foi uma defensora declarada da eugenia, assim como vários outros progressistas da época. Os principais proponentes de teorias sobre superioridade e inferioridade genética eram figuras icônicas da esquerda, de ambos os lados do Atlântico.

Na Europa, John Maynard Keynes ajudou a criar a Sociedade Eugênica de Cambridge. Intelectuais adeptos do socialismo fabiano, como H.G. Wells e George Bernard Shaw, estavam entre os vários esquerdistas defensores da eugenia.

Foi praticamente a mesma história nos EUA. O presidente democrata Woodrow Wilson, como vários outros progressistas da época, eram sólidos defensores de noções de superioridade e inferioridade racial. Ele exibiu o filme O Nascimento de uma Nação, que glorificava a Ku Klux Klan, na Casa Branca, e convidou vários dignitários para a sessão.

Reitores da Universidade de Stanford e do MIT estavam entre os vários acadêmicos defensores de teorias sobre inferioridade racial — as quais eram aplicadas majoritariamente aos povos do Leste Europeu e do sul da Europa, uma vez que, à época, era dado como certo o fato de que os negros eram inferiores.

Como observou o psicólogo e linguista canadense Steven Pinker:

    Contrariamente à crença popular difundida por cientistas ideólogos, a eugenia foi, durante grande parte do século XX, uma das bandeiras favoritas da esquerda, e não da direita.

    Ela foi defendida por vários progressistas e socialistas, dentre eles Theodore Roosevelt, H.G. Wells, Emma Goldman, George Bernard Shaw, Harold Laski, John Maynard Keynes, Sidney e Beatrice Webb, Margaret Sanger e os biólogos marxistas J.B.S. Haldane e Hermann Muller.

    Não é difícil entender por que todos eles se alinharam a esta causa. Protestantes e católicos conservadores odiavam a eugenia porque a viam como uma tentativa das elites intelectuais e científicas de brincar de Deus. Já os progressistas adoravam a eugenia porque era um movimento em prol da reforma e contrário ao status quo.

    Para eles, a eugenia era um ativismo e não um laissez-faire; era uma responsabilidade social e não um individualismo egoísta.

A ironia

Quando se entende esse histórico, chega a ser irônico que conservadores e libertários sejam atualmente rotulados de eugênicos — mais especificamente, de 'darwinistas sociais' — pelos progressistas quando defendem a liberdade econômica.

Também não é surpresa que o conservador católico G.K. Chesterton tenha escrito Eugenics and Other Evils, e que o grande Ludwig Von Mises tenha criticado a intervenção socialista dizendo que "… [um homem] se torna um peão nas mãos dos engenheiros sociais supremos. Até mesmo sua liberdade de criar sua prole será abolida pelos eugenistas".

E os nacional-socialistas — mais popularmente conhecidos como nazistas —, que foram os mais famosos defensores da eugenia? Eles definitivamente não eram progressistas, certo? Afinal, seu professor de história garante que não.

E, com efeito, a plataforma de 25 pontos do programa nazista defendia medidas verdadeiramente "anti-progressistas", como "estatização de todos os conglomerados... divisão dos lucros das grandes indústrias ... [e] um generoso aumento nas pensões".

Se, por um lado, os nacional-socialistas não são hoje o exemplo seguido pelos atuais guerreiros da justiça social, por outro, é incontestável que eles representavam o completo oposto do que defendem os libertários e os conservadores.

Os progressistas de hoje

Em termos puramente políticos, o progresso é algo extremamente subjetivo.

Por exemplo, na Dinamarca, os progressistas legalizaram a prostituição; já na Suécia, os progressistas a tornaram ilegal. Podem ambos ser progressistas?

Já em termos econômicos, científicos e tecnológicos, o progresso definitivamente existe. Ou ao menos é de se imaginar que exista. Porém, algumas pessoas muito progressistas acreditam que os luditas que quebravam máquinas representavam um "heróico movimento de resistência em prol dos direitos da classe operária". Ou seja, destruir tecnologia é igual a progresso.

Há também os progressistas que se opõem aos atuais progressos tecnológicos, como os aplicativos de transporte e de entrega.

E o que dizer sobre a Revolução Industrial, a qual — não obstante várias dificuldades — elevou sobremaneira a renda per capita da população? Até hoje, há progressistas que ainda não aceitam os pontos positivos da Revolução Industrial.

E há aqueles que entendem por progresso o regresso às condições humanas vigentes nas sociedades tribais — cujos níveis de violência eram absurdos e apavorantes — de antes da Revolução Agrícola. O biólogo evolucionário Jared Diamond rotula a invenção da agricultura como "o pior erro da história da raça humana".

Aliás, esqueça esses moderados. Vamos logo abolir toda a raça humana aderindo ao hiper-progressista movimento voluntário da extinção humana. Isso, sim, seria progresso…

Progredindo ao regresso

O que é o progresso e o que é reacionarismo dependem muito do ponto onde você começa e do ponto para onde quer ir.

Se o objetivo é a igualdade — como muitos autodeclarados progressistas afirmam —, então qualquer progresso rumo a uma maior igualdade tem de ser considerado, é claro, um progresso. Se esse é o caso, então o comunismo tem de ser visto como a mais progressista de todas as causas.

E, com efeito, o comunismo assim foi considerado por vários intelectuais do passado.

Karl Marx via a história como uma marcha já pré-determinada do progresso: o comunismo primitivo levou à sociedade escravocrata que levou ao feudalismo que levou ao mercantilismo que levou ao capitalismo que levará ao socialismo que finalmente levará ao comunismo pleno.

Ademais, a União Soviética, a China e outros regimes comunistas sem dúvida nenhuma executaram um número considerável de reacionários e contra-revolucionários. Para eles, isso foi um progresso.

Para concluir

Felizmente, o comunismo está politicamente morto há três décadas, e nenhum progressista de hoje teria a mais mínima simpatia por absolutamente nenhum aspecto deste regime sanguinário.

Certo?

Instituto Mises

Baerbock promete apoio à Ucrânia apesar de pressão russa




Ministra alemã do Exterior faz visita surpresa a Kiev e critica o que chamou "chantagem de Putin" com cortes no fornecimento de gás. Alemanha anuncia envio de peritos para investigar crimes de guerra na Ucrânia.

A ministra do Exterior da Alemanha, Annalena Baerbock, afirmou neste sábado (10/09), ao chegar em Kiev, que Berlim continuará apoiando a Ucrânia apesar da pressão da Rússia com a redução do fornecimento de gás. A ministra chegou à capital ucraniana para uma visita surpresa – a segunda desde que Moscou invadiu o país.

"Eu viajei para Kiev para mostrar que podem continuar confiando em nós. Vamos apoiar a Ucrânia enquanto for necessário, com entrega de armas, com ajuda humanitária e financeira", declarou Baerbock, num comunicado divulgado pelo Ministério alemão do Exterior.

Na avaliação da ministra, o presidente russo, Vladimir Putin, espera que a Alemanha se canse de se simpatizar com o sofrimento na Ucrânia. "Putin acredita que pode dividir nossas sociedades com mentiras e nos chantagear com o fornecimento de energia", afirmou, acrescentando que a estratégia do líder russo não irá funcionar.  

"Há meses os ucranianos e ucranianas lutam por todo. Eles lutam contra a agressão russa, não só para defender o seu direito humano à paz e à liberdade, mas também para defender a nossa ordem de paz europeia", ressaltou Barbock.

Desde da imposição de sanções contra a Rússia devido à invasão da Ucrânia, Moscou suspendeu o fornecimento de gás a diversos países europeus. No início de setembro, a Rússia anunciou a suspensão completa do envio de gás para a Alemanha por tempo indeterminado, alegando supostos problemas técnicos.

Na quarta-feira, Putin ameaçou cortar o fornecimento de petróleo e gás aos europeus caso os preços dos combustíveis sejam limitados.

Ajuda na investigação de crimes de guerra

Na Ucrânia, Baerbock anunciou ainda que a Alemanha pretende ajudar Kiev a realizar operações de remoção de minas em antigas zonas de combate e "lançar luz sobre os crimes de guerra cometidos, em particular enviando peritos, incluindo um procurador", especificou.

Ao visitar um campo minado perto de Kiev, Baerbock afirmou que a remoção de minas é tão fundamental quanto o envio de armas para garantir a segurança daqueles que vivem em regiões que foram ocupados por tropas russas. A ministra acusou militares russos de utilizar as minas para matarem civis e contou que ouviu relatos de minas que foram encontradas em brinquedos dentro de casas após a retirada dos russos.

A ministra viajou para Kiev durante a noite num trem especial com uma pequena delegação. A agenda de Baerbock na capital ucraniana incluiu um encontro com o ministro do Exterior da Ucrânia, Dmytro Kuleba.

Em 10 de maio, Baerbock foi a primeira representante do governo alemão a visitar a Ucrânia desde o início da guerra em 24 de fevereiro. O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, esteve em Kiev em meados de junho, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, do primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, e do presidente da Romênia, Klaus Iohannis.

Apoio tímido no início da guerra

A atitude inicial hesitante da Alemanha em relação a Moscou após a eclosão da guerra em fevereiro e a falta inicial de apoio militar de Berlim a Kiev irritaram profundamente o governo ucraniano. Entretanto, a situação mudou. Scholz disse querer que o seu país assuma uma "responsabilidade especial" para ajudar a Ucrânia a fortalecer os seus sistemas de artilharia e defesa aérea.

Uma nova era nas relações bilaterais, menos tensa, parece estar ocorrendo, ilustrada pela iminente chegada de um novo embaixador ucraniano em Berlim. O antecessor, Andrij Melnyk, atacou a atitude tímida da Alemanha em relação à Rússia durante meses.

A ofensiva russa lançada em 24 de fevereiro na Ucrânia já levou quase 13 milhões de ucranianos a deixarem suas casas – mais de 6 milhões de deslocados internos e quase 7 milhões fugiram para os países vizinhos –, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

A invasão russa foi condenada pela comunidade internacional, que tem respondido com envio de armas para a Ucrânia e sanções à Rússia em todos os setores. Segundo a ONU, a guerra já deixou mais de 5,5 mil civis mortos e 7,8 mil feridos, no entanto, avalia que os números reais são muito superiores e só serão conhecidos no final do conflito.

Deutsche Welle

Rússia anuncia retirada de tropas na região de Kharkiv




Recuo de áreas estrategicamente vitais no nordeste da Ucrânia marca a maior derrota de Moscou no campo de batalha desde que suas forças foram obrigadas a sair dos arredores de Kiev, em março.

O Ministério da Defesa da Rússia disse neste sábado (10/09) que está retirando forças de duas áreas na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia onde uma contraofensiva ucraniana fez avanços significativos nos últimos dias.

O porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov, disse que as tropas serão reagrupadas das áreas de Balaklia e Izium, na região de Kharkiv, para a vizinha região de Donetsk.

Izium era uma importante base para as forças russas na área de Kharkiv. Konashenkov disse que a transferência está sendo feita "para alcançar o objetivos declarados da operação militar especial para libertar o Donbass", região do leste da Ucrânia que a Rússia considera independente da Ucrânia.

O alegado remanejamento para Donetsk é semelhante à justificativa que a Rússia deu para retirar suas forças dos arredores de Kiev no início deste ano.

O súbito abandono de Izium marca a maior derrota russa no campo de batalha desde que as forças de Moscou foram forçadas a abandonar o assalto à capital ucraniana em março.

As tropas russas lutaram duro para capturar Izium no início da guerra, usando a área posteriormente como a base logística para uma de suas principais campanhas: o ataque à região adjacente do Donbass.

Captura de Kupiansk

O anúncio do Ministério da Defesa russo foi divulgado horas depois que as tropas ucranianas capturaram a cidade de Kupiansk mais ao norte, o único eixo ferroviário de abastecimento para toda a linha de frente da Rússia no nordeste da Ucrânia. Isso cortou abruptamente a rota de suprimento para milhares de soldados russos na área de Izium, isolando todo um trecho da linha de frente que foi palco de algumas das batalhas mais intensas da guerra.

Os relatos ocorreram após vários dias de aparentes avanços das tropas da Ucrânia no sul de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, no que poderia se tornar o maior sucesso no campo de batalha para as forças ucranianas desde que frustraram uma tentativa russa de tomar a capital, Kiev, no início da guerra, que já dura quase sete meses.

Mais cedo, na manhã deste sábado, o Ministério da Defesa britânico disse a repórteres acreditar que  os ucranianos haviam avançado até 50 quilômetros ao sul de Kharkiv, e descreveu as forças russas em torno de Izium como "cada vez mais isoladas".

"Unidades ucranianas estão agora ameaçando o cidade de Kupiansk; sua captura seria um golpe significativo para Rússia porque ela fica em rotas de abastecimento para a linha de frente de Donbass", acrescentou o ministério britânico.

Moscou não reconheceu ou comentou imediatamente as alegações da Ucrânia e de seus aliados ocidentais. No entanto, Vladislav Sokolov, o chefe da administração local indicada pela Rússia, disse nas redes sociais que as autoridades em Izyum começaram a retirar os moradores para a Rússia.

Ofensiva ucraniana em Kherson

Os combates no leste da Ucrânia ocorrem em meio a uma ofensiva em andamento em torno de Kherson, no sul do país. Analistas acreditam que a Rússia retirou soldados do leste para reforçar a área em torno de Kherson, oferecendo aos ucranianos a oportunidade de atacar uma linha de frente enfraquecida.

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, disse ao canal de televisão Ukraina que os russos não tinham comida ou combustível para suas tropas na área, pois Kiev havia cortado suas linhas de abastecimento.

Os militares ucranianos afirmaram neste sábado que nesta semana foram retomados "mais de mil quilômetros quadrados'' de território para forças pró-Kremlin.

Em uma mensagem de vídeo divulgada na noite desta sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski que as tropas ucranianas recuperaram mais de 30 assentamentos na região de Kharkiv desde o início do contraofensiva. "Estamos gradualmente assumindo o controle de mais assentamentos, retornando a bandeira ucraniana e proteção para nosso povo'', disse Zelenski. Ele falou depois que o governador ucraniano de Kharkiv informou que a bandeira nacional foi hasteada sobre Balakliia, uma cidade recapturada por tropas ucranianas na quinta-feira após seis meses de ocupação russa.

Deutsche Welle

Como religião dominou política nos EUA, mesmo com menor crença em Deus em 8 décadas




Vasta maioria da população ainda diz acreditar em Deus

Por Alessandra Corrêa, De Washington (EUA) 

Os Estados Unidos costumam ter uma imagem de país profundamente religioso, mas uma pesquisa Gallup divulgada recentemente revelou que o número de americanos que acreditam em Deus, apesar de ainda alto, vem caindo — e é o menor já registrado em pelo menos 78 anos.

Diante da pergunta "você acredita em Deus?", 81% dos adultos entrevistados em maio deste ano responderam "sim", e 17% disseram que "não". O restante afirmou não ter opinião. A pesquisa não menciona nenhuma religião especificamente e, nesse contexto, acreditar em "Deus" pode ser interpretado como crer em um poder superior.

Em 1944, quando o instituto fez essa pergunta pela primeira vez, 96% responderam acreditar em Deus. O percentual chegou a 98% em 1953 e se manteve acima de 90% durante as seis décadas seguintes. Em 2013, caiu para 87%, resultado repetido em 2017.

Mesmo com o declínio mais recente, a vasta maioria da população ainda diz acreditar em Deus.

"Pesquisas vêm mostrando que a crença em Deus está, lentamente, caindo nos Estados Unidos", diz à BBC News Brasil o sociólogo Paul Froese, professor da Universidade Baylor, no Texas, onde também é diretor de pesquisas sobre religião.

"Mas ela ainda é a norma."

O resultado da pesquisa Gallup chama a atenção, no entanto, em um momento em que a religiosidade está cada vez mais ligada à identidade política dos americanos — e que decisões da Suprema Corte, a mais alta instância da Justiça no país, vêm ampliando o papel da religião na vida pública.

Segundo o Gallup, na comparação desses últimos resultados com a média entre quatro pesquisas feitas entre 2013 e 2017, houve declínio em todos os grupos demográficos. Mas a redução foi mais acentuada entre jovens e aqueles que se identificam como progressistas ou democratas, com queda de pelo menos 10 pontos percentuais.

Enquanto 62% dos progressistas afirmaram acreditar em Deus, entre os conservadores o percentual foi de 94%, queda de apenas um ponto. Entre os que se identificam como democratas, 72% responderam crer em Deus, uma diferença de 20 pontos em relação aos 92% dos republicanos que disseram o mesmo.

"A religiosidade é um dos principais fatores determinantes de divisões políticas nos Estados Unidos", diz o instituto de pesquisa.

'A pesquisa não faz divisão entre quem acredita em um ser superior e no Deus Bíblico'

Deus bíblico ou poder superior?

"É preciso ter em mente como o Gallup fez a pergunta", diz à BBC News Brasil o sociólogo Ryan Cragun, professor da Universidade de Tampa, na Flórida, e especialista no estudo dos não-religiosos.

A pesquisa Gallup perguntou "você acredita em Deus?", e ofereceu apenas duas opções de resposta: "sim" ou "não". Os que optaram pelo "sim" responderam a uma segunda pergunta, para aprofundar que tipo de visão têm sobre Deus.

"Cerca de metade dos que acreditam em Deus — o equivalente a 42% de todos os americanos — diz que Deus ouve suas preces e intervém quando as pessoas rezam", afirma o instituto.

"E 28% de todos os americanos dizem que Deus ouve as preces, mas não pode intervir."

Mas Cragun ressalta que, quando outras pesquisas oferecem opções de resposta mais complexas, em que os entrevistados podem expressar o que pensam em maiores detalhes, o percentual de americanos que revelam acreditar em Deus é ainda menor.

"Se você olhar para o percentual que diz 'não sei se existe um Deus', ou 'talvez às vezes acredite' (ou outras respostas do tipo), é na verdade cerca de 45% dos americanos", afirma.

Cragun destaca que, pelos menos nos últimos 40 anos, o número daqueles que acreditam no Deus bíblico vem caindo nos Estados Unidos.

"Nem todos passam imediatamente a dizer 'não acredito em um Deus'. Muitos agora acreditam em um poder superior, e não está claro como (esse poder superior) é definido", observa.

"Mas também cada vez mais pessoas estão dizendo 'não acredito em um Deus', e também 'não sei (afirmar com certeza se existe ou não)', o que é o rótulo de agnóstico", afirma.

Em uma pesquisa Gallup de 2016, que oferecia mais opções de resposta além de "sim"ou "não", 11% responderam não acreditar em Deus. Mas outros 10% disseram que era "um assunto sobre o qual não têm certeza". Os 79% que afirmaram ser "algo em que acreditam", representam uma queda de 11 pontos percentuais em relação a 2004.

Em 2017, outra pesquisa Gallup revelou que 64% dos adultos americanos estavam "convencidos de que Deus existe", uma queda de 15 pontos em relação a 2005. Outros 21% achavam que Deus provavelmente existia, mas tinham dúvidas; 6% achavam que provavelmente não existia; e 7% estavam convencidos de que não existia.

No mesmo ano, uma pesquisa de outra organização, o Pew Research Center, revelou que, enquanto 80% diziam crer em Deus, somente 56% acreditavam no Deus bíblico. Os outros acreditavam em um poder maior ou força espiritual. Entre os 19% que não acreditavam em Deus, metade acreditava em um poder superior.

'Há um declínio em vários outros indicadores relacionados à religião nos Estados Unidos'

Aumento dos sem religião

A queda no percentual da população que diz acreditar em Deus ocorre ao mesmo tempo em que se observa declínio em vários outros indicadores relacionados à religião nos Estados Unidos. Segundo o Gallup, o percentual de americanos que são membros de uma igreja, sinagoga ou mesquita caiu de 70% para 47% de 1999 a 2020.

Todas as faixas etárias registraram queda nesse período, mas o instituto afirma que o declínio "parece estar amplamente ligado a mudanças na população", com grandes diferenças entre as gerações. Enquanto 66% dos nascidos antes de 1946 disseram pertencer a uma igreja, somente 36% dos nascidos após 1981 responderam o mesmo.

O percentual vem diminuindo mesmo entre os que se definem como religiosos, com queda de 13 pontos desde a virada do milênio. Mas a queda também acompanha um aumento daqueles que dizem não se identificar com nenhuma religião, que passaram de 8% para 21% nas últimas duas décadas, com crescimento em todas as faixas etárias.

No ano passado, o Pew analisou a composição religiosa da população e revelou que o percentual de americanos sem religião passou de 16% em 2007 para 29% em 2021. Neste grupo, estão os que se descrevem como ateus, agnósticos ou "sem religião em particular".

No mesmo período, o percentual dos que se identificam como cristãos caiu de 78% para 63%. Esse declínio se concentra entre os protestantes, que passaram de 52% para 40% da população, segundo o Pew. A queda entre os católicos foi menor, de 24% para 21%.

Números divulgados pelo Gallup no ano passado, levando em conta uma média entre diferentes pesquisas, indicam tendência semelhante: 69% dos americanos se identificavam como cristãos, sendo 35% protestantes e 22% católicos. Outros 21% diziam não ter preferência religiosa.

Segundo essa análise Gallup, 49% dos americanos consideram a religião "muito importante" em suas vidas. Em 1965, quando o instituto fez a pergunta pela primeira vez, 70% diziam que era muito importante.

Conforme o estudo Pew, de 2007 a 2021, o percentual de americanos que consideram a religião "muito importante" em suas vidas caiu de 56% para 41%, e o dos que rezam todos os dias oscilou de 58% para 45%.

"As mudanças em direção à secularização, evidentes na sociedade americana até o momento no século 21, não dão sinais de desaceleração", disse o Pew na divulgação da pesquisa.

Politização da religião

"Talvez essas mudanças não representem uma grande modificação na maneira de pensar das pessoas — mas, sim, em como se tornou culturalmente aceitável não ir à igreja", afirma Froese, da Universidade Baylor.

O sociólogo lembra que, historicamente, nos Estados Unidos, sempre houve muita pressão social para pertencer a uma igreja, mas isso enfraqueceu com o tempo.

"Talvez os que (agora) estão dizendo que não creem em Deus já não acreditassem, mas apenas não dissessem isso abertamente."

Froese observa que os esforços de parte da sociedade para ampliar o papel da religião na vida pública também podem ser uma reação à tendência de secularização.

"Há um certo paradoxo no fato de que, à medida que o secularismo se torna mais culturalmente aceitável, há uma reação a isso entre pessoas religiosas muito conservadoras", afirma.

Segundo Froese, há uma politização da religião nos Estados Unidos, e a identidade religiosa adquiriu uma conotação política que não costumava ter. Pessoas com comportamentos religiosos semelhantes se descrevem de maneira oposta, de acordo com sua inclinação política.

"Digamos que duas pessoas nos Estados Unidos pertencem a uma igreja, vão à missa três vezes por ano e dizem em pesquisas que acreditam firmemente em Deus. Quando você pergunta o quão religiosas elas são, a conservadora vai dizer que é muito religiosa, e a liberal vai responder que não é nem um pouco religiosa", afirma Froese.

"Nos Estados Unidos, um conservador sempre irá dizer que é muito religioso, porque isso é considerado uma parte integral de ser conservador. E progressistas vão dizer que não são religiosos, mesmo que sejam, simplesmente porque não querem que (os outros) pensem que são conservadores."

Decisões da Suprema Corte

'Para especialista, desde os anos 1990 é mais aceitável se dizer ateu nos EUA'

Cragun, da Universidade de Tampa, lembra que, desde a década de 1990, se tornou mais aceitável nos Estados Unidos para uma pessoa admitir que não é religiosa ou que é ateia.

"Durante a Guerra Fria, você não podia fazer isso, porque imediatamente as pessoas iriam perguntar: 'Você é um comunista?'", lembra Cragun.

"Então, as pessoas não admitiam, apesar de eu acreditar que esses números (dos que não acreditam em Deus) já vinham aumentando."

Para Cragun, o aumento no percentual dos que agora admitem abertamente não crer em Deus pode ser uma resposta aos sucessos políticos e legais do nacionalismo cristão, encabeçados pelos que acreditam que os Estados Unidos devem ser um país cristão.

"Acho que os nacionalistas cristãos nos Estados Unidos, que são muito vocais e estão promovendo sua agenda, estão finalmente forçando aqueles que não são religiosos, que não acreditam, a dizer: 'Sou ateu há 40 anos, e apenas não dizia. Mas agora vou dizer'", afirma.

"Vários juízes da Suprema Corte não são apenas conservadores, mas conservadores cristãos", afirma Cragun.

"E muitos casos estão sendo decididos em favor de uma ideologia que está sendo rotulada cada vez mais como nacionalismo cristão."

Em junho deste ano, a Suprema Corte — atualmente composta por seis juízes da "ala conservadora", que foram indicados por presidentes republicanos, e três da "ala liberal", indicados por democratas — derrubou a decisão no caso "Roe x Wade", que desde 1973 garantia o direito constitucional ao aborto.

A decisão abriu caminho para que os Estados possam proibir completamente a interrupção da gravidez, e provocou protestos em todo o país por parte de grupos que defendem direitos reprodutivos. Mas também foi comemorada por ativistas contrários ao aborto, muitos deles religiosos e que há décadas lutavam pela revogação da decisão do caso "Roe x Wade".

No mesmo mês, a Corte emitiu decisão favorável a um técnico de futebol americano de uma escola pública de Ensino Médio que brigava na Justiça pelo direito de rezar no meio do gramado depois de cada jogo. O caso colocava, de um lado, a proibição de que o governo endosse uma religião, prevista na Constituição americana, e, de outro, o direito à liberdade religiosa e de expressão.

Em outro caso recente, a maioria decidiu que o Estado do Maine não pode excluir escolas religiosas de programas de assistência financeira para o pagamento de mensalidades. A decisão foi criticada por afetar a capacidade dos Estados de se recusarem a financiar educação religiosa.

Comparação com outros países

Apesar das mudanças na sociedade, os Estados Unidos continuam a ser descritos como um país muito religioso em comparação com outras nações, especialmente na Europa Ocidental. Segundo pesquisa Pew de 2018, somente 27% dos europeus dizem acreditar no Deus bíblico, e 38% afirmam crer em um poder superior.

Mas Cragun, da Universidade de Tampa, diz não concordar com essa descrição e salienta que, em termos de comportamento real, os americanos não são tão mais religiosos que os moradores de outros países.

"Se você tem 70% (da população) dizendo que é religiosa, mas somente cerca de 20% realmente participando (de cultos, missas e outras celebrações), isso significa que 50% dos americanos dizem que pertencem a uma religião, mas não vão à Igreja", afirma Cragun.

"O quão religiosos são eles realmente, se não estão envolvidos?"

Ele está finalizando o livro Beyond Doubt: the Secularization of Society ("Sem Sombra de Dúvida: a Secularização da Sociedade", em tradução livre), com publicação prevista para 2023, em que analisa o declínio de crença e comportamento religioso ao redor do mundo, com dados de mais de 100 países.

"Não somos tão religiosos como as pessoas pensam. Ainda somos mais religiosos que muitos países desenvolvidos, mas eu não diria que somos um país altamente religioso", observa.

"Compare (os Estados Unidos) com, digamos, a Arábia Saudita. No momento em que fizer isso, as pessoas irão dizer: 'Ah, claramente não somos tão religiosos'."

BBC Brasil

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