sábado, abril 16, 2022

Lider da Juventude do MDB diz que boicote à candidatura de Simone Tebet é inaceitável

Publicado em 16 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Simone Tebet: 'Tem uma franja com Bolsonaro só por medo do PT' - Política -  Estadão

Caciques do MDB temem que Simone combata a corrupção

Gustavo Zucchi
Metrópoles

Aliados de Simone Tebet no MDB estão bravos com a posição de senadores que jantaram com o ex-presidente Lula na última segunda-feira (11/4), em Brasília. O motivo não é o possível apoio de parte do partido ao petista, mas a articulação para “derrubar” a pré-candidatura da emedebista à Presidência.

A divisão regional do MDB é considerada por aliados da senadora como “normal”. Eles lembram que, em 2014, parte da sigla não apoiou Michel Temer como vice da então presidente Dilma Rousseff. O problema seria o que chamam de “sabotagem” à candidatura própria da sigla.

AVALIAÇÃO ERRADA – “O que não é legítimo é que uma ou outra liderança saia dizendo que tem que extinguir a candidatura da senadora Simone, e que ela não pode ser candidata. E eles usam um argumento, querendo comparar com a candidatura do Henrique Meirelles em 2018. São candidaturas, momento completamente diferentes”, reagiu à coluna o presidente da Juventude do MDB, Norton Soares.

Segundo Soares, que é vereador do município gaúcho de Restinga Seca, as divergências regionais devem ser respeitadas. “Mas jamais uma sabotagem à candidatura dela”, completou o presidente da Juventude do MDB.

Ao lado de Simone também estão outros núcleos do MDB, como Afro, Mulher, Socioambiental, Diversidade e Trabalhista. Ela ainda conta com apoio da Associação Nacional de Prefeitas, Prefeitos, Vice-Prefeitas e Vice-Prefeitos do MDB e da Associação Nacional de Vereadores do partido.

EFEITO MEIRELLES – Na última segunda, nomes como o do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE) estiveram reunidos com o Lula em um jantar em Brasília. O jantar aconteceu na mansão de Eunício.

Na ocasião, ambos afirmaram que a sigla não pode repetir a aposta feita em 2018, quando o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles se candidato ao Palácio do Planalto pelo MDB e acabou a disputa com apenas 1,2% dos votos no primeiro turno.

“O que o partido não pode repetir, seria insano, é a candidatura do [Henrique] Meirelles, porque, com a candidatura do Meirelles, o MDB pagou um preço terrível”, ressaltou Renan.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Para determinados parlamentares do MDB e de outros partidos, é preciso destruir as candidaturas da terceira via e apoiar Lula. O motivo é simples. Com Lula no Planalto, o chamado quadrilhão do MDB retorna ao poder, os caciques voltam a mandar na taba. Se Simone Tebet for eleita (numa ironia do destino, é claro), a corrupção será combatida. Por isso determinados parlamentares não aceitam a candidatura dela. Eles não querem enfrentar o menor risco de haver retomada do combate à corrupção, não interessa quem seja o candidato (ou candidata)(C.N.)

REVISTA REVELA FAKE NEWS, ATAQUES A MINISTROS DO STF E TEORIAS CONSPIRATÓRIAS EM WHATSAPP DE BOLSONARO


Teorias conspiratórias sobre a pandemia e as vacinas é um dos temas preferidos de Bolsonaro.

Fake news, ódio, ataques a ministros do Supremo e teorias conspiratórias: enquanto aliados tentam moderar seu discurso, o presidente segue radicalizando em sua lista de transmissão, revela a Revista Crusoé com exclusividade.

Por uma semana, entre os dias 5 e 12 de abril, Crusoé acompanhou o que o presidente envia em sua lista de transmissão no WhatsApp, na qual ele inclui apenas os aliados mais próximos.

“O resultado é um festival de fake news e de ódio, com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal, teorias conspiratórias sobre as urnas eletrônicas e insultos a artistas considerados adversários do governo.”

Uma das mensagens destacadas pela revista mostra como Bolsonaro tenta usar a participação dos militares em um grupo do TSE para dar sustentação a seu discurso de que elas são passíveis de fraude.

Ainda que a relação dos militares com os integrantes do tribunal, que tem o objetivo de garantir a segurança das urnas, seja pacífica, o presidente sugere o contrário.

O órgão máximo das eleições mostrou-se nitidamente surpreendido e constrangido com a capacidade do Centro de Defesa Cibernética (o braço do Exército do qual fazem parte os militares destacados para participar da comissão) em detectar pontos ‘falhos’ em seu ‘excelso programa’. Talvez, no TSE ninguém tivesse conhecimento da capacidade analítica dos militares.

E que também as FFAA (Forças Armadas) não aceitariam quaisquer explicações dos técnicos do TSE. Talvez, o TSE achava que poderia usar as FFAA para dar ares de legalidade nas eleições. O TSE acabou em um beco sem saída, pois querendo ou não, tem que aceitar os questionamentos das FFAA, ou …”

Prefeitura de Palmas intensifica ações de fiscalização para combater a perturbação do sossego

 

Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente

Autor: Wédila Jácome | Publicado em 15 de abril de 2022 às 14:43


Neste sábado e domingo, dias 16 e 17, os alvos serão estabelecimentos denunciados via Siop, Ouvidoria do Município e Ministério Público

Fiscais de Obras e Posturas, em conjunto com a Guarda Metropolitana de Palmas e agentes de trânsito, vão intensificar a fiscalização contra a perturbação do sossego neste sábado, 16, e domingo, 17. O trabalho já faz parte da rotina das equipes de fiscalização e desta vez terá como alvo as denúncias recebidas via Sistema Integrado de Operações (Siop), Ouvidoria do Município e Ministério Público do Estado.

A Diretoria de Fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente informa que o cidadão pode fazer a denúncia de perturbação do sossego pelos telefones 190, do Siop; 153, da Guarda Metropolitana; e pelo 0800-64-64-456 / 32127144/ 32127143, da Ouvidoria do Município. Na ouvidoria, o atendimento é feito de segunda a sexta, das 7 às 19 horas, ou pelo e-mail: ouvidoria@palmas.to.gov.br.

 

Entenda

O artigo 189 do Código de Posturas do Município de Palmas estabelece que é proibido perturbar o sossego público ou da vizinhança com ruídos, algazarras, barulhos ou som de qualquer natureza, excessivos e evitáveis, produzidos por qualquer forma. A multa para esse tipo de infração vai de R$ 50 a R$ 5.000,00, nos casos relacionados com a moralidade, comodidade e o sossego público.

O som alto também pode se enquadrar no crime ambiental de poluição sonora, com base no disposto do Artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais Nº 9.605/98. nesse caso, a multa pode variar de R$ 5 mil a R$ 50 milhões.

Se o som for automotivo, a infração também pode ser enquadrada como de trânsito, segundo o artigo 228 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nesse caso, o condutor pode ser multado em R$ 195,23, perder cinco pontos na carteira, além da possibilidade de ter o veículo retido para regularização.

https://www.palmas.to.gov.br/

Nota da redação deste Blog - Ontem publiquei uma matéria a respeito da proibição da perturbação sonora em Canudos; agora estou publicando a ação da prefeitura proibindo em Palmas; só em Jeremoabo que é " banda voou", a incompetência a irresponsabilidade e a afalta de autoridade campeia livremente; nem prefeito nem Secretaria do Meio Ambiente estão nem aí para cumprimenrto da lei, o povo que se ferre.

 Como diz o prefeito: " quem não aguentar que se deite".

Só que  o infernal barulho não permite que o povo se deite

Nas sombras - Editorial

 




Bolsonaro, o ex ministro do MEC e os pastores lobistas

Sob pressão, governo divulga a contragosto idas de pastores do MEC ao Planalto

Constrangido pela revelação do escandaloso balcão de negócios instalado por seus aliados no Ministério da Educação, o presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu com a tentativa de apagar rastros.

A primeira atitude do Gabinete de Segurança Institucional foi recusar-se a fornecer informações sobre encontros mantidos pelo mandatário no Palácio do Planalto com os pastores investigados sob suspeita de traficar verbas da pasta.

Ao jornal O Globo, que apresentara requerimento amparado pela Lei de Acesso à Informação, o órgão responsável pela segurança do presidente alegou que a divulgação dos dados poderia colocar Bolsonaro e seus familiares em risco.

A desculpa esfarrapada durou pouco. Nesta quinta-feira (14), o GSI recuou da negativa e divulgou que o pastor Arilton Moura esteve 35 vezes no Planalto desde o início do governo, em 10 delas acompanhado do pastor Gilmar Santos.

O último registro é de 16 de fevereiro, antes de vir à tona o escândalo no MEC. Em março, a Folha revelou gravação em que o então ministro Milton Ribeiro afirmava dar prioridade à liberação de verbas negociadas pelos religiosos —e isso por recomendação de Bolsonaro.

No mínimo embaraçosas para o presidente, as informações foram prestadas a contragosto, após a má repercussão da recusa inicial. Pelos exemplos recentes, não se deve esperar colaboração no esclarecimento dos fatos.

A administração já se aproveitou antes do dispositivo que permite manter em segredo por cem anos, em caráter excepcional, dados referentes à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem de pessoas.

Alegações similares foram usadas para impedir o acesso a informações sobre reuniões no Palácio da Alvorada, vacinas tomadas por Bolsonaro e o processo disciplinar relativo à participação do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, num ato político.

Não tem sido diferente o comportamento dos líderes do Congresso diante das cobranças por transparência na execução das emendas orçamentárias controladas pelos aliados de Bolsonaro no centrão.

No fim do ano passado, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, determinou a divulgação dos nomes dos parlamentares responsáveis pela liberação dos recursos e outros esclarecimentos, mas tudo que o Legislativo faz desde então é procrastinar.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chegou a dizer que só conseguiria cumprir a ordem após consulta às prefeituras beneficiadas —como se não houvesse outro registro dos acordos feitos.

A desfaçatez mostra que o bloco no poder está disposto até a desafiar o STF para evitar a exposição dos acertos negociados com Bolsonaro na escuridão. Caberá ao tribunal fazer valer sua autoridade para que se acenda a luz da sala.

Folha de São Paulo

Governo Bolsonaro faz do Palácio do Planalto um endereço suspeito

 




Por Ricardo Noblat (foto)

Talvez sob o efeito de estimulantes comprados para turbinar as Forças Armadas, militares que cercam Bolsonaro tiveram a ideia de aconselhá-lo a esconder sua agenda de encontros com dois pastores evangélicos investigados por corrupção.

Se ela se tornasse pública um dia, sempre se poderia dizer que os pastores foram ao Palácio do Planalto visitar ministros, Bolsonaro não. E se a desculpa não soasse convincente, que estiveram com Bolsonaro rapidamente para um alô, uma reza, ou um abraço.

Sob o pretexto de que a segurança pessoal do presidente e dos seus familiares não deveria ser posta em risco, decretar-se-ia o sigilo da agenda por 100 anos. É um recurso controverso, mas seria sustentável. Já fora adotado em ocasiões passadas.

Os artífices de mais uma Operação Tabajara se esqueceram de levar em conta duas coisas. A primeira: em ano eleitoral, danos à imagem do governo podem provocar hemorragia de votos. A segunda: a Constituição em vigor fala em transparência.

Parecer recente da Controladoria-Geral da República diz que a agenda de trabalho do presidente deve ser tornada pública em obediência ao princípio da transparência estabelecido pela Constituição. O povo tem direito de saber o que ele faz. Simples.

Às pressas, deu-se então o dito pelo não dito, algo muito comum neste governo. E assim pôde-se saber que em três anos e três meses da profícua gestão de Bolsonaro, os dois pastores estiveram no Palácio do Planalto, ao todo, 45 vezes.

O pastor Gilmar Silva Santos, recomendado por Bolsonaro ao ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, foi 10 vezes recebido em audiência no Palácio do Planalto. Por Bolsonaro? Por Ciro Nogueira, chefe da Casa Civil e um dos líderes do Centrão?

Por ora, é um mistério. O pastor Arilton Moura esteve no palácio 35 vezes no mesmo período. Não é pouco. Gilmar e Moura foram acusados por prefeitos de cobrarem propina em troca da liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.

Há 15 dias, o Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República, domínio de Augusto Heleno, o mais vovô dos generais de Bolsonaro, negou informações sobre visitas do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao palácio.

Se as paredes do Palácio do Planalto falassem… Mas Heleno dá um jeito para que não falem.

Jornal Metrópoles

A suprema falta de isenção - Editorial

 




Barroso compromete ainda mais a credibilidade das cortes superiores e de seus integrantes, que passam a ser vistos como agentes políticos, com lado definido, e não como detentores da postura imparcial esperada da Justiça e de todos os juízes. 

Que uma deputada de oposição ao governo expresse publicamente sua preocupação com a possibilidade de o atual governante conseguir a reeleição e questione como ele pode ser derrotado faz parte do jogo político. Que um membro do Poder Judiciário – pior ainda: alguém que faz parte do órgão responsável por supervisionar as eleições – se refira a esse governante (ainda que de maneira oblíqua) como “inimigo”, no entanto, é inaceitável. Mas foi justamente isso o que ocorreu durante a Brazil Conference, evento realizado na Universidade Harvard, dias atrás, e que convidou praticamente todas as forças que almejam o Planalto, com exceção do próprio governo.

A deputada Tábata Amaral (PSB-SP), em debate que fazia parte da programação do evento, afirmou, em comentário dirigido ao diretor regional da Fundação Ford, Átila Roque, que “não é óbvio que a gente já derrotou Bolsonaro” e deu como certo um aumento da violência politicamente motivada tanto em caso de vitória quanto de derrota do presidente em outubro. Depois da resposta de Roque, que compartilhou do exercício de futurologia da deputada, o ministro do STF e do TSE Luís Roberto Barroso disse que “é preciso não supervalorizar os inimigos. Nós somos muito poderosos. Nós somos a democracia. Nós é que somos os poderes do bem”. Ainda que não tenha havido menção específica a Jair Bolsonaro ou a bolsonaristas na resposta, ela é indissociável do contexto da pergunta.

O próprio conteúdo da intervenção de Barroso já é questionável. Verdade seja dita, ele acerta quando diz que o STF é “muito poderoso”. A corte, em muitos aspectos, especialmente os relacionados à pandemia, se estabeleceu como uma espécie de “governo paralelo”. E todos os acontecimentos recentes envolvendo desde a destruição da Operação Lava Jato até inquéritos como os das fake news e os dos “atos antidemocráticos” deixam claro que os tribunais superiores se veem acima da Constituição, das leis, da própria jurisprudência, dos bons princípios jurídicos e até da realidade dos fatos. E justamente por isso é impossível que Barroso possa descrever a si mesmo e as cortes que integra como a incorporação da democracia. Supremo, STJ e TSE têm contribuído para o apagão da liberdade de expressão no Brasil e para a relativização de várias liberdades democráticas. Dias Toffoli já disse que o Supremo era o “editor de uma nação inteira” e exercia um “poder moderador”. Foi o próprio Barroso quem primeiro ofereceu justificativas para censurar o aplicativo Telegram no Brasil – ironicamente, em sua resposta o ministro afirmou que, em sua juventude, as grandes preocupações de sua geração incluíam “como acabar com a censura”.

Mas ainda mais grave é que um magistrado que até fevereiro deste ano presidiu a instância máxima da Justiça Eleitoral, e ainda faça parte dela, se refira a um grupo específico como “inimigos” e, ao descrever a si mesmo como os “poderes do bem”, deixe implícito que os outros seriam os “poderes do mal”. Barroso não afirmou que o real adversário eram as trapaças eleitorais (das quais as fake news são uma parte) vindas de todos os lados do espectro político, e que o trabalho do TSE era coibi-las independentemente de onde viessem; em vez disso, ele personalizou a questão, endossando o discurso da deputada que atribui todos os males a apenas um grupo.

Com isso, Barroso compromete ainda mais a credibilidade das cortes superiores e de seus integrantes, que passam a ser vistos como agentes políticos, com lado definido, e não como detentores da postura imparcial esperada da Justiça e de todos os juízes. Nega-se, assim, a boa prática jurídica segundo a qual o juiz se pronuncia apenas nos autos dos processos que julga, e atendo-se a seu conteúdo. Esta loquacidade, no entanto, não é nova; já vem de alguns anos o fenômeno que fez dos ministros do Supremo estrelas midiáticas que opinam sobre absolutamente tudo, seja por iniciativa própria, seja respondendo a questionamentos da imprensa ou como os da deputada Tábata Amaral. E, cumprindo o ditado popular, de tanto falarem seria óbvio que, mais cedo ou mais tarde, os ministros acabariam comprometendo sua independência e idoneidade, para usar dois termos presentes na Lei Orgânica da Magistratura.

Compare-se, por exemplo, a atividade opinativa frequente dos ministros do Supremo com a discrição de membros de outras cortes supremas mundo afora, como a norte-americana. E isso nada tem a ver com excesso ou falta de transparência: um tribunal não é menos transparente quando seus membros não se pronunciam sobre questões que não lhes dizem respeito, ou sobre temas e pessoas que podem vir a julgar. Essa reserva, pelo contrário, apenas reforça a autoridade moral da corte, que fica erodida quando seus integrantes enveredam pela atuação político/partidária, tanto por palavras quanto por ações

Gazeta do Povo (PR)

Há uma violência totalitária que subsiste e ameaça




Por Álvaro Caldas (foto)

Tão execráveis quanto foram os atos de violência praticados pela ditadura é a tentativa insólita de reescrever a sua história para mudar o passado. História recente que ainda nos assusta, a ditadura não acabou. Sobrevive nas pequenas e grandes coisas que se manifestam no nosso cotidiano, que incluem as feridas e as cicatrizes deixadas nos corpos dos que resistiram.

Iniciada com o golpe de Estado de abril de 1964, a ditadura pode não ter existido, é o que dizem oficiais militares das Forças Armadas que se proclamam revisores da historiografia. A marcha dos tanques para depor o presidente Goulart foi relembrada neste 1º de abril com protestos de organizações da sociedade civil e de grupos de ativistas defensores da Memória, da Verdade e da Justiça, que mantêm ativas suas formas de mobilização, para preservar as imagens do terror e condenar sua repetição.

Nenhuma garantia temos, a não ser a resistência, os atos de desobediência civil e as barricadas. Como continuam fazendo esses movimentos defensores da verdade e da memória, que promovem debates, montam acampamentos em frente ao prédio do Dops, produzem documentários e espetáculos teatrais nas universidades. São grupos que se intitulam Coletivos pela Memória, Verdade, Justiça e Reparação.

A Comissão da UFRJ criou e produziu uma série audiovisual denominada Histórias Incontáveis, envolvendo diversas coletividades atingidas pela repressão. Os episódios são debatidas em público tendo como narradores testemunhas dos acontecimentos. Cada documentário transmite imagens da violência da ditadura contra essas comunidades, sejam de negros, mulheres e povos indígenas.

Nos postos do governo e fora dele, os mesmos inimigos da democracia apontam suas armas e atacam com a desfaçatez de sempre, usando os poderes e os instrumentos de manipulação e coação de que dispõem. Creem que com a violência de apagar seus crimes anteriores, eliminam da Historia a violência real do terrorismo de Estado insepulto, agora em busca de mais um mandato totalitário.

Chefes militares adestrados divulgam ordens do dia virtuosas em que se passam por democratas, escondendo todo o atraso e a sujeira que deixaram. Suprimem as prisões e a tortura, os atos institucionais, os ataques à cultura. Copidescam a longa noite de arbitrariedades, os banimentos e as condenações à prisão perpétua. Nada disso consta das notas forjadas nos antigos quartéis. Os generais querem adulterar a História pela via da intimidação.

Vestidos em seus uniformes de guerra, pensam que podem tudo em nome de Deus, das tropas, das milícias, do evangelho, de congressistas, dos indiferentes, dos financistas e dos corruptos que tomaram o Estado. Ao redor, os novos fascistas surgem em profusão. São fascistas de uma espécie nova, sem sequer consciência do significado do termo. Cafajestes e oportunistas, praticam a ideologia defendida pelo líder, que anuncia a redenção totalitária.

Não se arrependeram dos crimes anteriores porque não foram punidos. Receberam a anistia por crimes classificados como imprescritíveis. Na sinistra ordem do dia dirigida a seus parceiros, o ministro da Defesa diz que “no pós-64 a sociedade brasileira passou por um período de estabilização, crescimento e amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz e o fortalecimento da democracia”. Bolsonaro e Mourão repetiram o mesmo discurso tortuoso e provocativo de negação da história.

Os jovens que foram ao Lollapalooza e proclamaram não aceitar a censura precisam saber que em outros tempos os jovens se opuseram ao regime de arbítrio. Alguns desapareceram, tiveram seus corpos tragados nos subterrâneos do Estado policial. Foram valentes diante das bestialidades. É sobretudo importante que saibam também que aqueles jovens iam a festivais, que as cartas trocadas de dentro dos cárceres entre os namorados contam uma história de amor, resistência e esperança.

Para que as imagens dessa história verdadeira não sejam esquecidas nem destruídas, será necessário preservar os registros que estão nos museus, nas bibliotecas e nos arquivos dos jornais. Tombar os imóveis que guardam as vozes e os gritos sufocados dos prisioneiros. Abrir em especial para os jovens os sonhos e pesadelos daquele reinado de trevas contido nos 21 anos de duração da ditadura.

A eleição presidencial que se aproxima porá a democracia brasileira frente a frente ao fascismo. Talvez seja a mais importante e decisiva de nossa história. De um lado Lula, de outro Bolsonaro. Com os avanços da história, acabou o tempo em que os regimes totalitários aconteciam em países distantes, longe de nossos olhos, durante guerras e confrontos por território. Não é mais na Itália, Alemanha, Espanha, Tchecoslováquia ou Hungria. O totalitarismo está aqui.

Víamos com temor os filmes de denúncia política de Costa-Gravas, como Z e A Confissão. Livros queimados, traições e perseguições, presos interrogados em calabouços, confissões obtidas sob tortura. Pesquisas feitas até agora indicam que Bolsonaro perderá a eleição. Mas ele passará a faixa presidencial a seu sucessor ou dará um golpe antes, tentando de todas as formas impedir que sejam realizadas? Esta realidade precisa ser enxergada, estamos enfrentando um tempo de barbáries pessoais e coletivas.

Ultrajano

Páscoa: as razões políticas por trás da condenação de Jesus à cruz




Jesus crucificado, em pintura de Rubens

Por Edison Veiga

Quadro do século 17, de autor desconhecido, mostra Jesus sendo provocado pouco antes da crucificação

A condenação à morte na Roma Antiga era, de maneira geral, também uma condenação ao esquecimento — algo desafiado firmemente pela memória de Jesus Cristo, quase 2 mil anos após sua execução.

"Entre os romanos, havia três mortes semelhantes [para os condenados à pena capital]. O indivíduo podia ser queimado, amarrado a um poste; o indivíduo podia ser colocado em uma arena para lutar contra animais selvagens até a morte e o indivíduo podia ser crucificado, como ocorreu com Jesus", explica o historiador André Leonardo Chevitarese, autor de 'Jesus de Nazaré: Uma Outra História' e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Por que essas mortes são parecidas? Porque não deixam memória sobre o corpo. Em todas, o corpo não existe. Ou é queimado, ou é devorado pelas feras, ou é comido por aves de rapina e animais selvagens", prossegue o historiador. "São três mortes brutais que significam apagar a memória de alguém, fazer com que não haja no entorno um sepultamento que preserve a memória de alguém."

Chevitarese vai além: não existiam também processos jurídicos documentando essas condenações. "Senão existiria memória", conclui.

"Jesus nunca foi julgado, nunca", diz o pesquisador.

Mesmo que não tenha havido um julgamento de fato, são sabidas as causas mundanas que levaram à morte do ser humano Jesus. E as razões foram políticas. Sim, Jesus foi um preso político, sentenciado à morte por, na visão das autoridades, atentar contra a ordem estabelecida pelo Império Romano.

Um incômodo político

"Uma figura como Jesus era um barril de pólvora em uma região dominada pelos romanos", diz Chevitarese. "A revolta estava para acontecer. E antes disso, as autoridades romanas, em conluio com alguns setores da elite judaica, alinhados com os romanos, identificavam essas lideranças populares e as retiravam do convívio, colocando-as à morte."

"Basicamente, ele foi acusado de ser um impostor. Essa acusação veio dos líderes religiosos dos judeus que viviam ali nessa época que o apresentavam como um inimigo de César, como alguém que se apresentava como 'rei'", argumenta o vaticanista Filipe Domingues, vice-diretor do instituto católico Lay Centre de Roma. "Assim, fizeram uma acusação política, para que ele fosse condenado pelo império romano, que ali governava fazendo parcerias com líderes locais."

Para entender o que ocorreu, é preciso retroceder no tempo e contextualizar o que era essa região do Oriente Médio naquela época — e mesmo antes. "Aquele entorno era convulsionado há muito tempo, com crises políticas e opressão dos dominadores", diz o historiador, filósofo e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ele pontua que, quando Roma "resolve estabelecer seu domínio de maneira imperial", isso ocorria com dominação de territórios e imposição de "pesadas obrigações aos povos dominados". "Logicamente que isso pesa muito sobre as populações mais pobres, porque há um povo dominado e as elites fazendo acordos com os dominadores, inclusive acordos políticos, por vezes acordos econômicos bastante satisfatórios", acrescenta ele. "Mas a população pobre vinha sofrendo desgastes."

Ao mesmo tempo, pelo menos 500 anos antes de Cristo, ali se desenvolvia uma mentalidade messiânica: a crença de que um salvador nasceria para redimir aquele povo do sofrimento. "A ideia de que virá alguém para libertar, um enviado de Deus", explica o professor.

Jesus nasceu com esse contexto já efervescente. Cresceu, viveu, pregou e cumpriu sua missão nesse ambiente. "Quando Jesus apareceu, seu movimento existia no tempo", sentencia Moraes. "Teologicamente era alimentada a ideia, por uma visão apocalíptica, de que em algum momento esse enviado seria trazido aos homens e Israel seria restaurada enquanto reino, enquanto nação, enquanto povo escolhido. A dignidade seria restaurada. Isso criou o imaginário de um messias político, poderoso, que poderia mobilizar as forças dos céus e da terra para expulsar a dominação estrangeira que oprimia o povo de Israel naquele momento."

Para muitos, pouco adiantava Jesus enfatizar, conforme passagens bíblicas, que seu reino não era deste mundo, mas sim o da vida eterna. E que era certo dar a César o que é de César, reservando a Deus o que é de Deus. Para muitos, Jesus encarnava essa figura de líder político, de ativista, de agitador.

"Ele era o único assim? Não. A Palestina nos dias de Jesus é uma Palestina cheia de movimentos populares, movimentos de rebelião", ressalta Moraes. "Então havia, além de fariseus e saduceus que eram os partidos políticos religiosos mais conhecidos, outros grupos mais radicais. Havia os zelotes, que representavam os insatisfeitos, revolucionários. Havia grupos que agiam de maneira violenta como os sicários que usavam um punhal e cometiam assassinatos, atos terroristas, causando medo na população e nas autoridades. Havia uma espécie de banditismo social."

O julgamento segundo a Bíblia

Segundo a Bíblia, depois de preso Jesus foi apresentado às autoridades. Pôncio Pilatos, que era o governador da província romana da Judeia, teria então apresentado Jesus para uma assembleia popular — e a condenação teria sido assim, por aclamação. Pilatos, então, teria lavado as mãos indicando não ter qualquer responsabilidade pela execução.

No capítulo 23 do evangelho de Lucas, o texto diz que "começaram a acusá-lo, dizendo: havemos achado este pervertendo a nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, o rei". Segundo a Bíblia, portanto, são duas as acusações contra Jesus, e ambas de cunho político.

"O que interessava para Roma era o teor político. Ou seja: se alguém se negava a pagar impostos, esse alguém estimularia outras pessoas a também não pagarem impostos e a se rebelarem contra o pagamento de tributos. Isso poderia acabar sendo um problema para Roma", analisa o historiador.

"Se ele se declarava rei dos judeus, ele poderia de repente levar esse povo a se levantar, em um ato de resistência, contra o império romano", prossegue Moraes.

"Ou seja: o império romano olhou para Jesus como um líder revolucionário, o líder de um bando que pode trazer problemas. A acusação era política", afirma.

O texto religioso apresenta então o episódio de Barrabás. Segundo a narrativa, por conta do período da Páscoa, a tradição mandava absolver um dos condenados. E quem decidia era o povo, por aclamação. Jesus teria sido apresentado junto a Barrabás — e este último teria escapado da pena capital.

"Barrabás é um bandido social. Um salteador. A forma como Jesus foi colocado entre bandidos, mostra a acusação que pesava sobre ele: a de um líder revolucionário, um agitador social, o líder de um bando que estava, de alguma forma, incomodando o império romano porque, em última instância, ele estaria liderando uma revolta política contra a dominação dos romanos", analisa Moraes.

Paz obtida com violência

Nesse contexto, é preciso lembrar que Roma vivia o período conhecido como Pax Romana. Esse período de dominação de outros territórios, com garantias de segurança e cobrança de altos impostos, mostrava em episódios assim sua mais sangrenta face. "Qualquer tentativa de rebelião era combatida com uma mostra clara do poder de Roma, intimidando futuros rebeldes. A violência era a marca dessa paz romana, uma paz de cemitério, conseguida por meio de violência, de imposição da dominação. Assim Roma apagava os focos de residência", diz Moraes.

"Jesus parecia um problema político muito sério para o poder instituído. Roma sabia que a Palestina era foco de resistência e era preciso debelar isso", resume ele.

Se existiu ou não algo parecido, com esse tribunal popular, fato é que não foi realizado, de forma alguma, um julgamento conforme a lógica contemporânea, ou seja, com registros escritos do ocorrido e direito de defesa. Chevitarese argumenta que, caso a prática fosse assim, alguma coisa das milhares de crucificações havidas teria sobrevivido ao crivo do tempo.

"Vamos esquecer por um minuto o caso Jesus de Nazaré e pensar nas grandes revoltas de escravos que sacudiram o final da república romana. Talvez a mais famosa seja a Revolta de Espártaco [que teria mobilizado cerca de 70 mil escravos por volta do ano 71 a.C.]", exemplifica. "A documentação literária diz que, depois de derrotado aquele exército de escravos, todos eles foram crucificados. E onde estão as atas de julgamento deles? Não estão em lugar nenhum porque nunca foram feitos julgamentos", sustenta Chevitarese.

"Para esses indivíduos, não existia julgamento. As pessoas eram presas e imediatamente levadas para morrer", acrescenta ele.

"[O 'crime' de Jesus] era ser ele alguém que atentava contra o Estado romano", pontua o pesquisador. "Como ele atentava? O império romano era um reino de Deus, os imperadores eram lidos como divinos, isso era uma antiga tradição. Jesus, ao instaurar o reino de Deus, se colocou em oposição ao reino de César, que era uma divindade. No caso, o César da época era Tibério", contextualiza.

Nesse sentido, ele não poderia anunciar o reino de Deus, já que o reino de Deus já existia — se o imperador romano era deus, aquele era o reino de um deus, portanto.

Incongruências históricas

Chevitarese demonstra ceticismo ao analisar as passagens dos evangelhos que relatam os episódios relacionados à morte de Jesus. "Os evangelistas vão explicar a informação que eles já têm, ou seja, que Jesus foi crucificado. Mas, quando escrevem, também têm uma segunda informação, que é o ponto de vista da fé deles: Jesus teria ressuscitado", reflete. "Mas nenhum dos evangelistas foi testemunha ocular."

Para ele, toda a narrativa de um suposto julgamento por aclamação popular conduzido por Pilatos é um relato teológico, e não histórico.

E ele começa desconstruindo a ideia de que houve um bandido, Barrabás, que foi libertado por tradição pascoal. Ele chama atenção para o fato de que primeiro foram dois os apresentados para essa escolha popular: Jesus e Barrabás. Em seguida, Jesus foi crucificado ao lado de outros dois condenados. "Por que esses outros dois também não foram perfilados com Jesus e Barrabás para que o povo pudesse escolher entre os quatro. Tem algo que não bate nessa conta", afirma.

"Nunca existiu uma lei qualquer que fosse produzida pelo império romano de liberar um prisioneiro durante um período de festa qualquer que fosse onde quer que fosse", sintetiza Chevitarese.

"Eu entendo que a Páscoa [cristã] baseia-se na centralidade da prisão, julgamento, morte, sepultamento e ressurreição de Jesus. Mas isso é um relato teológico, que precisa ser lido e assumido como relato teológico.

BBC Brasil

Em destaque

EDITORIAL: A Lei do Retorno na Política de Jeremoabo – Quem tem Telhado de Vidro não Atira Pedra

                                        Foto Divulgação Por José Montalvão Diante dos recentes e turbulentos fatos que movimentam os bastido...

Mais visitadas