terça-feira, fevereiro 08, 2022

Biden diz que trava Nord Stream 2 se Rússia invadir Ucrânia

 




Olaf Scholz fez sua primeira viagem oficial aos Estados Unidos como chanceler federal alemão

Presidente americano promete que gasoduto que liga Rússia e Alemanha não entrará em funcionamento se Putin ordenar invasão da Ucrânia. Declaração foi dada após reunião com o chanceler federal alemão Olaf Scholz.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta segunda-feira (07/02) que o gasoduto Nord Stream 2, que conecta a Rússia à Alemanha, não entrará em funcionamento caso Moscou promova uma invasão da Ucrânia.

Biden deu a declaração após se reunir em Washington com o chanceler federal alemão Olaf Scholz e discutir a tensa situação na fronteira da Ucrânia com a Rússia, onde cerca de 100 mil soldados russos estão mobilizados.

A construção do gasoduto para trazer mais gás natural russo diretamente para a Alemanha, contornando a Ucrânia, foi um grande ponto de discórdia entre Washington e Berlim nos últimos anos. O gasoduto já está pronto, mas ainda não obteve licença de funcionamento.

Respondendo a uma pergunta sobre o Nord Stream 2, Biden disse que não há nenhuma chance de o projeto ir adiante se tanques e tropas russas cruzarem a fronteira com a Ucrânia.

"Não haverá mais um Nord Stream 2. Daremos fim nele. Prometo que seremos capazes de fazer isso."

Scholz, em sua primeira visita à Casa Branca como chanceler federal da Alemanha, disse que "medidas amplas" haviam sido acordadas com aliados e parceiros, incluindo os Estados Unidos.

"Daremos todos os passos necessários. Você pode ter certeza de que não haverá nenhuma medida sobre a qual tenhamos uma abordagem diferente. Agiremos em conjunto", disse o chanceler alemão.

Entretanto, quando pressionado sobre o Nord Stream 2, Scholz não disse explicitamente que o projeto seria interrompido, mas repetiu sua mensagem sobre solidariedade.

Biden havia elogiado anteriormente os estreitos laços entre Washington e Berlim, acrescentando que estavam "trabalhando em sintonia" para dissuadir uma eventual agressão russa.

Scholz já esteve na Casa Branca antes, quando era ministro das Finanças e vice-chanceler durante o governo da sua antecessora Angela Merkel, mas foi criticado por atrasar sua visita inaugural aos Estados Unidos como chanceler. Ele tomou posse há 60 dias. Tanto a ex-chanceler Merkel quanto seu antecessor Gerhard Schröder foram mais rápidos para atravessar o Atlântico.

Quais são os problemas atuais entre Berlim e Washington?

Ambos os países são aliados próximos desde o final da Segunda Guerra Mundial, mas a Alemanha tem sido cada vez mais questionada sobre seu compromisso em evitar a agressão russa.

A Casa Branca já havia se manifestado anteriormente contra o gasoduto Nord Stream 2, que desvia da Ucrânia e elimina uma importante fonte de renda do país, e ameaçou impor sanções.

Washington voltou atrás em sua posição mais radical sobre o gasoduto para manter melhores relações com Berlim, mas recentemente declarou que o gasoduto não entraria em funcionamento se a Rússia invadisse a Ucrânia.

"Acho que a Alemanha, no final, apoiará sanções econômicas e sanções ao Nord Stream 2", disse Stefan Meister, especialista em Rússia e Europa Oriental no Conselho Alemão de Relações Exteriores, à DW.

Porém, sobre a recusa da Alemanha em vender armas à Ucrânia, por ser uma região em crise, Meister acha que "eles não vão concordar. Não mesmo. Acho que Scholz deixou claro novamente que a Alemanha não enviará armas".

Esforços diplomáticos para acalmar crise na Ucrânia

A viagem de Scholz a Washington ocorreu em um dia de intensa diplomacia sobre a crise da Ucrânia. A ministra do Exterior alemã Annalena Baerbock foi a Kiev e o presidente francês Emmanuel Macron, a Moscou.

Scholz retornará a Berlim nesta terça-feira para se reunir com Macron e com o presidente polonês Andrzej Duda.

O chanceler alemão convidou os dois líderes europeus para "discutir a situação na Ucrânia e nos arredores", disse a porta-voz do governo Christiane Hoffman.

Os três países têm uma relação especial conhecida há 30 anos como o "triângulo de Weimar".

"Penso que se trata também de mostrar que, finalmente, a Alemanha e a União Europeia estão mais ativas neste conflito", disse Meister, especialista em Rússia, à DW. "Portanto, não se trata apenas dos EUA, mas também da segurança europeia. E também de mostrar unidade com os países menores, especialmente da Europa Central e do Leste Europeu."

Deutsche Welle

Ucrânia: perfil de uma nação histórica sob a sombra da Rússia

 




O Kyiv Pechersk Lavra, ou monastério das cavernas, é um marco arquitetônico em Kiev

Até 1991, a Ucrânia era uma das 15 repúblicas que formavam a União Soviética (URSS). Com o colapso da URSS, em agosto daquele ano, a Ucrânia tornou-se uma nação independente e estabeleceu laços mais próximos com as potências ocidentais, o que incomodou a Rússia.

Desde então, Kiev tenta controlar seu destino, muitas vezes sem sucesso, sob a sombra de seu maior e mais poderoso vizinho.

Segundo maior país da Europa, atrás apenas da Rússia, a Ucrânia é uma terra de amplas e férteis planícies usadas para agricultura, com grandes centros de indústria pesada em sua parte leste.

Embora Ucrânia e Rússia tenham origens históricas comuns, a parte ocidental possui laços mais próximos com seus vizinhos europeus, particularmente a Polônia. Nessa parte do país, há um forte sentimento nacionalista.

Uma minoria significativa da população tem o russo como sua primeira língua, particularmente nas cidades e no leste industrializado.

A relação de Kiev com Moscou influenciou a política interna ucraniana desde o início do século 21. No final de 2004, após protestos contra irregularidades na eleição presidencial vencida por Viktor Yanukovich, próximo ao Kremlin., o pleito foi anulado.

Numa nova votação, o oposicionista Viktor Yushchenko sagrou-se vencedor, no processo que ficou conhecido como Revolução Laranja.

Anos depois, uma nova revolução levaria o país a mais uma vez confrontar a interferência russa. Viktor Yanukovich voltou ao poder em 2010, quando foi eleito presidente, após o grupo que nasceu da Revolução Laranja ter sido abalado por disputas internas e denúncias de corrupção.

No final de 2013, Yanukovich rejeitou um acordo de associação com a União Europeia e tentou reaproximar o país de Moscou.

A medida levou a enormes protestos de rua que envolveram choques violentos com as forças de segurança. Yanukovich deixou Kiev e exilou-se na Rússia.

'Odessa, cidade de grande importância turística, tem um admirado centro histórico'

A crise levou à invasão da região da Crimeia pela Rússia, que anexou o território, alegando laços históricos. Rebeldes apoiados por Moscou declararam a independência das províncias de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia, conhecidas conjuntamente com a região de Donbas, o que não foi reconhecido pela comunidade internacional.

A tensão com Moscou e o conflito no leste ucraniano continuaram, até que em 2021 a Rússia parecia estar prestes a invadir a Ucrânia, com grande poderio militar estacionado próximo à fronteira. O presidente russo, Vladimir Putin, exigia um compromisso da Otan, a aliança militar ocidental, de que a Ucrânia nunca se tornaria membro da organização, o que foi rejeitado pela aliança.

A história ucraniana, que inclui a maior tragédia nuclear do planeta, ocorrida em 1986 em Chernobyl, também reúne eras de glória, que geraram marcos arquitetônicos em suas cidades. Kiev é reconhecida por sua bela paisagem urbana, marcada pelos domos de suas igrejas históricas - o berço da nação está associado ao crescimento do cristianismo ortodoxo no Oriente.

No século 21, a Ucrânia ganhou destaque em algumas modalidades esportivas, como futebol e tênis.

FATOS

Capital: Kiev

    População 43 milhões

    Área 603.700 quilômetros quadrados

    Principais línguas Ucraniano (oficial), russo

    Principal religião Cristianismo

    Expectativa de vida 67 anos (homem), 77 anos (mulher)

    Moeda Moedahryvnia

Fonte: ONU, Banco Mundial

LÍDER

Presidente: Volodymyr Zelensky

'Zelensky era conhecido de um programa de TV quando se tornou presidente'

A primeira vez que Volodymyr Zelensky ganhou fama foi ao interpretar um presidente fictício num programa humorístico de televisão da Ucrânia. Com essa experiência, sua vitoriosa campanha presidencial enfatizou vídeos em redes sociais, com conteúdo leve, em detrimento dos tradicionais comícios e discursos detalhando programa de governo.

Como fazia seu personagem de TV, Zelensky promoveu uma mensagem contra corrupção e o poder de oligarcas, embora ele própria tenha ligações próximas com Ihor Kolomoisky, dono do canal 1+1, em que seu programa aparecia.

Kolomoisky, que em 2015 se desentendeu com o então presidente Petro Poroshenko, tem vivido no exterior devido a inúmeras investigações sobre seus negócios na Ucrânia. Ele deu forte apoio ao presidente Zelensky durante a campanha. Com seu passado de artista, seu discurso leve e o apoio de Kolomoisky, Zelensky foi eleito no pleito de março e abril de 2019, aos 42 anos de idade.

Em seu discurso de posse, disse que colocar um fim à insurgência apoiada pela Rússia no leste do país, que suspendeu a autoridade de Kiev sobre as províncias de Donetsk e Luhansk, seria sua prioridade.

Pouco depois, em julho de 2019, seu partido, Servo do Povo, venceu as eleições parlamentares, o que deu a Zelensky também o controle do Legislativo. Durante a crise com a Rússia no final de 2021, ele visitou tropas ucranianas postadas próximas à fronteira, diante do risco de uma invasão de forças russas.

MÍDIA

'A anexação da Crimeia pela Rússia tornou os jornais do país mais nacionalistas'

A mídia ucraniana adotou de forma unificada uma pauta patriótica, depois da anexação da Crimeia pela Rússia e o início do conflito armados nas províncias separatistas do leste.

A Ucrânia proibiu a transmissão da programação dos principais canais de TV da Rússia. Em troca, as áreas sob controle da Rússia ou de separatistas proibiram a transmissão por redes pró-Kiev. As autoridades do país também bloquearam o acesso na internet a alguns populares sites russos e redes sociais da Rússia.

A TV domina o cenário de mídia, com o setor liderado pelas principais redes privadas. Muitos jornais publicam edições tanto em ucraniano como em russo.

RELAÇÕES COM O BRASIL

No final do século 19 e início do século 20, o Brasil recebeu milhares de imigrantes ucranianos. A comunidade de descendentes está hoje concentrada no Estado do Paraná, onde vivem cerca de 80% dos brasileiros de ascendência ucraniana, que totalizam cerca de 600 mil pessoas. Na Ucrânia, segundo o Itamaraty, vivem cerca de 300 brasileiros.

O Brasil reconheceu a independência da Ucrânia logo depois de sua declaração, ainda em dezembro de 1991. As relações diplomáticas foram oficializadas em fevereiro de 1992, com a embaixada ucraniana sendo aberta em Brasília no ano seguinte, e a brasileira instalada em Kiev em 1995.

Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva realizaram visitas oficiais à Ucrânia, em 2002 e 2009, respectivamente, e o Brasil recebeu três visitas de chefes de Estado ucranianos, em 1995, 2003 e 2011.

Um projeto espacial conjunto dos dois países foi lançado em 2003, prevendo a utilização do Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, pelo foguete ucraniano Cyclone-4 para o lançamento de satélites.

Segundo o Itamaraty, a crise e consequentes conflitos iniciados em 2013 reduziu significativamente o comércio entre os dois países e afetou o acordo espacial. O Brasil acabou decidindo retirar-se do projeto, que foi extinto em 2019.

As exportações brasileiras, que em 2012 haviam atingido US$ 624 milhões, perderam fôlego até somarem US$ 111 milhões em 2019. O fluxo comercial total caiu de mais de US$ 1 bilhão antes dos conflitos para pouco mais de US$ 200 milhões em 2019, com o Brasil mantendo sempre um superávit.

'Brasil e Ucrânia assinaram memorando de comércio para o setor de Defesa em 2020'

Em dezembro de 2020, em evento em Kiev, representantes dos governos brasileiro e ucraniano assinaram um memorando de entendimento para o comércio no setor de Defesa.

Em janeiro de 2022, o Itamaraty divulgou uma nota sobre as tensões entre Rússia e Ucrânia, dizendo que o Brasil apoiava "uma solução mutuamente satisfatória" e que uma solução para crise só viria "por meios pacíficos", com a implementação dos chamados Acordos de Minsk para a região leste da Ucrânia.

LINHA DO TEMPO

Algumas datas importantes da história da Ucrânia:

Século 9 - A fundação do Kievan Rus, primeiro grande Estado eslavo oriental, dá início a um período histórico para a região, em que Kiev ganharia projeção internacional. O relato tradicional, motivo de debate entre historiadores, atribui a criação de Kievan Rus ao semilendário Oleg, um líder viking (ou varangianos, como são chamados os vikings que seguiram para o oriente) soberano de Novgorod. Oleg tomou a cidade de Kiev, na atual Ucrânia, que se tornou a capital de Kievan Rus devido a sua localização estratégica no rio Dnieper.

Século 10 - A dinastia Rurik é estabelecida, e o governo do príncipe Vladimir, o Grande (príncipe Volodymyr, em ucraniano), marca o começo de uma era de ouro. Em 988 Vladimir abraça o cristianismo ortodoxo e inicia a conversão de Kievan Rus ao rito bizantino, dessa forma definindo o curso do cristianismo no Oriente.

Século 11 - Kievan Rus atinge seu auge sob Yaroslav, o Sábio (grande príncipe de 1019 a 1054), com Kiev tornando-se o principal centro político e cultural do Leste Europeu.

1237-40 - Os mongóis invadem os principados de Rus, destruindo várias cidades e encerrando o poder de Kiev. Os tatars (como ficaram conhecidos os invasores mongóis) estabelecem o império da Horda Dourada no sul da Rússia, e o khan (líder) da Horda Dourada torna-se o líder supremo dos príncipes russos.

1349-1430 - A Polônia e, mais tarde, a Comunidade Polonesa-Lituana gradualmente anexam a maior parte do que é hoje o oeste e o norte da Ucrânia.

1441 - O canato da Crimeia retira-se da Horda Dourada e conquista a maioria do sul da Ucrânia.

1596 - A Polônia estabelece a Igreja Grego-Católica Ucraniana, em união com Roma, que se torna predominante no oeste da Ucrânia. O restante da Ucrânia mantém-se cristão ortodoxo.

1648-1657- Levante cossaco contra a autoridade polonesa estabelece o Hetmanato, considerado na Ucrânia a base para o moderno Estado independente.

1654 - O Tratado de Pereyaslavl dá início ao processo de transformação do Hetmanato em um Estado vassalo da Rússia.

1686 - Tratado da Paz Eterna entre Rússia e Polônia põe fim a 37 anos de guerra com o Império Otomano no que é hoje a Ucrânia e divide o Hetmanato.

1772-1795 - A maior parte do oeste da Ucrânia é absorvida pelo Império Russo por meio das divisões da Polônia.

1783 - A Rússia domina o sul da Ucrânia por meio da anexação do canato da Crimeia.

Século 19 - Um renascimento cultural nacional leva ao desenvolvimento da literatura ucraniana, além de educação e pesquisa histórica. A região conhecida como Galícia, adquirida durante a partilha da Polônia, torna-se um centro de atividade política e cultural ucraniana, pois a Rússia proíbe o uso da língua ucraniana em seu território.

1917 - Um conselho central Rada (Rada significa Parlamento) é estabelecido em Kiev após o colapso do Império Russo.

1918 - A Ucrânia declara sua independência. A declaração é seguida de uma guerra civil, em que vários governos rivais disputam o controle de parte ou todo o território ucraniano.

1921 - A República Socialista Soviética da Ucrânia é estabelecida quando o Exército Vermelho russo conquista dois terços da Ucrânia. O restante terço torna-se parte da Polônia.

1932 - Milhões morrem numa crise de fome provocada pela campanha de coletivização de Josef Stalin, conhecida na Ucrânia por Holodomor.

1939 - O lado ocidental da Ucrânia é anexado pela União Soviética como parte do pacto de não-agressão entre Moscou e a Alemanha Nazista.

1941 - A Ucrânia sofre uma terrível devastação na Segunda Guerra Mundial durante a ocupação nazista do país, que dura até 1944. Mais de 5 milhões de ucranianos morrem lutando contra a Alemanha. A maior parte dos 1,5 milhão de judeus da Ucrânia são mortos pelos nazistas.

1954 - Numa decisão surpreendente, o então líder soviético, Nikita Khrushchev, transfere a Península da Crimeia, que até então era parte da Rússia, para a Ucrânia. Uma resistência armada contra o domínio soviético termina, com a captura do último comandante do Exército Insurgente Ucraniano.

1986 - Um reator da usina nuclear de Chernobyl explode, enviando fumaça radioativa para a Europa. Esforços desesperados são feitos para conter o danificado reator sob uma cobertura de concreto.

'O acidente nuclear na usina de Chernobyl foi o mais grave da história'

1991 - A Ucrânia declara sua independência depois que um fracassado golpe contra o presidente soviético Mikhail Gorbachev levou ao fim da URSS.

1994 - Na eleição presidencial, Leonid Kuchma sucede Leonid Kravchuk e conduz uma política de abertura controlada ao Ocidente, mantendo uma aliança com a Rússia.

1996 - Nova Constituição, democrática, é adotada, e o hryvnia é adotado como nova moeda.

2000 - A usina nuclear de Chernobyl é fechada, 14 anos depois do acidente. Estimativas apontam que, ao longo dos anos, mais de 10 mil pessoas possam ter morrido na Europa em consequência do vazamento de radiação, que também afetou a saúde de milhões de pessoas.

2002 - Em maio, o governo anuncia sua decisão de solicitar formalmente sua filiação à Otan, a aliança militar ocidental.

Revolução Laranja e crises

2004 - Em novembro, o líder da oposição, Viktor Yushchenko, convoca protestos em massa contra os resultados da eleição presidencial, sob suspeita de fraude e que dava a vitória ao candidato pró-Rússia Viktor Yanukovych. A Suprema Corte anula o resultado. Em dezembro, Yushchenko torna-se presidente depois de vencer o novo pleito. As relações com a Rússia deterioram, levando a frequentes disputas sobre suprimento de gás e taxas sobre uso de gasodutos.

'A Revolução Laranja culminou com a eleição de Viktor Yushchenko para a Presidência'

2008 - Em outubro, a crise financeira internacional leva a uma queda da demanda global por aço, um dos principais produtos de exportação da Ucrânia, causando um colapso dos preços. O valor da moeda ucraniana despenca, e investidores estrangeiros deixam o país.

2010 - Em fevereiro, Viktor Yanukovych é declarado vencedor do segundo turno da eleição presidencial. Em junho, o Parlamento aprova uma lei, enviada por Yanukovych, que encerra as ambições do país de fazer parte da Otan.

2013 - Após o governo abandonar os planos de assinar um acordo de associação com a União Europeia, em novembro dezenas de milhares de pessoas tomam as ruas em protesto. Segundo os manifestantes, o governo cedeu a pressões da Rússia.

2014 - Em fevereiro, as forças de segurança matam pelo menos 77 manifestantes em Kiev. O presidente Yanukovych é afastado pelo Parlamento e foge para a Rússia. A oposição assume o poder.

2014 - Em março, forças russas invadem e anexam a Crimeia, iniciando a maior crise entre Oriente e Ocidente desde o fim da Guerra Fria. O presidente russo, Vladimir Putin, diz que a anexação é justificada pela ligação histórica da região com a Rússia. EUA e União Europeia impõem duras sanções contra Moscou. Em abril, grupos armados pró-Rússia tomam partes das províncias de Donetsk e Luhansk, que formam a região de Donbas, no leste da Ucrânia. Kiev lança operação militar em resposta à insurgência.

2014 - Em julho, forças pró-Rússia derrubam um avião de passageiros da Malásia que voava sobre uma zona de conflito no leste da Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo.

'A Ucrânia enviou tropas para retomar parte de seu território após levantes pró-Rússia em 2014'

País dividido

2015 - Com a Ucrânia dividida, Alemanha e França costuram um acordo de cessar-fogo para a região de Donbas, em negociações realizadas em Belarus.

2016 - A economia ucraniana retorna a um período de frágil crescimento, após dois anos de turbulência.

2017 - Em julho, um acordo de associação entre a Ucrânia e a União Europeia é ratificado. Entra em vigor em 1º de setembro.

2018 - O Patriarca Ecumênico de Constantinopla concorda em permitir que a Ucrânia estabeleça sua própria Igreja Ortodoxa, independente de supervisão eclesiástica russa.

2019 - O humorista de televisão Volodymyr Zelensky vence o segundo turno da eleição presidencial contra o incumbente, Petro Poroshenko. Ele assume o cargo em maio, e dois meses depois seu partido, Servo do Povo, vence as eleições parlamentares. Em setembro, Rússia e Ucrânia trocam prisioneiros capturados na tomada da Crimeia por Moscou e no conflito em Donbas.

2019 - Em outubro, a Ucrânia é envolvida no debate americano em torno do impeachment do presidente Donald Trump, acusado de pressionar Kiev para que investigasse o futuro candidato democrata à Casa Branca Joe Biden.

2021 - Crise entre Kiev e Moscou agrava-se, e a Rússia coloca um grande contingente militar na fronteira com a Ucrânia. Governos ocidentais alertam para a possibilidade de invasão pela Rússia, o que Moscou nega.

2022 - Com tropas russas e ucranianas postadas próximo à fronteira dos dois países, governos ocidentais demonstram apoio a Kiev e ameaçam Moscou de forte retaliação caso uma invasão ocorra.

BBC Brasil

Bolsonaro na Rússia: como visita a Putin pode afetar relação com EUA

 




Bolsonaro e Biden nunca conversaram

Por  Mariana Sanches, em Washington

A decisão do presidente brasileiro Jair Bolsonaro de visitar Vladimir Putin, na Rússia, em meados de fevereiro, abriu um novo flanco de tensões na relação com o governo dos Estados Unidos. À BBC News Brasil, profissionais da diplomacia americana chamaram a decisão do mandatário brasileiro de "insana" e "sem sentido".

Embora Brasil e Rússia componham o bloco de emergentes BRICS (junto com China, Índia e África do Sul) e mantenham relações comerciais e diplomáticas há tempos, a viagem de Bolsonaro ao país do Leste Europeu caiu mal para os americanos especialmente pelo momento em que ocorrerá.

EUA e Rússia protagonizam duro embate político internacional. De um lado, os russos estacionaram mais de cem mil soldados na fronteira com a Ucrânia e ameaçam invadir o país a qualquer momento se os americanos e seus aliados ocidentais não interromperem qualquer processo para a entrada da Ucrânia na OTAN, a aliança militar do Atlântico Norte.

De outro lado, os americanos abastecem o governo ucraniano com armas e já deslocaram mais de 3 mil soldados para bases da OTAN na Romênia e na Polônia. O risco é que a situação, que até agora gerou ásperas discussões na ONU e trocas de acusações de parte a parte, evolua para uma guerra na Europa.

É nesse contexto que Bolsonaro desembarcará em Moscou no dia 14 de fevereiro.

"É como assistir uma criança correndo na pista para tentar atravessar uma rodovia expressa e movimentada", afirmou à BBC News Brasil um ex-alto diplomata americano, que já trabalhou no Brasil, a respeito da visita do presidente brasileiro à Rússia.

Na semana passada, oficiais do Departamento de Estado agiram para expressar claramente o descontentamento dos EUA com os planos brasileiros. Há dez dias, consultado pela BBC News Brasil, o departamento de Estado afirmou, por nota, que "o Brasil tem a responsabilidade de defender os princípios democráticos e proteger a ordem baseada em regras, e reforçar esta mensagem para a Rússia em todas as oportunidades''.

'Putin e Bolsonaro já se encontraram anteriormente, em novembro de 2019'

A portas fechadas, diplomatas americanos disseram aos brasileiros que a viagem de Bolsonaro à Rússia passaria ao mundo uma mensagem de que o Brasil endossa as atitudes de Putin em relação à Ucrânia e de que o governo brasileiro é indiferente a ameaças de invasão de territórios alheios por potências.

O Brasil é atualmente um aliado militar extra-OTAN dos Estados Unidos, status garantido ao país ainda na gestão do republicano Donald Trump. No ano passado, já no governo do democrata Joe Biden, os americanos afirmaram endossar que o Brasil se tornasse um parceiro global da Aliança Militar do Atlântico, o que aumentaria ainda mais acesso às Forças Armadas brasileiras a armamentos e treinamentos.

"Não é possível que o Brasil ignore o significado simbólico dessa viagem. Esse não é o momento de discutir relações bilaterais com a Rússia, enquanto eles ameaçam invadir seu vizinho. Claro que os Estados Unidos não estão felizes com o plano, assim como os europeus também não estão, porque sugere uma falta de respeito em relação às regras do jogo internacional, que historicamente o Brasil costumava defender", afirmou à BBC News Brasil o ex-embaixador americano no Brasil Melvyn Levitsky, atualmente professor de relações internacionais da Universidade de Michigan.

'Por que seu presidente não fala com o meu?'

O Itamaraty tem respondido aos americanos que a viagem estava pendente há mais de um ano - embora o convite de Putin tenha sido formalizado apenas em dezembro -, e que tratará estritamente de temas bilaterais.

A Rússia não está nem entre os dez maiores parceiros comerciais do Brasil, mas vende ao país fertilizantes necessários para a agricultura brasileira. Não há, no entanto, expectativa de que a visita possa resultar em algum acordo comercial formal entre os dois países.

A viagem ao leste europeu também contará com uma parada de Bolsonaro na Hungria, excluída por Biden do encontro pela democracia organizado pelos EUA em dezembro, já que Washington vê o governo conservador e direitista de Viktor Orban como distanciado dos princípios democráticos.

Orban é hoje um dos principais aliados internacionais de Bolsonaro. A entusiastas que o questionaram na frente do Palácio da Alvorada, o presidente brasileiro também elogiou as credenciais políticas de Putin: "Ele [Putin] é conservador sim. Eu vou estar mês que vem lá, atrás de melhores entendimentos, relações comerciais. O mundo todo é simpático com a gente".

Analistas internacionais afirmam que a viagem à Rússia tem importância política doméstica para Bolsonaro, que quer mostrar aos eleitores brasileiros que não está isolado no mundo, como afirmam seus críticos. "Com a saída de Trump da Casa Branca, Bolsonaro perdeu seu principal aliado e tenta com a visita a Putin um realinhamento ideológico internacional. É claro que isso vai irritar ainda mais os EUA", afirma Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da FAAP.

Há pouco mais de um ano, a relação entre brasileiros e americanos sofreu um forte abalo, depois que o republicano Donald Trump, considerado o maior aliado global do atual mandatário brasileiro, perdeu as eleições e acusou de fraude eleitoral seu opositor Joe Biden, sem provas. Bolsonaro endossou tais alegações de Trump e demorou semanas para parabenizar o novo presidente dos EUA, que, em troca, se recusa a conversar diretamente com o colega brasileiro desde que chegou à Casa Branca.

De lá pra cá, o Brasil tem sido pressionado pelos americanos a mudar sua postura em relação à questão do meio ambiente, já que combater o aquecimento global é uma prioridade da gestão Biden. Por outro lado, os EUA mantiveram o apoio para que o Brasil entrasse na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, uma prioridade para o governo Bolsonaro.

Um embaixador que acompanhou as discussões com os americanos sobre a viagem à Rússia afirmou que para o Brasil não há vantagens de se alinhar nesse momento com os americanos e cancelar a viagem. "Se eles acham que somos tão importantes, porque então o Biden não fala com nosso presidente?", teria sido uma das respostas da diplomacia brasileira.

Apesar da retórica, no entanto, na segunda-feira passada (31/1), o Brasil acompanhou os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU ao concordar que a questão Ucrânia deveria ser tratada no colegiado - contra a vontade dos russos.

No voto do país, no entanto, o embaixador brasileiro Ronaldo Costa fez questão de pontuar que o Brasil não endossa nem os exercícios militares russos nem as ameaças de sanções econômicas unilaterais dos americanos. E que manterá sua independência e defesa de saídas diplomáticas e multilaterais.

"Visitas bilaterais são normais, não implicam na violação de nenhuma regra internacional. Com o voto na ONU, o Brasil tentou deixar claro que a viagem à Rússia não deve ser tomada como a expressão de uma posição pró-Rússia. A questão está na oportunidade: os americanos estão fazendo um esforço para conter os ímpetos russos por meio de alianças, e queriam contar com o Brasil nesse bloco", avalia o embaixador brasileiro Sérgio Amaral, que já comandou a embaixada em Washington e hoje é integrante do Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

A preocupação dos americanos com a questão Rússia/Ucrânia tem dominado a agenda internacional do país. E não só porque ela pode detonar uma guerra na Europa, mas porque os Estados Unidos enxergam no desafio russo uma contestação à atual ordem internacional.

"Estamos vivendo um processo de demarcação de linhas e territórios de influência pelas potências, que estão reavaliando as suas posições geopolíticas. E isso vai criando novas áreas de instabilidade. Os EUA vão tentando manter sua hegemonia e as regras do jogo do pós segunda guerra, que veta invasões e tomadas de território, enquanto a Rússia se vê prejudicada pela expansão da OTAN. Dos 30 membros da aliança militar hoje, 14 são ex-repúblicas ou países de influência russa", nota Amaral. Nesse xadrez global, estaria também a tensão entre China e Taiwan.

O grau de importância e de tensão do assunto transpareceu em um episódio entre os governos brasileiro e americano. Em meados de janeiro, depois de uma conversa com o chanceler Carlos França, o secretário de Estado americano Antony Blinken divulgou uma nota em que dizia que os dois países tinham "prioridades compartilhadas, incluindo a necessidade de uma resposta forte e unida contra novas agressões russas à Ucrânia". O Itamaraty considerou que os americanos cruzaram uma linha com a afirmação, que não refletia o posicionamento brasileiro. O órgão veio a público com um "esclarecimento", no qual defendia solução diplomática e pacífica e mostrava não se alinhar a nenhum dos lados.

Uma sombra na relação

Para Melvyn Levitsky, a viagem de Bolsonaro à Rússia "lançará mais uma sombra sobre a relação Brasil-EUA". "Não acredito que haverá uma resposta imediata (dos americanos), mas a relação vai piorar, certamente, e Bolsonaro terá que responder - se (Brasil) se posicionou como um aliado militar extra-OTAN deveria se posicionar diante de Putin", diz o ex-embaixador no Brasil. Bolsonaro já afirmou em entrevista à rede Record que não mencionará o assunto Ucrânia na visita a Putin.

Na última quinta (3/2), o secretário assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental Brian Nichols afirmou em sessão no Congresso dos EUA que, "até onde sei", não há planos para revogar o status de aliado militar extra-OTAN do Brasil.

Mas diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que, a depender do que acontecer na viagem e caso Bolsonaro se reeleja em outubro, essa é uma possibilidade.

Segundo os americanos, a visita recente do presidente argentino Alberto Fernandéz a Putin também provocou descontentamento em Washington. Os diplomatas dos EUA afirmam que o convite russo para os mandatários de Brasil e Argentina são uma forma de mostrar aos americanos que ele também pode exercer poder na zona de influência americana por excelência e que não está tão isolado como o Ocidente gostaria.

Como Fernandez e Biden têm boa relação, os argentinos estariam agora, segundo fontes americanas, se esforçando para reverter o mal-estar. Isso não seria verdade no caso brasileiro. Para os americanos, pode custar caro.

"Bolsonaro pode até achar agora que ele não tem muitos amigos no governo americano ou na Europa Ocidental. Mas se seguir em frente com esse tipo de atitude, aí sim ele vai ver o que é ser barrado no baile", diz um ex-alto diplomata dos EUA. 

BBC Brasil

Uso de algemas em deportados brasileiros cria impasse entre governo Bolsonaro e EUA

por Raquel Lopes | Folhapress

Uso de algemas em deportados brasileiros cria impasse entre governo Bolsonaro e EUA
Foto: Reprodução / Hora do Povo

O uso de algemas em cidadãos brasileiros deportados dos Estados Unidos criou um impasse entre o governo Jair Bolsonaro (PL) e o do americano Joe Biden. O Itamaraty vem fazendo, desde o final do ano passado, apelos para o fim da prática e a melhoria no tratamento a pessoas enviadas de volta ao Brasil, mas tem sido ignorado.
 

Há alguns meses, menores de idade também passaram a ser deportados.
 

Segundo depoimentos obtidos pela reportagem, homens e mulheres foram algemados na frente dos filhos em um voo que chegou ao Brasil no dia 26 de janeiro. Alguns passageiros afirmaram à reportagem ter sofrido maus-tratos, e autoridades envolvidas no trâmite confirmaram que receberam relatos semelhantes.
 

Apesar de o pedido para abolir o uso de algemas valer para todos os deportados, de acordo com pessoas envolvidas nessas operações, havia o entendimento de que integrantes de núcleos familiares, em especial, não passariam por essa situação.
 

Por meio de nota, o Itamaraty disse que a situação é vista com "grande preocupação". Segundo a pasta, o ministro Carlos França falou por telefone com o secretário de Estado americano, Antony Blinken, no último dia 30 de janeiro para tratar do assunto.
 

Questionado pela reportagem sobre o uso de algemas em voo com crianças e adolescentes, o órgão disse que tomou conhecimento da ocorrência do fato. "O secretário Blinken respondeu que os protocolos de segurança nos voos não competem ao Departamento de Estado, mas demonstrou atenção ao pedido brasileiro. Informou, ainda, que seriam envidados esforços para que, em futuros voos de deportação, compostos unicamente por grupos familiares, não haja uso de algemas", afirmou a pasta.
 

Em setembro, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, o governo brasileiro havia pedido o fim do uso de algemas para os EUA como parte da negociação para o aumento na frequência desses voos para o Brasil, diante do maior volume de detidos na fronteira americana com o México.
 

Esses brasileiros são mandados de volta após tentativas de entrar nos EUA de maneira irregular. Por si só, esse tipo de migração não é considerada um crime pela lei brasileira, mas promovê-la a fim de obter lucro, sim --desde 2017. O lado brasileiro tem insistido que a maioria dos cidadãos que retornam não possui condenação criminal prévia e não representa ameaça à segurança da aeronave.
 

O assunto virou um impasse porque as autoridades americanas têm dito às brasileiras que entendem a preocupação, mas que não encontram uma forma de resolver a questão. De acordo com informações repassadas ao Itamaraty, a utilização de algemas é uma praxe dos EUA em voos do tipo para outros países e, portanto, seria difícil abrir uma exceção. Alternativas estão sendo estudadas.
 

Deportado no dia 26 de janeiro, o vigilante Everton Júnior Liberato, 36, estava acompanhado da esposa e do filho de 7 anos no voo com com 211 brasileiros vindos dos EUA, 90 dos quais menores de idade --incluindo crianças de até 10 anos.
 

Ele conta que viajou em 5 de janeiro, com a esperança de conseguir melhorar de vida, e que foi separado da família logo ao entrar em solo americano, ficando ao menos dez dias sem ter notícias da mulher e do filho. No reencontro, relatou ter passado pelo constrangimento de ter sido algemado na frente da criança.
 

"Amarraram corrente na perna, na cintura, nas mãos. Meu filho me perguntou o que estavam fazendo comigo, chorou muito ao me ver algemado. Ele perguntava para eles [autoridades americanas] o que estavam fazendo e eles só riam", afirma à reportagem.
 

Segundo Liberato, além das condições a que ele próprio foi submetido, classificadas pelo vigilante como humilhantes, seu filho ainda passou mal e não recebeu assistência. Ele conta que todos os pais que estavam no seu voo foram algemados, exceto quando a criança viajou acompanhada de apenas um genitor --houve casos de mães algemadas também.
 

A bacharel em direito Geisiane Vieira, 33, disse que o marido passou pela mesma situação ao lado do filho mais novo. "Não há o mínimo de dignidade. Faltam remédios para os adultos e para as crianças, eles não nos escutam, há maus-tratos", diz. Geisiane havia chegado aos EUA no dia 16 de janeiro, com o marido e os filhos de 12 e 15 anos.
 

Histórias de abusos são recorrentes entre migrantes mantidos em centros de detenção após verem frustrada a passagem pela fronteira com o México. Comida ruim e falta de medicamentos e de itens de higiene são reclamações comuns.
 

A intenção das famílias era tentar entrar de forma irregular em solo americano pelo sistema chamado de "cai cai". Como crianças não podem permanecer sozinhas durante os procedimentos de repatriação ao Brasil ou aceitação pelo governo americano, por esse método os adultos ingressam nos EUA acompanhados de um parente menor de idade e se entregam às autoridades, o que lhes permite responder ao processo em liberdade.
 

Contrabandistas e "coiotes" viram essa regra como uma oportunidade de negócio.
 

Procurada, a Embaixada dos EUA no Brasil não se manifestou até a conclusão deste texto.
 

A quantidade de crianças e adolescentes enviadas de volta ao país no voo de 26 de janeiro foi inédita nesse tipo de operação. O avião com os 211 brasileiros partiu do estado do Arizona e chegou ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins (MG), por volta das 13h30.
 

O autônomo Ezequiel Santos da Silva, 27, estava entre eles, depois de ter ido tentar a vida nos EUA com a esposa e os filhos de 2 e 5 anos. A intenção era trabalhar para juntar dinheiro e comprar uma casa no Brasil. Ele conta que viveu dias difíceis separado da família e foi mais um que precisou ser algemado para voltar ao Brasil.
 

"Fui algemado na frente dos filhos, minha menina se desesperou, chorou. Eu achei muito ruim, sou pai de família, não sou bandido. Mas eles ficam falando que a gente entrou ilegalmente no país deles."
 

O delegado da Polícia Federal Daniel Fantini disse que a corporação analisa os depoimentos colhidos. Há o interesse em identificar quadrilhas que promovem essa travessia irregular, apurando também as circunstâncias em que as crianças deixaram o território brasileiro e as condições a que foram submetidas no processo de entrada nos EUA.
 

A PF investiga se há nesse grupo pessoas que se passam por pais de menores, com documentos falsos, para tentar entrar nos EUA pelo "cai cai". "Existem indícios de casamentos e uniões estáveis fictícias", ressalta Fantini.
 

Como a Folha de S.Paulo mostrou em uma série de reportagens em dezembro, contrabandistas que atuam para promover a migração irregular do México para os EUA têm lucrado com o aluguel de crianças brasileiras.
 

Além de policiais federais, representantes dos juizados da Infância e da Juventude de Belo Horizonte e de Pedro Leopoldo, cidade na região metropolitana da capital mineira, acompanharam o desembarque.

Bahia Notícias

Pressão de ala do DEM 'deve segurar' chegada de Moro ao União Brasil; PSL resiste

por Mauricio Leiro

Pressão de ala do DEM 'deve segurar' chegada de Moro ao União Brasil; PSL resiste
Foto: Reprodução / DEM

Os bastidores do União Brasil seguem aquecidos. Movimentações internas de lideranças do partido devem conseguir "segurar" a chegada do ex-juiz e ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro. ACM Neto e Luciano Bivar participaram de uma reunião na última semana sobre o cenário da legenda, que teve um final "tranquilo", segundo apuração do Bahia Notícias. 

 

Interlocutores do partido apontaram que as possibilidades do desembarque de Sérgio Moro (Podemos) são quase nulas. As investidas para aproximar Moro da sigla estão sendo atrasadas por setores ligados ao DEM, da Bahia e de Goiás, estados considerados chave para a sucesso eleitoral do novo partido em 2022. A candidatura de ACM Neto ao governo baiano é prioritária para a legenda, enquanto que a reeleição de Ronaldo Caiado como governador goiano remarca um território já "dominado" pelo partido.

 

Até mesmo um dos maiores líderes do Podemos, o senador Álvaro Dias (PR), já revelou não acreditar na saída do ex-juiz do Podemos e que a ação de forma tão prematura "seria um desgaste irreparável" à Rádio Jovem Pan. Dias é um dos entusiastas da filiação de Moro ao Podemos e, desde as eleições de 2018, incensa a figura pública do ex-magistrado, mesmo antes do abandono da toga.

 

A chegada do ex-ministro impactaria de forma direta a candidatura de ACM Neto na Bahia, que tenta dissociar o cenário nacional das questões locais. Com o "bloqueio" da chegada de Moro ao União Brasil, Neto teria a possibilidade de não ajustar uma candidatura à presidência à sua campanha. Ainda assim, existem movimentos com origem no PSL que tentam "forçar" a aproximação da fusão das legendas com o ex-ministro.

 

Uma das alas já sinalizou que prefere que cada diretório estadual tenha liberdade para decidir quem vai apoiar, incluindo o presidente Jair Bolsonaro (PL) ou até Lula (PT). A avaliação é de que será impossível o União Brasil encontrar um nome de consenso para atender as necessidades regionais do partido (veja mais).

Bahia Notícias

Projeto do Governo da Bahia aumenta vencimentos dos professores em quase 16%

Projeto do Governo da Bahia aumenta vencimentos dos professores em quase 16%
Foto: Camila Souza / GOVBA

O Governo do Estado encaminhou na segunda-feira (7), para a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) o projeto de lei que altera a Lei 14.406/2021, readequando os valores dos vencimentos do magistério público da educação básica. De acordo com a gestão, a medida vai beneficiar mais de 17 mil educadores da ativa, entre professores e coordenadores pedagógicos, além de mais de 6.500 aposentados, que terão seus vencimentos adequados em função do novo piso nacional da categoria.

 

Caso aprovado, o Projeto de Lei vai viabilizar a concessão de reajustes de até 16,10%, a depender do grau e do padrão que o educador ocupa na carreira.  O impacto da medida para os cofres públicos do Estado será de 119,9 milhões só em 2022. De acordo com a tabela de vencimentos que está sendo proposta, um professor do grau III do padrão P, por exemplo,  passará a receber  R$ 3.850,00. Já o vencimento de um professor do grau III-A, padrão P, será definido em R$ 3.903,02.      

 

As melhorias na remuneração do funcionalismo estadual representam um grande esforço de caixa para o governo baiano, diante do quadro de dificuldades financeiras enfrentado pela Bahia e outros estados da federação nos últimos anos. Além da adequação na tabela de vencimentos do magistério público, o governo concedeu em janeiro deste ano um reajuste linear de 4% a todo o funcionalismo público estadual. Para completar, a partir do próximo mês de março , mais de 156 mil servidores, aposentados e pensionistas estaduais serão contemplados com acréscimos de até R$ 300 no vencimento básico que impactam em outras gratificações, acumulando ganhos de até 24,04% nos vencimentos.

Bahia Notícias

Pazuello vai para a reserva do Exército ainda este mês, diz jornal

Pazuello vai para a reserva do Exército ainda este mês, diz jornal
Foto: Alan Santos / PR

O general Eduardo Pazuello, vai para a reserva no fim do mês, segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. A reunião do Alto Comando do Exército, marcada para a última semana de fevereiro, vai retirar o ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro da ativa.

 

Ainda de acordo com a publicação, Pazuello não bateu o martelo sobre o seu futuro. Ainda não é certo se vai se candidatar a uma vaga de deputado federal, provavelmente pelo PL do Rio de Janeiro, mas ainda não procurou o partido de Bolsonaro com esse objetivo.

Bahia Notícias

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