sábado, janeiro 15, 2022

Alemanha tem novo recorde de casos diários de covid-19

 




País registra mais de 92 mil novas infecções em 24 horas. Autoridades alertam que mortes e hospitalizações devem aumentar, com o avanço da variante ômicron. Ministro da Saúde sinaliza imposição de novas restrições.

A Alemanha voltou a superar nesta sexta-feira (14/01) sua maior marca diária de novos casos de covid-19. O Instituto Robert Koch (RKI), a agência de prevenção e controle de doenças do país, registrou 92.223 infecções em 24 horas.

Isso significa 35.888 casos a mais do que o total da sexta-feira anterior, quando a contagem diária foi de 56.335. Até então, o recorde de novas infecções em 24 horas era de pouco mais de 80 mil, registradas na última quarta-feira.

A incidência de casos em sete dias, chave para as políticas anticovid no país, vem subindo constantemente desde o início do ano, chegando nesta sexta-feira a 470,6 infecções para cada 100 mil habitantes. Há uma semana, esse índice era de 427,7.

Foram registradas 226 mortes em 24 horas, o que eleva o total de óbitos acumulados desde o início da pandemia para 115.337. Segundo o RKI, a variante ômicron está por trás de 73% das novas infecções.

O diretor do RKI, Lothar Wieler, alertou que o país deve estar preparado para um aumento do número de hospitalizações e mortes, em razão dos recordes sucessivos nas contagens de casos diários. Ele afirma que, em questão de dias, a ômicron se tornará a cepa dominante na Alemanha, superando as infecções pela variante delta.

Para Wieler, a Alemanha começa a entrar numa nova fase da pandemia. Mesmo se as infecções com a ômicron forem, de fato, mais moderadas, como sugerem as evidências iniciais, o número de contágios indica que o país deve contar um aumento dos casos graves e mortes.

A contagem de mortes por covid-19 na Alemanha ainda não teve aumento significativo, mas, segundo Wieler, "isso vai mudar”.

Novas restrições à vista

Na mesma conferência de imprensa, o ministro da Saúde, Karl Lauterbach, disse esperar um novo pico nos índices de infecção, mas que novas regulamentações e um aumento da vacinação devem ajudar a lidar com a crise.

A estratégia, segundo o ministro, será desacelerar a pandemia através das restrições enquanto, ao mesmo tempo, amplia-se a vacinação, com a aplicação do maior número possível de doses. Isso, em sua opinião, poderá achatar a curva das hospitalizações e, com o tempo, aliviar a pressão sobre o sistema de saúde.

'Ministro alemão da Saúde, Karl Lauterbach, diz que aumento da vacinação ajudará a aliviar crise sanitária'

O objetivo é "transformar o aguardado paredão de infecções numa colina, se possível, ou ao menos fazer com que esse muro não seja tão alto”. O ministro avalia que as restrições impostas recentemente tiveram o efeito desejado de desacelerar as transmissões do vírus, em comparação a outros países.

Em sua opinião, novas restrições – como, por exemplo, a exigência da apresentação nos restaurantes de testes com resultados negativos também para pessoas vacinadas – podem ser de grande ajuda.

Relaxamento das quarentenas

Paralelamente, as câmaras alta e baixa do parlamento alemão aprovaram a redução dos períodos de quarentena. Quem recebeu recentemente a terceira dose da vacina – ou os vacinados com duas doses ou recuperados nos últimos três meses – não necessita mais ficar em isolamento, caso entre em contato com indivíduos infectados.

Para quem não se enquadra nessas condições, o período de quarentena será reduzido para sete dias, mas com a exigência da apresentação de um teste de PCR ou de antígeno com resultado negativo. Isso é válido tanto para quem tiver contato com infectados, quanto para os recuperados da doença.

A redução do período de isolamento visa evitar a escassez de funcionários em áreas essenciais, como nos serviços de assistência social e de saúde. As novas regras foram aprovadas pelo Bundesrat (câmara alta do Parlamento) nesta sexta-feira, depois de passar pelo Bundestag (câmara baixa) no dia anterior.

Porém alguns especialistas alertaram que o relaxamento das regras de quarentena poderá impulsionar o aumento das infecções, resultando em maior pressão sobre o sistema de saúde.

Pouco mais de 70% dos adultos da Alemanha estão com ciclo vacinal completo, sendo que 45% já receberam a terceira dose dos imunizantes, enquanto o país ainda debate a obrigatoriedade da vacinação.

Deutsche Welle

O Brasil dá aflição




Por Carlos Graieb (foto)

O Brasil dá aflição. Falta dinheiro para muita coisa importante, mas às vezes há dinheiro, que os governos não sabem gastar. Foi isso que aconteceu em Ouro Preto, onde o deslizamento de uma encosta destruiu um edifício tombado pelo patrimônio histórico (foto).

Dez anos atrás, o governo de Minas Gerais captou nada menos que 35 milhões de reais para um programa de contenção de encostas em Ouro Preto. Mas o programa ficou empacado, por requerer técnicas especiais de sondagem do terreno, até que um desastre aconteceu.

Em 2019, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mediu a eficiência dos gastos públicos na América Latina. Descobriu que o Brasil desperdiça quase 4% do PIB ao ano em projetos mal concebidos e mal executados, que ficam pela metade, atrasam ou não entregam o que se esperava. São os célebres “problemas de gestão”.

Gestores ineptos, que não sabem nem por onde começar o emprego dos recursos disponíveis, têm um papel de destaque nessa história. Segundo o BID, o Brasil deixa de gastar, em média, nos diversos níveis de governo, metade do dinheiro aprovado para investimentos.

Em 2020, o governo Bolsonaro deixou no cofre 80,7 bilhões de reais reservados para o combate à Covid. No mesmo ano, o Ministério da Educação devolveu 1 bilhão de reais aos cofres públicos, porque não soube o que fazer com eles. Como se não houvesse carências na educação brasileira.

O padre Vieira já sabia que esse tipo de omissão produz desastres, como os de Ouro Preto ou da pandemia. Diz o seu Sermão da Primeira Dominga do Advento: “Está o príncipe, está o ministro divertido, sem fazer má obra, sem dizer má palavra, sem ter mau nem bom pensamento. E talvez naquela mesma hora, por culpa de uma omissão, está cometendo maiores danos, maiores estragos, maiores destruições, que todos os malfeitores do mundo em muitos anos.” O texto é de 1650.

O Antagonista

Gestão do orçamento passa de Guedes para o Centrão - Editorial

 




A ômicron poderá pode até levar à decretação de estado de emergência, pondo de lado todos os limites para despesas

Os riscos fiscais continuaram crescendo após o furo no teto de gastos. O Congresso, dominado pelo Centrão, colaborou para erodir a gestão do Orçamento, com apoio do presidente Jair Bolsonaro, e foi além. Em ano em que estão em jogo as eleições dos governadores, o presidente sancionou lei aprovada que retira do teto dos gastos dos Estados as emendas de bancadas estaduais. Ontem, por decreto, o presidente, que já tinha, segundo ele, entregue o “coração” de seu governo ao cacique do PP, Ciro Nogueira (dir.) (PI), ministro da Casa Civil, concedeu-lhe também os poderes que o ministro Paulo Guedes tinha, por definição, sobre o Orçamento. Tanto transferências de dotações orçamentárias como abertura de créditos suplementares agora dependerão de “manifestação prévia favorável” de Nogueira.

O presidente esculhamba a gestão fiscal do país de várias maneiras e para isso retirou a autonomia de seu ministro da Economia para entregá-la à coordenação política em ano eleitoral. O teto de gastos já fora furado porque Bolsonaro queria que o programa sucessor do Bolsa-Família pagasse R$ 400 até o fim de 2022 para obter dividendos eleitorais. Não havia receitas para isso, mas o governo derrubou a restrição constitucional e ainda nela inscreveu o calote nos precatórios.

O presidente insistiu em um aumento, mesmo que pequeno, para todo o funcionalismo. Ordenou a Guedes que concedesse reajustes aos policiais federais e agentes penitenciários, sabendo que provocaria uma cascata de insatisfação de todos os setores de elite do servidores - o que está em pleno andamento, com greve marcada para o dia 18 - e também de policiais militares nos Estados. É possível que, diante dos elementos desencadeados, o governo, dependendo da força do movimento, faça aquilo que o presidente queria desde o início - reajustar salários.

Este problema foi resolvido a jato muito antes pelos governadores tão logo se viram livres das amarras da proibição de aumento da folha de pagamentos exigidas pela União para o socorro à luta contra a pandemia. Independentemente de filiação partidária, 22 governadores já decidiram reajustar salários ou dar aumentos reais aos servidores, segundo levantamento de “O Globo” (3 de janeiro). Pelo menos 14 desses governadores buscam se reeleger. Em 13 dos 22 Estados os reajustes-aumentos abrangerão todo o funcionalismo. Em 9, categorias específicas, como professores e policiais militares. O prazo para concedê-los, pela lei, vai até abril. No Rio de Janeiro, Estado falido, embora seja o que mais receba transferências da União (R$ 160 bilhões), o governo do bolsonarista Cláudio Castro (PL) dividirá reajuste de 26,11%, correspondente ao congelamento dos salários desde 2017, em três anos. Metade da correção virá agora e o resto em 2023 e 2024.

O aumento de arrecadação encheu os cofres estaduais, que poderão fechar o ano com superávit de R$ 100 bilhões. As receitas subiram cerca de R$ 80 bilhões no ano passado e as transferências da União, embora tivessem pequena queda, são mais de 10% reais superiores às do nível pré-pandemia de 2019. Em um movimento previsível, após apertarem os cintos no início do mandato, os governadores, ajudados também pela inflação, terão dinheiro extra para aumentar os investimentos. A evolução da folha de pagamentos e gastos com aposentadoria são os principais fatores de desarranjo das finanças estaduais, mas bastou um aumento de receitas, que não se repetirá, para que os governadores ignorassem o passado.

A mais recente, e não última, investida do presidente foi retirar um dos principais poderes do ministro da Economia, a quem cabe direcionar os gastos de orçamento de acordo com as prioridades do governo e fazer as adequações cabíveis. Como o governo Bolsonaro não tem prioridades, fora a reeleição, a melhor forma de gerir o orçamento foi subordinar um ministro que ainda se lembra de que prometeu austeridade (além do fim do déficit primário em um ano) e que tentou conter alguns arroubos (e não outros, como o furo no teto de gastos), ao ministro da Casa Civil, o organizador dos interesses do Centrão e articulador da campanha bolsonarista.

Além de aterrorizar a população brasileira, a ômicron poderá, se for vital a Bolsonaro, até levar à decretação de estado de emergência, pondo de lado todos os limites para despesas. Não é um cenário provável, mas possível, diante de um presidente que não para de perder pontos nas pesquisas e que já deu mostras de que austeridade fiscal não é com ele.

Valor Econômico

E Bolsonaro entrega a execução do Orçamento ao Centrão




O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, passou a dividir o poder de distribuição de recursos federais com o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, cada vez mais enfraquecido

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Os anões do Orçamento eram um grupo de parlamentares baixinhos que controlavam as emendas parlamentares e engordavam suas contas bancárias. O esquema exigia influência para aprovar as emendas e conseguir que determinada empreiteira vencesse a concorrência da obra. Depois, a empresa repassava uma parte dos recursos para o parlamentar. Uma fração era destinada à campanha eleitoral; a outra, ao enriquecimento ilícito, como é da tradição patrimonialista. Àquela época, o caixa dois eleitoral era generalizado. O que distinguia o político honesto do desonesto não era a origem do dinheiro da campanha, era a formação de patrimônio com esses recursos.

Entretanto, em 1993, o Brasil vivia sob as regras de uma nova Constituição, o presidente Fernando Collor havia renunciado para evitar o seu impeachment e, em seu lugar, o vice Itamar Franco havia assumido a Presidência. O então senador Fernando Henrique Cardoso, seu chanceler, assumira a Fazenda e preparava o Plano Real. Com a Constituição de 1988 e a autonomia do Ministério Público, a realidade institucional já era outra, incompatível com o velho modelo de financiamento das campanhas eleitorais.

No Congresso, quem dava a palavra final sobre as emendas parlamentares ao Orçamento da União era o seu relator, deputado João Alves (PMDB-BA), que entendia de bilhetes premiados, mas tinha que recorrer aos conhecimentos técnicos de João Carlos Alves dos Santos, um funcionário da Câmara, que conhecia a mágica da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Numa crise de consciência, após confessar o assassinato da própria esposa, Ana Elizabeth Lofrano, Alves resolveu contar o que sabia sobre o Orçamento. Durante as investigações do homicídio, havia sido preso com US$ 1 milhão em dinheiro vivo e 30 mil em notas falsas.

Formada para investigar o escândalo, a CPI do Orçamento descobriu que João Alves movimentava por mês 300 vezes o valor de seu salário de deputado, distribuía cheques aos parlamentares amigos e se jactava de ter ganho na loteria 56 vezes, só em 1993. Na verdade, comprava bilhetes premiados para lavar dinheiro. A CPI quebrou 395 sigilos bancários, 267 sigilos fiscais e 43 telefônicos; colheu 79 depoimentos, em 111 reuniões. Propôs a cassação de mandato de 18 parlamentares. Seis foram cassados e dois renunciaram, entre os quais, João Alves.

Onde mora o perigo

A jornalista Malu Gaspar, no livro A Organização (Companhia das Letras), nos revela como funcionava o outro lado do balcão. Em novembro de 1993, vizinhos desconfiaram da fumaça que vinha da mansão no Lago Sul onde vivia o então diretor de relações institucionais da Odebrecht, Aírton Reis. Era um churrasco, porém, no banheiro da residência, as agentes da Polícia Federal encontraram caixas com atas e relatórios de reuniões. Cerca de 350 políticos eram citados na documentação.

A Odebrecht havia montado um lobby poderosíssimo, que atendia parlamentares, prefeitos e governadores, sugerindo emendas, redigindo minutas de contratos e editais de licitação, captando recursos a fundo perdido e financiamentos para obras em estados e municípios. Segundo o relatório de desempenho de Airton Reis, no Orçamento da União de 1992, a Odebrecht havia emplacado 63 emendas, seis destaques e 20 subprogramas do seu interesse. No saldo final, isso representava US$ 646 milhões, para 152 contratos, nos quais a empresa esperava faturar, realmente, em torno de 25%.

Por um erro do relator da CPI, Jose Paulo Bisol (PSB-RS), a empresa conseguiu se safar da CPI, que propôs outra investigação sobre as empreiteiras, que não saiu do papel. Depois do escândalo, os métodos da Odebrecht ficaram ainda mais sofisticados, como nos relata Malu Gaspar, ao longo de 639 páginas. A casa caiu com o escândalo da Petrobras, investigado pela Operação Lava-Jato, e o acordo de colaboração da empresa com o Ministério Público Federal, ao qual revelou seu esquema de “operações estruturadas”.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro entregou a execução do Orçamento da União ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), que passou a dividir o poder de distribuição de recursos federais com o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, cada vez mais enfraquecido no Palácio do Planalto e desgastado na Faria Lima. A distribuição de emendas parlamentares, principalmente do chamado Orçamento Secreto, as emendas do relator, já estavam sob controle de outro cacique do Centrão, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Nunca os parlamentares da base do governo manipularam tantos recursos como agora. Alguns fazem questão de dar ampla divulgação à liberação dos recursos nas suas bases eleitorais, mas R$ 16,2 bilhões correspondem às emendas do relator, cujos verdadeiros autores permanecem no anonimato. É aí que mora o perigo.

Correio Braziliense

Ômicron é o fim da pandemia ou levará hospitais ao colapso? As dúvidas que ainda permanecem sobre nova variante




A variante ômicron está causando uma quantidade de novos casos de covid que ainda não tinha sido vista desde o início da pandemia

Por André Biernath, em São Paulo

A ômicron se mostrou avassaladora desde a sua origem: dois dias após a sua detecção na África do Sul e em Botsuana, ela já foi classificada como uma variante de preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 26 de novembro.

Logo de cara, os cientistas ficaram alarmados com a quantidade e a variedade de mutações que ela apresentava. Muitas dessas alterações genéticas ocorrem na espícula, a estrutura do coronavírus que se conecta aos receptores das células humanas e dá início à infecção.

"Naqueles primeiros dias, nós olhávamos para a ômicron e pensávamos: 'Não pode ser verdade. Não é possível que esse monte de mutações vai funcionar na prática'", lembra o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.

"Passado algum tempo, podemos afirmar que todo aquele potencial que a nova variante sinalizava virou realidade: ela é extremamente transmissível, como nos mostram os aumentos expressivos nos casos de covid", complementa.

Para ter ideia, só na primeira semana de janeiro foram mais de 15 milhões de novos casos em todo o mundo, um recorde até agora. Antes do surgimento da ômicron, o número mais elevado registrado ficou na casa das 5 milhões de infecções em sete dias, lá em abril de 2021.

Se, por um lado, o potencial de alastramento logo levantou grande preocupação, por outro, as observações de que essa nova variante estaria por trás de quadros mais leves e uma menor taxa de hospitalizações e mortes, especialmente entre vacinados com três doses, trouxe um pouco de alívio.

Embora essa observação de um quadro menos complicado possa ser encarada como uma boa notícia, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil pedem cautela: mesmo se a ômicron estiver realmente relacionada a um menor agravamento, a gigantesca quantidade de infectados pode resultar em uma sobrecarga do sistema de saúde, com a lotação de leitos e a falta de insumos e profissionais de saúde.

Na visão deles, portanto, é enganoso afirmar que a variante já representa "o fim da pandemia" ou que ela está por trás apenas de quadros mais leves, como dito pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em entrevista ao site Gazeta Brasil, ele afirmou que a ômicron seria até "bem-vinda" ao Brasil.

'Apesar de Bolsonaro dizer que ômicron é 'bem-vinda' no Brasil, especialistas alertam para aumento de hospitalizações e possível colapso do sistema de saúde com aumento de casos'

Mas o que faz a ômicron ser tão contagiosa assim? Por que não é correto dizer que ela é sempre mais branda? E como ficam as vacinas no meio de tudo isso? Saiba o que a ciência já sabe (e o que ainda falta saber) a respeito dessa variante.

Como fogo no palheiro

De acordo com um relatório técnico da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido, a ômicron é de duas a três vezes mais transmissível que a delta — que, por sua vez, já tinha um poder bem maior de alastramento em comparação com o vírus original, detectado no final de 2019 em Wuhan, na China.

Essa capacidade ampliada de "pular" de um indivíduo para o outro se traduziu nesse aumento dos novos casos de covid entre o final de 2021 e o início de 2022.

Nos países que possuem serviços de vigilância genômica estruturados, é possível observar como a ômicron se espalhou feito fogo em palheiro: nos Estados Unidos, por exemplo, o primeiro paciente infectado com essa variante foi identificado no início de dezembro. Em pouco mais de 20 dias, ela já estava presente em 58% de todas as amostras analisadas em laboratórios americanos.

No Brasil, um levantamento do Instituto Todos Pela Saúde com 3,2 mil amostras colhidas de pacientes com covid entre 2 e 8 de janeiro revelou que 98,7% delas traziam a ômicron.

De acordo com os especialistas, é justamente aquele conjunto de mutações que faz essa variante ser tão contagiosa. As alterações genéticas, especialmente na tal espícula, ajudaram no trabalho do vírus.

'As variantes do coronavírus mais preocupantes trazem mutações na proteína da espícula (a estrutura vermelha da ilustração), que se liga aos receptores das nossas células (azul) e dão início à infecção'

Ainda que esse mecanismo de transmissão facilitada não seja completamente conhecido, algumas pesquisas divulgadas nas últimas semanas trouxeram algumas pistas.

Um trabalho feito no Imperial College, na Inglaterra, demonstrou que, quando comparada às outras versões do coronavírus, a ômicron se replica com muita rapidez nas células do nariz e consegue utilizar outros caminhos moleculares para invadir o organismo.

Embora esse trabalho ainda não tenha sido revisado por outros especialistas e nem publicado numa revista científica, ele sinaliza algo importante.

Se essa nova variante "transita" com facilidade e está em abundância no nariz e na garganta, isso por si só já facilita a sua transmissão: basta o indivíduo respirar, tossir, espirrar, falar ou cantar para liberar uma quantidade considerável de vírus no ambiente, que podem infectar as pessoas ao redor.

E não podemos ignorar outro fato aqui: a ômicron também pegou carona nas festas de final de ano. As aglomerações de Natal e Réveillon facilitaram ainda mais o trabalho dela e criaram inúmeras cadeias de transmissão mundo afora (e Brasil adentro).

Um drible na proteção prévia

Mas o local do corpo onde o vírus se replica não é o único fator que ajuda a explicar o espalhamento da ômicron.

O virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da Faculdade de Medicina e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), chama a atenção para outra habilidade dessa variante: escapar da imunidade prévia, obtida através da vacinação ou de um quadro anterior de covid.

"Os estudos vêm demonstrando que os anticorpos que funcionavam contra as outras variantes não reagem tão bem contra a ômicron", destaca.

"E isso representa uma vantagem para a nova variante, pois ela consegue tomar o lugar daquelas que vieram antes, inclusive entre indivíduos que já foram infectados no passado ou estão vacinados", completa.

Na prática, isso se traduziu num aumento expressivo da taxa de reinfecções durante as últimas semanas.

'Transmissão do coronavírus depende de gotículas e aerossois de saliva, que saem pela boca e pelo nariz'

Na África do Sul, por exemplo, pesquisadores analisaram dados de 2,7 milhões de pacientes que tiveram covid-19 antes de novembro de 2021.

Logo nos primeiros dias de dezembro, já haviam sido identificados mais de 35 mil casos de reinfecção neste grupo, algo que ainda não tinha ocorrido nessa mesma magnitude nas ondas anteriores por lá, provocadas pelas variantes beta e delta.

"Além de a ômicron ser capaz de evadir a resposta imune, precisamos considerar também que parte da população tomou a vacina há muitos meses, e sabemos que ocorre uma perda natural dessa proteção com o passar do tempo", acrescenta Brandão.

Terceira dose antecipada

Mas como esse escape da ômicron se traduz em números quando pensamos nas vacinas?

Uma pesquisa realizada no Imperial College estimou que a efetividade do imunizante contra a infecção sintomática pela nova variante despenca para 0 a 20% em quem tomou as duas doses de AstraZeneca.

Mas o mesmo trabalho também traz uma boa notícia: após uma terceira dose, esse nível de proteção volta a subir consideravelmente. O reforço vacinal eleva a proteção para 55 a 80% nesses indivíduos.

'Mudanças na estrutura do vírus podem diminuir a efetividade das vacinas'

Um relatório mais recente da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido corrobora esse aumento da efetividade após uma terceira injeção.

Uma das análises incluída no artigo foi feita na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e mostra que, caso o indivíduo seja infectado com a ômicron, o risco de hospitalização é 81% menor se ele tiver tomado as três doses do imunizante.

Essas e outras investigações acabaram com qualquer discussão sobre a necessidade de aplicar uma dose adicional da vacina em todos os adultos, prática que já ocorre em vários países, inclusive no Brasil.

E vale lembrar aqui que o objetivo da primeira geração de imunizantes contra a covid nunca foi prevenir a infecção pelo coronavírus, mas, sim, evitar que o quadro evoluísse para as formas mais graves da doença.

"Nós estamos vendo isso acontecer na prática: as três doses estão funcionando para prevenir hospitalizações e óbitos", afirma a médica epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, nos Estados Unidos.

"Dados recentes dos EUA revelam que pessoas não vacinadas têm um risco 17 vezes maior de hospitalização e um risco 20 vezes maior de morrer por covid em comparação com quem foi vacinado", calcula.

Garrett explica que as pessoas que receberam as três doses até podem se infectar com a ômicron, mas desenvolvem com menos frequência as formas graves da doença.

"Com o passar do tempo após a vacinação, há uma queda natural dos anticorpos neutralizantes. Quando eles baixam, o vírus invade as vias aéreas superiores mais facilmente", conta.

"Porém, ele não consegue progredir no organismo porque, após algum tempo, as células de memória do sistema imunológico são ativadas e elas acionam o mecanismo de defesa que ajuda a evitar as complicações."

"Na prática, isso significa que as vacinas disponíveis estão funcionando. O objetivo delas nunca foi barrar quadros leves de infecção, mas proteger contra a morte", conclui a médica.

A ômicron causa uma infecção mais branda?

Nessas últimas semanas, alguns trabalhos científicos observaram que a ômicron parece não conseguir infectar tão bem as células dos pulmões.

Uma das pesquisas a demonstrar isso foi feita na Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA. Um grupo de virologistas infectou hamsters com diversas variantes do coronavírus para entender como a doença progredia em cada um deles.

Nos animais que tiveram contato com a ômicron, a concentração de coronavírus nos pulmões era significativamente mais baixa em comparação com os demais roedores infectados.

Essas investigações parecem estar alinhadas à evolução recente da pandemia: pelo que foi observado até agora em países como África do Sul e Reino Unido, as ondas de infecção pela ômicron são velozes e avassaladoras, mas tendem a cair e se estabilizar mais rapidamente.

Já na Califórnia, nos Estados Unidos, uma comparação entre 52 mil pacientes infectados com a ômicron e 16 mil com a variante delta revelou que o primeiro grupo (de acometidos pela ômicron) apresentou risco reduzido de complicações e, mesmo entre aqueles que precisaram ser internados, o número de dias no hospital foi menor.

'Taxa de hospitalizações e de mortes por covid voltaram a subir em algumas partes do mundo, como o Reino Unido'

Será que é possível afirmar com esse conjunto de informações que um quadro de covid provocado pela ômicron é mais leve e menos preocupante? Ainda não, garantem os especialistas.

Para começo de conversa, é preciso ressaltar que muitas dessas pesquisas são experimentais e estão no início, além de não terem sido revisadas por especialistas independentes ou publicadas em periódicos científicos.

E a própria OMS alertou que encarar essa variante como algo de menor importância representa uma armadilha.

"Embora a ômicron pareça ser menos grave em comparação com a delta, especialmente entre os vacinados, isso não significa que ela deva ser classificada como branda", disse o biólogo etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, numa coletiva de imprensa realizada no dia 7 de janeiro.

"Assim como as variantes anteriores, a ômicron está hospitalizando e matando pessoas. Na verdade, o tsunami de casos é tão grande e rápido que está sobrecarregando os sistemas de saúde em todo o mundo", complementou.

De fato, a partir da segunda semana de janeiro, os dados oficiais do Ministério da Saúde do Reino Unido têm mostrado um aumento constante de hospitalizações e do número de mortes que em alguns dias chegou a ultrapassar 300 óbitos diários.

Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil concordam com essa avaliação da entidade.

"Quando se fala que a ômicron consegue se sair melhor nas vias aéreas superiores e não vai tão bem nos pulmões, é preciso pensar que há uma variação importante e existem exceções à regra", esclarece Spilki, que também coordena a Rede Corona-Ômica do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações.

"Nós também vemos casos graves relacionados à infecção pela ômicron, em que se detecta o vírus em todo o sistema respiratório", acrescenta.

O médico Guilherme Werneck, professor de epidemiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que ainda não se sabe muito bem os motivos dessa taxa de hospitalização mais baixa observada até agora.

"Será que essa menor replicação do vírus nos pulmões tem a ver com a imunidade anterior, obtida pela vacinação? Ou é uma característica própria dessa variante? Precisaríamos comparar o que acontece entre quem tomou ou não as doses para entender melhor tudo isso", questiona.

Colapso hospitalar?

Werneck também chama a atenção para o fato de a maior transmissibilidade da ômicron representar uma enorme preocupação ao sistema de saúde — afinal, mesmo se uma parcela menor de pacientes precisar de internação, estamos falando de milhões de novos infectados pela ômicron todos os dias.

Ou seja: ainda que uma porcentagem menor de pacientes precise de um suporte hospitalar, isso continua a representar um aumento expressivo da demanda por leitos, insumos e profissionais de saúde.

Vamos usar números fictícios para ilustrar essa situação. Imagine que apenas 1% dos pacientes infectados com ômicron precisem de internação. Num cenário de 15 milhões de novos casos registrados por semana no mundo, isso ainda representa uma demanda de 150 mil leitos de enfermaria ou UTI a cada sete dias. Trata-se, portanto, de um número gigantesco, muito difícil de ser absorvido adequadamente pelos sistemas de saúde dos países.

A taxa de hospitalizações, aliás, já voltou a subir em algumas partes da Europa e dos Estados Unidos — e esse mesmo fenômeno deve começar a ser visto também no Brasil nas próximas semanas.

"Mesmo um percentual baixo de complicações pode representar um número alto de novos pacientes mais graves, o que sobrecarrega os serviços de saúde", projeta Werneck, que também é professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

"E isso nos leva àquele mesmo problema que enfrentamos no início da pandemia, em que a pressão sobre os serviços de saúde se torna um fator determinante para a gravidade da covid. Em outras palavras, se o paciente recebe um tratamento adequado, ele eventualmente se recupera. Agora, se faltam recursos humanos e materiais para atendê-lo, o risco de morte é maior", completa o especialista.

'Brasil pode sofrer colapso do sistema de saúde nas próximas semanas, alertam especialistas'

Em entrevista ao jornal O Globo em 12/1, a médica Ludhmila Hajjar, do Hospital das Clínicas de São Paulo, fez um alerta semelhante.

"Pelo ritmo que estamos vendo, em uma semana os sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil. O número de infecções aumentará mais ainda nos ambulatórios e provavelmente faltarão mais profissionais da saúde no combate", disse.

A BBC News Brasil entrou em contato com entidades que representam os setores público e privado de saúde no país para entender como eles enxergam essa discussão e como os hospitais estão se preparando para esse possível aumento da demanda.

O Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) compartilhou um ofício que foi enviado ao Ministério da Saúde em 12 de janeiro, em que a entidade "reconhece o estabelecimento de uma nova onda de casos de covid-19 no Brasil, em consequência do rápido avanço da variante ômicron na transmissão comunitária em todas as regiões".

No texto, o conselho admite que esse novo aumento de infecções "volta a impor desafios aos sistemas de saúde público e privado do país".

O texto continua: "Com um terço da população ainda não vacinada com esquema primário completo, o Brasil está vulnerável a uma grande onda de casos, que também poderá acarretar pressão hospitalar. Se o sistema hospitalar entrar em colapso, tanto na rede privada, quanto na rede pública, óbitos evitáveis poderão ocorrer pela não garantia de acesso à internação."

Por fim, o Conass sugere seis medidas para conter uma nova crise, que vão desde a imediata inclusão das crianças na campanha de vacinação contra a covid até a criação de centros de testagem em massa.

Já a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) informou que fez uma pesquisa com 33 instituições de saúde e 88% delas relataram que houve uma subida importante no diagnóstico de infecções respiratórias nesse começo de 2021.

"O aumento dos casos de covid-19 foi, em média, de 655% desde dezembro de 2021, sendo que algumas instituições relataram aumentos maiores que 1.000%", calcula a entidade.

A Anahp ainda pede que "apenas os pacientes com sintomas persistentes ou sinais de acometimento mais grave (falta de ar, febre persistente, tosse intensa) ou com doenças crônicas pré-existentes" procurem o pronto-socorro.

"De forma geral, a população deve manter rígidos os cuidados com a utilização correta de máscara, o distanciamento social e a higienização adequada das mãos", recomenda a associação.

O término da pandemia?

Os estudos que sugerem um quadro menos grave provocado pela ômicron também serviram para embasar os argumentos de que a variante representaria o fim do túnel da pandemia, como dito pelo próprio presidente Bolsonaro recentemente.

Mais uma vez, médicos e virologistas pedem muita cautela com esse tipo de afirmação.

Além do aumento nos casos e nas hospitalizações nessas últimas semanas, é necessário ter em mente o risco da covid longa, com sequelas variadas e pouco conhecidas, que afetam entre 10 e 30% de todos os infectados.

"Como observamos há décadas com outros tipos de coronavírus, o Sars-CoV-2 [o causador da covid] parece estar seguindo o caminho da atenuação", avalia Brandão.

O virologista explica que há vários coronavírus que atualmente provocam o resfriado comum, mas no passado estiveram por trás de quadros mais sérios e mortais.

"Porém, nesse trajeto da evolução viral, ainda é cedo para que o coronavírus responsável pela pandemia atual já tenha estabelecido uma 'relação mais amigável' com a espécie humana", acredita.

'Vacinação das crianças contra a covid é ponto-chave para controlar a pandemia, indicam especialistas'

Spilki segue o mesmo ponto de vista. "Ainda não sabemos para que lado a variante ômicron vai depois de se tornar dominante no mundo inteiro. Qual será o próximo passo? Como ela vai evoluir em fevereiro, março e daí por diante? Será que ela continuará nessa trajetória de atenuação ou pode surgir uma variante mais agressiva? Todas essas são perguntas para as quais ainda não temos respostas", lista.

"A ômicron pode até causar quadros menos graves, mas não me parece ainda a versão de coronavírus em que não vamos mais nos preocupar em ser infectados."

"Estamos no caminho para que esse cenário vire realidade um dia, porém não alcançamos o momento de permitir que o vírus se espalhe livremente", completa o pesquisador.

E é justamente para evitar que a ômicron cause quadros graves de covid ou apareçam novas variantes ainda mais avassaladoras que é vital seguir com os métodos preventivos (usar máscaras, manter o distanciamento social, fugir de aglomerações) e vacinar toda a população com duas ou três doses.

"E isso inclui também as crianças de 5 a 11 anos, que foram recentemente incluídas na campanha de vacinação", lembra Garrett.

"No início da pandemia, elas representavam 4% de todas as hospitalizações por covid nos Estados Unidos. Nas últimas semanas, 27% das internações foram de indivíduos dessa faixa etária", alerta a médica.

"As vacinas estão demonstrando toda a sua capacidade, mesmo diante da ômicron. Se não fosse por elas, estaríamos agora numa situação, no mínimo, desastrosa", finaliza Spilki.

BBC Brasil

Governo da Ucrânia é alvo de ataques de hackers




Nas páginas que ficaram fora do ar, mensagem alertava ucranianos a "esperarem o pior". Sabotagem digital ocorre em momento de tensões elevadas com Moscou. Kiev destaca "longo histórico" de ciberataques russos.

A Ucrânia foi alvo de um ciberataque "em massa", deixando vários websites do governo fora do ar, relataram autoridades do país nesta sexta-feira (14/01). Nas páginas hackeadas, entre elas as dos ministérios do Exterior e da Educação, aparecia uma mensagem alertando os ucranianos a "esperarem o pior".

Embora não tenha ficado imediatamente claro quem está por trás dos ataques, eles ocorrem em meio a tensões elevadas entre a Ucrânia e a Rússia e depois de conversações entre Moscou e o Ocidente nesta semana não alcançarem progressos significativos.

"É cedo demais para tirar conclusões, a investigação ainda está em curso. Mas há um longo histórico de investidas cibernéticas da Rússia contra a Ucrânia no passado", afirmou um porta-voz do Ministério do Exterior ucraniano à agência de notícias Associated Press.

Além dos servidores de internet dos ministérios do Exterior e da Educação, ficaram temporariamente indisponíveis os de cinco outras pastas, do gabinete de governo, do Serviço de Emergência Nacional e o que cadastra os certificados de vacinação dos ucranianos.

A mensagem que aparecia nos sites dizia, em ucraniano, russo em polonês: "Ucranianos! Todas as informações sobre vocês foram tornadas públicas, tenham medo e esperem o pior. Isso vale para o seu passado, presente e futuro."

O Serviço de Comunicação e Proteção da Informação ucraniano afirmou, no entanto, que nenhum dado pessoal foi vazado. O ministro de Transformação Digital, Mykhailo Fedorov, reforçou que os dados pessoais estão seguros, pois "a operabilidade dos sites e não dos registros" foi afetada pelo ataque.

Segundo o ministro, alguns dos sites atingidos foram bloqueados por seus próprios administradores para conter os danos e ajudar nas investigações, e grande parte das páginas atingidas já foi restaurada.

Suposto envolvimento russo

Nesta sexta-feira, o alto representante da União Europeia (UE) para Assuntos Exteriores, Josep Borrell, condenou o ataque de hackers, afirmando que –apesar de o país não ser membro da UE – o bloco está disposto a mobilizar todos os seus recursos para oferecer assistência técnica à Ucrânia e ajudá-la a melhorar sua capacidade de se proteger contra investidas cibernéticas.

Questionado sobre quem poderia estar por trás do ciberataque desta sexta-feira, Borrell comentou: "Não posso apontar para ninguém porque não tenho provas, mas pode-se imaginar."

Moscou negou envolvimento em ciberataques anteriores contra a Ucrânia. Em 2020, os EUA acusaram seis russos de estarem por trás de ataques cibernéticos à rede elétrica ucraniana, às eleições francesas e aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, na Coreia do Sul.

Na época, o Departamento de Justiça americano disse que os seis acusados eram atuais ou antigos membros do Departamento Central de Inteligência russo (GRU) russo. Também lhes foi imputado um ataque com um malware chamado NotPetya, que infectou computadores de empresas em todo o mundo causando quase 1 bilhão de dólares em prejuízos.

Tensões entre Moscou e o Ocidente

Os EUA estimam que a Rússia tenha estacionado cerca de 100 mil soldados perto da fronteira com a Ucrânia, o que desperta temores de uma nova invasão, nos moldes da tomada da Península da Crimeia, em 2014.

Moscou afirma não ter planos de atacar o país vizinho, mas rejeita os pedidos de Washington para remover a tropas, invocando seu direito de deslocá-las para onde seja necessário.

Além disso, o Kremlin ameaça recorrer a ações militares, caso certas demandas não sejam atendidas. Estas incluem a exigência de que a Otan desista da filiação da Ucrânia e de outras ex-repúblicas soviéticas e reduza sua presença militar na Europa Central e Oriental.

Washington e seus aliados se recusaram a atender a esses pedidos, mas se disseram abertos a conversar sobre controle de armamentos, mísseis e limites a exercícios militares.

Nesta semana, conversações entre Moscou e os EUA, seguidas de um encontro entre representantes da Rússia e da Otan e de uma reunião na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, não trouxeram nenhum progresso imediato.

Na quinta-feira, os EUA alertaram que a ameaça de uma invasão militar russa é alta, o que Moscou consistentemente negou. O ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, informou nesta sexta que Moscou está aguardando uma resposta escrita detalhada para suas propostas.

Deutsche Welle

As consequências de Bolsonaro tirar a chave do cofre de Paulo Guedes

 




Paulo Guedes perdeu poder com decisão de Bolsonaro de entregar ao Ministério da Casa Civil a decisão de executar o orçamento

Bolsonaro decidiu passar o Ministério da Casa Civil a decisão final de executar o orçamento de 2022, ano eleitoral

Brasília - Na avaliação de especialistas em contas públicas, a decisão de cunho político de submeter decisões do Ministério da Economia ao da Casa Civil pode prejudicar a gestão eficiente dos recursos públicos em 2022, que é ano eleitoral.

Para Gil Castello Branco, secretário-geral da ONG Contas Abertas, o presidente Jair Bolsonaro “fez uma cópia da chave do cofre da União” para Nogueira. Para ele, há um “vale-tudo” por causa do ano eleitoral e, agora, “o Posto Ipiranga passa a ser do Centrão”.

“De fato, o regime atual é semipresidencialista. Os parlamentares que compõem a cúpula do Centrão estão governando. Como a popularidade do presidente está em queda livre, o preço do apoio político está cada vez maior. Daí o valor de R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral, a cooptação de parlamentares para ampliação da base por meio dos R$ 16,5 bilhões das emendas de relator e, com o decreto, uma cópia da chave do cofre”, pontuou.

“A Casa Civil, o Centrão, passa a ter acesso prévio, por exemplo, aos remanejamentos de recursos entre órgãos e grupos de despesa, certamente para preservar programas e ações das Pastas de maior interesse político. A Economia perde autonomia e o ministro perde poder, tal como já vinha ocorrendo”, disse o economista.

Já Gustavo Fernandes, professor da Fundação Getulio Vargas-SP, frisa que a primazia sobre o Orçamento é regra em diversos países desenvolvidos. Nesses lugares, o Ministério da Fazenda (ou da Economia) é o chefe do Tesouro, uma espécie de muro de contenção contra interesses eleitorais. A diferença para o Brasil, segundo ele, é que quem controla o orçamento precisa prestar contas de forma ampla e transparente e há responsabilização severa em caso de inconsistências.

“Aqui nosso sistema político é opaco, a capacidade de o eleitor controlar o representante é pouca, temos uma série de distorções em que o controle do eleitor sobre o político é menor. O que parece ser uma solução similar aos países desenvolvidos, é um sinal de menos transparência e maior uso político dos recursos”, alertou o especialista.

“Quando a gente diminui o Ministério da Economia, esse muro contra interesses eleitoreiros desaparece. No fim das contas temos menor eficácia dos recursos públicos. Escolas piores, piores UBS, Estradas, infraestrutura, obras que aparecem, elefantes brancos. Vão pintar escolas ao invés de comprar equipamentos”, disse Fernandes.

Estadão / Estado de Minas

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