sexta-feira, dezembro 10, 2021
quinta-feira, dezembro 09, 2021
Na primeira derrota do STF como “poder moderador”, quem deu as ordens foi o Congresso
Publicado em 9 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (O Tempo)
J.R.Guzzo
Estadão
Tornou-se comum nos últimos tempos, e com toda a razão, dizer que o Supremo Tribunal Federal não tem limites. Seja lá quais forem as decisões que toma, mesmo as mais extravagantes ou as francamente contrárias ao que está escrito nas leis, todo mundo engole e fica por isso mesmo – o que só tem levado o STF a ir dobrando as suas apostas. Por que não? Se os ministros deitam e rolam, e ninguém fala nada, eles vão continuar deitando e rolando, cada vez mais.
Um ministro chegou, inclusive, a mudar sozinho a Constituição: numa extraordinária palestra em Lisboa, recentemente, criou no Brasil um novo poder, o Poder Moderador, e declarou que ele está sendo exercido pelo STF.
SEM OBJEÇÕES – Quer dizer: não só o tribunal decide tudo, da nomeação do diretor da Polícia Federal à prisão de um deputado em pleno exercício de seu mandato, como governa o Brasil de hoje, além e acima dos três outros poderes. Não houve nenhuma objeção.
A realidade, porém, não é bem essa. O STF está mandando em tudo, sim, mas só enquanto o restante do sistema político aceita que mande; se alguém disser “não”, a coisa pode mudar de figura. Não tinha acontecido até agora. Mas aconteceu, e o resultado foi uma surpresa geral: uma ordem do STF, mais uma, simplesmente não foi cumprida pelo Congresso, e o tribunal engoliu a desobediência. Acharam, é claro, uma explicação amarrada com barbante para quiser que não foi “bem assim” – mas foi.
EMENDAS PARLAMENTARES – Essa primeira derrota do STF, que todos fazem questão de fingir que não foi derrota, deu-se em torno da lei das “Emendas Parlamentares” – que equivale, mais ou menos, à criação de um orçamento federal privado cuja execução ficará a caro de deputados e senadores.
A ministra Rosa Weber não gostou da lei. Anulou o que o Congresso havia aprovado, deu a si própria o poder de dizer como as leis devem ser feitas e achou – todos acharam – que o STF, mais uma vez, estava dando uma ordem ao Legislativo e que o Legislativo, mais uma vez, iria abaixar a cabeça e obedecer.
Só que não funcionou – enfim não funcionou. Pela primeira vez na atual encarnação do STF, Câmara e Senado se recusaram a cumprir uma decisão formal dos ministros. Com certeza, nesse episódio específico, eles foram longe demais na fé cega em seus poderes. Acreditaram que podiam, também, mexer nos interesses materiais diretos dos parlamentares, e não podem; isso, simplesmente, está acima da capacidade do STF, ou de qualquer força humana presente na Terra.
TROCA DE COMANDO – Resultado: dessa vez quem deu as ordens foi o Congresso. O tribunal, cuja característica maior não é a coragem pessoal dos seus integrantes, recolheu o flap e ficou quieto.
Naturalmente, os parlamentares arrumaram uma maquiagem apressada na lei, que não muda nada em sua essência, para fazer de conta que estavam levando em consideração o despacho da ministra. Mas foi só isso – troca de seis por meia dúzia, ou mudança na ordem dos fatores que não altera o produto e, no fim, não convence ninguém.
O fato é que o STF anulou a lei e o Congresso manteve a lei em vigor. E agora: como é que fica? Fica que o Supremo só manda, mesmo, quando tem pela frente quem está à procura de ordens para obedecer. Na primeira vez em que encontrou resistência, cedeu na hora.
Aliados de Ciro no PDT estabelecem um prazo para a candidatura crescer nas pesquisas
Publicado em 9 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

Ciro não é o único. Candidato que não decolar estará fora
Mariana Carneiro
O Globo
O PDT sentiu o impacto da entrada de Sergio Moro na disputa eleitoral. Dentro do partido, aliados de Ciro Gomes consideram que o ex-juiz atraiu parte dos votos da terceira via que poderiam migrar para o pedetista, tornando seu caminho cada vez mais difícil. Por isso, já defendem nos bastidores que o PDT avalie o quanto antes uma aliança com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva.
Em conversas com interlocutores de outros partidos e com a equipe da coluna, esses aliados dizem que vão esperar até fevereiro para ver se Ciro decola nas pesquisas. Se até lá isso não ocorrer, vão pressionar a cúpula pedetista para abandonar a candidatura própria e ingressar na federação com o PT.
LUPI DESMENTE – Questionado a esse respeito, o presidente do PDT, Carlos Lupi, nega qualquer possibilidade de deixar Ciro na estrada. Segundo ele, a candidatura de Ciro é “irreversível”.
Mas nos bastidores o movimento é o oposto. Nas últimas semanas, parlamentares pedetistas procuraram auxiliares de Lula para pedir que o ex-presidente pressione o PDT para fazer uma aliança ou formar uma federação o quanto antes. Lula, porém, tem se esquivado de fazer qualquer movimento nesse sentido por enquanto.
Para esses parlamentares, o PDT só tem a perder se continuar insistindo num candidato a presidente que se mantém com menos de 10% da intenção de voto nas pesquisas eleitorais. Na pesquisa da Quaest, que saiu nesta quarta-feira, Ciro aparece com 5%, atrás de Lula, Bolsonaro e Moro.
MARQUETEIRO CARO – Em privado, esses parlamentares consideram o desempenho decepcionante, especialmente porque o partido contratou um marqueteiro caro, João Santana e Ciro já é conhecido do público.
O temor entre os integrantes da sigla é que, com uma candidatura fraca, o partido perca espaço em alianças estaduais com partidos de esquerda, fique isolado e acabe elegendo menos deputados.
Por isso, não são poucos os que preferem pular o quanto antes na canoa de Lula e empurrar o PDT para a federação que está sendo neste momento gestada entre PT, PSB e PC do B. “A realidade se impõe”, resumiu ontem um deputado pedetista.
MÁQUINA DO PT – Já como parte da federação de esquerda, o PDT poderia ganhar fazendo prevalecer nomes para governos estaduais, como o de Weverton Rocha no Maranhão. E, mais do que isso, pode aproveitar a máquina do PT para ampliar a bancada de deputados e senadores.
Apesar da ansiedade generalizada, porém, esses líderes vêm dizendo que vão esperar até fevereiro para cobrar de Lupi a projeção feita por ele de que Ciro chegaria a 16% após o Carnaval.
Por enquanto, o presidente do partido mantém o discurso de que Ciro não precisa de alianças para crescer, e que o partido está disposto a seguir sozinho assim como ocorreu em 2018. Até porque, para ele, Moro tira mais votos de Jair Bolsonaro do que de Ciro.
NÃO HÁ VANTAGEM – Lupi diz que não há vantagem em unir-se com o PT numa federação que pode minar outras lideranças estaduais do partido em locais como Rio Grande do Sul, Goiás e Paraná, além de inviabilizar alianças em estados-chave como a Bahia, onde o PDT pretende apoiar ACM Neto (DEM).
Na visão de Lupi, são as candidaturas regionais que determinam o sucesso da eleição de deputados federais e senadores.
Na semana que vem, o PDT se reúne para uma festa de fim de ano em Brasília. Não vai faltar assunto e, pelo visto, nem desejos para 2022.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Matéria especulativa, porém com base na realidade. Não é só Ciro Gomes que está na berlinda, tendo de deslanchar a candidatura. Todos os nomes da terceira via estão na mesma situação. Políticos profissionais não fazem acordo com perdedores. No momento, a situação é de expectativa. Se Moro mostrar que pode derrotar Bolsonaro no primeiro turno, a eleição vira de cabeça para baixo e o quadro passa a ter outra perspectiva, porque os 25% que votam em Bolsonaro podem votar em Moro, porém jamais votarão em Lula no segundo turno. E Moro passaria a ser favorito. Eis a questão. (C.N.)
Ministro do TCU reconhece irregularidades em licitação para promover Bolsonaro no exterior
Publicado em 9 de dezembro de 2021 por Tribuna da Internet

O ministro Walton Alencar está de olho nessa licitação…
Malu Gaspar e Johanns Eller
O Globo
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Walton Alencar, abriu um procedimento para apurar indícios de irregularidades no edital de licitação para a escolha de uma assessoria de imprensa que promoveria o governo Jair Bolsonaro no exterior em ano eleitoral ao custo de R$ 60 milhões. O caso foi revelado pela equipe do blog em novembro e se tornou alvo de uma representação do subprocurador-geral do tribunal, Lucas Furtado.
O objetivo principal da assessoria de imprensa a ser contratada no ano da eleição é apresentar uma imagem positiva da gestão Bolsonaro no exterior. É o que informa o edital divulgado pelo Ministério das Comunicações.
APRESENTAR AO MUNDO – O briefing diz que a missão da empresa escolhida será “apresentar ao mundo” o modelo de gestão de Bolsonaro, destacando “o zelo pela democracia e pela institucionalidade”.
Em despacho do final de novembro, disponibilizado na noite de terça-feira no sistema do TCU, Alencar determinou que o tribunal ouvisse a Secretaria de Comunicação do governo federal, responsáveL pela licitação, e solicitasse informações para esclarecer uma série de problemas encontrados nas regras da concorrência pelo Ministério Público de Contas, em petição do procurador Júlio Marcelo de Oliveira.
O prazo para a realização de oitivas já terminou, mas o prazo para Secom fornecer as informações pedidas ainda está aberto.
APURAÇÃO PROSSEGUE – Em sua decisão, o ministro afirma que a Secom não é obrigada a entregar os documentos, mas a verificação deve prosseguir mesmo que o governo não se pronuncie.
O procurador Lucas Furtado tinha pedido também a suspensão do edital, mas, como as propostas ainda não foram entregues, o ministro entendeu que não havia materialidade que consistisse em um risco grave ao erário.
O primeiro problema reconhecido pelo ministro Alencar é a falta de justificativa para o preço estimado para os serviços. Além de ser o maior contrato da história da Esplanada para assessoria de imprensa, – R$ 60 milhões só em 2022 –, seu valor é pelo menos o dobro do que foi pago nos anos anteriores pelo Ministério do Turismo (Embratur) e o da Cidadania, exemplos usados pelo próprio governo no estudo técnico preliminar que acompanha o edital.
SEM FUNDAMENTAÇÃO – Walton Alencar também concluiu que não há no edital fundamentação quanto aos locais onde a empresa escolhida terá que montar escritórios de representação internacional. Washington, nos Estados Unidos; pela América do Sul, Bogotá, na Colômbia; na Europa, Londres, na Inglaterra e Paris, na França: no Oriente Médio e na África, Tel Aviv ou Jerusalém, em Israel; e pela Ásia e Oceania, Sidney ou Camberra, na Austrália. “Chama a atenção a preferência por Bogotá em vez de Buenos Aires e a exigência de duas cidades na Austrália e nenhuma na Ásia. Não há razões fundamentadas para essas escolhas”, escreveu o procurador Oliveira em sua decisão.
Além de apontar a falta de lastro técnico para a escolha dos locais, o MP de Contas também afirma que a “definição taxativa do rol de cidades” restringe a competitividade da licitação, “pois o pode direcionar para empresa que já possua escritórios nessas localidades em razão de contrato anterior com algum órgão ou entidade do governo, como, por exemplo, a Embratur, o que reduz seu custo em comparação com concorrentes que não tenham escritórios já estabelecidos nessas praças”.
CONTEÚDO A DIVULGAR – Outra questão crucial sobre a qual a Secom terá que se justificar ao TCU é o conteúdo do briefing em que o governo federal descreve o conteúdo das informações a serem divulgadas ao público.
A entrega das propostas está prevista para a próxima segunda-feira. O edital foi publicado no início de setembro pelo Ministério das Comunicações, ao qual está subordinada a Secom. A estratégia faz parte de um escopo de ações coordenadas pelo governo federal para promover a gestão de Bolsonaro contra o que chamam de “desinformação na mídia” às vésperas do pleito de 2022. Ao todo, as campanhas somam R$ 510 milhões.
Com base na petição de Oliveira, Walton Alencar reconheceu inconsistências nas informações que seriam divulgadas pela empresa que vencer a licitação. Além do “zelo de Bolsonaro pela democracia”, a empresa contratada também deverá “apresentar ao mundo” uma suposta coordenação bem-sucedida do combate à pandemia pelo governo federal, e a queda dos índices de desmatamento e queimadas na Floresta Amazônica.
MELHOR DOS MUNDOS – Tudo isso, claro, a despeito das diversas manifestações antidemocráticas convocadas pelo próprio presidente, o desastre sanitário vivido pelo país e as próprias estatísticas oficiais que apontam uma devastação recorde na Amazônia.
Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro cancelou iniciativa similar, de R$ 30 milhões, sob a justificativa de que a licitação representaria “uma das muitas fontes de ações escusas” de grupos no poder. Desta vez, aposta em uma concorrência que custará o dobro aos cofres públicos no momento em que seu governo vive altos índices de rejeição no Brasil e no exterior.
No mês passado, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) já haviam pedido ao TCU e à Justiça Federal do Distrito Federal a abertura de investigação sobre a licitação do Ministério das Comunicações. No caso da primeira instância, os parlamentares propuseram uma ação popular contra o coordenador-geral de recursos logísticos do Ministério das Comunicações, Ivancir Gonçalves da Rocha Castro Filho, que assinou o edital publicado pelo governo.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Essa licitação é tipo Piada do Ano, para divulgar ao mundo as conquistas que o governo Bolsonaro não conseguiu obter. Em matéria de desfaçatez, jamais se viu nada igual. (C.N.)
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