sábado, setembro 18, 2021

O caminho até a eleição será longo




O acordão de Bolsonaro com o sistema político só nos distancia de um futuro melhor para além de 2022

Por Fernando Abrucio* (foto)

Três desfechos foram previstos para as manifestações do dia 7 de Setembro: golpe, impeachment ou acordão de Bolsonaro com o sistema político. Os dois primeiros não têm chances de ocorrer no curto prazo. O terceiro tipo de desenlace já havia ocorrido em 18 de junho de 2020, quando Fabrício Queiroz, acusado de corrupção e envolvido com a família presidencial, fora preso. Naquele momento, o bolsonarismo iniciou seu namoro com o Centrão, salvando a pele do presidente da República. Muitos acreditam que essa saída prevalecerá e que nos levará a um porto seguro. Sinto informar que há muitas incertezas pela frente, pelo menos até o dia da eleição presidencial em 2022. Esse período promete ser o principal teste para a democracia brasileira desde o fim do regime militar.

As incertezas começam pelo fato de que o golpe e o impeachment não podem ser completamente descartados. O espírito autoritário do presidente e do seu grupo mais fiel apareceu claramente nas manifestações do Sete de Setembro. Bolsonaro xingou - o verbo é este mesmo - dois ministros do STF, chamando um deles de canalha. Mais: o presidente ameaçou não cumprir ordens judiciais que não o agradem - ou que ultrapassem as quatro linhas da Constituição que ele inventou para si mesmo. Isso é um golpe contra a democracia. Mas o bolsonarismo não tem no momento capacidade de quebrar a ordem democrática sem ir junto para o ralo.

Embora exista uma pequena probabilidade de quebra democrática no futuro próximo, até porque a loucura do bolsonarismo não tem paralelo com outros movimentos golpistas da história do país, as maiores chances são de deterioração gradativa da estrutura institucional e de padrões de políticas públicas construídos nos últimos 30 anos, tal como tem ocorrido desde o início do mandato. Claro que alguém poderá gritar, a cada crise, que fomos salvos pelas instituições. Mas o ambiente democrático não é saudável quando impera a chantagem institucional, como nos casos do presidente da Câmara ou do procurador-geral da República, que negam os fatos em nome da pura manutenção do poder.

Outro desenlace imaginado foi o do impeachment, algo que também ainda tem chances de ocorrer, principalmente por duas razões: porque não é impossível encontrar novos escândalos envolvendo o bolsonarismo e, sobretudo, em razão de o presidente poder escorregar em novos atos autoritários, geralmente como reação à possibilidade de punição de sua família e correligionários mais fiéis. A gravidade dos fatos pode empurrar para esse desfecho. Porém, se isso não gerar uma grande mobilização da sociedade e uma redução da popularidade presidencial para abaixo dos 20%, dificilmente o Congresso atuará neste sentido.

Fatos mais graves envolvendo Bolsonaro têm grandes chances de ocorrer até a eleição, só que há menores possibilidades de os vários grupos antibolsonaristas se unirem. Não é impossível, mas é um arranjo complicado por duas razões. A primeira é que as feridas do impeachment de Dilma não curaram e os atores que lideram os dois lados dessa questão têm sido incapazes de olhar para frente e definir a manutenção da democracia como algo que precede a disputa eleitoral. O cenário político terá que piorar muito para que eles se transformem num bloco ao estilo Diretas-Já.

O que atrapalha mais uma articulação pró-impeachment é que o Centrão não se vê, por ora, pressionado a abandonar sua estratégia de sugar ao máximo todos os recursos financeiros e de poder obtidos junto ao presidente Bolsonaro. O Orçamento de 2022, a joia da Coroa, só será aprovado no apagar das luzes de 2021 e aí faltará muito pouco tempo para se instalar um processo de impedimento presidencial. Claro, tal como na possibilidade de união de todos os grupos antibolsonaristas, há chances de acontecimentos muito graves gerarem um “bang bang” político a partir do qual nem o Centrão seria capaz de resistir ao impeachment.

Por enquanto, todavia, o desfecho mais provável é o acordão com o sistema político (e econômico, em menor grau). Só que desta vez Bolsonaro teve de mudar muito mais drasticamente o seu discurso do que no episódio envolvendo a prisão de Fabrício Queiroz. O presidente não só pediu desculpas e alegou ter se excedido. Ele publicou uma carta de escusas que foi escrita por um ex-presidente, o que enfraqueceu sua condição de liderança política da nação. De todo modo, essa foi a única maneira possível para que o poder presidencial não entrasse num processo de entropia que, mantido por algumas semanas, geraria a abertura do processo de impeachment.

O novo acordão escrito por Temer enfraquece a liderança real e simbólica do presidente, mas não lhe tira a capacidade de voltar a criar problemas com o sistema político e de impulsionar a crise econômica e social que assola o país. Um cenário turbulento ocorrerá, em maior ou menor grau, até a eleição. Haverá três travessias que o país terá de fazer, superando os obstáculos que o presidente Bolsonaro colocará no meio do caminho.

A primeira travessia diz respeito à forma como Bolsonaro reagirá às decisões negativas dos outros Poderes que provavelmente acontecerão nos próximos meses. A lista é grande e podem ser citados aqui os casos mais ruidosos. O relatório da CPI da Covid-19 será muito negativo ao governo, incriminando vários de seus membros, incluindo o próprio presidente da República. Neste episódio, a marca da corrupção afetou fortemente a imagem governamental. O inquérito relativo aos ataques ao Supremo deverá, provavelmente, levar alguns bolsonaristas à prisão. Os escândalos de rachadinha envolvendo os filhos 01 e 02 vão permanecer nos noticiários por muito tempo, havendo sempre a possibilidade de alguma decisão judicial contrária a eles. O STF deve derrubar, até o fim de 2021, o decreto sobre as armas, o marco temporal para a demarcação de terras indígenas e até mesmo o modelo de Orçamento secreto. Por fim, as chances de aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, no formato proposto pelo ministro Paulo Guedes, são pequenas.

O que fará Bolsonaro diante de tantas decisões negativas contra o bolsonarismo e seu governo? Chamará uma nova manifestação golpista para o Dia da Bandeira (19 de novembro)? Aumentará o ataque virtual contra seus inimigos e incitará seus líderes nas redes sociais a realizar desobediência civil frente a decisões judiciais? Ou então chamará Temer para escrever uma nova carta? Mais importante: se a temperatura política aumentar muito, com o risco maior de descumprimento de medidas legais, o que farão os outros Poderes? Serão feitos apenas pronunciamentos dando puxões de orelha no presidente da República? Qual é o limite deste tipo de ação institucional? Alguma forma de violência mais explicita?

A segunda travessia pela qual o país terá de passar relaciona-se à crise econômica e social que por ora parece ser o caminho mais provável até a eleição. A crise hídrica e, consequentemente, do setor elétrico, tende a ser muito forte. Os juros vão ter de aumentar para combater a inflação. Isso reduzirá o crescimento econômico de 2022. A situação social, mesmo com algum tipo de Bolsa Família vitaminado, ainda será marcada por grande miséria e desemprego muito alto. A desorganização das principais políticas públicas, culpa principalmente do atual governo federal, vai piorar o humor da população.

Frente a tantas notícias ruins, Bolsonaro tomará decisões eleitoreiras ou vai pensar nas questões estruturais do país? O presidente quebrará sorrateiramente as regras fiscais, jogando o problema para frente, guiando-se pelo lema quercista de “quebrar o Estado, mas ganhar a eleição”? A tendência é que haja uma queda de braço entre setores políticos, econômicos e sociais com o bolsonarismo, que tentará manter-se no poder a todo custo. Nesta disputa, dificilmente o país sairá vencedor.

A travessia mais difícil será a do período eleitoral. Mesmo com a carta de Temer, Bolsonaro não parou de criticar o TSE. Esse tom vai ficar mais forte nos meses próximos da eleição. E se estiver perdendo a disputa presidencial, o bolsonarismo tende a realizar atos de violência, algo que a democracia brasileira ainda não enfrentou. Manter o acordão acreditando que essa paz seja duradoura é pura ilusão.

Para além das três travessias, é fundamental lembrar que o vencedor da eleição presidencial lidará com um país em frangalhos. O desastre na educação e na ciência e tecnologia terá efeitos negativos por muitos anos, pois perdemos capital humano e talentos que seriam fundamentais para ter um Brasil melhor e mais justo. O aumento da desigualdade não será estancado rapidamente e um boom de crescimento econômico não está no horizonte. O maior ativo brasileiro de longo prazo, que é a questão ambiental, teve sua política pública destruída pelo bolsonarismo. Parcela da sociedade e das lideranças políticas, sob o comando de Bolsonaro, têm incentivado comportamentos antidemocráticos que podem fincar raízes mais duradouras.

O enfrentamento destes graves problemas, para não citar as sequelas sociais da pandemia, vai exigir um governante cuja meta principal será a reconstrução nacional. Um presidente capaz de dialogar com todos e pensar no longo prazo. Neste sentido, o acordão só nos distancia de um futuro melhor para além de 2022.

*Fernando Abrucio, doutor em ciência política pela USP e professor da Fundação Getulio Vargas

Valor Econômico

Anvisa aprova remédio de artrite e dermatite para tratamento de Covid


por Raquel Lopes | Folhapress

Anvisa aprova remédio de artrite e dermatite para tratamento de Covid
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta sexta-feira (17) a indicação do medicamento baricitinibe para o tratamento de pacientes internados com Covid-19.
 

O medicamento já possuía registro no Brasil para o tratamento de artrite reumatoide e dermatite atópica moderada a grave. Agora o seu uso vai constar em bula também para o tratamento da doença causada pelo coronavírus.
 

A nova indicação vale para pacientes adultos hospitalizados com quadro grave de Covid, que necessitam de suporte de oxigênio por máscara, cateter nasal ou ventilação mecânica.
 

Para a inclusão dessa nova indicação, a empresa farmacêutica Eli Lilly do Brasil apresentou dados que sustentam a eficácia e a segurança do medicamento para esse outro uso.
 

Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos da Anvisa, disse que a droga demonstrou 38% de eficácia na redução da mortalidade de pessoas hospitalizadas por causa da Covid-19. O baricitinibe age impedindo que o vírus se replique e se propague na célula.
 

De todos aprovados até o momento pela Anvisa para a Covid, esse é o primeiro medicamento que pode ser comercializado em farmácia. "Nessa indicação é esperado que se use em ambiente hospitalar, mas não vai ficar restrito porque já é comercializado", explicou Mendes.
 

Esse é o sexto tratamento contra a Covid aprovado pela agência reguladora do Brasil. O primeiro foi o Remdesivir, que obteve registro em março. O remédio é indicado para pessoas hospitalizadas com quadro de pneumonia e que precisam de suporte de oxigênio, desde que não estejam em ventilação mecânica.
 

O outro é o Regen-cov, o qual consiste em uma associação de anticorpos monoclonais, aprovado para uso emergencial. "O combo de medicamentos reduziu significativamente em 70,4% o número de hospitalização e morte em paciente laboratorial sintomático com um ou mais fator de risco para doença grave", disse Mendes, na ocasião.
 

Em maio deste ano, a agência aprovou o uso emergencial de um coquetel desenvolvido pela empresa Eli Lilly. O tratamento é uma combinação dos medicamentos biológicos banlanivimabe e etesevimabe. Por precisar de acompanhamento na aplicação, não há possibilidade de venda em farmácias para uso em casa.
 

Já em agosto deste ano, foi a vez do medicamento regdanvimabe, da empresa Celltrion Healthcare. Ele é indicado para tratamento leve e moderado em adultos que não necessitam de suplementação do oxigênio, mas apresentam alto risco de progressão da Covid.
 

O quinto aprovado é o sotrovimabe. O medicamento é recomendado para pacientes com casos leves e moderados da doença, mas que apresentem risco de uma evolução ruim da doença.
 

A Anvisa também informou nesta sexta-feira (17) que solicitou a alteração da bula da vacina da Janssen, imunizante de dose única contra a Covid-19.
 

A mudança, que precisa ser feita em até 30 dias, visa incluir eventos adversos que foram identificados durante o monitoramento de farmacovigilância do uso da vacina.
 

O pedido inclui os seguintes eventos adversos: linfadenopatia, que significa o aumento do tamanho de linfonodos, como o aparecimento de caroços no pescoço; parestesia, sensação de dormência em alguma parte do corpo; hipoestesia, diminuição da sensibilidade da pele; tinido e zumbido no ouvido; diarreia e vômitos.

Bahia Notícias

Comandante diz que Exército segue a Constituição e pede cautela da tropa com redes sociais


por Ricardo Della Coletta | Folhapress

Comandante diz que Exército segue a Constituição e pede cautela da tropa com redes sociais
Foto: Divulgação / Exército

O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, afirmou, em pronunciamento divulgado nesta sexta-feira (17), que a Força "continua firme no cumprimento de suas missões constitucionais" e fez um apelo para que soldados tenham cautela com informações recebidas nas redes sociais.
 

Foi a primeira manifestação de Nogueira desde o feriado de 7 de Setembro. Apesar de destacar a data da Independência, o general não fez qualquer referência às manifestações de raiz golpista com a presença do presidente Jair Bolsonaro naquele dia em Brasília e em São Paulo.
 

"O Exército não para, e continua firme no cumprimento de suas missões constitucionais. É um trabalho diário e silencioso de cerca de 220 mil militares, homens e mulheres, que honram suas fardas e produzem os resultados percebidos por toda a sociedade", afirmou Paulo Sérgio em pronunciamento veiculado nas redes sociais da instituição.
 

Em outro trecho do discurso, o comandante destacou que existe atualmente um "volume avassalador de informações" e afirmou que, diante disso, é preciso um esforço para buscar "a verdade dos fatos".
 

"Por isso, muita cautela com o que circula nas mídias sociais. Analisem com critério e façam a correta interpretação das informações que acessam ou recebem. Mas, principalmente, confiem ainda mais em seus comandantes e chefes, em todos os escalões hierárquicos. Eles estão investidos de autoridade e responsabilidade para transmitir a vocês a melhor, mais ética e profissional leitura dos acontecimentos, além de orientá-los no correto caminho a seguir para o cumprimento do dever", disse o general.
 

Nesta semana, durante evento no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que fake news fazem parte da vida e comparou o tema a uma "mentirinha" contada para uma namorada. "Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada? Se não contasse, a noite não ia acabar bem."
 

Em seu discurso nesta sexta, Paulo Sérgio exortou a tropa a "manter o foco em suas atribuições".
 

"Reforçando a fé inabalável na missão do Exército brasileiro, concito a todos a manter o foco em suas atribuições. Desempenhar, com a dedicação de sempre, as suas tarefas diárias e preservar a união e a coesão, tendo sempre como base sólida a hierarquia e a disciplina --verdadeiros apanágios de nossa vocação militar".
 

O general terminou sua declaração com o lema "Brasil acima de tudo", brado da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército que foi apropriado como slogan de campanha por Bolsonaro.
 

No feriado da Independência, o presidente da República fez ameaças ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao presidente da corte, Luiz Fux. Bolsonaro também exortou desobediência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, e disse que canalhas nunca irão prendê-lo.
 

As declarações de Bolsonaro geraram resposta de Fux, que disse que o descumprimento de decisão judicial, se confirmada, configuraria "crime de responsabilidade".
 

Já o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), falou em "basta" e criticou o que chamou de "infinito looping negativo", mas não tocou no tema impeachment e enviou sinais de tentativa de apaziguamento.
 

Dias depois, Bolsonaro divulgou uma nota retórica na qual afirmou que não teve "nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes" e atribui palavras "contundentes" anteriores ao "calor do momento". O documento foi redigido com a ajuda do ex-presidente Michel Temer (MDB).
 

O general Paulo Sérgio Nogueira foi nomeado para comandar o Exército no final de março deste ano, na esteira de uma crise militar causada por interferência de Bolsonaro.
 

Naquele mês, o mandatário demitiu o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e o substituiu pelo atual titular da pasta, Walter Braga Netto. Bolsonaro estava insatisfeito com as gestões de Azevedo para tentar manter as Forças Armadas distantes da política do governo --Braga Netto, por sua vez, é alinhado ao bolsonarismo.
 

A saída de Azevedo levou à renúncia dos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
 

Ao longo dos últimos meses, Bolsonaro promoveu uma escalada de declarações autoritárias que geraram tensão entre opositores e governadores. Ele chegou a questionar a realização das eleições em 2022 e a afirmar que só será derrotado em caso de fraude.
 

Também gerou apreensão a adesão de policiais militares ao bolsonarismo e falas do mandatário sobre as Forças Armadas.
 

Em mais de uma ocasião neste ano, Bolsonaro usou a expressão "meu Exército", que gerou críticas por ser interpretada como uma tentativa de politizar a instituição. Ele também se referiu às Forças Armadas como "poder moderador" --apesar de decisão do STF estabelecendo que os militares não têm essa atribuição.

Bahia Notícias

Lobista cobrava por indicação a cargo e por contato com assessores e ministros

Publicado em 17 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Marconny Albernaz, apontado como lobista da Precisa, depôs à CPI na quarta (15) — Foto: Fátima Meira/Futura Press/Estadão Conteúdo

O lobista Marconny depôs quarta-feira na CPI da Covid

Octavio Guedes
G1 Política

A mamata não acabou. No governo Bolsonaro, ela é tabelada. A CPI da Covid descobriu que o lobista Marconny Albernaz Faria “vendeu” por R$ 400 mil a indicação de Márcio Roberto Teixeira Nunes para um cargo no Instituto Evandro Chagas, no Pará, órgão vinculado ao Ministério da Saúde.

Márcio fez os pagamentos para a empresa de Marconny, foi nomeado e acabou preso num escândalo de propinas que envolveu R$ 1,6 milhão.

“INCENTIVO” – O esquema funcionou assim: Marconny inicialmente pediu uma propina que chamou de “incentivo” no valor de R$ 25 mil. Só para começar os trabalhos.

Inicialmente, Marconny tentou levar o nome de Márcio ao ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta. Não deu certo. Mandetta vetou a indicação.

Marconny não desistiu, e a conta da propina começou a subir. Ele passou a cobrar por encontros que tinha com outros ministros, inclusive os militares. Até o nome do vice-presidente Hamilton Mourão ele usou para convencer Márcio a fazer os desembolsos.

DE CIMA PARA BAIXO – Quando todas as portas pareciam fechadas, Marconny escreveu: “Agora vai de cima pra baixo”. Foi quando entrou em cena Karina Kufa, advogada do presidente da República. Para encontrar a advogada, Marconny cobrou um incentivo de R$ 40 mil, segundo mensagens trocadas por WhatsApp.

Marconny também avisou que se encontraria com o próprio presidente, mas a reunião não aconteceu. Segundo o lobista, Bolsonaro tinha outra agenda, a posse de uma autoridade em Itaipu que Marconny diz ter indicado.

A CPI já sabe que, além de Karina, Marconny tinha outras duas pontes com o governo: a família Bolsonaro (através do filho Jair Renan e da ex-mulher de Bolsonaro Ana Cristina Siqueira Valle) e um senador cujo nome não revelou.

“Não revelou, mas a CPI, com certeza, vai chegar a este nome”, garante o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues.


Fraude no estudo sobre ‘kit covid’ ocultava mortes para enaltecer uso da cloroquina


Chargista Duke concorre na categoria arte do Prêmio Vladimir Herzog com trabalho feito no DomTotal

Charge do Duke (O Tempo)

Guilherme Balza
GloboNews

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fez diligências em endereços da Prevent Senior nesta sexta-feira (17), um dia após a divulgação de dossiê, obtido com exclusividade pela GloboNews, que aponta que a operadora ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19.

A inspeção nos endereços da empresa foi mais uma etapa do processo de apuração que está em curso na Agência para verificar se houve cerceamento de liberdade dos prestadores de serviços de saúde, entre eles médicos, da rede de atendimento durante a pandemia.

BOLSONARO DIVULGOU – A pesquisa foi divulgada e enaltecida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), como exemplo de sucesso do uso da hidroxicloroquina . Ele postou resultados do estudo e não mencionou as mortes de pacientes que tomaram o medicamento.

Documentos apontam que a rede Prevent Senior obrigava médicos a prescreverem medicamentos do chamado “Kit Covid” a infectados ou não pela doença como teste. Além disso, médicos relataram que eram obrigados a trabalhar mesmo com Covid e sem usar máscaras.

“A ANS informa ainda que aguarda retorno aos ofícios expedidos para prestadores que atuam na rede da Prevent Senior; e ressalta que, nesta quinta-feira, 16, solicitou formalmente à presidência da CPI da Covid informações que possam colaborar para as apurações por parte da reguladora”, informou a agência em nota à imprensa.

ACORDO COM GOVERNO – A CPI recebeu o dossiê com as denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. O documento informa que a disseminação da cloroquina e outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent. Segundo o dossiê, o estudo foi um desdobramento do acordo.

A reportagem da Globonews teve acesso à planilha com os nomes e as informações de saúde de todos os participantes do estudo. Nove deles morreram durante a pesquisa, mas os autores só mencionaram duas mortes.

Um médico que trabalhava na Prevent e mantinha contato próximo e frequente com os diretores da operadora na época afirmou à GloboNews que o estudo foi manipulado para demonstrar a eficácia da cloroquina. Segundo ele, o resultado já estava pronto bem antes da conclusão do estudo.

PROVAS ABUNDANTES – Áudios, conversas em aplicativos de mensagens e dados contraditórios relativos à pesquisa – divulgados pela própria Prevent e apoiadores do estudo, como Bolsonaro – reforçam a suspeita de fraude.

Dos nove pacientes que morreram, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina e azitromicina. Dois estavam no grupo que não ingeriu as medicações. Há um paciente cuja tabela não informa se ingeriu ou não a medicação.

Houve, portanto, pelo menos o dobro de mortes entre os participantes que tomaram cloroquina.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Era só o que faltava – uma prova concreta de que a cloroquina era uma farsa. Agora não falta mais nada. E nunca saberemos quantas pessoas morreram devido a esse tratamento equivocado que o presidente Bolsonaro tentou impingir ao país, usando uma pesquisa fraudada e desprezando as verdadeiras recomendações científicas. Fica comprovado que não há exagero quando se chama Bolsonaro de “genocida”. Esse assunto será esmiuçado pela CPI na próxima semana(C.N.)

Bolsonaro está empurrando o próprio Centrão a buscar uma alternativa eleitoral a ele

Publicado em 18 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do João Bosco (O Liberal)

William Waack
Estadão

O único golpe bem-sucedido até aqui foi o do Centrão e é quem parece que sairá vitorioso, não importa a próxima campanha eleitoral. Essa denominação para forças políticas diversas e sua forma de atuação existe há mais de 30 anos, mas a República do Centristão tem como fundador Jair Bolsonaro.

Esses agrupamentos políticos que trabalham em busca de acomodação nos cofres públicos (ou pedaços da máquina pública, o que vem a dar no mesmo) conquistaram sob Bolsonaro ferramentas de poder que jamais tiveram. Capturaram o orçamento – incluindo gorda fatia dos gastos discricionários – e estão promovendo o retrocesso das regras eleitorais em benefício próprio. São os donos de fato da agenda política.

AGENDA NACIONAL – Dinheiro e as regras do jogo garantem a consolidação desses grupos no centro do poder. A noção de “agenda nacional” por parte desses partidos e seus caciques se manifesta de forma abrangente somente para cuidar de seus interesses mais imediatos, e isso se dá tanto no plano de “políticas públicas” como no plano de plataformas eleitorais.

Caso emblemático é o show que o presidente da Câmara armou para examinar política de preços de combustíveis pela Petrobras. Gasolina cara e inflação alta atrapalham políticos em qualquer lugar e época – dos dois Poderes.

Há relatos conflitantes quanto ao grau de coordenação entre Legislativo e Executivo nessa tentativa de reedição do que há de pior na interferência populista na formação de preços básicos, disfarçada de preocupação social, mas a convergência de interesses é fato objetivo.

BOLSONARO NÃO ENTENDE – Difícil para os caciques do Centrão continua sendo entender como Bolsonaro não entende um fato tão evidente da política. Assim, esses seres perfeitamente racionais (em contraste com o presidente), dominando instâncias decisivas no próprio Planalto, esses experientes operadores políticos desistiram da empreitada de decifrar Bolsonaro, que evidentemente consideram útil no curto prazo – contanto que ele pare de promover outros “7 de Setembros” (sempre uma dúvida).

A grande incerteza e a imprevisibilidade associadas a Bolsonaro promoveram no coração do Centristão certa urgência em procurar saídas para os comportamentos do atual mandatário, sem considerar a eventualidade de um impeachment em função de algum “freak event”.

Nesse sentido, parte relevante do Centrão e algumas das principais elites dirigentes na economia e sociedade civil estão em sintonia.

ALTERNATIVA ELEITORAL – Assim, a óbvia “saída” do Centrão para o que mais detesta, a imprevisibilidade, está em encontrar alternativa eleitoral a Bolsonaro. Ou seja, é grande a probabilidade de que a tal terceira via surja por ali, provavelmente numa grande concertação política.

É o que indicam movimentações de fusão de partidos (PSL e DEM) e conversas entre operadores de várias tendências (centro-esquerda e centro-direita).

O pressuposto de todos é o de que há um enorme espaço eleitoral a ser ocupado por agremiações políticas experientes, e que ainda existe tempo para isso.

ESTÁ DESMORALIZADO – Bolsonaro deu impulso às forças adversárias ainda difusas e desarticuladas, ao se desmoralizar nos eventos em torno do 7 de Setembro, que demonstraram não só a incapacidade de operar um golpe, mas, sobretudo, a inexistência de qualquer plano para o País.

Ele jogou definitivamente as elites dirigentes para uma espécie de “lado de lá” da linha divisória entre o tolerável e o inaceitável – e transformou-se em intragável.

O Centristão foi fundado como consequência que não era inevitável da onda disruptiva de 2018, que não tem condições de ser repetida no ano que vem. Falta principalmente o “impulso”, o “ímpeto”, que Bolsonaro acabou representando, e o “anti” se divide entre mais de um alvo. É hora dos profissionais. O Centristão não depende de Bolsonaro para prosperar.


Aumentar imposto para custear Bolsa Família mostra desespero de Bolsonaro pela reeleição


Principal prejudicado pelo aumento do IOF será o “trabalhador comum” | Blog  do Roberto Lacerda Barricelli

Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

Pedro Henrique Gomes e Mateus Rodrigues
G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto para elevar, até o fim de 2021, a alíquota do IOF –Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários. O dinheiro arrecadado será usado para custear o Auxílio Brasil, programa proposto pelo governo para substituir o Bolsa Família.

A informação foi divulgada pelo Palácio do Planalto. Ao definir a mudança por decreto, Bolsonaro evita que o tema seja analisado pelo Congresso Nacional. Segundo o governo, a alta do IOF valerá para operações de crédito de pessoas físicas e de empresas. A mudança vigorará entre a próxima segunda-feira (dia 20) e o dia 31 de dezembro.

COBRANÇA MÁXIMA – O IOF é apurado diariamente. Pelas regras atualmente em vigência, a cobrança máxima do tributo é de 3% ao ano para pessoa jurídica e de 6% para pessoa física.

Em nota, o Ministério da Economia informou que a medida de elevar o IOF compensará o acréscimo de R$ 1,62 bilhão previsto com a criação do Auxílio Brasil.

“A decisão foi tomada em razão da observância das regras fiscais. Apesar de arrecadação recorde, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determina que é necessária a indicação de fonte para o aumento de despesa obrigatória. A instituição do programa social Auxílio Brasil, acarretará um acréscimo na despesa obrigatória de caráter continuado em R$ 1,62 bilhão neste ano”, diz o texto da nota. Para 2022, a intenção é financiar o programa com a recriação do imposto de renda sobre lucros e dividendos, proposta que tramita no Senado.

TRAVA A ECONOMIA – A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que aumentos de impostos sobre o crédito, mesmo que temporários, agravam o custo dos empréstimos, particularmente em um momento em que o Banco Central (BC) precisará subir ainda mais a taxa básica de juros para conter a alta da inflação.

Segundo a entidade, o resultado é o desestímulo aos investimentos e mais custos para empresas e famílias que precisam de crédito.

“Esse aumento do IOF é um fator que dificulta o processo de recuperação da economia. Para enfrentar as dificuldades fiscais, evitar impactos negativos no custo do crédito e propiciar a retomada consistente da economia, só há um caminho: perseverarmos na aprovação da agenda de reformas estruturais em tramitação no Congresso.”

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Bolsonaro era aquele presidente que se recusava terminantemente a aumentar impostos. A partir de agora, passa a ser o presidente que não se importa em elevar a carga tributária, porque aumentar impostos é como abrir a porteira – depois que passa um boi, passa toda a boiada. (C.N.)

Em destaque

Câmara aprova reajuste para servidores com um impacto de R$ 4,3 bilhões para este ano

  Câmara aprova reajuste para servidores com um impacto de R$ 4,3 bilhões para este ano Proposta também cria novo instituto federal em Patos...

Mais visitadas