segunda-feira, março 29, 2021

“Pandemia fugiu do controle, e só podemos contar com nós mesmos”, diz Drauzio Varella

Publicado em 29 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Drauzio Varella errou, corrigiu-se e depois errou de novo

Drauzio Varella
Folha

Os brasileiros decretaram o fim da epidemia, em novembro do ano passado. Os bares lotaram, multidões nas praias, famílias reunidas no Natal e no Ano-Novo, festas clandestinas à luz da noite espalhadas pelas cidades, Carnaval. A justificativa para esse comportamento estúpido era a de que ninguém aguentava mais ficar em casa.

Em janeiro, chegaram as férias. Os hotéis dos recantos turísticos voltaram a receber hóspedes, as ruas das metrópoles se encheram de gente aglomerada sem máscara e de ônibus e trens superlotados pelos que não tinham alternativa senão trabalhar.

SEM MÁSCARA – Alheio a tudo, o presidente da República passeava de jet ski, cumprimentava admiradores e posava sem máscara para selfies, o Ministério da Saúde distribuía o kit Covid, deputados e senadores tentavam aprovar uma emenda à Constituição para livrá-los da prisão em flagrante e faltava coragem à maioria de governadores e prefeitos para decretar medidas rígidas de afastamento social.

Os médicos, os sanitaristas e os epidemiologistas que alertavam para as dimensões da tragédia em gestação eram considerados alarmistas e defensores de interesses políticos escusos.

Deu no que deu: 300 mil mortos, hospitais com UTIs sem leitos para oferecer aos doentes graves, milhares de pacientes morrendo à espera de uma vaga. O que acontecerá nas próximas semanas? Chegaremos a 400 mil mortes?

COLAPSO NA SAÚDE – Os hospitais brasileiros estão em colapso. Os infectados foram tantos que abrir mais leitos em UTI é enxugar gelo. Os gestores investem em equipamentos e profissionais para abrir vagas que serão ocupadas em menos de 24 horas.

O número de óbitos em casa e nas unidades básicas de saúde despreparadas para o atendimento é enorme. Os estoques de medicamentos para a sedação dos doentes entubados chegam ao fim. Começam a faltar até corticosteroides e anticoagulantes, medicações de baixo custo que o Ministério da Saúde não se preocupou em adquirir.

As vacinas perderam o “timing” para conter a escalada atual. Ainda que fosse possível vacinar todos os brasileiros neste fim de semana, as mortes continuariam a se suceder da mesma forma, pelo menos durante o mês de abril e uma parte de maio.

EXEMPLO PAULISTA – Vejam a situação de São Paulo, o estado que conta com o sistema de saúde mais organizado do país. No pico da primeira onda, dispúnhamos de cerca de 9.000 leitos de UTI, agora temos 14 mil, lotados. No dia 17 de março havia pelo menos 1.400 pessoas à espera de internação em UTI.

O maior complexo de saúde do Brasil, o Hospital das Clínicas, recebia, em fevereiro, a média de 56 pedidos de internação; nos últimos sete dias foram 364, dos quais 110 estavam em estado grave por outras doenças e 254 por Covid.

Se esse é o panorama no estado mais rico, caríssima leitora, dá para imaginar o caos no resto do país?

DESPERTAR TARDIO – Parece que nossos dirigentes despertaram para as dimensões da tragédia que se abateu sobre nós. Empresários e economistas enviaram um recado duro ao presidente, pena que tardio. O ministro da Economia reconheceu que sem vacinação a economia não se recupera. Só agora percebeu? Por que não disse nada em julho, quando nos foram oferecidos os 70 milhões de doses da vacina da Pfizer que o Ministério da Saúde rejeitou? Receio de magoar o chefe?

O presidente da Câmara declarou que “tudo tem limite” e que apertava “o botão amarelo”. Amarelo, excelência? Enquanto 300 mil famílias perdiam entes queridos, o sinal estava verde?

COMO ASSIM, MINISTRO? – Deprimente ver os malabarismos circenses do novo ministro da Saúde, ao justificar que ficava a critério da liberdade milenar do médico prescrever o tratamento precoce com drogas inúteis. Como assim, ministro? Enquanto a medicina foi praticada como o senhor defende, os colegas que me antecederam receitavam sangrias e sanguessugas.

Finalmente, sob pressão, o presidente convocou os três Poderes para um convescote político, com o pretexto de criar um comitê para gerir a crise sanitária. Incrível, não? Imaginar que uma equipe comandada por ele será capaz de nos tirar dessa situação é acreditar que mulher casada com padre vira mula sem cabeça.

A consequência mais nefasta de tantos desmandos, caro leitor, foi a de que a epidemia fugiu do controle do sistema de saúde. Daqui em diante, só podemos contar com nós mesmos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O superstar Varella tem culpa no cartório. Foi baseado numa declaração do médico do Fantástico, no fim de janeiro, que Bolsonaro começou a menosprezar a pandemia e chamá-la de “gripezinha”. Em abril, Varella admitiu ter subestimado a pandemia, mas  depois da primeira onda prestou serviços ao TSE, aparecendo na TV para convocar a população à aglomeração da eleição, como se a pandemia não pudesse ter uma segunda onda. Em tradução simultânea, o médico é ótimo em apontar erros dos outros, mas esquece rapidamente os que comete. (C.N.).


Pressionado pelo Congresso, Ernesto Araújo decide pedir demissão do cargo

Publicado em 29 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Informação foi repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados

Eliane Oliveira e Jussara Soares
O Globo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, decidiu pedir demissão do cargo. A informação foi repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados. Segundo fontes do Planalto, o chanceler e o presidente terão mais uma reunião às 17h. Ernesto disse a Bolsonaro que não quer ser um problema ao governo. A expectativa de integrantes do governo é que a saída do Araújo seja oficializada ainda nesta segunda-feira.

Com a saída de Araújo, o Palácio do Planalto gostaria de nomear outro diplomata para o cargo. Os nomes mais cotados são o de Nestor Forster, que representa o Brasil nos Estados Unidos, e Luis Fernando Serra, que está na França.

PRESSÃO – O ministro vinha sendo questionado pelo Congresso. Na semana passada, o presidente da Câmara, Artur Lira, e do Senado,  Rodrigo Pacheco, pressionaram o presidente Jair Boldonaro a demitir o chanceler.  Lira chegou a  dizer que Araújo perdeu a capacidade de dialogar com países.  

Para o Centrão, o ministro impõe obstáculos à compra de vacinas da China e da Índia.Neste domingo, Araújo chegou a declarar que a  pressão do  Congresso era  por interesses relacionados à tecnologia 5G e não por causa das vacinas contra a Covid-19. A senadora Kátia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, reagiu à declaração do ministro dizendo, em nota, que o Brasil não poderia  mais ter  mais “a face de um marginal” e voltou a pressionar pela saída do ministro.

RELAÇÕES COM A CHINA – Críticas à política externa e às estratégias adotadas por Araújo incluem a deterioração das relações com a China, principal parceira comercial do Brasil desde 2009. Agora, o país asiático também desponta como fornecedor de insumos para a produção da vacina de Oxford/Astrazeneca, fabricada junto à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e da CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

O Globo ouviu 11 diplomatas da ativa que servem em diferentes países nas Américas, no Oriente Médio e na Ásia sobre o legado de Araújo. Na avaliação deles, será necessária uma reconstrução completa da política externa do Brasil, tanto das relações bilaterais com parceiros importantes, como EUA, China e Argentina, quanto com a União Europeia e organismos multilaterais. Os diplomatas citaram derrotas recentes do Brasil em eleições para organismos internacionais como sinal de perda de força do país.

Alvejado em cheio pelo Centrão, ministro Ernesto Araújo enfim decide pedir demissão do cargo


Saída de Araújo é um golpe no seu guru Olavo de Carvalho

Eliane Oliveira e Jussara Soares
O Globo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, decidiu pedir demissão do cargo. A informação foi repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados. Segundo fontes do Planalto, o chanceler e o presidente terão mais uma reunião às 17h. Ernesto disse a Bolsonaro que não quer ser um problema ao governo. A expectativa de integrantes do governo é que a saída do Araújo seja oficializada ainda nesta segunda-feira.

Com a saída de Araújo, o Palácio do Planalto gostaria de nomear outro diplomata para o cargo. Os nomes mais cotados são o de Nestor Forster, que representa o Brasil nos Estados Unidos, e Luis Fernando Serra, que está na França.

MESMA IDEOLOGIA – Considerado o mais cotado para o cargo, o embaixador do Brasil na França enfrenta resistência no Congresso e até mesmo no Itamaraty por ter a postura considerada semelhante à de Ernesto Araújo. A avaliação é que a troca não significaria a mudança necessária na política externa.

Serra é próximo do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, e o desempenho dele à frente da embaixada em Paris agradou a Bolsonaro.  Em setembro de 2019, o embaixador cancelou a participação em um evento com acadêmicos na capital francesa que faria uma homenagem a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018.

Em maio do ano passado, o embaixador saiu em defesa de Bolsonaro e acusou o jornal francês Le Monde de distorcer fatos, após o diário publicar um editorial criticar o presidente por negar a gravidade da pandemia e politizar a crise sanitária.  “Há algo de podre no brasil”.

FORSTER NA MIRA – O embaixador do Brasil em Washington (EUA), Nestor Forster, também é uma opção que que terá dificuldades de ser aceito pelo parlamento. O diplomata é alinhado a Araújo e próximo do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Forster também é próximo ao guru da direita Olavo de Carvalho, mas é considerado mais competente e hábil que o atual chanceler.

Auxiliares também sugeriram a Bolsonaro considerar o embaixador Carlos Alberto Franco França, atual assessor-chefe da Presidência. Antes de assumir esta função no final de ano passado, ele era o chefe do cerimonial do Palácio do Planalto e se tornou um dos auxiliares de confiança do presidente. 

Já o secretário especial de Assuntos Estratégicos, o almirante Flávio Rocha, é visto como uma alternativa remota. Embora tenha bom trânsito entre embaixadores, o fato de ser um militar desagrada. Rocha também assumiu neste mês o comando da Secretaria Especial de Comunicação (Secom).

OUTROS NOMES – A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, agrada tanto parlamentares quanto embaixadores, mas ela reafirmou diversas vezes que não tem interesse em mudar de pasta.  Entre os políticos circulam os nomes do ex-presidente e senador Fernando Collor (PROS-AL) e do senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

Araújo vinha sendo questionado pelo Congresso. Na semana passada, o presidente da Câmara, Artur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, pressionaram o presidente Jair Boldonaro a demitir o chanceler. Lira chegou a dizer que Araújo perdeu a capacidade de dialogar com países. Para o Centrão, o ministro impõe obstáculos à compra de vacinas da China e da Índia.

 

Neste domingo, Araújo chegou a declarar que a  pressão do  Congresso era  por interesses relacionados à tecnologia 5G e não por causa das vacinas contra a Covid-19. A senadora Kátia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, reagiu à declaração do ministro dizendo, em nota, que o Brasil não poderia  mais ter mais “a face de um marginal” e voltou a pressionar pela saída do ministro.

POLÍTICA ERRÔNEA – Críticas à política externa e às estratégias adotadas por Araújo incluem a deterioração das relações com a China, principal parceira comercial do Brasil desde 2009. Agora, o país asiático também desponta como fornecedor de insumos para a produção da vacina de Oxford/Astrazeneca, fabricada junto à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e da CoronaVac, desenvolvida pela Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

O GLOBO ouviu 11 diplomatas da ativa que servem em diferentes países nas Américas, no Oriente Médio e na Ásia sobre o legado de Araújo. Na avaliação deles, será necessária uma reconstrução completa da política externa do Brasil, tanto das relações bilaterais com parceiros importantes, como EUA, China e Argentina, quanto com a União Europeia e organismos multilaterais.

Os diplomatas citaram derrotas recentes do Brasil em eleições para organismos internacionais como sinal de perda de força do país.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Conforme avisamos aqui na Tribuna, Araújo já estava demitido desde sexta-feira, mas tinham esquecido de contar a ele. (C.N.)

Ministério da Saúde é investigado por valor de compra de máscaras

por Vinicius Sassine | Folhapress

Ministério da Saúde é investigado por valor de compra de máscaras
Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal investiga supostas irregularidades nos preços pagos pelo Ministério da Saúde em contratos para a compra de máscaras durante a pandemia. Entre as máscaras do tipo cirúrgico, principal modelo escolhido, a variação chegou a 116%. Um segundo modelo comprado, a KN95, custou até 783% a mais.

Todas as compras foram feitas com dispensa de licitação, em março e abril de 2020, sob legislação especial vigente desde fevereiro, com permissão para dispensa de concorrência na aquisição de insumos diante da emergência na saúde pública.

Os seis contratos para compra de máscaras, assinados na gestão de Luiz Henrique Mandetta e defendidos nas gestões de Nelson Teich e Eduardo Pazuello, que as distribuíram, somaram R$ 765 milhões.

O ministério afirmou que não houve questionamentos do MPF sobre os preços contratados e que foram comprados produtos distintos. As aquisições seguiram critérios como comprovação de aptidão para fornecimento e registro do produto pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), informa.

O procedimento do MPF em Brasília é o segundo que investiga atos do Ministério da Saúde relacionados à distribuição de máscaras na pandemia.

O jornal Folha de S.Paulo revelou no dia 17 que a pasta distribuiu máscaras impróprias a profissionais que estão na linha de frente de combate à Covid-19, conforme avaliação da Anvisa em documento elaborado em 13 de janeiro.

A distribuição do material é investigada em inquérito civil instaurado em 3 de fevereiro.

Uma parte dessas máscaras foi interditada pela Anvisa, após a autoridade sanitária dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) suspender autorizações emergenciais diante da falta de eficiência mínima na filtragem de partículas.

Outra parte foi escanteada pelos estados em razão da advertência "non-medical" nas embalagens. A máscara é do tipo KN95, fabricada na China.

Uma fatia desse material, com inscrição "non-medical" na embalagem, foi fornecida pela Global Base Development HK Limited, uma empresa de Hong Kong representada no Brasil pela 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora. O dono da distribuidora, Freddy Rabbat, atua no mercado de relógio de luxos suíços.

O contrato foi o sexto assinado para a compra de máscaras pela pasta. Previu 200 milhões de máscaras do tipo cirúrgica descartável tripla, com três dobras, tira elástica, clipe nasal e "filtração de partículas mínimas de 95%", e 40 milhões de KN95.

A primeira custou US$ 0,33, segundo contrato assinado em 8 de abril. Pela cotação do dólar no dia, saiu por R$ 1,69. A segunda custou US$ 1,65, ou R$ 8,48. Todo o contrato saiu por R$ 679 milhões.

O MPF investiga as variações de valores nos contratos assinados pelo Ministério da Saúde. Todos eles tratam basicamente do mesmo tipo de máscara cirúrgica, mais a KN95.

A partir da análise das especificações contidas nos contratos, especialistas ouvidos pela reportagem dizem que nenhuma dessas máscaras pode ser considerada EPI (equipamento de proteção individual) para profissionais de saúde.

O primeiro contrato foi assinado em 10 de março de 2020, para a compra de 500 mil máscaras cirúrgicas. A BRT Medical forneceu o produto a um custo unitário de R$ 0,96.

No mesmo dia, a Saúde assinou um contrato com a Farma Suply, para 1,5 milhão de máscaras semelhantes.

O preço pago por produto foi de R$ 1,60. Oito dias depois, a empresa assinou mais um contrato com o ministério, para o fornecimento de 8 milhões de máscaras cirúrgicas. O preço cobrado, dessa vez, foi R$ 1,97 por peça.

Uma terceira empresa, a Descarpack Descartáveis, foi contratada para fornecer 13 milhões de máscaras. No contrato de 12 de março, o custo individual saltou para R$ 2.

No dia 27 do mesmo mês, a Aura Pharma fechou contrato para entregar 20 milhões de máscaras, a um custo individual de R$ 2,08.

Em abril, foi a vez da empresa de Hong Kong, representada por uma distribuidora brasileira, fechar o contrato mais vultoso para a entrega de máscaras cirúrgicas e KN95.

"Máscaras cirúrgicas não são consideradas EPIs. KN95 não é similar à N95 dos EUA. N95 e PFF2 são as indicadas para quem tem contato direto com pacientes de Covid-19", afirma Antônio Vladimir Vieira, químico, professor de especialização em saúde e segurança na USP (Universidade de São Paulo) e responsável por certificação de máscaras na Fundacentro por 32 anos.

"Por essas descrições [presentes nos contratos], nenhuma dessas máscaras pode ser considerada EPI. A KN95 tem limitações ao se prender na orelha, e falta de certificação. E as máscaras cirúrgicas são mais simples", diz Vitor Mori, doutor em engenharia biomédica e integrante do Observatório Covid-19 Brasil.

O secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão Pazuello, coronel Élcio Franco, já foi oficiado quatro vezes pelo MPF para explicar as variações de preços das máscaras.

O MPF tenta pelo menos desde outubro conseguir uma cópia integral dos processos de compras. Um novo ofício foi enviado à pasta na última segunda-feira (22).

Entre as explicações dadas até agora, o ministério afirmou que os preços oscilaram diante da "gigantesca demanda mundial" e do aumento das dificuldades nas negociações com fornecedores.

Um despacho de área técnica da pasta chegou a afirmar que o preço da KN95 não ficou abaixo da média praticada no mercado nos primeiros cinco meses de 2020. Pelos documentos entregues ao MPF, porém, não fica claro se o valor ficou dentro ou acima da média. É este tipo de informação que os procuradores da República tentam obter para avançar nas investigações.

Em nota, assinada pelos advogados Eduardo Diamantino e Fabio Tofic, a 356 Distribuidora afirmou que a Global Base foi selecionada conforme as exigências do edital e por apresentar menor preço e maior disponibilidade.

"O modelo KN95 é um produto de qualidade superior e completamente diferente das conhecidas máscaras descartáveis triplas. É equivalente a outros respiradores como N95. Os produtos similares à KN95 custam em média de cinco a sete vezes o preço de uma máscara tripla", disse.

As máscaras têm certificação aceita internacionalmente, tiveram resultado de eficácia na retenção de 95% de partículas e jamais foram proibidas por qualquer ato normativo, conforme a nota.

"Na China, onde o produto é fabricado, o termo 'non-medical' se refere a inadequação apenas para uso cirúrgico."

A Descarpack Descartáveis afirmou, em nota, que o governo chinês optou por restringir a produção local de máscaras apenas para consumo interno, o que dificultou o acesso.

Dólar alto, necessidade de frete aéreo e exigência de pagamento antecipado encareceram o material, diz a empresa.

Os R$ 2 cobrados por peça se aproximam do custo de aquisição, R$ 1,75, disse. O produto fornecido atende aos requisitos do edital e tem registro na Anvisa, com testes periódicos sobre eficiência, cita a nota.

A Aura Pharma diz que a contratação foi feita no início da pandemia e que o Brasil não tinha capacidade produtiva, matéria-prima ou indústria preparada para a demanda. "Aproximadamente 95% dos EPIs são importados da China. O valor da máscara cirúrgica teve um aumento de mais de 2.000% da noite para o dia."

Houve ainda alta dos custos de logística e risco de retenção de carga, diz a empresa. Sobre a qualidade, a Aura Pharma informou que o próprio governo chinês inspecionou os produtos e divulgou empresas autorizadas por eles.

"Nossas máscaras atendiam às especificações do edital. Antes da importação, submetemos amostras ao ministério, que foram aprovadas."

Os contatos fornecidos pela Farma Suply em seu site não funcionam. A reportagem deixou uma mensagem em rede social do proprietário.

Bahia Notícias

MPF apresenta notícia-crime por racismo contra assessor de Bolsonaro devido a gesto usado por supremacistas

Publicado em 29 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Martins fez gesto usado por supremacistas de extrema-direita

Deu no G1

O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional da República da 5ª Região, apresentou uma notícia-crime (petição para dar início a uma ação penal) pelo delito de racismo contra o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins. Ela foi motivada por um gesto feito pelo servidor público que é utilizado como símbolo de ódio por supremacistas brancos de extrema-direita.

O procurador solicitou que a notícia-crime seja distribuída a um dos procuradores da República no Distrito Federal e que resulte em denúncia. O gesto foi feito durante uma reunião no Senado para discutir a pandemia da Covid-19, transmitida pela internet na quarta-feira (24).

“WHITE POWER” – Com a mão direita, o servidor público reproduz as letras “w” e “p”, que, em inglês, formam a sigla “white power”, que significa “poder branco”. Ele acompanhava o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Henrique Fraga Araújo, no encontro.

A notícia-crime foi formulada pelo procurador regional da República Wellington Cabral Saraiva, que remeteu o ofício à Procuradoria da República no Distrito Federal (PRDF) na sexta-feira (26).

No documento, o procurador afirma que o assessor cometeu crime de racismo ao “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

GESTO DE EXTREMISTAS – O gesto citado na notícia-crime, segundo o MPF, é utilizado por extremistas desde, pelo menos, 2017 e passou a ser uma maneira de veicular, de forma discreta, um sinal supremacista que poucas pessoas perceberiam. Durante a reunião, o assessor repetiu por três vezes o símbolo. Filipe Martins afirmou, numa rede social, que estava somente ajeitando a lapela do terno.

O caso começou a ser investigado pela Polícia Legislativa (veja vídeo abaixo) e também foi alvo de um requerimento da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul, que pediu que fosse aberta uma investigação sobre o caso.

“Significa um gesto racista de discriminação, induzimento e incitação à discriminação de raça, etnia e cor, em detrimento da população negra em geral e contra outros grupos sociais não brancos, como pardos, asiáticos e indígenas”, disse Wellington Saraiva na notícia-crime.

RECLUSÃO – Para o crime de racismo, que é imprescritível e inafiançável, a pena prevista é de reclusão de um a três anos, além de multa. O Ministério Público Federal justificou ter competência para denunciar o assessor por se tratar de um servidor público federal no exercício da função e durante ato oficial do Senado Federal, que é órgão da União.

O procurador Wellington Saraiva também afirmou que uma série de fatos mostram que Filipe Martins tinha plena consciência do conteúdo de seu gesto, por ter elevado grau de instrução e ter utilizado símbolos extremistas em redes sociais, onde se autodescreveu como “professor de política internacional, analista político e assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Jair Bolsonaro”.

INJUSTIFICÁVEL – “Isso afasta qualquer possibilidade de dúvida da consciência do significado de seu gesto – e, em consequência, da ilicitude dele, até porque ninguém pode alegar ignorância da lei penal, muito menos alguém com as credenciais acadêmicas e profissionais do noticiado”, afirmou Wellington Saraiva.

O assessor Filipe Martins se defendeu e atacou quem identificou o símbolo como sendo de supremacistas brancos: “Um aviso aos palhaços que desejam emplacar a tese de que eu, um judeu, sou simpático ao ‘supremacismo branco’ porque em suas mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno: serão processados e responsabilizados; um a um”.

Jeremoabo: ONG quer saber para onde vai o dinheiro reservado às ações da Covid-19?

 Luiz Brito DRT/BA 3.913


Foto: Divulgação

Desvios que envolvem pagamentos feitos pela prefeitura de Jeremoabo, inclusive de recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19, estão sendo quase que diariamente questionados pela ONG-Transparência, que inclusive cobra uma ação mais incisiva dos vereadores da bancada oposicionista.  As investigações apontam que a prefeitura pagou cerca de R$ 10 mil apenas pelo aluguel de um veículo tipo Toro. Outra suspeita é o pagamento de pensão alimentícia a servidores do município.  Há indícios dentre os prováveis desvios, que recursos destinados para custeio de ações e serviços decorrentes do novo coronavírus teriam sido desviados também para pagamentos de combustível. Uma fonte, afirma que a ONG Transparência Jeremoabo entrou com ação no Ministério Público e aguarda solução nos próximos dias.

Nota da redação deste Blog - Os vereadores da oposição estão no obrigação de desvendar o paradeiro desses quase R$ 11.000.000,00(onze milhões) já que não é justo nem legal desviar  esse dinheiro da sua finalidade especifica, para bancar mordomia de prefeito com veículo alugado a peso de ouro, desviar dinheiro para pagar pensão alimentícia de um seu protegido, além de outros desvios.

Enquanto isso, morre gente por falta de uma atendimento médico adequado, por falta de medicamentos, de testes, e o pior, até pela falta de lençol descartável, copos plásticos descartáveis, e  saco plástico para empacotar os mortos devido ao Covid-19.

A ONG Transparência já levou esse e outros casos ao conhecimento do Ministério Público Federal, espera que os vereadores da oposição também cumpram com o seu dever.

Grandes empresários sugeriram a Lira e Pacheco que é preciso “controlar” o presidente


Presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira e presidente do Senado Federal Rodrigo Pacheco

Atendendo a pedidos, Lira e Pacheco assumiram protagonismo

Deu no Estadão

Nas últimas semanas, empresários, banqueiros, economistas – a elite do que se convencionou chamar de “mercado financeiro” – deixaram claro que a paciência com o governo Jair Bolsonaro chegou ao fim. Uma carta escrita por um grupo de economistas (mas também assinada por pesos-pesados do PIB nacional) cobrando uma mudança radical nos rumos da administração federal, tanto no plano do combate à covid-19 quanto na área econômica, se tornou a face mais visível dessa insatisfação.

Mas as conversas e articulações vão muito além disso. A mudança no comando do Congresso, com a chegada de Arthur Lira (Progressistas-AL) à Câmara e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) ao Senado abriu, segundo empresários, um novo caminho para suas demandas.

SEGUIDAS REUNIÕES – Não à toa, segundo apurou o Estadão, os dois parlamentares já se reuniram em pelo menos nove oportunidades com grupos de banqueiros, donos de empresas e executivos. Nas conversas, o tom é de que é preciso “controlar” o presidente.

Um empresário que participou de um encontro com os dois na semana passada, em São Paulo, disse, na condição de anonimato, que o que se está buscando, diante da gestão “catastrófica” da pandemia, é um diálogo com o Legislativo, por meio de Lira e Pacheco, que são duas figuras que se mostraram “sensatas”.

Segundo esse empresário, com o presidente nenhum diálogo foi possível, já que Bolsonaro não consegue se aprofundar em nenhum assunto e “só faz piada e fala palavrão”. Lira e Pacheco sabem da gravidade da situação e estão funcionando como interlocutores, disse.

IMAGEM NEFASTA – Ainda de acordo com esse empresário, um dos pontos que mais têm preocupado os empresários é a imagem “nefasta” do Brasil no exterior – o que prejudica diretamente os negócios.

E essa imagem ruim está muito ligada ao ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e a Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Segundo ele, a questão ESG (sigla em inglês para ambiental, social e de governança) vem pesando muito contra a imagem global do País e o governo não faz nada.

Lira e Pacheco também se reuniram na semana passada, por duas vezes, com os presidentes dos maiores bancos do País. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que os encontros foram marcados para os CEOs dos bancos conhecerem os novos presidentes das Casas e também para que o setor transmitisse a eles as principais preocupações com a conjuntura.

QUEREM PREVIISIBILIDADE – Nos encontros, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, disse que os bancos não estavam ali para pedir regras novas ou para fazer lobbies. Os bancos, afirmou, querem previsibilidade para mitigar as incertezas e evitar novas crises de confiança em relação ao Brasil.

O presidente do conselho de administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, que participou de um encontro com Lira e Pacheco na semana passada, disse que as conversas ocorreram enquanto a “gravidade da pandemia vai desorganizando a economia gradativamente”, e que as diferenças políticas, neste momento, têm de ser colocadas de lado. “Temos de dialogar para mobilizar a sociedade, trabalhadores, governos, parlamentares e empresários numa frente de solidariedade se quisermos vencer essa crise, que já ganhou características de crise humanitária”, afirmou. “As divergências e brigas políticas podem ficar para depois.”

MOMENTO CRÍTICO – Rubens Menin, presidente dos conselhos do grupo MRV e da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), outro presente a um dos encontros em São Paulo, avaliou que o momento do País é “crítico” por causa do número de mortes.

Questionado se tem confiança de que o governo de Jair Bolsonaro será capaz de controlar a crise sanitária e econômica, Menin evitou citar o nome do presidente e se classificou como um “otimista com o Brasil”.

Ele disse acreditar na aceleração da vacinação nos próximos meses e insistiu no discurso que vem fazendo desde o começo da pandemia. “Não pode haver confusão entre os governos estaduais e federal. As brigas vão ter de acabar ou a sociedade vai cobrar.”

SEM IMPEACHMENT – Embora oficialmente os empresários digam que os encontros com Lira e Pacheco são institucionais, nos bastidores fica claro que os dois são vistos como parte fundamental da solução para a crise do País.

Mas a saída pelo impeachment ainda é vista com ressalvas. De acordo com um empresário que participou dessas conversas, o impeachment é um processo longo e desgastante que poderia prejudicar ainda mais a situação do Brasil, e o presidente ainda tem uma fatia grande de apoio popular.

Nos bastidores, fica clara também a irritação com o governo. De acordo com o presidente da uma maiores associações nacionais do comércio, a paciência com Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, está acabando. Para ele, o que move o empresariado é a economia, e a obviedade do fraco desempenho e a ausência total de plano e capacidade de gestão começam a movimentar até os setores que ganham na crise.

CRÍTICAS ÀS CLARAS – Mas há quem faça críticas às claras. “O despreparo de Jair Bolsonaro está levando ao colapso da saúde e da economia. Seus erros estão fartamente documentados. Chegou a hora de dar um basta a tudo isso”, disse Ricardo Lacerda, fundador e presidente do banco de investimentos BR Partners.

“O presidente precisa assumir um compromisso com a ciência e com pessoas que trabalhem e deixem a ideologia de lado. Se for incapaz disso, melhor deixar o cargo.”

Em destaque

Gilmar Mendes libera andamento de ações sobre pejotização no país; veja o que pode mudar

  Gilmar Mendes libera andamento de ações sobre pejotização no país; veja o que pode mudar Decisão vale para primeira e segunda instâncias; ...

Mais visitadas