segunda-feira, setembro 20, 2010

Eleições 2010

Eleições

Veja sete revisões sem prazo

Gisele Lobato
do Agora

Há pelo menos sete situações em que os segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não têm prazo para pedir a revisão do benefício. A Justiça deve decidir, nas próximas semanas, qual o prazo máximo para entrar com ação pedindo aumento de benefícios concedidos antes de 1997. A revisão dos pagamentos posteriores pode ser negada se o pedido for feito mais de dez anos depois da concessão do benefício.

O prazo, no entanto, não se aplica às revisões em que o erro do INSS prejudicou o pagamento inicial. São exemplos as revisões das ORTNs (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional), da URV, do "buraco negro" e do "buraco verde". Entretanto, essas revisões foram garantidas pela Justiça sem o limite de tempo.

"Os casos envolvidos nas revisões legais são anteriores à lei que colocou o limite de tempo", diz a advogada previdenciária Marta Gueller, do escritório Gueller e Portanova Sociedade de Advogados.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta segunda

Disputa para o Senado se acirra

Fernanda Chagas

A menos de 15 dias para o tão esperado pleito, a disputa para o Senado baiano, segundo mostram as pesquisas, ao contrário da disputa estadual que aponta vitória do governador Jaques Wagner (PT) no primeiro turno, encontra-se cada vez mais acirrada. De acordo com a última pesquisa Datafolha, realizada nos dias 13 e 14, o republicano Cesar Borges (PR), que busca a reeleição, caiu de 31% com 29%, enquanto a socialista Lídice da Mata (PSB), manteve 28% e Walter Pinheiro (PT), registrou 27%, o que configura um cenário tecnicamente empatado. Na pesquisa anterior, de 9 de setembro, os índices eram 31%, 28% e 26%, respectivamente, que já caracterizando o empate técnico.

A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. José Ronaldo (DEM) oscilou um ponto para cima e agora tem 11%. Edvaldo Brito (PTB) tem seu índice inalterado em 9%, e José Carlos Aleluia (DEM), que tinha chegado a 11% na pesquisa anterior, volta a 7%.

Entre os eleitores baianos, 15% afirmam votar em branco para uma das vagas, e 10% para as duas. Estão indecisos quanto a um voto 34%, e 24% ainda não decidiriam nenhum dos votos para o Senado.

Lídice não esconde a satisfação. “A eleição para o Senado vai ser igual a corrida de cavalo. Eu e Pinheiro começamos lá atrás, fomos passando todo mundo e já estamos assumindo a dianteira. Só que nós temos o pescoço mais comprido, que é a força da nossa militância”, comemorou, complementando que “o tufão do voto casado vai varrer a Bahia”.

Otimismo - Walter Pinheiro, assim como ela, se mostra bastante otimista. “Vamos tirar os dois senadores que estavam lá jogando contra o presidente Lula e contra Wagner e vamos colocar dois senadores que são a favor do povo. Não vamos ficar deitados na rede esperando a vitória chegar em 3 de outubro. Vamos às ruas buscar voto por voto para fazer um resultado ainda melhor que o das pesquisas”.

tendência - O coordenador político da campanha da coligação “Pra Bahia Seguir em Frente”, Luiz Caetano, prefeito de Camaçari, lembrou ontem, as afirmações que vêm fazendo, segundo as quais Pinheiro e Lídice assumirão a liderança da corrida para o Senado antes de 3 de outubro.

“Esta situação de empate técnico vem ocorrendo há três semanas, sempre com o concorrente que tinha a liderança perdendo pontos, enquanto os nossos candidatos mantêm a tendência de crescimento.

Agora é só uma questão de tempo porque a vitória está assegurada e o adversário já começa a fazer água”, disse ele, ressaltando que até “voto casado” começaram a pedir. A estratégia apresenta ótimos resultados “porque, além de termos os melhores candidatos, é respaldada também em outros dois nomes muito fortes, os de Wagner e Dilma. Qual é o nome forte que eles têm?”, ironizou Caetano.

Fonte: Tribuna da Bahia

Wagner só cresce, Souto e Geddel lutam

Nova pesquisa do Instituto Datafolha sobre a sucessão na Bahia e nada de novo, em termos positivos, para a oposição: o governador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, aumentou a vantagem em relação a seus adversários e mantém a expectativa de ganhar a eleição ainda no primeiro turno. Sua vantagem, que era de 30 pontos na semana passada, passou agora para 37, a partir da elevação das intenções de votos favoráveis a ele, que subiram de 48% para 53%, e também da queda dos dois principais adversários: Paulo Souto (DEM) caiu de 18% para 16% e Geddel Vieira Lima foi de 14% para 11%.

É certo que, como a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, Souto e Geddel podem até ser considerados em situação estável, mas com viés de baixa, o que só faz somar desgosto para a campanha de ambos. Como a pesquisa revela que só há 12% de eleitores que ainda não sabem em quem votar (5% disseram que vão votar em branco ou anular o voto), praticamente não há margem onde os candidatos de oposição possam cavucar votos para reduzir o favoritismo do governador.

Além do mais, os demais candidatos não têm ajudado muito neste esforço: Luiz Bassuma (PV) e Marcos Mendes (PSOL) têm somente 1% cada, enquanto Sandro Santa Barbara (PCB) e o Professor Carlos (PSTU) sequer atingiram 1%.

É claro que ainda faltam 15 dias para a eleição e a esperança da oposição não pode morrer antes do dia 3 de outubro, inclusive porque exemplos recentes da vida eleitoral baiana justificam a manutenção do esforço. Mas…

Fonte: A Tarde

Romário e Tiririca estão entre favoritos para o Congresso, diz Datafolha

São Paulo - Se as eleições fossem neste domingo, 19, Romário e Tiririca conseguiriam uma vaga na Câmara dos Deputados, constata uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Instituto Datafolha.

Segundo a pesquisa, o ex-jogador conta com o apoio de 115 mil eleitores, cerca de 1% dos votos no estado do Rio de Janeiro e suficientes para uma vaga como deputado federal.

Estreante na política como candidato do PSB, Romário iguala no potencial número de votos com o popular apresentador de televisão carioca Wagner Montes, do PDT.

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Tiririca, do PR, teria 3% dos 30 milhões de votos no estado de São Paulo. Com os 900 mil votos, seria eleito o deputado federal com o segundo maior apoio na história democrática do país, ficando atrás apenas do falecido deputado Enéas, quem nas eleições de 2002 registrou 1,5 milhão de votos.

"Vote no Tiririca, pior do que 'tá' não fica" é o slogan do palhaço, que diz não saber o que faz na verdade um deputado federal. Ele se tornou símbolo do chamado "voto de protesto", especialmente com o apoio dos jovens entre 16 e 18 anos, que votarão pela primeira vez.

O fenômeno Tiririca contagiou também os internautas, pois desde 15 de agosto, segundo o buscador Google, o nome do palhaço foi mais consultado que o dos presidenciáveis Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

Por sua vez, o ex-boxeador Maguila, candidato a deputado pelo PTN, usa luvas de boxe em sua propaganda eleitoral e bate num saco de areia com a imagem de Tiririca impressa, dizendo "Chega de palhaçada, política é coisa séria".

Do mesmo partido de Tiririca, o ex-governador fluminense Anthony Garotinho lidera as intenções de voto para a Câmara dos Deputados no estado do Rio, com 2% dos votos - correspondentes a 230 mil votos.

Outro atleta que tem grandes chances de ser eleito ao Congresso é o ex-goleiro Danrlei, campeão da Copa Libertadores de 1995 com o Grêmio. Candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul, ele conta com 1% das intenções de voto, equivalente a 80 mil votos.

Candidatos baianos - No levantamento divulgado sobre os candidatos baianos, quem lidera as intenções de voto é o deputado federal ACM Neto (DEM), com 2%. Mário Negromonte (PP) aparece em segundo lugar, com 1% e José Rocha (PR) em terceiro, também com 1%.

Fonte: A Tarde

Caetano Veloso diz que Lula é golpista e Serra é burro

Fernando Amorim / Ag. A TARDE (14/05/2009)
Para Caetano, Lula dizer que é preciso extirpar o DEM da vida pública nacional é golpismo

O compositor e cantor Caetano Veloso classificou como golpismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que é preciso extirpar o DEM da vida pública nacional. Já o candidato do PSDB, José Serra, para ele é “burro”, por ter tentado associar seu nome ao do petista, no início do horário eleitoral.

As declarações do artista – que já manifestou preferência pela candidata Marina Silva e apareceu no programa do PV pedindo votos para ela – foram dadas em entrevista a uma emissora de rádio em Santo Amaro, onde esteve para comemorar o aniversário de 103 anos da mãe, Dona Canô.

“Não pode. O povo brasileiro não pode ouvir isso (Lula dizer que o DEM deve ser extirpado) e não reclamar. E se uma pessoa da imprensa reclamar vem um idiota dizer que a imprensa é golpista. Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente. O presidente da república não tem o direito de dizer isso”, criticou.

Caetano Veloso cobrou explicações sobre a quebra ilegal de sigilo fiscal na Receita Federal, que atingiu pessoas ligadas ao PSDB e a José Serra. À medida que falava, ele foi se exaltando e acabou sobrando para o próprio candidato tucano, criticado porque tentou vincular sua imagem à do presidente. “Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que tá do lado, que é igual a Lula. É burro”, decretou o polêmico artista baiano.

Questionado sobre o atual momento político, Caetano disse enxergar risco de um populismo perigoso em torno do presidente Lula e sua candidata Dilma. “É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza”, analisou.

Para ele, a aprovação a Lula é acrítica e isto é um atraso que remete aos anos 40 e 50, quando a América Latina teve lideranças populistas como Getúlio Vargas no Brasil e Perón (Juan Domingo Péron) na Argentina. “É um atraso. O Brasil não podia estar mais nessa”, lamentou.

Caetano citou como exemplo desse "atraso" o fato dos candidatos não divulgarem os próprios partidos em sua propaganda, mas fazerem questão de posar com Lula. “Isso é chato, acho que é pobre”, definiu.

Apesar de tudo, fez a ressalva de que admira Lula e reconhece no presidente uma figura histórica importante no Brasil.


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Não formamos: informamos

Carlos Chagas

Mais uma vez o primeiro-companheiro investe contra a imprensa. Generaliza, como se os meios de comunicação do pais inteiro se limitassem a três jornais do eixo Rio-São Paulo, além de uma revista semanal que não poupa seu governo. Exagerou, ao reivindicar, num palanque em Campinas, que ele, Dilma e o PT são a opinião pública, negando a propalada categoria dos “formadores de opinião”, no que pareceu correto.

Revelou-se atrasado, o presidente Lula. Porque há décadas, nos cursos de Comunicação, emergiu a corrente da humildade. Aquela que sustenta não sermos nós, jornalistas, “formadores de opinião”, excetuados alguns coleguinhas de nariz em pé e cérebro curto, assim como alguns de seus patrões.

A imprensa é apenas informadora, ou seja, quem se forma é a própria sociedade, estimulada por diversos fatores, um dos quais o de ser bem informada de tudo o que se passa nela de bom e de mau, de certo e de errado, de ódio e de amor.

Reivindicar a condição de formadores, artífices da opinião pública, orientadores da sociedade e outras bobagens será anacronismo digno dos tempos em que os jornais existiam para defender ou opor-se a idéias, interesses e situações. Evoluímos para transmissores de informações, mesmo sendo mantidos espaços para opinião, entretenimento e serviços. O fundamental para a mídia, porém, aquilo que faz sua razão de ser, é a noticia. A informação incapaz de ser confundida com a formação, constituindo-se apenas num dos fatores em condições de levar a sociedade a aprimorar-se e a decidir por ela mesmo.

Por fim, sobra a dúvida: quem deu ao presidente Lula, a Dilma e ao PT o privilégio de encarnar a opinião pública? Nem o sociólogo, de resto tão presunçoso, ousou chegar a tanto.

METENDO A MÃO EM VESPEIRO

Que o presidente Lula tenha lançado Dilma Rousseff, pretendendo manter o poder para o seu grupo político, nada a opor. Tem o direito, até mesmo, de subir em palanques e pedir votos para a candidata.

Justificam-se até seus interesses e sua preferência por certos candidatos a governador, seja por julgá-los melhores, seja para evitar a eleição de seus concorrentes.

O que não dá para entender é o presidente fazendo listas de quem quer e de quem não quer ver eleito para o Senado. Serão 54 vagas de senador a preencher em todo o país e se ficar recomendando uns e vetando outros, o primeiro-companheiro arrisca-se a quebrar a cara. É claro que sua popularidade poderá estimular a eleição de um e a derrota de outro, mas, como regra, não dá certo. Acabará sendo apontado como o presidente que tentou mas não conseguiu afastar um monte de adversários. Perderá pontos em sua biografia caso as oposições mantenham suas principais lideranças e até revelem outras.

“O Lula faz tudo para impedir a vitória de Tasso Jereissatti”, ouve-se no Ceará. Caso o ex-governador seja reeleito, como parece que acontecerá, quem terá perdido? Não quer Heloísa Helena, em Alagoas, nem Mão Santa, no Piauí, nem César Maia, no Rio, nem Marco Maciel, em Pernambuco, nem Aécio Neves, em Minas, e quantos outros, nos demais estados? E daí, caso seus adversários se elejam? E daí é que ficará tudo registrado.

E A CADEIA?

Acabam de ser soltos, mas antes foram presos, o governador e o ex-governador do Amapá. O mesmo aconteceu com o governador de Brasília, com Paulo Maluf e muitos outros.

A pergunta que se faz é porque Erenice Guerra e sua quadrilha, acusados pelos mesmos crimes, deverão ficar imunes à prisão, como se alardeia? Apenas por terem trabalhado sob a sombra do palácio do Planalto? Para não criar problemas na sucessão presidencial?

O ENCERRAMENTO

Está previsto para daqui a uma semana, na segunda-feira, 27, o comício de encerramento da campanha de Dilma Rousseff, na praça da Sé, em São Paulo, com direito à presença do presidente Lula. Esforços já se fazem em diversos setores para uma apoteose com um milhão de pessoas, coisa digna do comício das “Diretas Já”. Pode ser que a assistência não chegue a tanto, mas as imagens serão utilizadas nos três dias seguintes como uma espécie de confirmação prévia dos resultados do dia 3 de outubro. É bom ficarmos com a lição do humorista português, Raul Solnado, que depois da Revolução dos Cravos sentenciou: “Após a festa das flores, deve-se aguardar a conta do florista…”

Fonte: Tribuna da Imprensa

STJ manda soltar governador do Amapá

Mário Coelho

A Polícia Federal libertou na noite de ontem (18), por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e o candidato ao Senado e ex-chefe do Executivo estadual Waldez Goés (PDT). Eles estavam presos temporariamente há dez dias por conta da Operação Mãos Limpas, que investiga um esquema de desvio de dinheiro público e fraudes em licitação. Também foram liberados o ex-secretário de Educação do Estado José Adauto Santos Bitencourt e o empresário Alexandre Gomes de Albuquerque.

Na mesma decisão, o STJ decidiu prorrogar por mais 30 dias as prisões do presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio de Miranda, e do secretário de Segurança, Aldo Alves Ferreira. Os seis tiveram a prorrogação da prisão temporária na última terça-feira (14) determinada pelo relator do inquérito no STJ, ministro João Otávio Noronha. Ele atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF). O órgão entendeu que era preciso não comprometer os depoimentos em curso e o andamento das investigações.

Também por ordem do STJ, a Polícia Federal prendeu ontem em Macapá (AP) o chefe do serviço de inteligência do governo do Amapá, Jozildo Moura Santos, e o ex-secretário de Planejamento Armando Ferreira Amaral Filho. De acordo com o jornal O Globo, Moura é acusado de ameaçar testemunhas das fraudes investigadas na Operação Mãos Limpas. Amaral Filho, ex-secretário do ex-governador Waldez Góes, é suspeito de esconder provas e, com isso, obstruir a ação da Justiça. Além das novas prisões, o ministro relator do inquérito autorizou mais nove buscas e apreensões de documentos no estado.

A Operação Mãos Limpas resultou na prisão de 18 pessoas em 10 de agosto. De acordo com a apuração da Polícia Federal, que contou com o apoio da Receita Federal, da Controladoria Geral da União (CGU) e do Banco Central, eram desviadas verbas dos fundos de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e do de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

As investigações começaram em agosto de 2009 e revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Amapá. Os envolvidos são investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos.

Fonte: Congressoemfoco

Dilma: "Do senador Álvaro Dias não aceito nem cafezinho"

Mário Coelho

A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo (19) que não vai depor na Comissão de Constituição de Justiça (CCJ) do Senado para falar das recentes denúncias de propina e lobby na Casa Civil. Ontem, o vice-líder do PSDB na Casa Alvaro Dias (PR) anunciou que vai apresentar um requerimento amanhã (20) para que Dilma preste um depoimento à comissão sobre os casos revelados envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

"Eu já foi acusada de quase tudo. Convite do senador Alvaro Dias não aceito nem para cafezinho", disse Dilma em entrevista coletiva realizada após carreata em Ceilândia, região administrativa distante 26 quilômetros do Plano Piloto de Brasília. Para a presidenciável, que lidera com folga as últimas pesquisas eleitorais contra o tucano José Serra, o convite para depor na CCJ é uma tentativa de se aproveitar do assunto eleitoralmente. "Isso é uma tentativa do senador Alvaro Dias de criar um factóide", disse a petista.

Na entrevista, Dilma afirmou que a mais recente denúncia envolvendo a Casa Civil, de que funcionários receberam propina após o Ministério da Saúde adquirir o remédio Tamiflu para combater o vírus H1N1, da gripe A, é estranha. Sobre Vinicius Castro, ex-assessor jurídico da Casa Civil, que, segundo a revista Veja, recebeu R$ 200 mil de suborno, ela disse que não nomeou ele para o cargo. “Eu não nomeei este senhor. Ele era de confiança dela [referindo-se à ex-ministra Erenice Guerra], não da minha. E não farei julgamentos desta questão antes de os fatos serem apurados”, disse.

Ao adiantar que vai apresentar o requerimento de convite a Dilma, Alvaro Dias disse que a ex-ministra da Casa Civil não pode se esconder das denúncias. A petista foi a principal fiadora da nomeação de Erenice Guerra como titular da pasta. "Ela não pode se esconder. Ela tem que dar explicações sobre as denúncias de corrupção que envolvem a Casa Civil. É o caso de se investigar a ex-ministra Dilma Rousseff. Se ela ainda fosse ministra, seria ela a demitida. Não sendo ministra, há que ser investigada", afirmou.

Fonte: Congressoemfoco

Nos jornais: Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma

Folha de S. Paulo

Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma

A Presidência da República usa funcionários públicos e equipamentos de TV oficial do governo federal para filmar comícios da candidata Dilma Rousseff (PT) que tenham a participação de Luiz Inácio Lula da Silva. A ordem é para que cinegrafistas e auxiliares da NBR gravem todos os discursos do presidente nos eventos da campanha eleitoral.

A direção da TV estatal determinou que esses servidores, antes de iniciarem as filmagens, tenham o cuidado de retirar os sinais de identificação da emissora estatal -a camiseta ou colete, a canopla (peça que tem a logomarca) do microfone e o adesivo colado na câmera.
A TV NBR é o canal da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) que noticia atos e políticas do governo.

Na sede da emissora, em Brasília, havia na semana passada cartazes com a ordem para tirar a identificação dos equipamentos. Quando começou a campanha presidencial, Lula avisou publicamente que sua participação nos comícios de Dilma aconteceria nos dias ou horários de folga, "fora do expediente" da Presidência. Desde julho, o presidente tem conciliado eventos oficiais com atos de campanha. Não há irregularidade nisso. Os gastos da Presidência com essas viagens têm sido ressarcidos pelo PT desde então.

Esse zelo, no entanto, não ocorreu no uso da estrutura da NBR: os funcionários públicos estão trabalhando em eventos que o próprio Planalto classifica como "compromissos privados" de Lula. Ou seja, para registrar momentos da campanha partidária, o governo federal faz uso de salário, equipamento, passagens e diárias que são bancados pela União.

Emissora diz que faz registro histórico

A direção da NBR e a a Secretaria de Comunicação da Presidência dizem que as imagens produzidas pelos cinegrafistas durante comícios de Dilma Rousseff são para registro histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas se contradisseram quanto ao uso das imagens. A estatal confirmou que o material está sendo gravado pelos funcionários para "documentação da Presidência da República e também para serem requisitadas por partidos ou candidatos ao acervo da empresa". Já a Presidência diz que o material não pode ser cedido.

Funcionário da Casa Civil foi sócio de marido de Erenice

O funcionário da Casa Civil Paulo de Tarso Pereira Viana se tornou sócio do marido de Erenice Guerra em uma empresa de consultoria no período em que trabalhava com a ex-ministra. Erenice deixou o cargo na quinta-feira após denúncias de tráfico de influência no governo federal. A empresa Global Energy Investments foi criada em setembro de 2009, em nome de José Roberto Camargo Campos, marido de Erenice, e de Pereira Viana.

Tanto o marido de Erenice como o servidor da Casa Civil aparecem como sócios administradores da empresa, com participação societária de R$ 500 cada um, na Junta Comercial de São Paulo. Servidor público é proibido por lei de "participar de gerência ou administração de sociedade privada". De acordo com registro na Junta Comercial, o objetivo da Global Energy era promover "atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários".

Diretor de Operações dos Correios se demite

O coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva vai apresentar sua carta de demissão do cargo de diretor de Operações dos Correios hoje. Ele era ligado à empresa MTA (Master Top Linhas Aéreas), pivô da crise que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra, e estaria atuando para transformar a companhia aérea na empresa de carga oficial dos Correios após as eleições. Silva seria testa de ferro do empresário argentino Alfonso Rey, dono da MTA, conforme publicou ontem o jornal "O Estado de S. Paulo".

Queda de Erenice abre disputa por espaço no PT

A queda de Erenice Guerra do comando da Casa Civil trouxe à tona uma competição até então submersa no mundo petista: a disputa pelo poder num eventual governo de Dilma Rousseff. Antes mesmo de consumada a possível vitória na eleição, petistas travam uma guerra velada pelo coração do governo Dilma. A começar pela própria Casa Civil -segundo petistas, o objeto de desejo do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Um dos conselheiros de Dilma, com quem se reuniu num hotel de São Paulo na sexta, Palocci chega a admitir em conversas a hipótese de deixar temporariamente o país caso não seja convidado para o cargo de seu interesse. Segundo petistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem outros planos para Palocci, como sua indicação para o ministério da Saúde. A aliados, no entanto, o deputado tem reafirmado seu interesse pela Casa Civil, rejeitando até o Ministério da Fazenda, pasta em que conquistou a confiança do establishment como fiador do rigor fiscal e monetário da política econômica de Lula.

PSDB de Minas omite Serra dos "santinhos"

Na reta final da campanha, os "santinhos" dos candidatos começam a aparecer com as chamadas "colas", mas as do PSDB que circulam em Juiz de Fora (MG) não indicam o voto no 45 de José Serra para a Presidência. A "cola" é a representação da ordem dos candidatos que aparecerá na urna eletrônica. Na principal cidade da Zona da Mata mineira, a Folha teve acesso a um desses impressos do PSDB. Um milhão de colas foram confeccionadas para o partido. O campo reservado para o candidato à Presidência aparece vazio. Estão preenchidos apenas os números e nomes do ex-governador Aécio Neves (PSDB) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS), candidatos a senador, e o do governador Antonio Anastasia (PSDB), que tenta se reeleger. O material também não estampa a foto de Serra. Aparecem as fotos de Aécio e Itamar, ladeados por Anastasia.

Dilma favoreceu firma e aparelhou secretaria, diz auditoria do TCE

Auditorias feitas na gestão de Dilma Rousseff (PT) na Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e na Federação de Economia e Estatística, entre 1991 e 2002, apontam favorecimento a uma empresa gaúcha que hoje recebe R$ 5 milhões da Presidência e mostram aparelhamento da máquina. Os documentos foram desarquivados no Tribunal de Contas gaúcho a pedido da Folha. Hoje candidata à Presidência, Dilma foi secretária dos governos Alceu Collares (PDT), em sua fase "brizolista" no PDT, e Olívio Dutra (PT), quando se filiou ao PT, pré-ministério de Lula. Em 1992, os auditores constataram que a fundação presidida por Dilma favoreceu a Meta Instituto de Pesquisas, segundo eles criada seis meses antes para vencer um contrato de R$ 1,8 milhão (valor corrigido). A empresa gaúcha foi a única a participar da concorrência devido à complexidade e falta de publicidade do edital.

Candidata diz que contestou "ponto por ponto"

Dilma Rousseff afirmou, por meio de sua assessoria, que "não tinha nem tem ligação" com a Meta e que as irregularidades apontadas pelos auditores "foram contestadas ponto por ponto". Segundo argumentou, o TCE gaúcho lhe "deu provimento por unanimidade". Sobre as nomeações, disse que, "desde sua criação, sem quadro próprio adequado às suas necessidades, a secretaria funcionou basicamente com assessorias, cargos em comissão, funções gratificadas e servidores cedidos por estatais". Disse ainda que, em sua gestão, ela apresentou proposta de reformulação. "O TCE-RS aprovou todas as contas".

O PSDB precisa passar por um processo de renovação

Um dos poucos nomes da velha guarda da oposição que resiste à "onda vermelha" nas eleições, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), líder nas pesquisas à reeleição, afirma que o PSDB "precisará passar por um processo de renovação" se a vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência se confirmar. Tasso aponta dificuldade em fazer campanha de oposição "quando a economia vai bem", e diz temer pela "influência despudorada" de Lula nas campanhas. "Se o Senado não tiver oposição, resistência, a democracia e as instituições correm sério risco." Isolado num Estado onde Dilma e o atual governador, Cid Gomes (PSB), deverão obter índices acachapantes nas urnas, segundo pesquisas, o tucano retomou no interior o antigo jingle do "galeguinho dos zóio [sic] azul". De acordo com os últimos levantamentos do Datafolha, Tasso lidera a corrida ao Senado com 52% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Eunício Oliveira (PMDB, com 31%) e pelo ex-ministro da Previdência José Pimentel (PT, com 27%).

Governador do Amapá deixa prisão e deve reassumir hoje

Depois de passar nove dias preso, Pedro Paulo Dias (PP), governador do Amapá, deve voltar ao cargo ainda hoje. Detido na Operação Mãos Limpas, no último dia 10, sob a suspeita de envolvimento em diversos episódios de corrupção no Estado, ele foi liberado da superintendência da Polícia Federal em Brasília na noite de sábado.Segundo sua advogada, Patrícia Aguiar, logo ao sair ele se encontrou com a família, que estava em Brasília, e deveria retornar na madrugada de hoje a Macapá (AP). Ao chegar, Dias, que também é candidato à reeleição, deve ser recepcionado com festa por seus cabos eleitorais na cidade. Durante o tempo em que ele esteve preso, sua campanha em Macapá continuou, com comícios e manifestações de repúdio à prisão. Seus apoiadores dizem que a detenção foi uma maneira de prejudicar a candidatura.

Americanos são acusados de matar afegãos 'por esporte'

Cinco soldados norteamericanos foram acusados de matar três civis afegãos, além de desmembrar cadáveres na Província de Candahar, no Afeganistão. Segundo o "Washington Post", os homicídios foram cometidos "por esporte, por soldados com apreço por haxixe e álcool". Autoridades dos EUA não comentaram o caso. Envolvidos negaram a acusação.

Número de mortos em estrada federal bate recorde

As rodovias federais registraram em 2009 o maior número de mortes em 12 anos. Foram 7.383 pessoas (média de 20 por dia). Em 2010, o índice continua alto: até junho, 4.068 pessoas morreram nas estradas. Os números do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes incluem todos os tipos de veículo e os atropelamentos.

Guerra sem fim

Garoto passa por destroços em Bagdá; ataques mataram 36 pessoas e feriram 120 no dia mais violento no Iraque desde o final das operações dos EUA.


O Globo

Denúncia de favorecimento na Casa Civil derruba diretor dos Correios

As denúncias de tráfico de influência a partir da Casa Civil derrubaram o quarto integrante do governo: o diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues. Nomeado pela ex-ministra Erenice Guerra, sucessora de Dilma Rousseff, ele é suspeito de usar o posto para defender interesses da empresa aérea cargueira MTA e atuar como testa de ferro de um grupo estrangeiro. O coronel nega. Duas empresas ligadas ao marido de Erenice, a Mafra e a Unicel, teriam sido beneficiadas no governo. Para José Serra, ou Dilma sabia do esquema na Casa Civil ou não sabe administrar. A petista disse que não irá ao Senado dar esclarecimentos sobre as últimas denúncia.

Os bons negócios de seu marido

A Matra Mineração conquistou duas vitórias no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão sob influência de Erenice Guerra, depois que o marido da ex-ministra, José Roberto Camargo Campos, entrou na sociedade da pequena empresa com sede em Brasília e que atua no interior de Goiás. Além do perdão de 14 multas, nove delas apenas 43 dias depois de sua ida para a Matra, a empresa conseguiu, 60 dias depois, autorização para explorar calcário em Goiás.

Além das multas perdoadas, a Matra, cujo capital social é de apenas R$ 30 mil, acumula dívidas que somam R$ 129,4 mil, parceladas em 60 vezes. De acordo com o DNPM, as multas estão sendo pagas em dia. Campos chegou à Matra em 22 de abril de 2008, associando-se ao gerente de Desenvolvimento Energético da Eletronorte, Ercio Muniz Lima, antigo amigo de Erenice, funcionária de carreira da estatal. O marido de Erenice também trabalhou na estatal.

Caetano acusa Lula de ‘golpismo’

O compositor Caetano Veloso classificou como "golpismo" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que é preciso extirpar o DEM da vida pública nacional. Já o candidato do PSDB, José Serra, para Caetano, é "burro", por ter tentado associar seu nome ao do petista, no início do horário eleitoral. As declarações do artista — que já manifestou preferência por Marina Silva e apareceu no programa do PV pedindo votos para ela — foram dadas a uma emissora de rádio em Santo Amaro, onde esteve para comemorar o aniversário de 103 anos da mãe, Dona Canô.

"O povo brasileiro não pode ouvir isso (a declaração de Lula) e não reclamar. E se uma pessoa da imprensa reclamar vem um idiota dizer que a imprensa é golpista. Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente. O presidente da República não tem o direito de dizer isso", criticou. Caetano cobrou explicações sobre a quebra ilegal de sigilo fiscal na Receita, que atingiu pessoas ligadas ao PSDB e a José Serra. Mas sobrou para o próprio candidato tucano, criticado por tentar vincular sua imagem à do presidente. "Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que está do lado, que é igual a Lula. É burro", decretou o baiano.

OAB e ANJ criticam Lula por atacar imprensa

A Associação Nacional dos Jornais e a Ordem dos Advogados do Brasil reagiram aos ataques de Lula à imprensa. Em comício com Dilma Rousseff, ele disse que alguns veículos agem como partido e afirmou: "Nós somos a opinião pública." Segundo a ANJ, o papel da imprensa é informar, e o presidente jamais criticou o trabalho jornalístico quando as críticas atingiam opositores. Para a OAB, Lula agiu de forma lamentável, influenciado pelo cenário eleitoral.

Marina defende liberdade de expressão

Um dia após o presidente Lula ter atacado a imprensa, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, fez uma crítica indireta às declarações ao dizer que as instituições precisam funcionar com neutralidade e defender a liberdade de expressão. Marina evitou comentar se sua candidatura poderia ser beneficiada pelas denúncias de corrupção na Casa Civil. Ela disse que o caso está com o Ministério Público e que prefere debater propostas, em vez de partir para o "vale-tudo eleitoral".

Marina esteve ontem no Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, que reúne galpões de mais de 300 centros de Tradições Gaúchas. Vegetariana, ela não comeu churrasco, prato obrigatório no evento, que integra as comemorações da Semana Farroupilha. Em seguida, ela fez caminhada no Parque da Redenção, principal ponto de campanha nos fins de semana na capital gaúcha. À tarde, a candidata seguiu para Pelotas, onde visitou uma Casa de Marina.

Kirchner pede prisão para donos de jornais

Em mais um round na luta para controlar a imprensa na Argentina, a presidente Cristina Kirchner entra hoje com pedido de prisão contra os diretores e acionistas dos jornais "Clarín" e "La Nación".

Governador do Amapá é solto e retoma campanha

Suspeitos de corrupção, o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias, e o candidato ao Senado Waldez Goes saíram da cadeia e voltam à campanha. Os dois tinham apoio de Lula.

Transporte rodoviário é o maior emissor de gases do efeito estufa no Rio

Um estudo encomendado pela prefeitura do Rio mostra que os meios de transporte rodoviário são os principais responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa na cidade, com 33% do total, seguidos de lixo (25%) e poluição industrial (10%). Para reduzir as emissões, um dos planos é incentivar um maior uso da bicicleta. Um passeio ciclístico no Aterro atraiu ontem 20 mil pessoas e marcou o início das atividades do Dia Mundial Sem Carro, que será na quarta-feira.

Preços de alimentos aumentam

Devido a problemas climáticos e à demanda na China, produtos agropecuários subiram mais de 10% no atacado. Carne, açúcar e trigo já estão mais caros para o consumidor.

Israel voltará a construir na Cisjordânia

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vai permitir a construção de casas nos 218 assentamentos judeus na Cisjordânia. A moratória de dez meses acaba no dia 26.


O Estado de S. Paulo

Após denúncia, Correios anunciam demissão de diretor

A presidência dos Correios anunciou que o coronel Artur Rodrigues deixará hoje a diretoria de Operações da estatal. O Estado revelou ontem que o coronel é testa de ferro do argentino Alfonso Rey na empresa aérea MTA. Beneficiada pelo tráfico de influência do filho da ex-ministra Erenice Guerra, Israel, a MTA tem contratos de R$ 60 milhões com os Correios. Documentos comprovam que o diretor participou da montagem de uma rede de empresas de fachada criada para operar a MTA no País. O artifício foi usado para driblar a lei, que limita a 20% a participação do capital estrangeiro no setor.

Novos documentos reforçam elo entre coronel e argentino

Documentos obtidos pelo Estado mostram mais detalhes das ligações entre o diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues, as empresas do argentino Alfonso Rey no exterior e de seus "laranjas". O Estado revelou ontem que o coronel Artur, que assumiu a direção dos Correios em agosto, é testa de ferro do empresário argentino na Master Top Linhas Aéreas (MTA), já que a lei brasileira proíbe que estrangeiros tenham mais de 20% do capital de empresas do setor.

Desde sua criação em 2005 até agosto, a MTA era dirigida no Brasil pelo atual diretor de Operações dos Correios, que colocou os ex-sogros da filha, Anna Rosa Pepe Blanco Craddock e Jorge Augusto Dale Craddock, como donos "laranjas" do negócio. A ambição do argentino e do coronel Artur é que a MTA seja o embrião da nova empresa de logística dos Correios, ainda a ser criada, cujo investimento é avaliado em US$ 400 milhões.

TCU e Anatel favoreceram marido de Erenice

A Unicel, empresa de telefonia celular que teve o marido da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, José Roberto Camargo Campos, como diretor, teve ajuda do Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Tribunal de Contas da União (TCU) na obtenção de licença para operar telefonia móvel via rádio, também chamado de Serviço Móvel Especializado. Os dois colegiados votaram favoravelmente à concessão da licença para a Unicel, contrariando parecer de suas respectivas áreas técnicas.

A Unicel só não conseguiu a licença até agora, apesar da boa vontade, por razões burocráticas. Houve mudança no quadro societário da empresa, de forma que o processo passa por uma nova avaliação na Anatel. A agência está verificando a capacidade técnica e, se não houver impedimento legal, a Unicel poderá iniciar seus serviços de rádio. Hoje, ela opera telefonia celular convencional na cidade de São Paulo e região metropolitana.

Dilma diz que não irá ao Congresso dar explicações

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou que não aceitará o convite do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para falar no Congresso sobre as acusações de tráfico de influência na Casa Civil. Para ela, Dias tenta criar um factoide. Dilma disse não conhecer o advogado Vinícius Castro, pivô do escândalo. No Facebook, uma foto da candidata petista aparece na lista de amigos de Castro.

Denúncia é inconsistente, avalia comando petista

O comando da campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência avalia como "inconsistente" a denúncia de pagamento de propina na Casa Civil, mas continua preocupado com os parentes da ex-ministra Erenice Guerra. Depois de participar de carreata em Ceilândia, na região Metropolitana do Distrito Federal, ontem, Dilma se reuniu com assessores. A avaliação geral é de que não há provas sobre corrupção na Casa Civil e muito menos sobre o envolvimento da candidata em algo ilícito.

Ou ela não é capaz ou é cúmplice, diz Serra

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, participou ontem de uma caminhada pela favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, e voltou a levantar dúvidas sobre o envolvimento da adversária Dilma Rousseff (PT) nas denúncias de pagamento de propina no Ministério da Casa Civil. "De duas, uma: ou ela, como dirigente, não é capaz, porque um esquema que dura quatro, cinco, seis, sete anos, não há como quem está em cima não saber. Ou então, ela é cúmplice. Não há uma terceira hipótese", disse Serra.

Ataques de Lula à imprensa provocam reação

Para OAB, o ataque de Lula à imprensa "é um desserviço à Constituição e ao Brasil". ANJ e Abert também refutaram a fala do presidente. No sábado, ele afirmara que iria "derrotar" jornais e revistas, que se comportam como partido político.

Investigação de fraudes esbarra em governador

O governador do Tocantins, Carlos Gaguim (PMDB), é um dos citados em investigação do Ministério Público paulista sobre fraudes em licitações. Por ter foro especial, ele não é alvo oficial da apuração. Oito suspeitos estão presos.

Caderno Especial: Desafios do novo presidente: Cidades Gigantes

Na continuação da série, o Estado põe uma lupa sobre os maiores problemas das metrópoles brasileiras, mostrando como eles afetam a vida do cidadão. Também discute os riscos e as oportunidades da Copa e da Olimpíada e vai buscar no exterior exemplos de que gigantismo nem sempre é sinônimo de problema.

China suspende diálogo com Japão

Crise aberta pela colisão de barcos perto de ilhas disputadas pelos 2 países faz Pequim suspender contatos com Tóquio.


Correio Braziliense

Caso Erenice: a sangria não para

Se o Palácio do Planalto apostava que a crise que sangra o governo seria estancada com a saída de Erenice Guerra da Casa Civil, enganou-se. Uma nova demissão, agora do diretor de Operações dos Correios, coronel Eduardo Silva, mostra que, pelo menos por enquanto, não há luz aparente para o fim dos escândalos. Até o momento, nada menos do que seis subalternos ou familiares da ex-ministra pendurados na administração pública foram defenestrados para colocar em pontos opostos a avalanche de denúncias e a campanha de Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A menos de duas semanas das eleições, a palavra de ordem no Planalto é afastar qualquer personagem envolvido em denúncias. O temor é de que os episódios às vésperas de outubro modifiquem o cenário atual e forcem um segundo turno entre Dilma e José Serra (PSDB). Na cabeça dos petistas, permanece viva a disputa entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula, em 2006, que não terminou no primeiro turno em parte graças ao escândalo dos aloprados.

O grande amigo de Erenice

À medida que os escândalos se descortinam, caem um a um parentes e aliados da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, apontada como protagonista de um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo a estrutura ministerial. Todos os que chegaram ao governo pelas mãos dela vivem um momento de “corda bamba”. Este é o caso do presidente dos Correios, o engenheiro David José de Matos. O nome de David foi levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diretamente por Erenice. “Se é uma pessoa da sua confiança…”, disse Lula, segundo o próprio David, quando a ex-ministra indicou o amigo de mais de 30 anos para chefiar os Correios. Lula vive o constrangimento de conviver com indicados por Erenice — até a semana passada, a toda-poderosa da Esplanada —, sem poder afastá-los, para não passar recibo do lastro de irregularidades iniciados na Casa Civil, pasta de onde saiu sua aposta para as eleições deste ano, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

Nem para tomar um simples cafezinho

Antes mesmo de ser oficialmente convidada para prestar esclarecimentos no Senado sobre suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou não irá depor. Ontem, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) informou que vai encaminhar requerimento em que convidará Dilma a prestar depoimento na Comissão de Constituição e Justiça.

Em entrevista coletiva antes de uma carreata na manhã de ontem, em Ceilândia, a candidata disse que jamais aceitaria qualquer convite do senador tucano. “Isso não é um convite. É uma tentativa do senador Alvaro Dias de criar um factoide. Ele sistematicamente tenta tumultuar estas eleições. Eu já fui acusada de tudo, mas convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para um cafezinho”, frisou Dilma.

Candidatos apelam à boa e velha carta

Em um tempo em que todos se comunicam por redes sociais e até os e-mails perderam força diante da instantaneidade da troca de informações, vários candidatos a cargos públicos na eleição de outubro partiram para a boa e velha carta em casa para tentar uma maior proximidade com o eleitor. A tática implica desde mensagens direcionadas às pessoas até o envio de santinhos e material de campanha por mala direta. Já vale mandar até a cola do voto para não deixar que os eleitores esqueçam os números dos seus pretensos futuros representantes.

Os caminhos de Roriz

Na trajetória de Joaquim Roriz (PSC), há uma bifurcação. Uma das rotas leva ao ostracismo. A outra dá ao ex-governador sobrevida na atuação pública. O caminho que o político vai tomar será conhecido nesta semana, considerada decisiva para as eleições. Na quarta-feira, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) vão analisar recurso interposto por Roriz, que teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Daí surgirá um entendimento sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

E o esqueleto virou pó...

Duraram menos de cinco segundos os 17 anos de espera para a demolição do último prédio abandonado de Brasília. Localizado no Setor Hoteleiro Norte, o edifício se transformou em 17 toneladas de entulho. Tudo correu como planejado, segundo os responsáveis pela demolição. No local, será construído mais um hotel de luxo visando a Copa de 2014.

Triste paisagem

Durante todo o domingo, um incêndio consumiu grande parte do Parque Nacional. A fumaça podia ser vista até de Águas Claras. Um helicóptero, 137 bombeiros e 50 brigadistas lutaram contra as chamas, sem conseguir debelá-las até o fechamento desta edição. Há suspeitas de que jovens atearam fogo no local. Brasília está há 117 dias sem chuva.

Formosa: Milícia sob comando de fazendeiros

Documentos sigilosos da PM de Goiás detalham como major do batalhão de Formosa negociava proteção aos donos de fazenda. Suposto grupo de extermínio é acusado de matar um pecuarista a mando de um inimigo. O militar está em plena campanha para deputado estadual.

Tragédia: Amargo legado das enchentes em Alagoas

Correio visita três cidades atingidas pelas fortes chuvas há três meses e constata que nada, ou quase nada, foi feito para resgatar a vida como era antes da destruição. A burocracia do governo estadual na liberação de recursos é citada como um dos empecilhos para a demora da reconstrução.

Fonte: Congressoemfoco

Nas revistas: "Foi uma traição", diz Erenice

Istoé

"Meus filhos vão ter que viver todos à minha custa?"

Na quinta-feira 16, a equipe de ISTOÉ tinha encontro marcado com a ministra Erenice Guerra às oito horas da manhã, na residência oficial da Casa Civil. Mas, depois de uma rápida visita do ministro Franklin Martins, ela foi convocada às pressas pelo presidente Lula. Erenice pediu que a reportagem aguardasse até o meio-dia, pois iria ao Palácio do Planalto para entregar seu pedido de demissão. Assim que deixou o cargo, voltou à luxuosa casa na Península dos Ministros e ali deu uma entrevista exclusiva à ISTOÉ sobre seus últimos momentos no governo Lula.

ISTOÉ – O que mais pesou em sua decisão de pedir exoneração?
Erenice Guerra – Fundamentalmente, foi a campanha de desconstrução da minha imagem, sórdida e implacável, atingindo, sobretudo, a minha família. Esses valores colocados em questão são caros para mim. Sou uma pessoa de origem simples e a família é o núcleo central que estabiliza a gente. Nesse episódio, não escaparam filhos, filha, marido, irmãos. Quando eu percebi que não haveria limite nenhum, nem ético nem de profissionalismo, para essa campanha difamatória, entendi que era o momento de fazer uma opção.

ISTOÉ – A sra. chegou a se encontrar com um representante da EDRB do Brasil, que teria tentado obter empréstimo no BNDES com a ajuda de seu filho?
Erenice – Eu nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor, o chefe de gabinete à época. Foi lá apenas para fazer a demonstração de um projeto de energia alternativa. É tudo o que eu sei sobre esse assunto. Mas efetivamente a Casa Civil está investigando a conduta do ex-servidor Vinícius Castro e a possibilidade de ele ter praticado algum tráfico de influência nesse caso.

ISTOÉ – Esse servidor poderia se passar por um funcionário capaz de influir nas suas decisões?
Erenice – É. Poderia dizer “trabalho na Casa Civil, posso conseguir isso e aquilo...” Isso não é desarrazoado não. E, exatamente por isso, a Casa Civil está, a partir de hoje, investigando esse caso com bastante rigor.

ISTOÉ – Significou uma traição à sra.? Afinal, Vinícius era um funcionário muito próximo, além de ser sócio de seu filho.
Erenice – Foi uma traição. Uma completa traição.

Leia a íntegra da entrevista aqui

O governo limpa a área

"Se eu sair, eu vou te pre­judicar? Então, eu saio. Não aguento mais”, anun­ciou a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, em conversa telefônica com a candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff. Horas depois, ainda na manhã da quinta-feira 16, Erenice entregava sua carta de exoneração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Era o desfecho de um enredo repleto de contradições que vinha colocando um dos cargos mais importantes da República no centro de uma crise política. Alvo de uma enxurrada de denúncias, Erenice não resistiu.

A demissão da ministra foi uma solução combinada com Lula. O presidente vinha monitorando de perto o caso desde a primeira denúncia, em que o filho de Erenice, Israel Guerra, foi acusado de prestar consultoria para uma empresa, a Master Top Linhas Aéreas (MTA), vencedora de uma concorrência milionária nos Correios. Num encontro na noite do domingo 12 com Erenice no Palácio da Alvorada, Lula recomendou que as respostas da ministra tinham de ser “rápidas e esclarecedoras” e que ela teria oportunidade de se defender.

Sem sinal de diplomacia

A vida diplomática é afamada pelo luxo e pela ostentação. Mas todo este glamour pode servir também para escamotear comezinhos pecados. Exploração de mão de obra, por exemplo. Eis aí uma típica mesquinharia que parece não combinar com os princípios da diplomacia. No entanto, é exatamente isso que vem ocorrendo por aqui. Várias embaixadas e consulados instalados no país têm negado a seus funcionários brasileiros direitos trabalhistas básicos. Empregados de representações estrangeiras são submetidos a situações constrangedoras, que, não raro, deságuam no assédio moral, sexual e até mesmo em regimes que poderiam ser considerados análogos à escravidão. Os casos de processos trabalhistas contra embaixadas e consulados estrangeiros no Brasil acumulam-se na Justiça há anos. A estimativa é de que cerca de 1,5 mil deles estejam em tramitação nesse momento.

Reclamações trabalhistas como essas são cada vez mais comuns. O aperto fiscal de muitos países fez com que representações diplomáticas acabassem sendo obrigadas a reduzir gastos. Muitas estão aproveitando a imunidade diplomática a que têm direito para desrespeitar as complexas leis trabalhistas brasileiras. Para completar o quadro, o Itamaraty prefere não atuar de forma mais incisiva para evitar constrangimentos. A chancelaria brasileira apenas orienta as embaixadas a “observarem as leis trabalhistas do País e os trabalhadores a procurarem a Justiça”, informa a assessoria de imprensa do ministério. “Essas embaixadas querem se livrar do problema, não estão preocupadas em cumprir a lei”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Embaixadas, Consulados, Organismos Internacionais (Sindnações), Raimundo de Oliveira.

Palhaço em tempo integral

O palhaço da foto ao lado não tira a peruca de jeito nenhum. Candidato do Partido da República (PR) a deputado federal por São Paulo, o sujeito, que atende pelo apelido de Tiririca, recusou-se a atender a reportagem de ISTOÉ na condição de Francisco Everardo Oliveira Silva, seu nome de batismo. Alegou falta de tempo, mas a verdade é que, na reta final de campanha, não quer correr o risco de expor o seu verdadeiro eu. Segundo o Ibope, Tiririca deve amealhar um milhão de votos, o que vai transformá-lo num dos maiores fenômenos eleitorais da história do Brasil. Personagem criado pelo cearense Francisco, Tiririca fez certo sucesso em um programa humorístico da tevê e vendeu milhares de cópias de um CD graças à música burlesca “Florentina”. Por que resolveu ser candidato? “Minha mãe disse que era uma boa.”

A arte de não se eleger

A continuidade tem tu­do para ser a marca des­tas eleições, independentemente de partidos. Dos 20 governadores candidatos à reeleição, 15 apareceram nas pesquisas como líderes da disputa. A exceção mais gritante ao desejo do eleitor de manter o governante é o Rio Grande do Sul, onde a governadora Yeda Crusius (PSDB) convive com um índice de rejeição superior a 40%. Eleita em 2006, Yeda assumiu o Palácio Piratini pregando “um novo jeito de governar” após mais de uma década de alternância do poder entre o PT e o PMDB. Na prática, passou a maior parte do tempo defendendo-se da sucessão de denúncias que estremeceram seu governo.

Época

Na reta final, o fator Erenice

Na mesma semana em que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teve a confirmação de que o caso das quebras ilegais de sigilo fiscal dentro da Receita não seria suficiente para levá-lo ao segundo turno, um novo escândalo atingiu a campanha de sua principal adversária, a candidata do PT e ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Novamente, a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a vislumbrar uma chance de arrastar a disputa para além de 3 de outubro.

Dentro do governo e também dos partidos de oposição, tornou-se consenso que, se os episódios das quebras de sigilo eram complicados demais para a compreensão do eleitor, a acusação de tráfico de influência pode ser mais facilmente traduzida para a linguagem das campanhas de rádio e televisão. Além disso, as novas denúncias incluem supostas contribuições para o caixa da campanha de Dilma, enquanto o envolvimento de líderes e da candidata do PT nas ilegalidades praticadas na Receita não foi comprovado, contrariando as acusações de Serra. Na semana passada, a funcionária do Serpro Adeildda dos Santos afirmou à Polícia Federal que acessou indevidamente os dados fiscais de Eduardo Jorge Pereira e de outros tucanos na agência da Receita em Mauá, Grande São Paulo, mediante propina.

Ele reinventou a tradição

“A senhora vai esquecer a santa, mãe?” Essa foi a pergunta de Maria Aparecida Marques, filha de Tereza Santina do Carmo, quando viu a mãe de 67 anos se desgarrar de uma procissão religiosa para seguir o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que está em campanha pela reeleição. Distribuindo beijos e abraços, Campos guiou a primeira metade da procissão em homenagem a Frei Damião, no município de São Joaquim do Monte, interior do Estado. Ao passar por uma estrada, o governador saiu em direção a seu carro, o que gerou uma pequena confusão. Muitos não sabiam se deveriam seguir o político ou a procissão. Tereza ignorou a filha, driblou os seguranças e bateu no vidro do carro do governador. Campos abriu a porta e pegou sua mão. “Eu rezo todo dia por vocês”, disse Tereza, entre lágrimas e soluços. “Que Deus abençoe você e doutor Arraes.”

Quanto vale a natureza?

Não é nenhuma novidade que a natureza é a base da economia. Sempre foi – até porque não há vida fora da natureza. Mas a abundância de recursos era tamanha que eles podiam ser considerados inesgotáveis, e portanto gratuitos. Em alguns casos, essa premissa se revelou ilusória, como na civilização da Ilha de Páscoa, no Pacífico, que ruiu quando a madeira acabou. Há um temor similar para alguns recursos de nossa civilização, como o petróleo, os peixes e até a água potável.

O grande desafio é encontrar fórmulas para que quem explora os recursos naturais ajude a pagar a conta de sua manutenção, diz o economista americano Robert Costanza, da Universidade de Portland. É algo que alguns economistas visionários pregam há décadas. O professor americano Herman Daly é um dos pais dessa economia ecológica. Colocou o desenvolvimento sustentável em pauta nos anos 80 quando foi economista sênior do Banco Mundial. Hoje, como professor da Universidade de Maryland, diz acreditar que o crescimento da população demanda uma mudança na teoria econômica. Daly questiona o conceito do Produto Interno Bruto (PIB), que inclui apenas as riquezas materiais geradas. Acha que é necessário descontar desses ganhos os gastos com a poluição do ar, os resíduos, a destruição da floresta.

Carta Capital

Aécio deixará o PSDB

Não é por estar envolvido de corpo e alma na campanha para eleger seu substituto, Antonio Anastasia, ao governo de Minas Gerais, e muito menos por distração política, que Aécio Neves deixou de se manifestar sobre as recentes denúncias, encampadas por José Serra, para tentar desestabilizar Dilma Rousseff. É um silêncio significativo. Expressivo como um risco de giz. A metáfora, possível de ser imaginada, que separa o território de atuação da oposição mineira e da oposição paulista. Ambas adversárias do governo Lula. Só que a primeira é democrática e a segunda é golpista. As duas convivem, no PSDB, por um tempo longo demais, considerando as divergências políticas que emergiram mais claramente quando os paulistas cortaram as asas de Aécio pretendente à candidatura à Presidência pelo partido. Foi a gota d’água para um tucano disposto a voar. José Serra, ainda governador, bloqueou as prévias internas que Aécio propunha e forçou o mineiro a abrir espaço para mais uma candidatura paulista. Aos 68 anos, Serra não tem mais tempo para esperar, porque, conforme anunciou no palanque que a revista Veja lhe ofereceu, preparou-se a vida inteira para ser presidente. E, tudo indica, fracassou. Há duas semanas, em jantar no Rio de Janeiro, o ex-governador Aécio Neves empolgou-se ao falar da necessidade de reformas políticas no Brasil e, para sustentar os argumentos que desenvolvia junto a um grupo restrito de amigos, ele anunciou: “Eu vou sair do PSDB”, na casa de um empresário, em Copacabana, cercado de convidados importantes.

Leia ainda: Aécio nega que vá deixar PSDB

Espanto e pavor. Em Marte

Estão na ribalta um candidato a Mussolini, ou a Hitler, ou a ambos, e uma assassina de criancinhas. Ou seja, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Palavras de Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia e Mônica Serra. Um alienígena que baixasse à Terra ficaria entre o espanto e o pavor. Quanto a nós, brasileiros, não é o caso de maiores preocupações. No caso de Lula, cujo estilo mussoliniano o príncipe dos sociólogos aponta, vale admitir que outra citação possível seria a de Luís XIV, personificava o poder todo. “O Estado sou eu”, dizia o monarca por direito divino. Pois segundo FHC, o presidente afirma, nas entrelinhas da sua atuação, “eu sou tudo e quero o poder total”. E isto “não pode”, proclama o ex, com aquela riqueza vocabular que o caracteriza.

Os jornalistas tucanos, por Marcos Coimbra

Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos. Foram muitas as causas que concorreram para provocar o resultado destas eleições. Algumas são internas aos partidos oposicionistas, suas lideranças, seu estilo de fazer política. É bem possível que se saíssem melhor se tivessem se renovado, mudado de comportamento. Se tivessem permitido que novos quadros assumissem o lugar dos antigos.

A próxima geração

Após um longo período sem renovação, a fornada de políticos que sairá das urnas em 2010 consolida a influência que a geração pós-1964 terá na vida brasileira. Na casa dos 50 anos ou menos, não viveram diretamente as agruras da ditadura. São, em geral, conciliadores e demonstram enorme capacidade de estabelecer apoios quase unânimes. Nos estados, estão desacostumados a enfrentar oposições tinhosas. São ao menos quatro, todos com inigualáveis chances de ser eleitos ou reeleitos no primeiro turno ou de emplacar afilhados em governados estaduais. Entre os reeleitos certos, Eduardo Campos, de Pernambuco, e Sérgio Cabral Filho, do Rio de Janeiro. Na lista dos padrinhos, Aécio Neves, que luta para entronizar Antonio Anastasia em Minas Gerais, e Paulo Hartung, que transferiu toda a sua popularidade a Renato Casagrande do PSB. Casagrande deve ser eleito governador do Espírito Santo no primeiro turno com quase 70% dos votos válidos.

Os filhos de Erenice

A ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, resistiu por cinco dias às denúncias. Na quinta-feira 16, uma reportagem da Folha de S.Paulo a envolver seu filho Israel em mais um enredo de tráfico de influência representou o tiro de misericórdia. Após uma reunião no Palácio do Planalto, a ministra redigiu uma nota, lida pelo porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, na qual anuncia sua saída do governo, se declara vítima de uma “campanha de desqualificação” e reclama de “toda sorte de afirmações, ilações e mentiras”. Ainda que a ministra demissionária, o governo, o PT e a campanha de Dilma Rousseff ressaltem o caráter eleitoral da avidez da mídia na cobertura do caso e rejeitem a tentativa de ligar as denúncias à candidatura petista à Presidência, a situação de Erenice Guerra ficou insustentável ante a profusão de indícios de que Israel e seu irmão Saulo conduziam sem pudor atividades de lobby e tráfico de influência – e usavam com desenvoltura o nome da mãe para tentar auferir lucros.

Veja

'Caraca! Que dinheiro é esse?'

Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta.

O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 mil reais em dinheiro vivo – um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula.

Vinícius, que flanava na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, começara a dar expediente na Casa Civil semanas antes, apadrinhado por Erenice Guerra e o filho-lobista dela, Israel Guerra, de quem logo virou compadre.

Apavorado com o pacotaço de propina, o assessor neófito, coitado, resolveu interpelar um colega: “Caraca! Que dinheiro é esse? Isso aqui é meu mesmo?”. O colega tratou de tranquilizá-lo: “É a ‘PP’ do Tamiflu, é a sua cota. Chegou para todo mundo”.

PP, no caso, era um recado – falado em português, mas dito em cifrão. Trata-se da sigla para os pagamentos oficiais do governo. Consta de qualquer despacho público envolvendo contratos ou ordens bancárias. Adaptada ao linguajar da cleptocracia, significa propina. Tamiflu, por sua vez, é o nome do remédio usado para tratar pacientes com a gripe H1N1, conhecida popularmente como gripe suína.

A mais nova edição da revista ainda não está disponível na internet.

Fonte: Congressoemfoco

domingo, setembro 19, 2010

Saiba tudo sobre a revisão pelo teto do INSS

Ana Magalhãesdo Agora
O STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu a revisão para quem se aposentou entre 1988 e 2003 e teve o benefício limitado ao teto da época. Após a publicação da decisão do Supremo, o INSS passará a conceder o reajuste administrativamente, sem que o segurado precise ir à Justiça.
A AGU (Advocacia-Geral da União) estima que 1 milhão poderão ser beneficiados.
O Agora preparou um guia sobre a nova revisão.
Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste domingo

Saiba tudo sobre a revisão pelo teto do INSS

Ana Magalhãesdo Agora
O STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu a revisão para quem se aposentou entre 1988 e 2003 e teve o benefício limitado ao teto da época. Após a publicação da decisão do Supremo, o INSS passará a conceder o reajuste administrativamente, sem que o segurado precise ir à Justiça.
A AGU (Advocacia-Geral da União) estima que 1 milhão poderão ser beneficiados.
O Agora preparou um guia sobre a nova revisão.
Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste domingo

Desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta mais

Carlos Chagas
Nem só de Erenices vive a política. Aproxima-se o mês de outubro e também não vamos tratar de eleição, como não trataremos de corrupção. Vale olhar no espelho retrovisor e verificar que oitenta anos atrás eclodia aquilo que mais de perto pode ser chamado de uma revolução, ainda que propriamente não fosse. Porque uma revolução, pelo vernáculo, deve corresponder a alterações profundas nas práticas políticas, econômicas e sociais de um país. O tripé ficou capenga, sustentado apenas por ampla reforma social. Na política e na economia, nenhuma mudança.
Deflagrado dia 3 de outubro de 1930 em Porto Alegre, Belo Horizonte e Paraíba, então capital do estado com o mesmo nome, logo o movimento tomou conta do país, atingindo o Rio, Recife e outras capitais. No dia 29 tomou posse como presidente provisório da República o chefe civil, Getúlio Vargas, então presidente do Rio Grande do Sul. Começou aí a primeira contradição com o termo revolução, pois o caudilho era político por excelência. Havia sido ministro da Fazenda do presidente que derrubara, Washington Luís. Trouxe com ele políticos aos montes, a começar pelo ex-presidente Artur Bernardes, outro expoente da República Velha.
Não houve, assim, grandes alterações na política, ainda que coubesse o exemplo do golpe da vassoura: simplesmente, inverteram-se seus pólos. Os que estavam por baixo subiram, os que se encontravam por cima desceram.
Importa misturar doutrinas e pessoas, sendo que estas fazem mais História do que aquelas. Na capital gaúcha, ao embarcar no trem que acabaria chegando ao Rio, Getúlio apropriou-se de uma frase dita pouco antes por Flores da Cunha: “desta viajada, ou se volta com honra ou não se volta mais”. Estava ali a confirmação hoje consagrada na psicologia, de que um suicida dá sinais do gesto futuro muito antes que aconteça. A disposição do comandante improvisado de uma revolução que Luis Carlos Prestes não quis liderar era de vencer ou morrer. Naquele dia, ignorava-se o grau de resistência do governo Washington Luís, esperando-se a grande batalha que acabou não havendo, na fronteira do Paraná com São Paulo. Afinal, o presidente em seguida deposto fazia política em São Paulo e acabava de eleger o sucessor, Julio Prestes, outro paulista. Precisamente contra Getúlio Vargas, porque naqueles tempos de eleições fraudadas, nenhum candidato de oposição venceu. Até Rui Barbosa havia sido derrotado, anos antes.
O trem foi subindo sem lutas, aclamados os revolucionários com churrascos, flores e cerimônias cívicas. Aderir já fazia parte do sentimento nacional, diante de espingardas e canhões. Seria em Itararé o grande embate, com as tropas federais sediadas em São Paulo, mais a Força Pública paulista, entrincheiradas naquela cidadezinha paranaense. Ia correr muito sangue.
Foi quando, no Rio, ainda dentro do sentimento apaziguador do povo brasileiro, chefes militares resolvem evitar o confronto. Prendem o presidente Washington Luís, disposto a resistir até de revolver na mão e passam um telegrama para a frente de batalha, exortando os paulistas a não resistir e os gaúchos a retornar aos pampas. Haviam criado uma Junta Militar e esperavam pacificar o país permanecendo indefinidamente no governo. Os soldados que defendiam São Paulo ou voltaram à capital ou aderiram à revolução. Os gaúchos mandaram Osvaldo Aranha, num teco-teco, à capital da República, para dizer aos generais e um almirante que parassem de brincar com coisa séria. Deu-lhes prazo até que Getúlio chegasse para transmitir-lhe o poder. Os membros da Junta devem ter olhado pela janela, verificando que o povo estava eufórico nas ruas, não por eles, mas pela revolução. Também contaram quantos corpos de tropa lhes eram fiéis e cederam em cinco minutos. Os gaúchos que viessem para assumir o poder.
Se a viagem do trem já era uma festa, maior ficou quando a locomotiva entrou em solo paulista. Na capital do estado, um fenômeno singular: sem poder reagir, os quatrocentões ficaram em casa, partidários que eram de Washington Luís. Mas o povão, a começar pelos operários, lotou praças e avenidas gritando “queremos Getúlio, queremos Getulio!” Lembravam-se de que na recente campanha eleitoral o candidato derrotado anunciara as primeiras medidas sociais, se fosse eleito. Salário mínimo, jornada de oito horas diárias, férias remuneradas, estabilidade no emprego e outras que, justiça se faça, o novo presidente cumpriu ao longo dos anos em que ficou no governo.
No Rio, jornais que apoiavam a República Velha foram “empastelados”, expressão em uso para significar a destruição das redações com incêndios e muita pancadaria. Até o “Jornal do Brasil” ficaria fechado por alguns meses, resistindo até setembro passado, quando um pastelão resolveu suprimi-lo.
Alguns gaúchos arrogantes haviam prometido amarrar seus cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, forma de humilhar o governo deposto e a capital federal, sem recordar que os cariocas apoiavam a revolução. Fizeram isso à noite, mas, pela manhã, os cavalos haviam sido roubados e, no lugar deles, estavam amarrados alguns soldados gaúchos. Vingaram-se, os cariocas.
Getúlio tomou posse dia 29, trajando farda de soldado. No palácio do Catete, senhoras em vestidos de luxo, políticos de terno e gravata e o povo em euforia. Assumia o presidente provisório, tornado presidente constitucional em 1934 e ditador em 1937. Foi deposto em outubro de 1945, para voltar eleito em 1951 e cumprir o vaticínio exposto na estação de trem, ao sair de Porto Alegre. Para não perder a honra diante da tentativa de sua deposição, matou-se com um tiro no peito.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Nem Serra (dossiê contra e a favor), nem Dilma, corrupção na Casa Civil (comprovada e punida com demissão), serão PREJUDICADOS ou FAVORECIDOS
Tudo o que está no título, é rigorosamente verdadeiro. O cidadão-contribuinte-leitor está tão acostumado com esse tipo de “eleição hostil que pode ser chamada de baixaria previamente identificada”, que não ligará para mais nada.
Portanto, se estão esperando que acusações de um lado ou do outro, alterem a soma dos votos que levam à vitória, estão muito enganados. (Há mais de 25 anos, o Millor escreveu: “Eu sou a SOMA do quadrado dos catetos, mas pode me chamar de hipotenusa”).
Se pensam que isso não tem nada a ver, estão muito enganados. E a maior referência entre a criação jornalística e a realidade, é a palavra SOMA.
Dona Dilma atingirá os 50 por cento mais um voto para ganhar no primeiro turno? Serra conseguirá um total de votos que, SOMADOS (novamente a palavra) com os de Dona Marina levarão ao segundo turno?
De qualquer maneira nenhuma alteração, apenas prorrogação da monotonia, mas não da incerteza. Seria a ida pela segunda vez ao local da votação, para que Dona Dilma obtenha no segundo turno, a vitória que não obteve no primeiro.
Mas se houver segundo turno, será por causa da participação de Dona Marina, superior ao que se esperava.
***
PS – Não tenho o menor constrangimento de dizer agora, poderia omitir. Esperava que Marina Silva repetisse Heloisa Helena. Esta chegou a 10 e até 11 por cento, escrevi que não manteria, não manteve.
PS2 – Marina manteve e manterá, me surpreende agradavelmente. É possível que por causa disso, haja o segundo turno. A eleição se realizará dentro de 14 dias, está tudo estabelecido, o resultado só seria ou será alterado, com a ausência de um dos dois candidatos.
PS3 – 3 de outubro sem emoção, sem sensação, sem indefinição. Tudo ficará para o dia 1º de janeiro de 2011, posse, oficialização dos ministros, (alguns já serão conhecidos) começo do terceiro governo, não do Lula ou de Dilma, o primeiro do PT.
PS4 – Dificilmente, quase IMPOSSÍVEL, este blog chegar até lá. Mas se chegar, (ou se chegasse), j-o-r-n-a-l-i-s-t-i-c-a-m-e-n-t-e, que maravilha viver.
Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

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