Publicado em 7 de setembro de 2025 por Tribuna da Internet

Múcio evita criticar anistia e diz que é preciso ‘fraternidade’
Karolini Bandeira
O Globo
O ministro da Defesa, José Múcio, evitou comentar sobre o projeto de anistia a envolvidos em atos golpistas, elaborado pela oposição do governo no Congresso Nacional. Questionado por jornalistas após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os comandantes das Forças Armadas no Palácio da Alvorada na última sexta-feira, Múcio afirmou que a queda de braço entre os Poderes “não favorece o país” e que é preciso fraternidade.
“Não conheço o projeto (…) acho que essa queda de braço não favorece o país. Precisamos reconstruir a fraternidade”, afirmou o ministro, que completou:” Tenho evitado conversar sobre isso nesse momento”.
ANISTIA AMPLA – O texto defendido pelo PL na Câmara, revelado pelo O Globo, prevê que Jair Bolsonaro fique novamente elegível para a disputa presidencial de 2026 e oferece uma anistia ampla, que incluiria, além do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), envolvidos nos atos de 8 de janeiro e alvos do Supremo Tribunal Federal (STF) em inquéritos como o das fake news e o das milícias digitais.
O texto trata de medidas cautelares, o que, poderia tornar sem efeito a imposição de tornozeleira eletrônica a Bolsonaro. A proposta também estende o perdão aos participantes de acampamentos em frente a quartéis, como os que ocorreram após a eleição de 2022. Contudo, a minuta enfrenta divergências dentro de siglas do Centrão e declarações contrárias de caciques do Senado.
SEM DEFINIÇÃO – Na quinta-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que não há definição sobre o texto e que as discussões com os líderes a favor e contra a anistia ainda estão em andamento. Questionado sobre o julgamento do ex-presidente na Suprema Corte, Múcio declarou que o “lema das Forças Armadas é respeitar a Justiça”.
“O lema das Forças Armadas é respeitar a decisão da Justiça. Esse assunto é um problema da justiça e da política. As Forças Armadas é uma coisa diferente. Servem a um país”, disse.