Você já ouviu falar em Partido Digital Bolsonarista? Só para você saber, é assim que o PL, partido de Bolsonaro, conseguiu aprovar a urgência da anistia na Câmara, mesmo não tendo mais o controle do Executivo. Vem cá que eu te explico.
Longe de ser uma organização institucionalizada, o “partido” não existe no papel, não tem diretórios, estatuto nem fiscalização da Justiça Eleitoral. E é justamente isso que o torna tão poderoso — e perigoso.
A arma principal são as redes sociais. Uma pesquisa que li do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) documentou padrões estéticos semelhantes, o mesmo timing nas postagens e discursos idênticos vindos de publicações de políticos da extrema direita, para além do Partido Liberal (PL).
O bolsonarismo não depende mais de Bolsonaro nem do PL para sobreviver. A sigla apenas serve como hospedeira, fornecendo estrutura legal e acesso a recursos públicos, enquanto a máquina digital segue ditando as pautas políticas do país.
Essa forma de organização — descentralizada, algorítmica e emocional — dá ao bolsonarismo uma vantagem nunca vista antes na disputa pelo imaginário público.
É a prova de que a extrema direita pode até brigar internamente pelo poder, mas, na hora de impor seus interesses acima das demandas populares, eles estão organizados, unidos e com celulares nas mãos.
Ao ler esse estudo, como responsável pelas redes sociais do Intercept, não pude deixar de me preocupar com a nossa capacidade de impactar o debate público. Sim! Até porque não estamos no Instagram, WhatsApp ou TikTok para ganhar likes e fama, mas para ser oposição nos espaços ocupados pelo Partido Digital Bolsonarista.
As pessoas que bancam as reportagens do Intercept são cidadãos comuns, que trabalham na escala 6x1, contam com a isenção de impostos para quem recebe até R$ 5.000, são contra anistiar os golpistas que tentaram jogar o país em um regime militar, contra a impunidade parlamentar — e são os interesses dessas pessoas que nos comprometemos a defender todos os dias, com jornalismo corajoso e de impacto social.
Em tempos de PEC da Blindagem e PEC da Anistia, nossos leitores confiam no Intercept, pois sabem que até mesmo os veículos de mídia progressista continuam engessados e negacionistas, enquanto nós nos adaptamos a essa nova lógica da comunicação política.
Por isso, pedimos a sua ajuda agora. Se não pudermos contar com quem é mais afetado pelas medidas e articulações do bolsonarismo, ninguém mais vai nos ajudar a combatê-lo.
A verdade é que a extrema direita se reinventou, consegue mobilizar milhões de pessoas em questão de horas e, como o estudo mostra, não vai recuar.
A única opção é nos reinventarmos também, investirmos em estratégias digitais mais dinâmicas e continuarmos lutando — com mais força, mais membros apoiadores e mais investigações.
Juntos, somos mais fortes que eles! 