domingo, agosto 17, 2025

Lula escolhe a diplomacia em vez da retaliação contra os Estados Unidos

Publicado em 17 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

Lula aposta na cooperação e no multilateralismo

Pedro do Coutto

A decisão do presidente Lula da Silva de não retaliar cidadãos americanos e nem adotar medidas imediatas de reciprocidade às tarifas impostas pelos Estados Unidos representa mais do que um gesto de prudência: é uma escolha estratégica que reafirma a soberania brasileira sem cair na armadilha do confronto direto.

Quando Donald Trump anunciou tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, num gesto interpretado como retaliação política e ingerência externa, muitos esperavam que o Brasil respondesse na mesma moeda, aplicando restrições semelhantes.

DIÁLOGO – Lula, no entanto, optou por outro caminho: descartou a retaliação automática e concentrou esforços em fortalecer a economia interna, proteger exportadores e manter aberto o diálogo em instâncias multilaterais.

Essa postura revela uma compreensão madura das relações internacionais. Ao afirmar que “não iria se humilhar” buscando Trump em condições desfavoráveis, Lula sinalizou que o Brasil não se submete a pressões externas, mas também não se deixa guiar por impulsos que poderiam agravar a crise. Em vez de fechar portas, o governo lançou um pacote de medidas de apoio de mais de R$ 30 bilhões para os setores afetados, ao mesmo tempo em que reforçou a articulação diplomática junto a parceiros como os BRICS e a Organização Mundial do Comércio.

A decisão evita um desgaste imediato e coloca o país numa posição de força moral, preservando sua imagem de defensor da soberania e do multilateralismo. Lula demonstrou que governar em tempos de tensão exige equilíbrio: firmeza para defender os interesses nacionais, mas inteligência para não transformar diferenças em rupturas irreversíveis.

VÍNCULOS – Há também um simbolismo importante nessa escolha: ao recusar-se a retaliar indiscriminadamente cidadãos americanos no Brasil, Lula diferenciou o campo político do campo humano. Seria fácil explorar o ressentimento popular e restringir vistos ou criar barreiras a estrangeiros como forma de revanche. Contudo, ao não fazê-lo, o presidente preservou milhares de vínculos culturais, acadêmicos e familiares que unem os dois países, demonstrando que a política externa brasileira não deve ser guiada pelo improviso nem pelo populismo punitivo.

Essa distinção entre governo e povo é um traço que fortalece a credibilidade internacional do Brasil. Além disso, a opção por não reagir de forma imediata pode abrir espaço para uma recomposição futura das relações comerciais em condições mais favoráveis ao Brasil. A retaliação automática, ainda que popular internamente, teria efeito limitado diante do peso da economia americana e poderia fechar portas de negociação no médio prazo.

Com a estratégia de resistência paciente, Lula cria margem para costurar alianças com outras potências emergentes, pressionar os EUA por meio de organismos multilaterais e, sobretudo, transformar o episódio em exemplo de maturidade política. A história mostra que grandes líderes são aqueles que sabem distinguir o momento de lutar do momento de recuar para vencer em outro terreno.


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