sábado, agosto 23, 2025

Diálogos e suspeitas financeiras agravam a situação de Bolsonaro no STF

Publicado em 23 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Pedro do Coutto

Nesta semana, veio à tona diálogos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e o pastor Silas Malafaia, o que agravou de forma significativa a situação do ex-mandatário no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

As conversas, obtidas pela Polícia Federal a partir do acesso a arquivos armazenados em nuvem, revelam uma rede de articulações que vai desde o campo político até movimentações financeiras de alto valor. Diante da repercussão, Moraes determinou que Bolsonaro apresentasse explicações em prazo curto, uma medida que reforça a pressão jurídica e política sobre ele.

DEPÓSITO – Entre os pontos mais delicados está a descoberta de um depósito de cerca de R$ 30 milhões na conta de Bolsonaro, realizados em parcelas cuja origem ainda não foi esclarecida. A Polícia Federal vê nessa operação um indício de movimentação financeira atípica, potencialmente ligada a lavagem de dinheiro. A defesa do ex-presidente terá de explicar não apenas o destino da quantia, mas principalmente a fonte dos recursos, o que coloca Bolsonaro em posição defensiva.

Ao mesmo tempo, veio à tona um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, endereçado ao presidente Javier Milei, elaborado em 2024, o que demonstra que Bolsonaro cogitou seriamente deixar o país diante do avanço das investigações. Embora o documento não tenha sido formalizado, sua simples existência adiciona um componente de fragilidade à narrativa de que se vê perseguido politicamente, pois indica que o ex-presidente vislumbrava a fuga como saída.

Outro ponto que chamou atenção foi a inclusão do pastor Silas Malafaia no inquérito conduzido por Alexandre de Moraes. Malafaia teria participado de movimentos para pressionar a Justiça brasileira e influenciar a opinião pública em favor de Bolsonaro, inclusive articulando campanhas internacionais contra ministros do Supremo.

MOBILIZAÇÃO – Além disso, diálogos revelam que Eduardo Bolsonaro, deputado federal que reside nos Estados Unidos, tentou mobilizar autoridades norte-americanas para adotar medidas contra integrantes da cúpula do Judiciário brasileiro, como a suspensão de vistos e o bloqueio de bens. Essa tentativa de internacionalizar o conflito e obter apoio externo para desgastar o Supremo vem sendo interpretada como obstrução de justiça e ameaça à soberania nacional.

O impacto dessas revelações não se restringe ao campo jurídico. Elas acentuam a crise interna no núcleo bolsonarista, expondo divergências e fragilidades na própria família. Combinadas, essas circunstâncias tornam mais difícil a tarefa do ex-presidente de oferecer uma explicação clara e convincente para a sociedade. Bolsonaro se vê, assim, diante de um dilema: ou se pronuncia de forma transparente, assumindo riscos jurídicos ainda maiores, ou opta pelo silêncio, que pode lhe custar ainda mais caro na opinião pública.

De um modo ou de outro, a pressão cresce, e os fatos parecem se consolidar contra ele, num cenário em que a cada revelação as saídas políticas e legais se estreitam.


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