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Magno e Lopes, acorrentados à mesa do plenário do Senado
Merval Pereira
O Globo
A situação no Congresso está complicada com o motim da oposição que interrompe os trabalhos. Interessante que a oposição, o PL principalmente, lembra que David Alcolumbre comandou a sessão da votação de sua reeleição sentado na cadeira de presidente, o que não era permitido.
Pesquisa da Quaest aponta que a maioria acha que o Congresso trabalha em benefício próprio. E este episódio de agora confirma isso: o Senado só se preocupa com coisas pessoais e interesses de grupo. Não dá a sensação que seja um poder da República brasileira, que se preocupa com o país.
SUPREMO, IDEM – A mesma coisa acontece com o STF; a pesquisa mostra que a confiança na instituição vem caindo e pela primeira vez, a desaprovação é maior que a aprovação. Porque o STF dá a entender que a interpretação da lei depende de quem está sendo julgado e qual é o julgador.
Não é uma posição jurídica, é posição de interpretações, que dependem de quem está julgando, o que dá insegurança para a opinião pública.
Estamos numa situação de muita polarização política e se não tiver muito cuidado nas atitudes e decisões, a disputa polarizada te engole. E a insegurança do cidadão comum aumenta.
DISCREPÂNCIA – O mesmo STF que acabou com a Lava-Jato agora é rigorosíssimo com Bolsonaro, seus adeptos e com os golpistas de janeiro. Tem toda razão de ser rigoroso com eles, mas foi muito complacente com a situação de Lula e da Lava-jato.
De repente, o que era unanimidade passou a ser criticado pelos ministros do STF, que vinham há cinco anos apoiando a Lava-Jato. É difícil defender situações como esta.
O Tribunal tem papel importantíssimo na proteção da democracia. Se não fosse ele, talvez teríamos sucumbido diante do que hoje sabemos, do golpe que estava sendo armado.
PODER SAGRADO – Mas isso não lhe dá o direito de permanecer o tempo todo como orientador da nação, sem poder ser criticado e advertido de que está exorbitando seu poder. Assim como Bolsonaro, depois de tudo o que foi provado, não tem o direito de falar que está sendo perseguido.
Ficamos numa situação difícil, porque o cidadão comum acaba sendo jogado para um lado ou para o outro. Não existe um caminho do meio, sensato.
As opções são o radicalismo de um lado, ou o radicalismo do outro lado e isto não é bom para o país.