domingo, agosto 24, 2025

Bolívia, espelho do desastre populista, torna-se um alerta para o Brasil

Publicado em 23 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

Eleições na Bolívia: país terá segundo turno inédito, em pleito marcado por  derrota da esquerda - BBC News Brasil

Senador Rodrigo Paz, de direita, vence o primeiro turno

Bruno Gomez Musa
TimeLine

Permitam-me compartilhar com vocês uma preocupação profunda que carrego: a Bolívia. Hoje, ao observar a situação da nação andina, sinto um frio na espinha, pois vejo ali um espelho, um reflexo do que pode se tornar o Brasil se não abrirmos os olhos. A Bolívia está à beira de uma “ruína econômica” e, pasmem, quase uma “guerra civil”.

Não é um exagero; é a triste realidade de 25 anos de políticas populistas de extrema esquerda, lideradas por Evo Morales e, mais recentemente, por Luis Arce. A mensagem que tiro disso é clara: se o Brasil não se desvencilhar dessas práticas, corremos o risco real de trilhar o “mesmo caminho” para o colapso.

NA DERROCADA – Os números, meus amigos, são implacáveis. A inflação na Bolívia está flertando com 25% anuais. Pensem nisso… E as reservas internacionais, que em 2014 eram robustos US$ 15 bilhões, hoje se arrastam em meros US$ 1,7 bilhão. Comparem com a reserva do Brasil, aproximadamente US$ 340 bilhões.

O governo boliviano gasta mais do que arrecada, e o déficit fiscal é financiado pela impressão de dinheiro e pela emissão de dívida. É uma espiral de autodestruição. O PIB per capita deles, estagnado e abaixo de US$ 4 mil entre 2015 e 2023, é a prova da ausência de crescimento real após o período de bonança das commodities.

Sim, a dependência do gás natural, principal motor de exportação, cobrou seu preço, com a queda dos valores, mas os gastos populistas, esses não acompanharam o freio nas receitas.

DÍVIDA X PIB – Consequentemente, a relação entre dívida e PIB explodiu, superando os 80% e tornando-se insustentável. E a cereja do bolo da crise, o que paralisa tudo, é a escassez de dólares, que impede a importação de combustíveis, travando transporte, distribuição e toda a atividade econômica. É desolador.

A semente dessa crise, acreditem, foi plantada lá no início dos anos 2000. Tanto a Bolívia, sob Evo Morales, quanto nós, sob Lula, vivenciamos um período de fartura impulsionado pelos altos preços das commodities.

E aqui está o ponto crucial: o influxo de dólares não foi canalizado para investimentos em produtividade de longo prazo. Em vez disso, foi usado para financiar políticas populistas, subsídios e programas sociais ineficientes. Isso gerou um crescimento artificial de curto prazo, inflado pelo expansionismo fiscal, mas sem bases sólidas.

EXAUSTÃO – A conta, como sempre, chegou quando os preços das commodities despencaram. As receitas diminuíram, mas os gastos populistas persistiram, levando ao financiamento via dívida, à explosão do endividamento público e à exaustão das reservas. Eu vejo essa “fórmula do fracasso” boliviana e a comparo diretamente com as práticas que temos observado no Brasil. É um alerta de causa e efeito que não podemos ignorar.

A trajetória de Evo Morales, que assumiu a presidência em 2005, é para mim o manual do populismo autoritário. Em 2008, ele expulsa a agência antidrogas dos Estados Unidos e nacionaliza recursos naturais, inclusive a Petrobras boliviana. Em 2009, elabora uma nova Constituição, que permitia a reeleição, garantindo-lhe 8 anos no poder. E Morales não parou. No fim de seu terceiro mandato, tentou um quarto, com base numa “tecnicalidade”.

NO SUPREMO – O desrespeito à vontade popular ficou evidente quando, após perder um referendo popular que rejeitava sua permanência, ele recorreu ao Tribunal Constitucional – com juízes que ele mesmo havia indicado –, que convenientemente permitiu sua candidatura. Em 2019, denúncias de fraude eleitoral feitas pela OEA e a retirada de apoio do Exército levaram à sua renúncia.

Na eleição desta semana, o populismo de esquerda foi varrido do poder. O segundo turno será disputado por dois nomes de direita:  Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão) obteve mais de (32,08%) e Tuto Quiroga (Aliança Livre), com 26,94%), segundo resultados preliminares divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral.

Apesar de todas as sombrias comparações, preciso reconhecer que o Brasil, até o momento, não atingiu a mesma ruína da Bolívia. E por quê? Atribuo essa diferença a dois fatores cruciais: a nossa pauta exportadora e a indústria brasileira são muito mais diversificadas e robustas, garantindo maior resiliência econômica. Além disso – e aqui faço uma aposta com o futuro –, sugiro que a população brasileira, especialmente a partir de 2025, parece estar “mais acordada” para os riscos do “regime nefasto” do autoritarismo e do populismo. Isso pode gerar – e espero que seja assim – uma maior resistência a essas práticas


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