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Embaixada dos EUA usa redes para endossar ameaças ao STF
Pedro do Coutto
Num episódio sem precedentes na história recente das relações Brasil–Estados Unidos, a Embaixada norte-americana em Brasília publicou uma declaração oficial reproduzindo falas do governo Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes. No texto, Moraes foi chamado de “arquiteto da censura e perseguição” e, em tom de ameaça, o comunicado alertou que aliados do ministro no Supremo Tribunal Federal também poderiam ser alvo de sanções.
A mensagem, feita de forma pública e direta, foi interpretada no Brasil como uma ingerência indevida no Judiciário de um país soberano, rompendo protocolos tradicionais da diplomacia e colocando em xeque a relação histórica entre as duas nações.
ESCLARECIMENTOS – A reação do governo brasileiro foi imediata: o Itamaraty convocou o encarregado de negócios dos EUA para prestar esclarecimentos e classificou a atitude como “inaceitável” e “intromissão grave” em um poder constitucionalmente independente. Esse gesto se soma a uma escalada de tensões iniciada semanas antes, quando Washington impôs sanções a Moraes e a seus familiares com base na Lei Magnitsky, além de suspender vistos e anunciar tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras.
A justificativa americana foi de que tais medidas seriam uma resposta a decisões judiciais que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro — um argumento que, na avaliação de juristas e diplomatas brasileiros, representa clara tentativa de pressionar e constranger uma autoridade judicial.
Essas ações não apenas abalaram o diálogo bilateral como também prejudicaram a imagem dos EUA no cenário internacional, alimentando a percepção de que o governo Trump mistura interesses ideológicos com política externa. O tom confrontacional adotado por Washington reforçou no Brasil o discurso de defesa institucional e de preservação da independência dos poderes, ao mesmo tempo em que ampliou o sentimento de resistência a pressões externas.
PREDECENTE – Para muitos analistas, trata-se de um marco preocupante, pois rompe com a tradição de cooperação construtiva entre os dois países e cria um precedente perigoso para o futuro das relações diplomáticas.
O episódio, além de expor os limites da influência americana, serve como alerta para os riscos de se permitir que disputas políticas internas se transformem em ferramentas de intervenção estrangeira. Mais do que um incidente pontual, o caso revela um embate de narrativas sobre democracia, soberania e legitimidade institucional, com potencial de gerar desdobramentos duradouros na política externa brasileira e na postura do país diante de potências globais.