segunda-feira, julho 21, 2025

No país da “Matemágica”, PEC dos precatórios abala o frágil ajuste fiscal


Clayton Rebouças | Haddad cita compromisso com ajuste fiscal ao FMI #charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico #desenho #art #caricatura... | Instagram

(Charge do Clayton) Haddad como ministro, é uma piada

Alexandre Schwartsman
Estadão

Foi aprovada em dois turnos na Câmara, e devidamente encaminhada ao Senado, nova Proposta de Emenda Constitucional referente ao pagamento de precatórios, inclusive os federais. Até 2026, por decisão do Onipotente Supremo Tribunal Federal (apenas “Supremo” não mais descreve o atual status do Excelso Pretório), cerca de metade destes pagamentos não serão considerados para fins de aferimento da meta fiscal.

De forma mais simples, ao verificar se o resultado do Tesouro Nacional se encontra de acordo com a meta definida, diga-se, pelo próprio governo, é possível excluir tais gastos.

GASTO FANTASMA – Não que tenham deixado de existir: apenas permite-se que o Tesouro se gabe de ter atingido um resultado melhor do que aquele registrado pela fria contabilidade pública, que, aliás, é o que interessa para determinar se a dívida pública aumenta ou diminui.

Já a partir de 2027, graças à PEC, os precatórios de responsabilidade da União ficarão fora do limite de gastos (o avacalhado Novo Arcabouço Fiscal) e apenas parcialmente contabilizados para fins de aferição da meta (10% no primeiro ano, 20% no segundo e assim por diante).

Na prática, portanto, o Tesouro poderá registrar resultados abaixo das metas fiscais.

VEJAM EM 2027 – Por exemplo, em 2027, quando a meta fiscal requer superávit de 0,5% do PIB (cerca de R$ 75 bilhões), será possível abater dela 90% do montante de precatórios a serem pagos.

Segundo as projeções da Lei de Diretrizes Orçamentárias, trata-se de valor na casa de R$ 124 bilhões, ou seja, serão abatidos da meta R$ 111 bilhões. Ou seja, mesmo um déficit de R$ 36 bilhões (75 – 111) poderá ser comemorado como se superávit fosse.

Há certa controvérsia, mas, segundo a opinião de alguns analistas, também a exclusão dos precatórios do limite de despesas permitirá espaço para algum gasto adicional, porque, afinal de contas, que mal faz, né?

ENDIVIDAMENTO – A ginástica contábil, contudo, não muda a trajetória do endividamento público. Com ou sem PEC, NAF, OSTF ou qualquer outra sigla, a dívida seguirá crescendo à frente do PIB e, com ela, também a percepção de risco.

Quando quiserem entender as razões para poupadores só emprestarem ao Tesouro a juros reais superiores a 7% ao ano, não olhem para o Banco Central.

O culpado também mora em Brasília, mas em outro endereço.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Deus meu! A que ponto essa gente chega na manipulação dos recursos públicos. Por muito menos, Dilma Rousseff sofreu impeachment. Os petistas vivem a aplicar esses golpes de maquiagem contábil, e não acontece nada. Ninguém é demitido, cassado ou punido com bloqueio de bens. Por isso, a esculhambação se eterniza. Ainda bem que existem economistas como Alexandre Schwartsman, mas quem se interessa? (C.N.)

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