quinta-feira, julho 10, 2025

A hipocrisia de Trump contra Alexandre de Moraes

    em 10 jul, 2025 3:25

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A ameaça de Donald Trump de impor sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, beira o grotesco e escancara não apenas a sua ignorância sobre os fundamentos mais elementares do Direito Internacional, como também sua hipocrisia política crônica. Em qualquer Estado soberano minimamente civilizado, atos praticados por servidores públicos no exercício de suas funções, se eventualmente causarem algum tipo de dano a terceiros, são de responsabilidade do ente estatal a que pertencem — no caso, a República Federativa do Brasil. A investida pessoal contra Moraes, portanto, não é apenas juridicamente inepta, mas revela a tentativa desesperada de transformar uma figura institucional num bode expiatório conveniente para alimentar a retórica populista que Trump cultiva com esmero.

É de um cinismo escancarado que o mesmo homem que tenta silenciar jornalistas, perseguir opositores, coagir juízes e difamar instituições venha posar de defensor da liberdade de expressão e da democracia. Trump, que considera liberdade apenas a sua liberdade — e apenas quando a usa para humilhar, mentir e manipular —, vê no ministro Moraes um símbolo de resistência ao delírio autoritário que ele gostaria de universalizar. A lógica é simples (e doentia): toda crítica a ele é censura; toda resposta institucional, perseguição. Sua cruzada contra Moraes, portanto, é menos sobre o Brasil e mais sobre sua obsessão em calar vozes que não se curvam ao seu projeto de poder — sejam elas de ministros da Suprema Corte brasileira, jornalistas independentes, estudantes, professores ou o cidadão comum.

O que se vê é o velho truque da vitimização autoritária: atacar as instituições enquanto se diz atacado por elas. Trump faz isso desde sempre. A diferença agora é que tenta arrastar o Brasil e suas instituições democráticas para dentro do seu circo de insanidades. Resta saber se encontrará plateia. Porque mesmo para os padrões do trumpismo, mirar sanções num ministro de outro país por exercer suas funções constitucionais ultrapassa o limite do ridículo e entra no campo da farsa diplomática. A única sanção cabível aqui é a da razão contra a estupidez. E essa, infelizmente, não depende do Congresso americano. Depende de nós.

Trump resolveu taxar os produtos brasileiros em 50% — e, claro, os patriotas de verde e amarelo, de prontidão, devem aplaudir de pé, com direito a continência e dancinha de TikTok. Afinal, para essa ala do bolsonarismo, patriotismo mesmo é com P maiúsculo, de Patriot Act, não de pátria amada. No fundo, sonham com Trump no Planalto, de farda e faixa presidencial, nomeando Eduardo Bolsonaro embaixador vitalício em Mar-a-Lago e rebatizando Brasília de “Trumpistão do Sul”. O Brasil? Só serve como colônia obediente, exportadora de minérios, bois e, sobretudo, vassalagem ideológica. Se Trump invadir, não estranhe ver patriotas abrindo os portões com bolo, faixa de “Welcome” e uma jura de amor eterno.

https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/a-hipocrisia-de-trump-contra-alexandre-de-moraes/

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