Publicado em 18 de julho de 2025 por Tribuna da Internet
Não se trata de ser contra a boa remuneração do servidor público, incluindo os membros da Justiça, que, por sua complexidade e responsabilidade, merecem um salário digno. No entanto, o que tem se consolidado no Brasil é um cenário de supersalários e privilégios que se tornou um verdadeiro tapa na cara do trabalhador comum e um escárnio à moralidade pública. A situação de juízes que são nomeados para comarcas, mas comparecem por apenas quinze dias e ainda recebem integralmente como se tivessem trabalhado a semana inteira, é o ápice do desrespeito.
Essa indignação não é isolada. Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha, divulgada pela ONG Movimento Pessoas à Frente, revelou que 83% dos brasileiros são favoráveis à revisão de benefícios e auxílios que permitem pagamentos acima do teto constitucional. Esse dado é alarmante e reflete o clamor popular por justiça e equidade.
O problema é sistêmico. Como demonstrou o UOL, em 2024, 9 em cada 10 juízes e integrantes do Ministério Público receberam uma remuneração média líquida acima do que foi pago aos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Uma série de reportagens nos últimos meses tem exposto casos onde adicionais elevam o salário de servidores públicos para bem acima do teto remuneratório, que hoje é de R$ 46 mil. A série "Brasil dos Privilégios" chegou a mostrar casos de servidores com vencimentos mensais líquidos superiores a R$ 1 milhão.
Esses pagamentos exorbitantes são feitos, ironicamente, de forma "legal", aproveitando-se de brechas na legislação. A tática é classificar adicionais como "verba indenizatória", uma categoria de pagamento que, em princípio, é imune ao teto constitucional por ser destinada a cobrir despesas sem relação direta com a recompensa pelo trabalho.
Contudo, ao longo dos anos, uma série de decisões administrativas do próprio Judiciário e do Ministério Público tem alterado esse entendimento, favorecendo magistrados, promotores e procuradores. Essas mudanças resultaram em uma explosão de pagamentos acima do teto, transformando o que antes era um mecanismo de compensação em um instrumento de privilégio. Como bem satirizado, o que antes era convenientemente chamado de "direito adquirido" – até que se percebeu ser uma – criativa denominação de "verba indenizatória".
Essa realidade é um tapa na cara do trabalhador comum, que luta diariamente com salários defasados e uma carga tributária pesada. O custo social e moral desses privilégios é imenso, corroendo a confiança nas instituições e a crença na igualdade perante a lei. É fundamental que haja uma revisão urgente e profunda desses mecanismos, garantindo que a remuneração no serviço público seja justa, transparente e, acima de tudo, respeite os limites impostos pela Constituição e pela moralidade.
Você acredita que a pressão popular e as reportagens investigativas podem ser decisivas para forçar mudanças nessas "brechas legais"?
