Serviço Mal Feito: Quando a Culpa Não É da Atual Gestão, Mas da Omissão dos Vereadores
Em tempos de crise e indignação popular, é comum que a população direcione sua revolta à figura do prefeito em exercício. No entanto, é preciso separar responsabilidade de culpa e entender que muitos dos problemas que hoje enfrentamos em Jeremoabo são herança de gestões passadas — especialmente no que diz respeito às obras eleitoreiras, feitas às pressas, sem planejamento, sem estudos técnicos e sem a mínima infraestrutura.
O calçamento da Praça, no Riacho do São José, é um exemplo claro disso: uma obra feita para fins políticos, mal executada e que, hoje, gera transtornos à população. E quem deveria ter impedido que isso acontecesse? Os vereadores! Afinal, a função do vereador não é apenas pedir emprego para parente ou distribuir cestas básicas em ano eleitoral. A função legítima do vereador é fiscalizar o Executivo, denunciar irregularidades ao Ministério Público e zelar pela boa aplicação dos recursos públicos.
Portanto, se hoje convivemos com buracos, desperdício de dinheiro público e serviços mal feitos, a culpa não recai sobre o atual prefeito, mas sim sobre os que silenciaram diante da desordem. Os vereadores da legislatura passada foram coniventes ou omissos diante dessas aberrações. E isso precisa ser dito com todas as letras.
Outro ponto importante a ser discutido é o uso indevido da água. Qualquer cidadão que, por conta própria, abre canal ou fura rede de água sem autorização das autoridades competentes está cometendo um crime. A escassez de água na zona rural de Jeremoabo é um problema antigo, crônico. E embora o prefeito Tista de Deda já tenha se comprometido a buscar soluções até o fim de seu mandato, é importante lembrar: o prefeito não é milagreiro. Resolver um problema histórico exige planejamento, investimento e tempo.
Por fim, é fundamental reforçar que ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos. A democracia exige respeito às instituições e à lei. Se há insatisfação, que ela se transforme em pressão organizada, denúncia formal e participação ativa na vida política da cidade — e não em atos de vandalismo ou agressão.
Que o povo entenda de uma vez por todas: a mudança começa pela consciência. E essa consciência precisa vir acompanhada de cobrança séria, principalmente dos vereadores, para que não sejamos mais vítimas de obras eleitoreiras e irresponsáveis como as que herdamos.